Nut advent calendar!

(scroll for the English version)

 

Este ano o meu calendário de advento vai ser sobre consumo. Ao contrário dos últimos anos em que os meus calendários tinham como objectivo construir algo, este ano, o meu objectivo principal é lembrar para o consumo inteligente e à mudança de hábitos. Ainda tenho algumas alterações zero plástico para partilhar convosco até ao fim do ano ou mesmo no início de 2020, mas não queria deixar de dar prioridade ao tempo de Natal: esta época em que o consumismo é, acima de tudo desmesurado e, por vezes, contra producente na aquisição de um estilo de vida saudável e sustentável. Por mais alterações que façamos, acabamos por ceder sempre a escolhas socialmente impostas e globalmente partilhadas. Por isso, este ano, o meu calendário de advento é apenas um conjunto de nozes! Decorei-as com fita de algodão e etiquetas pintadas a aguarela de forma a motivar-me a abrir, dia após dia, aquele fruto que já nos passa despercebido. O objectivo é relembrar-me sobre os verdadeiros frutos da época aqui, em Portugal, e para uma alimentação mais intuitiva e inteligente. A cada dia como uma noz recordando o que a natureza me dá no tempo de Inverno, assim, protegida entre um par de escudos resistentes, e a importância que estes frutos têm na regulação dos nutrientes do nosso organismo durante o tempo de frio: época em que a nossa pele é muito agredida pelo vento, pelo frio e tempo seco e no qual a introdução de gorduras saudáveis na alimentação é crucial. Apesar da sua simplicidade, acho que é o calendário de advento mais sincronizado com a natureza que fiz até hoje e tem-me feito pensar muito na questão da alimentação para a saúde, um assunto a que espero dedicar-me no próximo ano, uma noz de cada vez.

 

DICA: as cascas de noz são excelentes acendalhas e mantêm os caracóis longe da horta!

 

This year my advent calendar will be about consumption. Unlike the previous years, when my calendars aimed to build something, this year my main goal is to think about smart consumption and changing habits. I still have some zero plastic swaps to share with you by the end of the year or even at the early weeks of 2020, but I wanted to give priority to this Christmas time: this is the time when consumerism is the most unreasonable and sometimes counterproductive in achieving a healthy and sustainable lifestyle. No matter how many changes we make, we always yield to socially imposed and globally shared choices. It’s very hard! So this year, my advent calendar is just a bowl of nuts! I decorated them with a cotton ribbon and watercolor-painted labels to motivate me to open, day after day, that fruit that sometimes goes unnoticed by the daily use. The aim is to remind me of the winter seasonal fruits here in Portugal, and of a more intuitive and intelligent diet. Every day I eat a nut remembering what nature gives me during winter time, like this: protected between a pair of hardy shields. Them I also think about the pertinence of having this fruits to regulate the nutrients of my body during cold weather: this season in which our skin is beaten by wind, cold and dry weather and when the introduction of healthy fats into our diet is so crucial. Despite its simplicity, I think it is the most synchronized advent calendar with nature that I have done to date and it got me thinking a lot about eating healthy, a subject I hope to focus on next year, a nut at a time.

 

PRO TIP: nutshells are awesome firelighters and keep snails away from the veg garden!
Continue Reading

Harry, the hipster wolf, on our 3th birthday!

photos by @BelieveMe.Photography

(scroll for the English version)

Hoje o blog faz 3 anos de existência e não queria deixar de partilhar convosco um projecto handmade mesmo a cheirar a outono.
A “Pipoca” é a bebé de uma amiga minha, vai nascer neste outono e como já é uma menina muito especial não podia deixar de criar para ela um presente único no mundo. Pela minha forte ligação à natureza e às histórias infantis eu quis oferecer-lhe um presente que lembrasse a biodiversidade local e que cultivasse nela o amor por todos os seres vivos, mesmo aqueles que, ao longo da história, foram menos amados. Foi então que criei o Harry, o lobo hipster, amante de boa música que vem já equipado para o outono: com o seu cachecol e um par de luvas azuis. Fã incondicional de Beatles e aluno de acordeão, tem sempre uma história para contar. O Harry não só remete para um dos belos mamíferos da nossa fauna nativa como apazigua a conotação negativa do “lobo mau”. A “Pipoca” vai ter um lobo amigo para guardar os seus sonhos!
O Harry foi tão bem recebido pelos papás que teve direito a uma sessão de fotografias com a Pipoca, mesmo antes de ela nascer, pela lente da Sónia da @BelieveMe.Photography que, tal como o nome indica e as fotografias demonstram, acredita, como eu, na magia das coisas simples! As cores estão perfeitas para um dia de outono. Vão poder espreitar mais fotografias no Facebook ou no Instagram.

The blog is 3 years old today and I wanted to share a handmade autumn project with you!
My new friend is pragnent with baby  “Pipoca” that will be born this fall and, since she is already a very special girl, I could not help creating for her a unique gift. Because of my strong attachment to nature and children’s stories, I wanted to offer her a gift that resembled our native biodiversity and cultivated in her the love for all living beings, even those who have been less loved throughout history. So I created Harry, the hipster little wolf who is a music lover and is all dressed up for fall: with his scarf and a pair of blue gloves. He is an unconditional Beatles fan and is learning accordion, Harry always has a story to fill our hearts. Harry not only refers to one of the most beautiful mammals of our native fauna but appeases the negative connotation of the “big bad wolf”. “Pipoca” will have a wolfy friend to take care of her and guard her dreams!
Harry was so well received by the baby parents that he was entitled to a photo shoot with “Pipoca”, even before she was born. The beautiful photos are from Sónia’s lens from @BelieveMe.Photography who, as the name implies and the photos show, also believes in the magic of the simple things! The colors are perfect for a fall day. You can peek more of her photos on Facebook or Instagram.

Continue Reading

The vulnerability of my Nature Journal

(scroll for the English version)

 

Devem estar a perguntar-se onde é que eu parei para partilhar convosco o resultado final do meu Nature Journal?
Ora bem, eu parei de o partilhar em Outubro mas não desisti dele: as 52 semanas de Nature Journal foram feitas até ao fim. Mas, a certa altura, este tornou-se um assunto um pouco “emocional” para mim, um projeto que eu quis proteger debaixo da minha asa. E com isso acabei por não partilhar o maravilhoso resultado convosco. Não merecem! 99% de vocês não merecem que eu desista de partilhar. Pelo contrário, merecem antes que eu partilhe tudo até ao fim porque vocês fazem parte da minha motivação para continuar: post após post… palavra após palavra.

 

Porém, a certa altura houve um receio em partilhar. Nem todos usam os conteúdos que expomos cá fora da mesma forma. Os desafios de escrever um blog são imensos sobretudo quando partilhamos algo que amamos fazer do fundo do coração. Eu tenho tendência para ver os outros como iguais, que é uma forma muito pouco realista de ver a vida. Há pessoas que nos incentivam e nos desejam o melhor, assim como há quem não seja capaz de respeitar essas forças: os copycats e os trolls são uma constante na internet e já existe um número infindável de conteúdos (mais ou menos intensos) acerca deste assunto. Escrever acerca deste assunto poderia tornar-se um post deprimente sobre um assunto real e motivado por um projecto belíssimo! Eu decidi escrever sobre o assunto porque o que me inibiu não se tratou nem de um copycat (pelo menos não na sua versão virtual) ou de um troll (pelo menos não na sua versão virtual…). Foi muito mais próximo do que isso… E é muito mais difícil quando se trata de alguém que conhecemos e que tenta a todo o custo, a qualquer custo, substituir-nos na vida das nossas pessoas, nas que ocupam o nosso coração, naquilo que fazemos e generosamente partilhamos. A mensagem a reter era “obrigada por partilhares, agora que eu já sei como fazer, nós já não precisamos de ti”. Foi como morder a maçã no jardim do Éden. Eu percebi que estava despida por ter dado tanto de mim e me estarem a decepar as pequenas flores que eu semeara no meu jardim, quando elas podiam estar aqui, para todos as apreciarem. Nunca mais comprei flores. Esta experiência deixou-me perplexa perante tantos de vocês que, muitos sem sequer me conhecer, me dão um apoio positivo tão significativo. Fiquei a conhecer um pouco do mal.

 

Por vezes, alguma distância é absolutamente indispensável e o que eu senti a certa altura era que precisava que, entre todos os projectos do blog, pelo menos um que fosse meu. Só meu, que eu pudesse ter no meu seio, que me cobrisse, que me vestisse de mim. E perante a realidade de eu estar a partilhar tudo, a ideia de “proteger” aquele projeto que me era mais querido foi a solução menos má. Por isso eu decidi guardar para mim o meu Nature Journal.

 

Muito tempo mais tarde, a clareza evidenciou-se no meu caminho, a distância fez-se valer, e eu já envergava um vestido fresco com padrão de flores. Sei que fui a única a aprender com a situação, porque a distância é uma ferramenta que não serve quando ser egoísta é uma marca de caracter, mas foi o suficiente para eu perceber que a este 1% de seguidores eu tenho de dar o valor que foi dado à minha generosidade. Nenhum. Por esse motivo resolvi que queria mostrar-vos o meu Nature Journal completo e terminado. Este foi um projeto com muito poder sobre mim: resiliência, diligência, sensibilidade e aprendizagem. Que enalteceu o meu respeito pela natureza, pela vida sob qualquer forma, a minha vital capacidade de contemplar e aprender, de criar, com as minhas próprias mãos o que mais ninguém conseguirá fazer por mim. Porque eu sou única no mundo. Obrigada aos que me seguem por bons motivos: aos que me embalam na mesma canção. Para os restantes não tenho nada para oferecer.

 

Abaixo podem encontrar o meu Nature Journal de 2018, com uma página por semana revelando o melhor dos meus dias, apesar de tudo o que passou.

 

You must be wondering when did I stop to share with you my 2018 Nature Journal?
Well, I stopped sharing it in October but did not give up on it: all the 52 weeks of the Nature Journal were done until the end. But at one point, this somehow became an “emotional” subject for me, a project that I wanted to protect under my warm wing. And with that I did not share the wonderful result with you. Well, you do not deserve this! 99% of you do not deserve that I just o give up on sharing. On the contrary, you deserve that I share everything until the end because you are part of my motivation: to continue writing and making, post after post … word after word.

 

But at one point there I was afraid of sharing. Not everyone uses the content I expose here in the same way. The challenges of writing a blog are immense especially when we share something we love to do from the bottom of our hearts. I tend to see others as equals, which is a very unrealistic way of seeing life. There are people who encourage us and wish us the best, just as there are those who can not respect these forces: copycats and trolls are a constant on the internet and there are already an endless number of (more or less intense) content about this subject . Writing about this subject could become a depressing post on a real subject and motivated by a gorgeous project! I decided to write about it because what inhibited me was not a copycat (at least not in its virtual version) or a troll (at least not in its virtual version…). It was much closer than that… And it is much more difficult when it comes from someone we know and who tries by all chances, any chances, to replace us in the lives of our people, those who live in our heart, in what we do and generously share. The message to hold was “Thank you for sharing, now that I already know how to do it, we do not need you any more.” This attitude was like biting the apple in the garden of Eden. I realized that I was naked for having given so much of myself. The beautiful small flowers I had sowed in my garden were being gutted off when they could be here for all to enjoy. I never bought flowers again. This experience left me perplexed over so many of you who, many without even knowing me, give me such significant positive support. From that 1% I got to know a bit of evil.

 

Sometimes some distance is absolutely indispensable and what I felt at a certain point was that I needed, among all the blog projects, at least one that was mine. Only mine, that I could have in my lap, to cover me, to dress me. And facing the reality that I was sharing everything, the idea of “protecting” the project that was the dearest to me was the least bad solution. So I decided to save my Nature Journal for myself.

 

A long time later, clarity was back in my path, the distance made its magic and I wasn’t naked again, I was already wearing a fresh dress of flowered pattern. I know I am the only one who learned from the situation, because distance is a tool that is not useful when being selfish is a mark of character, but it was enough at least to me to realize that to this 1% of acquaintances, I have to give them the value that was given to my generosity. None. That is why I decided that I wanted to show you my complete and finished 2018 Nature Journal. This was a project with a lot of power over me: resilience, diligence, sensitivity and learning. That praised my respect for nature, for life in any form, my vital ability to contemplate and learn, to create, with my own hands what no one else can do for me. Because I’m the only one like me in the world. Thank you to those who follow me for good reasons: those who rock me in the same lullaby. For the rest I have nothing to offer.

 

Here is my Nature Journal of 2018, with one page a week revealing the best of my days, despite everything that has gone on.

 

Continue Reading

Advent Calendar is finished!

(scroll for the English version)

O ideal seria este post ter saído mesmo mesmo no dia de Natal para vos brindar com o resultado deste projeto tão enternecedor! Mas como puderam acompanhar as minhas evoluções no Instagram, resolvi cuidar um pouco mais este post e resumir o resultado final juntamente com algujs pensamentos sobre ele.
Este pequeno projeto era mesmo o que eu estava a precisar no fim deste ano atribulado e de grandes mudanças… Ao mesmo tempo estou a ser irónica e honesta. Por um lado, os últimos tempos têm sido tão caóticos que a última coisa que eu precisava era mais um pequeno projecto para aumentar a entropia pessoal. Houve até um dia que a minha mãe me perguntou ao telefone: “estás a fazer o teu calendário? Como consegues ainda ter tempo para isso?” e a resposta foi o mais honesta possível: “aqui e ali, e evito pensar demais.” A verdade foi que foi exactamente isso que aconteceu: entre uns bocadinhos à hora de almoço, no tempo de aguardar as aulas de pintura, à espera que o Carlos chegue ou à sexta-feira depois do ensaio… E não perdia muito tempo com decisões: bordei o que me apeteceu, com o tempo disponível. Nada mais. Apercebi-me apenas uma ou outra vez de que estava a por de lado coisas importantes e por isso parei e repensei.

O lado bom deste projeto foi que eu também estava mesmo a precisar de algo assim para relaxar. O cansaço por vezes apodera-se e a única forma de eu me manter atenta a um documentário ou filme no sofá, ao fim do dia e sem adormecer, é fazendo alguma coisa. Além disso, o sentimento de dispersão que tenho sentido por vezes tem muito a ver com a minha necessidade de ter algo feito à mão para fazer diariamente. Há algum tempo que pego em grandes projetos que me ocupam lotes grandes de tempo e que por isso não preenchem os meus serões. Eu senti falta disso, por essa razão, resolvi aceitar o desafio. É um tempo que dedico a mim própria, que me recorda o quanto adoro fazer coisas à mão: pequenas ou grandes. De certa forma, este projeto obrigou-me a retomar algum “hábito”, ainda que seja temporário. Alguma rotina, por vezes, é saudável.
Foi a combinação de ambas as coisas, mais o tempo de pensamento que pude dedicar enquanto fazia este projecto, que me levou a refletir no futuro: o que quero para mim no próximo ano? Como vou gerir os meus projetos? O que sinto falta? O que quero deixar para trás? Quais são as minhas prioridades? O que não quero mais perder? É incrível como uma coisa tão pequena nos pode levar a pensar e fazer decisões. Com isto tenho algumas metas para 2019 que partilharei convosco muito em breve.

Ideally, I would publish this post on Christmas Day to give you the result of this endearing project! But as you could follow my progress on Instagram, I decided to take care of this post a little more and summarize the final result along with some thoughts about it.
This little project was just what I was needing at the end of this troubled year of great changes for me… At the same time I’m being ironic and honest. On the one hand, the last months have been so chaotic that the last thing I needed was yet another small project to increase personal entropy! Yeahp. There was even one day that my mother asked me on the phone “are you making your advent calendar? How do you manage to have time for it?” and my answer was as honest as possible: “here and there, and I avoid thinking too much.” The truth is that this is exactly what happened: between lunch time, waiting for painting classes, waiting for Carlos to arrive home or friday night after my choir rehearsal … And I actually did not spend much time on decisions: I embroidered what I wanted, with the time available. Just that. I realized just once or twice that I was putting aside important things and so I stopped and re-thought.

The good thing about this project was that, I was also in need of something like that to relax. Tiredness sometimes takes over me and the only way I can keep an eye on a documentary or movie on the couch at the end of the day, without falling asleep, is by doing something else with my hands. Also, the sense of “longing” I have felt sometimes has a lot to do with my need to have something done the by hand, every day. For some time I have been caught up in big projects that take up big blocks of time and therefore do not fill my everyday evenings. I missed that, so I decided to take up the challenge. It was a time I dedicate to myself, which reminds me how much I love doing things by hand: small or large. In a way, this project forced me to resume some “habit”, even if it is temporary. Some routine is sometimes healthy.
It was the combination of both, plus the time for thinking that I dedicated while doing this project, that led me to reflect in the future: what do I want for myself next year? How will I manage my projects? What do I miss? What do I want to leave behind? What are my priorities? What are the things I do not want to lose any more? It’s amazing how such a small thing can lead us to think and make decisions. With this I have some goals for 2019 that I will share with you very soon.

Continue Reading