A few of my favourite things: hiking

Vattern Lake, Sweden

 

Vouzela, Portugal

 

Parteira de Fermentemos, Águeda, Portugal

 

Tivedens National Park, Sweden

 

Rio Paiva, Portugal

 

Ermelo, Portugal

 

Vale do Rio Bestança, Portugal

 

Lake District, England

 

Arouca, Portugal

Durante os últimos anos de trabalho estudei a relação entre o ser humano e a restante biodiversidade. Entre as teorias mais fascinantes destaca-se a “Biophilia hypothesis”. Esta é uma teoria científica descrita em 1984 pelo biólogo Edward O. Wilson que defende que nós, seres humanos, temos uma afinidade inata para o mundo natural e temos tendência para procurar conexões com a natureza e com outras formas de vida. A palavra Biophillia significa amor/amizade pela vida e trata-se de uma inclinação psicológica para tudo o que é vivo ou natural e que parece ser herdada ao longo das gerações, muito possivelmente na carga genética que carregamos connosco. É magico pensar que possuímos, em cada célula, um pequeno livro que conta a história da nossa evolução, que nos mostra o nosso lugar nesta grande árvore da vida e nos aparenta a todos os seres vivos do presente, do passado e do futuro. Estar com a natureza é estar em família, é estar em casa e por essa razão é natural sentirmos-nos acolhidos, protegidos, confortáveis e livres.

Nada me preenche mais do que ficar horas no meio da natureza onde não possa ver praticamente sinais de civilização. Uma das minhas coisas favoritas é fazer trilhos pedestres. Para terem uma noção, depois do meu casamento, adiamos uma grande viagem para uns meses mais tarde, alojamo-nos no interior do país e fomos fazer trilhos! Já fiz muitos em Portugal e, nos últimos anos, alguma vontade de conhecer os países mais intensamente tem possibilitado descobrir alguns trilhos longe de casa.
De qualquer das maneiras, dentro ou fora de Portugal, é uma forma de turismo muito particular. O sightseeing das grandes cidades e pontos turísticos pode ser entusiasmante mas, ao longo dos anos fui percebendo que não me preenchia na totalidade. Eu gosto de ver os grandes ex-libris de uma cidade ou de um país, mas também tenho gostos pessoais que me atraem para pequenos pormenores que quase ninguém escolhe ver. As minhas “creative tours” têm muito a ver com isso. Mas passear é mesmo assim: há uma parte de nós que quer ver o que outros já viram… e outra que quer ver o que só o nosso coração pede.

Fazer um trilho tem em si uma atitude de desapego, ainda que seja por um pequeno período de tempo. Sair de casa, deixar o carro e carregar numa mochila tudo o necessário para nos “protegermos do mundo” lá fora é, nos dias de hoje uma pequena vitória. Se isso decorrer no espaço desconhecido, selvagem, onde não há ninguém para esclarecer dúvidas, onde vale a voz da natureza que dos desabituados de reconhecer, em que são apenas alguns sinais pintados em árvores ou pedras que nos impedem de nos perdermos em zonas remotas onde por vezes não há rede de telemóvel… bom, pode ser uma pequena aventura! Pagam-se caro as experiências radicais. Delegamos facilmente a uma empresa de turismo preparar tudo, responsabilizar-se para que tudo corra impecavelmente bem e a quem podemos reclamar no caso de chover… E há, de facto, experiências que só são viáveis assim, de forma sistematizada. Contudo, muitas vezes deixamos de as fazer quando temos aventuras gratuitas, a alguns quilómetros de casa, adaptadas a diferentes capacidades e gostos! A vantagem de pegar na mochila e num amigo e fazer um trilho é que podemos escolher, como se a “casa” fosse (porque é) nossa. É escolher como queremos fazer as coisas, aquilo a que queremos dar valor, que esforço e tempo queremos despender. É saber respeitar, cuidar um espaço que é de todos e que sentimos orgulho de partilhar. É ter confiança de abrir um portão e atravessar uma propriedade porque alguém gentilmente nos cedeu essa liberdade. É ter um planeta inteiro para descobrir. E é também fazer de uma ou duas horas de caminhada, uma semana inteira de experiências: a sonhar, apreparar, a concretizar e no fim a assimilar e recordar. Tão promissor!

During the last years I studied the relation between the humans and the rest of biodiversity. Among the most fascinating theories, “Biophilia hypothesis” stood out. This is a scientific theory described in 1984 by the biologist Edward O. Wilson who argues that we humans have an innate affinity for the natural world and tend to seek connections with nature and other life forms. The word Biophillia means love/friendship for life, it’s a psychological inclination towards everything that is alive or natural and that seems to be inherited throughout generations, quite possibly through the genetic information we carry with us. It is magical to think that we all have in each cell a little book that tells the story of our evolution, which shows us our place in this big tree of life and get us close to at all living things of the present, the past and the future. To be in nature is to be in family, to be at home and for that reason it is very natural for us to feel welcomed, protected, comfortable and free.

Nothing fills me more than spending hours in the midst of nature where I can see, virtually, no signs of civilization. One of my favorite things is hiking. For you to understand how I feel about it, after my marriage, we delayed this huge trip for a few months, we went to the interior of the country and went to hike! I’ve done a lot of hiking trails in Portugal and, in recent years, this desire to know other countries more intensely has made it possible to discover some trails away from home.
In any case, inside or outside Portugal, it is a very particular way of be a tourist. The sightseeing of the big cities and tourism sights can be exciting but, over the years, I have realized that it did not fill me entirely. Of course I like to see the great ex-libris of a city or a country, but I also have personal tastes that attract me to small details that almost nobody chooses to see. My “creative tours” have a lot to do with it. Traveling is all about this: there is a part of ourselves that wants to see what others have seen… and another that wants to see what only our heart asks for.

Hiking a trail involves some detachment, even if it is for a short period of time. These days, leaving home, leaving our car on the road and carrying in our backpack all that is necessary to “protect ourselves from the world” is a small victory. If this happens to occur in the unknown wild space, where there is no one to clarify doubts, where the voice of nature is the only voice you hear (and that we are getting unable to recognize), in which we have to trust in just some signs painted on trees or stones that prevent us from getting lost in remote areas, where sometimes there is no phone coverage… well, we might be asking for a little adventure! Radical experiences are costly. We easily delegate to a tour company to prepare everything, to make sure that everything runs smoothly and to whom we can complain if it rains… And there are, in fact, experiences that are only viable this way, in a systematized way. However, we often stop doing them even when we have free adventures, a few miles from home, adapted to different capacities and tastes! The advantage of grabbing a backpack and a friend and hike a trail is that we can choose, as if the “house” was (because it is) ours. It is choosing how we want to do things, what to value, what effort and time we want to spend. It is knowing how to respect, care for a space that belongs to everyone and that we are proud to share. It’s to have confidence while opening a gate and crossing a property because someone kindly gave us that freedom. It’s having a whole planet to discover. And it’s also to transform an hour or two of walking in a whole week of experiences: to dream, to prepare, to do it and, in the end, assimilate and remember. How bright!

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Masgot Shawl

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Quem leu este post sabe que, durante o outono estive a tricotar um xaile com três cores lindas da lã Ofélia. Xailes são as minhas peças favoritas e estou sempre pronta a tricotar mais um!
Desta vez vim partilhar convosco o resultado final desta aventura de Outono e que já está em uso desde que o Inverno começou.
O Xaile Masgot é um modelo que recomendo! É um projecto muito divertido e fácil de tricotar: o ponto é simples, não exige grande concentração pelo que pode ser tricotado enquanto se vê uma boa série, se conversa com outras tricotadeiras, se ouve boa música ou um bom podcast. Além disso a possibilidade de introduzir mais do que uma cor torna o projecto mais interessante porque, de onde a onde, parece que estamos a tricotar uma peça diferente.
As possibilidade são imensas! Eu usei apenas três cores: duas, de tonalidades próximas, para a base e uma cor forte para as riscas mas imagino um trabalho igualmente interessante se as riscas forem feitas em cores diferentes, eventualmente dentro do mesmo tom mas em degradê… A minha opção acabou por ser muito versátil já que nenhuma das cores, mesmo o azul, prende muito e acaba por ficar bem com quase tudo, sobretudo se forem adeptos dos neutros como é o meu caso.
Em relação à lã Ofélia, que foi uma novidade para mim, posso dizer que se portou muito bem! É uma lã fofa mas que retém alguma aspereza e aroma características da lã virgem e é, por essa razão, uma lã interessante para acessórios e peças que se queiram leves como é o caso de um xaile ou um cachecol.
A única coisa que mudaria neste projecto, visto que a lã assim o permite, seriam as agulhas: optei pelo tamanho 3,75mm (US 5, UK 9) já que a lã é menos espessa do que aquela que o modelo sugere… contudo, penso que aguentaria perfeitamente umas agulhas de 4mm (US 6, UK 8) abrindo um pouco mais o ponto. No entanto, o blocking foi perfeitamente capaz de criar o efeito desejado graças à flexibilidade da lã Ofélia que, apesar de fofa, é muito resistente!
Espero que gostem do resultado!
Eu já avancei num novo projecto de tricô que espero partilhar convosco muito brevemente!

If you read this post last autumn you know that I was working in a shawl made in three beautiful colors of a yarn named Ofélia. Shawls are my favorite pieces and I’m always ready to knit one more!
This time I came to share the final result of this autumn adventure that has been in use since the winter began!
The Masgot Shawl is a go to pattern I strongly recommend! It’s very fun and easy to knit: the stitches are the simplest, it does not require great concentration so it can be knitted while you see your favorite TV serie, talk to other knitters during a knitting meeting, listen to good music or a good podcast. In addition, the possibility of introducing more than one color makes the project more interesting because every time you change your color you get the excitement of starting a different knitting project.
The possibilities are huge! I used only three colors: two close tones for the base and a strong color for the stripes but I can imagine an equally interesting result if the stripes are made in different colors, eventually within the same tone but in gradient! My choice turned out very versatile since the colors, even the blue, goes with almost everything you wear, especially if you’re a neutral’s lover as I am.
Regarding the yarn, Ofelia, that was new to me, behaved well! So well! It has a soft, light touch but it retains some roughness and aroma of a virgin wool and is, therefore, an interesting yarn for accessories and pieces that must be light as shawls or scarfs.
The only thing that I would change in this project are the needles: I chose the 3.75mm (US 5, UK 9) size since my yarn is less thick than the one suggested by the pattern… however, I think it would withstand 4mm (US 6, UK 8) needles to create a more open stitch. However, the blocking was perfectly capable of creating the desired effect thanks to the flexibility of the yarn which, though cute, is tough!
I hope you like the result!
I have already started working on a new knitting project that I hope to share with you very soon!

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Hot Chocolate

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Sim, um outono a sério traz com ele o chocolate quente!
Desde criança que não aprecio leite com chocolate e, por isso, foi uma grande surpresa para mim quando me dei conta de que um belo chocolate quente é uma bebida maravilhosa e que não tem nada a ver com leite achocolatado.

 

Já experimentei uma ou duas receitas boas e muito diferentes que vou partilhar convosco, mas hoje venho partilhar a mais especial e mais simples: a receita da avó Luísa.
A avó Luísa é de uma aldeia de Melgaço, muito perto da fronteira com Espanha. A sua juventude foi contemporânea da ditadura, da guerra civil espanhola, do contrabando, de um Portugal fechado para o mundo e de uma Europa esquartejada por fronteiras.
Mas era nas idas e regressos ao país vizinho que ela arranjava o melhor chocolate para fazer o chocolate quente e que lhes aquecia a alma nos dias frios.
Ela ainda conta que o chocolate quente era uma bebida servida nos casamentos, quando os familiares vinham visitar a casa da noiva antes de saírem para a igreja e que, por vezes, era tão espesso que a colher ficava de pé! No casamento dela gastaram-se muitas tabletes daquele excelente chocolate e, se foi feito como o que ela faz ainda hoje, foi o melhor início para um dia delicioso!
Não quero estar aqui com extravagâncias, podem usar o chocolate que quiserem, mas a avó Luísa usava um chocolate especial que encontrava em Espanha específico para chocolate quente. Segundo ela, o mais parecido que consegue arranjar cá é nos supermercados Froiz quer da marca própria como da marca Valor.
Foi com este chocolate que fiz o meu chocolate quente, digno de uma chávena bonita e de uma manhã fria de outono!

 

Atenção, não há chocolate quente em condições que não seja uma verdadeira bomba calórica por isso eu ignorei o significado das quantidades e fiz isto como deve de ser.
Num fervedor coloquei cerca de 50g de chocolate e duas colheres de sopa de água. Deixei derreter mexendo sempre e com o cuidado de não deixar queimar. Acrescentei leite aos poucos até atingir o equilíbrio desejado: para uns o chocolate tem de ficar bem espesso, para outros mais líquido por isso os 50g de chocolate podem dar para apenas uma chávena se quisermos um chocolate denso, indulgente, ou para duas se quisermos uma versão mais leve. Eu confesso: para mim, demasiado leite faz disto leite achocolatado e perde toda a piada!

 

Since I was a child that I don’t appreciate chocolate milk, so it was a great surprise for me when I realized that a beautiful hot chocolate is a wonderful drink that has nothing to do with the regular chocolate milk!

 

I have tried one or two good and very different recipes that I will share with you, but today I am sharing the most special and the simplest: the recipe from my grandmother Luísa.
My grandmother Luísa is from a village in Melgaço, in the north of Portugal, very close to Spain. Her youth was contemporary of the dictatorship, the spanish civil war, the smuggling, an isolated Portugal and an Europe full of frontiers.
But it was in her visits to Spain, as a child and young woman, that she was able to get the best chocolate to make the hot chocolate that warmed her and her family souls on the cold days of winter!
She also tells that hot chocolate was a very appreciated drink at weddings when the family members came to visit the bride’s house before going out to the church. She says that sometimes it was so thick that the spoon stood up!
In her wedding were used lots of chocolate spanish chocolate bars and, if it was made as well as she does it today, it was the perfect start for the most beautiful day!
I don’t want to be extravagant, you can use whatever chocolate you want, but grandma Luísa used a special Spanish chocolate that specific for hot chocolate. According to her, the most similar thing she can find here is in the Froiz supermarkets, both Froiz and Valor brands.
It was with this chocolate that I made my hot chocolate, that was worth of a beautiful tea cup and a cold autumn morning!

 

Warning, there isn’t such a think as a light hot chocolate so I ignored the meaning of all the fats and calories and did it properly.
I added about 50g of chocolate and two tablespoons of water to a pan. I let the chocolate melt, always stirring and being careful not to let it burn. Then I added milk gradually, until it reaches the desired balance: for some the chocolate has to become very thick, for others more liquid so the 50g of chocolate can make only one cup if we want a dense, indulgent chocolate, or two cups if we want a lighter version. I confess, to much milk and it becomes chocolate milk to me!
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Autumn walk at Serralves

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Há sítios que marcam uma vida. Seja porque os vemos repetidamente na rotina diária, seja pelos encontros com amigos, pelos passeios de namorados, pelas memórias de infância.
O jardim da fundação de Serralves marcou vários momentos da minha vida. E estou disposta a lembrar-me de todos eles!

 

Foi no jardim de Serralves que esmaguei a maior quantidade de folhas de outono da minha infância. Serralves era um passeio obrigatório no outono e a alameda dos Liquidâmbares era o meu maior objectivo, uma curta distância que demorava mais de meia hora a ser percorrida. E era um momento de contrastes: os meus pais passeavam aquela avenida a passo calmo, quase em câmara lenta, enquanto um autêntico ballet de folhas e meninos se precipitava por todos os lados como um espetáculo a 360 graus porque, entre mim e os meus irmãos, nenhuma folha do chão podia ficar intacta!
Mas era quase no fim daquele percurso pelo parque que havia o segundo grande momento de euforia. É que durante o outono, o chão do parque a sul do roseiral, perto do lugar da Oliveira, enchia-se de ouriços debaixo dos grandes castanheiros. E, mesmo sabendo que uma grande parte daquelas castanhas não estaria em condições de se comer (naquele tempo os castanheiros não eram cuidados nesse sentido), a minha mãe deixava-nos apanhá-las e eu trazia os bolsos ou o regaço do vestido cheios de castanhas que ela assava depois do jantar. Nunca lhe perguntei se ela assava realmente aquelas castanhas ou se comprava sempre algumas de reserva e, sinceramente, não quero saber porque na minha cabeça eu comia as castanhas que apanhara com as minhas mãos no mítico jardim de Serralves.

 

Depois havia a exposição dos espantalhos junto à quinta pedagógica, no campo mesmo ao lado do lugar do Tanque, na qual a minha escola primária participou com a espantalho “Bianca”, coberta dos copos de iogurte que eu, os meus irmãos e os meus colegas levávamos para o lanche! Foi um grande orgulho para nós ter uma presença activa naquele jardim, uma espécie de responsabilidade de deixar uma marca ao lado, e com a mesma importância (pelo menos na minha perspectiva), que as mais extraordinárias obras de arte presentes na casa e, mais tarde, no novo museu da fundação.

 

E foi precisamente no museu e na casa de Serralves que vi a minha primeira exposição de arte contemporânea. Se frequentemente não nos lembramos da primeira vez que fazemos alguma coisa, para mim, ver aquela exposição foi marcante. Não me lembro de autores, não me lembro de datas, mas lembro-me de quão fortes foram algumas daquelas imagens: balões gigantes, de alumínio, em forma de almofada, cheios de hélio, que cobriam o teto de uma grande sala do piso superior da casa de Serralves; um conjunto de painéis de vidro sobrepostos no chão de uma casa de banho, onde alguém deixou cair um peso gigante que, ausente, revelava como atravessara, firme, aquele conjunto de colchões de vidro criando um padrão inigualável, talvez algo estranho mas muito libertador; duas bolas, uma preta e uma branca, separadas por um espelho que mostrava como elas, na verdade, estavam ligadas e se complementavam na imagem do reflexo; um aquário com detritos, um lixo aparente, que para os mais atentos desvendava detalhes das vivências do povo durante a segunda guerra mundial… Para muitos, tudo aquilo não fazia sentido nenhum! Algumas obras nem eu entendi, mas consegui perceber-lhes uma beleza que fez a minha imaginação despertar. Não é esse o maior objectivo da arte? Podíamos pensar que seria mais interessante para uma garota de 10-11 anos fazer uma actividade “para crianças” mas qualquer experiência artística é capaz de marcar os pensamentos e personalidade de qualquer idade.

 

Não posso também esquecer os passeios de amigos que combinávamos quase como uma celebração: uma autêntica extravagância de adolescentes e jovens, ao domingo à tarde, onde não era o local em si que era apreciado mas sim as nossas relações, os momentos de conversa deitados nos relvados do parterre. E foram incontáveis os passeios de namorados dados a dois, calmamente, de mãos dadas, entre as mais profundas conversas que nos enchiam um do outro e para os quais o jardim parecia ao mesmo tempo absurdamente pequeno e necessariamente mágico.

 

There are places that leave impressions in our life, like tattoos! It can be because we see them repeatedly, in our daily routine, because of the meetings we have there with our friends, the walks as young sweethearts or the most special childhood experiences.
The garden of the Serralves Foundation in Porto, Portugal, marked several moments of my life. And I’m willing to remember them all!

 

It was at the Serralves gardens that I crushed the most amount of autumn leaves of my entire childhood. Serralves was an “must-do” walk during autumn, and the Liquidambar avenue was my main objective, a short distance that took more than half an hour to cross. And this was a moment of great contrasts: my parents walked down the avenue at a leisurely pace, almost in slow motion, while a ballet of leaves and children rushed around them in an authentic 360-degree show because, between me and my siblings, no leaf on that ground could be left intact!
But it was almost at the end of the walk through the park that the second great moment of euphoria usually arrive. During autumn, the ground at the south of the rose garden, near the place of the Olive tree, was filled of chestnuts under the great chestnut trees. And even though I knew that a great number of those nuts would not be edible (at that time the chestnut trees were not taken care for that purpose), my mother would let us pick them and I would bring the pockets or the lap of my dress full of chestnuts that she baked after dinner. I never asked her if she actually baked those chestnuts or if she always bought some just in case and, honestly, I couldn’t care less because, in my head, I was eating the chestnuts I’d picked myself at the mythical Serralves garden.

 

Then, there was the scarecrows exhibit near the farm, right next to the Tank, in which my elementary school participated with this lady scarecrow named “Bianca” that was made of yogurt cups that I, my siblings and my colleagues collected over the school year. It was a giant pride for us to have an active presence in that garden, a sense of responsibility of leaving a mark on the same place, and with the same importance (at least in my perspective), than the most extraordinary works of art present in the house, and later in the foundation’s new museum of contemporary art.

 

And it was precisely there that I saw my first exhibition of contemporary art. If we often do not remember the first time we do something, for me, that exhibition was a remarkable moment. I do not remember authors, I do not remember dates, but I remember how strong some pictures were in my mind: giant aluminum cushioned-shaped balloons, full with helium, covering the ceiling of a large room on the upper floor of the house; a set of glass panels overlapped on the bathroom floor, where someone dropped a giant weight that smashed all the glass mattresses and created an unparalleled pattern, perhaps a little strange but very liberating; two balls, one black and one white, separated by a mirror that showed that they where connected and complemented when observed through the mirror; an aquarium full of garbage that revealed details of the people’s experiences during the Second World War… For many, those art works did not make any sense! Some of them I did not understood too, but I was able see the beauty in all of them, a beauty that made my imagination wake up. Isn’t it the ultimate goal of art? We might think it would be more interesting for a 10-11 years old girl to do a “kids’ activity” but any artistic experience is able leave a mark in our thoughts and personality, at any age.

 

I can not forget the walks with friends we used to do in Serralves, almost like a celebration, an authentic extravagance of teenagers and young adults on a sunday afternoon, where we didn’t appreciate the place as much as our own relationships and the moments of conversation, lying on the lawns of the Parterre. And finally, the countless walks as lovers, quietly carried, hand in hand, among the deepest conversations that filled us with each other’s imagination, and for which the garden seemed absurdly small and inevitably magical.
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