Costa Nova beach

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Eu adoro fazer praia. Houve uma altura em que não gostava, sentia-me desconfortável com o meu corpo, ficava farta de estar ali a torrar ao Sol, a água do norte é sempre muito fria para se tomar um bom banho, o vento é forte e nem sempre tinha a boa companhia que me convencesse.
Com o passar dos anos, o mar suscita cada vez mais poder sobre mim. Não só adoro ir à praia, mesmo indo sozinha, como resolvi a questão do vento com um excelente pára-vento, passei a gostar de dormitar ao som das ondas, ver os tons de azul e verde que elas desenvolvem, apaixonei-me por ler romances enquanto me rebolo naquele colchão gigante e ocioso que é o areal e já que o banho fica quase sempre fora de questão, descobri que divagar nas poças de maré é extremamente terapêutico e divertido, sobretudo para uma bióloga!
E de facto, ter uma boa experiência de praia só depende da nossa vontade. Eu gosto de conhecer novos lugares e reconhecer-lhes as particularidades. Nessa onda veraneia resolvi tirar um dia para me aventurar pela vila e praia da Costa Nova, em Aveiro, que, no seu conjunto, oferece uma experiência completa.
Só o passeio desde Aveiro até ao outro lado da ria já é fascinante: a paisagem muda, permite espaço para respirar e, durante as primeiras horas da manhã, as aves enchem aquele local de interesse.

Chegamos bem cedo à Costa Nova, ainda o nevoeiro não tinha levantado. Passamos um bom pedaço, sentados numa esplanada de café a ver o sol subir na Ria, as aves terminarem os rituais matinais e o nevoeiro levantar. O Sol que começava a bater naquelas casinhas todas às riscas, parecia desperta-las, as cores ficavam vivas… pareciam sorrir. Aquela tranquilidade dá-lhes um ar infantil, algo fantasioso que me encantou mais do que estava à espera.
Não deixei que a vila se enchesse com muita gente. Assim que o nevoeiro levantou, assim que o Sol aqueceu, fomos até à praia e ali passamos quase o dia inteiro.
A areia é fina, o areal estende-se por centenas de metros quando a maré está baixa, descobrindo as conchas de lapas e bivalves de todas as cores, espécies, formatos…
A água é fria! Afinal de contas continuamos a norte. Mas a possibilidade de caminhar metros e metros com a água pelos joelhos sempre com coisas novas pare descobrir debaixo dos pés, apenas com a companhia de pequenas ondas tranquilas, ajuda a equilibrar a experiência.
Fiquei ansiosa por lá voltar.

I love going to the beach. There was a time when I didn’t: I felt uncomfortable in my skinny body, I was tired of being there literally roasting under the sun, the water from the north is always too cold for us to dive in, the wind is strong and most of the times I didn’t have the company to convince me.
Over the years, the sea is having more and more power over me. Today, not only do I love going to the beach, even going by myself, but I also solved the wind issue with an excellent windbreaker, I began to like to relax to the sound of the sea waves, to see the shades of blue and green they develop, I fell in love with reading novels as I grind on that giant mattress of sand and since bathing is almost always out of the question, I have discovered that wandering through the tide pools is extremely therapeutic and fun, especially for a biologist!
In fact, having a good beach experience only depends on our will. I like to know new places and recognize their particularities. Some days ado I decided to have a beach day in the village and beach of Costa Nova, in Aveiro.
Only by getting from Aveiro to the other side of the estuary is fascinating: the landscape changes, allows some space for breathing and, during the first hours of the morning, the birds fill that place with so much interest.

We arrived at Costa Nova very early in the morning: the fog had not risen yet. We spent a good time watching the sun rising in the estuary, the birds finish their morning rituals and the fog fading away. As the sun begins to hit that gorgeous striped houses, they seemed to awake, the colors were alive… they seemed to smile! That tranquility gives them a childish feeling, something unreal that enchanted me more than I was expecting.
We didn’t wait for the village to fill up with people. As soon as the fog faded, as soon as the sun warmed, we went to the beach and spent most of the day there.
The sand is so thin, it stretches through hundreds of meters when the tide is low, and uncovers the shells of limpets and bivalves of all colors, species, formats…
The water is cold! After all, we are still in the north. But the possibility of walking hundreds of meters meters with water by the knees with new things rising under your feet, only with the company of small and calm waves, helps to balance the experience.
I can’t wait to get back there!

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2 Comments

  1. Também adoro frutos vermelhos! 🙂
    Há algo de mágico em batidos com frutos roxos, não há? 😀
    Uso muito os mirtilos, mas fica uma cor mais profunda. São tão divertidos, quanto deliciosos!

    1. É verdade, o roxo não é uma cor muito comum! Mas torna as coisas em algo mágico mesmo. A minha irmã diz que parece um batido de unicórnio 🙂 muito girly, portanto!

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