June and July Nature Journal

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Junho e Julho foram muito diferentes no que diz respeito às minhas experiências na natureza.

June and July were very different in regard to my experiences in nature.

Junho foi dominado por uma viagem às terra altas e naturalmente, dediquei muitas páginas do meu diário de natureza às minhas experiências na Escócia.
Os cervídeos foram uma constante ao longo da minha estadia. Desde pequenos rastos até avistamentos mais ou menos próximos, houve pelo menos duas ou três experiências com Corços e Veados a reter. Por isso, na primeira semana de Junho resolvi representar um corço que avistei num trilho nos Cairngorms.

June was dominated by our roadtrip to the highlands and of course, I dedicated many pages of my nature journal to my experiences in Scotland.
The cervids were a constant throughout my stay. From small tracks some sights, there were at least two or three experiences with Deers to retain. So in the first week of June I decided to represent a Roe-dear that I saw on a trail in the Cairngorms.

Outra experiência que nunca passa despercebida em todo o Reino Unido são os característicos jacintos-do-campo. Na verdade pensei que já não iria ter oportunidade de os avistar porque sempre pensei que florescessem apenas no início da primavera. Contudo, o clima é muito diferente de Portugal e mesmo do sul de Inglaterra pelo que foi óbvio que o tempo de floração fosse mais longo. O seu aroma inconfundível atrai!

Another experience that never goes unnoticed all over the UK are the characteristic fields of bluebells. In fact, I thought I would not have a chance to spot them because I always thought they bloom only in the early spring. However, the climate there is very different from Portugal and even from the south of England so it is obvious that the flowering time is longer. Its unmistakable sweet aroma attracts us!

Apercebi-me que ainda não tinha feito nenhuma página no meu diário dedicado ao gado que encontro frequentemente em Portugal. E foi quando avistei estas vacas Highland que me apercebi que devia introduzi-las no meu diário e, a partir daí, ficar um pouco mais sensível ao gado.

I realized that I had not yet made any page in my journal dedicated to cattle that I often encounter in Portugal. And it was when I saw these Highland cows that I realized that I had to put them in my journal, and from then on, to be a little more aware to the cattle I see frequently!

Mas nem sempre as melhores experiências são feitas nas grandes viagens. E foi o que aconteceu na noite de São João, depois do jantar. Mesmo no terreno ao lado do dos meus pais avistei um pequeno e belíssimo mocho galego que estudava atento o terreno às procura de alimento. Não gostei muito do resultado do meu desenho contudo e apercebi-me que tenho de estudar melhor a representação de penas, sobretudo quando se trata de um padrão malhado ou pintalgado.

But the best experiences are not always found on big trips. And that’s what happened on St. John’s night, after dinner. On the land next to my parents house I saw a small and beautiful little owl who was looking for food. I did not like the result of my drawing, however, and I realized that I have to practice a lot the representation of feathers, especially when it comes to a patchy pattern.

O início do mês de julho, por outro lado, foi bastante atribulado e obrigou-me a recordar os momentos passados na Escócia. Resolvi então fazer ais uma representação de cervídeos, em particular o de um alistamento de um Veado-Vermelho junto ao rio Finnan. Era enorme e as suas agulhadas estavam a crescer. Sonhei poder voltar à Escócia em pleno outono ou percorrer Portugal à procura de veados com galhadas grandes!

The beginning of July, on the other hand, was very busy and forced me to remember the moments spent in Scotland. I then decided to make a representation of a red deer I saw near the Finnan River. It was huge and its antlers were growing. I dreamed about coming back to Scotland in the middle of autumn or go through Portugal in search of deer with big antlers!

Recordei ainda um momento junto ao lago Cluanie, quando quase a pisá-los, dei de caras com um conjunto incontável de girinos que, pela forma e tom quase preto me pareciam girinos de sapo-comum.

I remembered a moment next to Lake Cluanie, when I almost stepped on an uncountable set of tadpoles that, by the shape and almost black color, seemed to me Common toad tadpoles.

Por fim, já de volta, num passeio à beira mar pelo passadiço junto às dunas foi lindo descobrir os cardos-marítimos em flor! As dunas pareciam enfeitadas de pequenos pompons de uma tonalidade mágica, azul metálico e lilás!

Finally, back home, during a walk along the dunes by the sea, it was lovely to discover the sea holly blooming! The dunes seemed to be adorned with little pompoms of a magical tint, metallic blue and lilac!

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Rhubab, strawberry and vanilla jam

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Já vos tinha confessado anteriormente que acho a arte das conservas uma espécie de magia que consegue preservar o entusiasmo dos frutos dentro de um pequeno frasco, pronto a abrir em qualquer altura do ano. Não há nada como estar em pleno Inverno, abrir um frasco de compota caseira e sentir-lhe primeiro o aroma e depois o sabor. Remete-nos quase sempre para memórias: sobretudo do Verão e do Outono.
Já vos tinha falado anteriormente da minha compota favorita, a compota de framboesa, aqui. Mas as compotas em minha casa são de quase tudo. Desta vez resolvi testar uma receita de compota de ruibarbo que fui coleccionando desde que escrevi este post. A minha curiosidade pelo ruibarbo era grande sobretudo depois de ter provado tartes e compotas maravilhosas com este ingrediente.
A minha Madrinha conseguiu cultivar ruibarbo em casa e traz-me frequentemente alguns talos que possa utilizar. Depois de ter testado algumas receitas (em breve prometo partilhar convosco uma fabulosa tarte de ruibarbo e maça!) resolvi fazer uns frascos de compota de ruibarbo, morango e baunilha que foi uma surpresa muito agradável na minha dispensa!
O ruibarbo, juntamente com o morango fazem uma compota de sabor doce e ácido ao mesmo tempo, como um molho agridoce para o qual as sementes de baunilha são o contraste perfeito. A receita é do livro “Doces, Compotas e Conservas” da Thane Prince, e está mesmo na página ao lado da minha receita preferida de compota de morango!

Para cada 1,25kg de ruibarbo cortado em pequenos pedaços juntar cerca de 600g de açúcar e o sumo de dois limões. Deixar a mistura apurar durante 24h. Depois levar ao lume mexendo esporadicamente, e deixar ferver em cachão até começar a fazer ponto. Retirar a espuma e acrescentar as sementes de 1/3 a 1/2 de vagem de baunilha (não mais, ficará muito intenso!) e deixa-se apurar uns 5 minutos. Desligar o lume e deixar arrefecer durante 10 min antes de colocar em frascos esterilizados.

Fiquei muito surpreendida com o resultado. Imaginei que o sabor iria ser demasiado complexo mas a verdade é que os ingredientes se complementam inteiramente. É uma compota extremamente agradável, de sabor macio, um ácido que eu muito aprecio e uma cor bem convidativa. Fica bem sobre manteiga batida, sobre o pão ou uns belos scones. Escusado será dizer que tenho comido compota de ruibarbo ao pequeno almoço nos últimos dias. Creio que esta dose não chegará ao Inverno e terei de fazer mais…!

I had previously confessed that I think that the art of making preserves is a kind of magic that manages to preserve the enthusiasm of the fruit inside a small bottle, ready to open at any time of the year. There’s nothing like being in the middle of winter, opening a jar of homemade jam and feeling it’s aroma and taste. It almost always send us to our memories: especially of summer and autumn.
I had already told you about my favorite raspberry jam, here. But the jams at our home are made from very kind of fruit. This time I decided to test a rhubarb jam recipe that I collected since I wrote this post. My curiosity about rhubarb was great especially after having tasted wonderful pies and jams with this ingredient.
My Godmother was able to grow Rhubarb at home and often brings me some stalks to use. After testing some recipes (I promise to share with you a fabulous rhubarb and apple pie!) I decided to make some jars of rhubarb, strawberry and vanilla jam which was a very pleasant surprise in my pantry!
Rhubarb together with the strawberry make a sweet and sour jam at the same time for which the vanilla seeds are the perfect contrast. The recipe is from the book “Jellies, Jams & Chutneys” by Thane Prince and it’s right on the page next to my favorite Strawberry jam recipe!

For each 1.25kg of rhubarb cut into small pieces add about 600g of sugar and the juice of two lemons. Allow the mixture to rinse for 24h. Then bring it to the heat stirring sporadically, and let it boil until it starts to achieve the solidification point. Remove the foam that usually forms at the surface of the jam and add the seeds 1/3 to 1/2 of vanilla bean (no more, it will get very intense!) and let it boil for 5 minutes. Turn off the heat and let it cool for 10 min before placing the jam in sterilized jars.

I was very surprised by the result. I imagined that the taste would be too complex but the truth is that the ingredients complement each other entirely. It is an extremely pleasant jam, with a soft flavor, an acid that I very much appreciate and a very inviting color. It is good over whipped butter on bread or some beautiful scones. Needless to say, I have eaten rhubarb and strawberry jam for breakfast in the last few days. I believe that this batch will not reach the winter and I will have to make more …!

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Weekly Project: My Nature Journal

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Há uns tempos prometi que partilharia os meus desenhos de biodiversidade. A verdade é que não os tenho coleccionados nem catalogados, nem tão pouco são feitos com grande esforço: são na maior parte das vezes meros apontamentos nos cadernos de trabalho, até nas bermas de livros ou em folhas soltas para experimentar materiais de pintura!
Como bióloga sempre me vi impulsionada para desenhar a biodiversidade em diversos contextos da minha vida profissional e pessoal. Há alguns anos tinha feito um workshop com o Fernando sobre ilustração científica e anos mais tarde acabei por me cruzar com ele como colega do curso de doutoramento: ele trabalhou a vertente da ilustração científica enquanto eu estudei o papel da comunicação da ciência na ligação do homem com a natureza. Nunca fiz aquele workshop com a pretensão de colocar em prática uma vida de ilustradora como a dele mas hoje, já com o meu trabalho feito, depois de alguns anos a pintar óleo e aguarela como autodidacta compreendi que a minha própria ligação com a natureza passa por muitas coisas, entre elas desenhar e pintar o que vejo.

 

Por isso, em Dezembro passado, decidi que ia organizar-me melhor neste sentido e criar um diário de natureza mais sério onde pudesse: colocar em prática as aguarelas, servir-me de algumas coisas que fui aprendendo sobre observação e ilustração, partilhar um pouco daquilo que sei sobre os diários da natureza e, acima de tudo, reconhecer e consolidar os meus momentos de ligação com ela. Não pretendo simplesmente fazer um desenho bonito nem, por outro lado, considerar isto ilustração como aquela que o Fernando faz! Apenas descontrair, motivar-me para a observação e usufruir do potencial de um bom diário da natureza.

 

Comprometi-me a fazer uma página (ou mais) por semana durante um ano e finalmente ganhei coragem para partilhar convosco o que já fiz! Se me seguirem no instagram, vão poder ver cada uma das páginas que já desenhei ao longo dos próximos dias, e depois, regularmente sempre que desenhar uma nova.

 

Revejo-me muito neste projecto pessoal e acho que chegarei ao fim com muita aprendizagem, boas memórias, novo conhecimento e atitudes mais positivas em relação à forma como me ligo à biodiversidade. Espero também poder partilhar convosco outros recursos relacionados com este pequeno projecto: dicas, livros, materiais, estratégias, etc.

 

Some time ago I promised that I would share my biodiversity drawings. The truth is that I have not collected or cataloged them, nor are they done with great effort: they are for the most part mere notes on my workbooks, even on the edges of books or on loose sheets where I try painting materials!
As a biologist I have always been motivated to draw biodiversity in diverse contexts of my professional and personal life. A few years ago I went a workshop with Fernando on scientific illustration and years later I ended up with him as a PhD fellow: he worked on scientific illustration as I studied the role of science communication in the connection between men and nature. I never did that workshop with the pretension of being an illustrator like he is, but today, with my work done, after a few years of painting oil and watercolor as a self-taught, I understood that my own connection with nature goes through many things, among them to draw and paint what I see.

 

So last December I decided that I would organize myself in this direction and create a more serious nature journal where I could: practice watercolors, use some of the things I learned about observation and illustration, share a little from what I know about nature journals and, above all, to recognize and consolidate my moments of connection with nature. I do not just want to make a beautiful drawing, nor do I consider this scientific illustration as the one Fernando does! Just relax, motivate myself to observe and enjoy the potential of a good nature journal practice.

 

I committed to doing a page (or more) a week for a year and finally I got the courage to share with you what I already did! If you follow me on Instagram, you will be able to see each of the pages that I have already drawn over the next few days, and then regularly whenever I draw a new one.

 

This project means a lot to me and I think I will end it with a lot of learning, good memories, new knowledge and more positive attitudes towards how I connect with biodiversity. I also hope to share with you other resources related to this small project: tips, books, materials, strategies, etc.
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Summer is not over!

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Gosto de pensar no verão sobretudo quando já vai a meio! O Verão pode ser uma estação interessante, depende do espírito com o qual a abraçamos. Este ano vi-me, de repente, com mais tempo disponível e resolvi gozá-lo devidamente e sobretudo ficar consciente disso. Evitei as rotinas, deixei que certas coisas saíssem do meu controlo… e nenhum muro caiu! Não havia muitas expectativas mas acho que, precisamente por isso, me diverti e absorvi muito mais. Desde idas à praia mais conscientes e criativas, desde leituras em frente à água, passando por passeios a pé no meio do nada, convívios com amigos, muitos amigos e com a família acho que tem sido uma estação forte em sentimentos, em reflexões e em estar consciente de tudo isso e sobretudo, em ficar cada vez mais próxima da natureza. Penso que uma estação assim nos prepara melhor para as decisões do outono, para os projectos que queremos ver concretizados, para voltar às rotinas, para determinar novos hábitos e adquirir maior sensibilidade.
O Verão ainda não terminou e, apesar da azafama dos regressos ao trabalho, às aulas, etc, para mim ainda me restam algumas aventuras para encher a estação e é importante para todos nós pensarmos que ainda há coisas boas para usufruir: muitas horas de sol diário, bom tempo ao fim do dia, fruta boa, muitas estrelas no céu para ver depois do jantar, muitos pequenos projectos para por em prática!

I like to think about summer especially when it’s already halfway through! Summer can be an interesting season, it depends on the spirit with which we embrace it. This year I suddenly have more time than usual and decided to enjoy it properly and, above all, to be aware of it. I avoided the routines, let certain things go out of my control… and, guess what? No walls fell down! No-one died! I didn’t have many expectations for my summer but I think that, because of this, I had much more fun and absorbed much more of my summer days. From the more conscientious and creative trips to the beach, readings in front of the water, to walks in the middle of nowhere, meetings with friends and family, I think it has been a strong season regarding feelings, reflections and awareness. And above all I was able to get closer and closer to nature. And I’m hoping to maintain that. I think that a season like this prepares us better for decisions, for the projects that we want to see materialized, to get back to our routines, to embrace new habits and to acquire greater sympathy for our own life.
Summer is not over yet, and despite the hustle and bustle of returning to work, to classes, etc., I still have some adventures to cross until the end of the season and I think it is important for all of us to think that there are still good things to enjoy: many hours of sunshine daily, good weather at the end of the day, good fruit, many stars in the sky to see after dinner, many small projects to put into practice!

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