Summer is not over!

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Gosto de pensar no verão sobretudo quando já vai a meio! O Verão pode ser uma estação interessante, depende do espírito com o qual a abraçamos. Este ano vi-me, de repente, com mais tempo disponível e resolvi gozá-lo devidamente e sobretudo ficar consciente disso. Evitei as rotinas, deixei que certas coisas saíssem do meu controlo… e nenhum muro caiu! Não havia muitas expectativas mas acho que, precisamente por isso, me diverti e absorvi muito mais. Desde idas à praia mais conscientes e criativas, desde leituras em frente à água, passando por passeios a pé no meio do nada, convívios com amigos, muitos amigos e com a família acho que tem sido uma estação forte em sentimentos, em reflexões e em estar consciente de tudo isso e sobretudo, em ficar cada vez mais próxima da natureza. Penso que uma estação assim nos prepara melhor para as decisões do outono, para os projectos que queremos ver concretizados, para voltar às rotinas, para determinar novos hábitos e adquirir maior sensibilidade.
O Verão ainda não terminou e, apesar da azafama dos regressos ao trabalho, às aulas, etc, para mim ainda me restam algumas aventuras para encher a estação e é importante para todos nós pensarmos que ainda há coisas boas para usufruir: muitas horas de sol diário, bom tempo ao fim do dia, fruta boa, muitas estrelas no céu para ver depois do jantar, muitos pequenos projectos para por em prática!

I like to think about summer especially when it’s already halfway through! Summer can be an interesting season, it depends on the spirit with which we embrace it. This year I suddenly have more time than usual and decided to enjoy it properly and, above all, to be aware of it. I avoided the routines, let certain things go out of my control… and, guess what? No walls fell down! No-one died! I didn’t have many expectations for my summer but I think that, because of this, I had much more fun and absorbed much more of my summer days. From the more conscientious and creative trips to the beach, readings in front of the water, to walks in the middle of nowhere, meetings with friends and family, I think it has been a strong season regarding feelings, reflections and awareness. And above all I was able to get closer and closer to nature. And I’m hoping to maintain that. I think that a season like this prepares us better for decisions, for the projects that we want to see materialized, to get back to our routines, to embrace new habits and to acquire greater sympathy for our own life.
Summer is not over yet, and despite the hustle and bustle of returning to work, to classes, etc., I still have some adventures to cross until the end of the season and I think it is important for all of us to think that there are still good things to enjoy: many hours of sunshine daily, good weather at the end of the day, good fruit, many stars in the sky to see after dinner, many small projects to put into practice!

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Repurposing a men’s shirt

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Entre as arrumações que fiz na primavera encontrei umas camisas de homem que deixaram de ser usadas. Não foi pelo facto de estarem velhas mas porque deixaram de servir ou o corte estava fora de moda.
Uma delas era uma camisa de linho azul cujo tecido estava em óptimas condições. Custava-me muito desfazer-me dela e guardei-a até lhe encontrar uma nova utilidade. Quando me iniciei na onda da confecção achei que podia reutilizar a camisa e fazer uma blusa de verão para mim.

Foi a segunda vez que usei o modelo do Basic top da Cali Faye (a primeira foi aqui) mas tive de introduzir uma alteração por causa da quantidade de tecido disponível.
Usei as costas da camisa para cortar a frente da blusa e restavam-me as duas frentes da camisa para a parte de trás, o que significava que tinha de dividir o molde a meio, cortar cada uma delas em cada uma das frentes da camisa e depois coser as duas partes. Pessoalmente agrada-me muito a ideia de uma costura central nas costas porque cria um detalhe decorativo num tecido tão despojado como este.
Mas uma costura simples não me preenchia pelo que optei por introduzir uma costura decorativa usando o método das pregas pespontadas.

Para esta costura começa-se por alinhavar à máquina sobre a linha de costura. Depois corta-se a linha da bobina de 5 em 5 pontos e abrem-se as margens de costura com o ferro.
Corta-se uma tira do mesmo tecido ou de um tecido contrastante com 4cm de largura e tanto comprimento quanto o da peça. Eu dobrei-a em viés de forma a melhorar o acabamento mas não é obrigatório. Depois basta centrá-la no avesso da peça de forma a esconder as margens da costura anterior. Eu encaixei as margens no interior da minha tira de viés. Alinhava-se de ambos os lados ou colocam-se alfinetes e, por fim, aplica-se um pesponto de cada lado, a igual distância do centro. Retiram-se todos os alinhavos incluindo o da costura inicial e fixam-se todas as costuras com o ferro.

Esta técnica cria uma costura aberta, com duas pregas, que fica fixa pela tira de tecido costurada pelo interior.
Acho que criou um pormenor muito interessante nesta blusa, permitiu-me facilmente resolver a questão das limitações do tecido e ainda reutilizar uma camisa sem utilidade mas com um tecido em excelentes condições!

Last spring, while I was tiding up and reorganizing summer clothes on our closets, I found some men’s shirts that were no longer used, not because they are old but because they no longer fit or because went out of fashion.
One was a blue linen shirt in a very good condition. It was hard for me to get rid of it, so I kept it until I found a new use for it. Then, when I started sewing my own clothes, I thought I could reuse the shirt and make a summer blouse for me.

It was the second time I used the Basic Top pattern from Cali Faye (the first was this) but I had to introduce some alterations since I was limited by the amount of available fabric.
I used the back of the shirt to cut the front of my blouse and then I was left with the two fronts of the shirt to use in the back of the blouse, which meant I had to split the back in half, cut each part from each of the shirt fronts and then sew the two parts together. Personally, it pleases me the idea of a central seam in the back because it creates a decorative detail in such a modest fabric as this one is.
But a simple sewing did not meet my goals, so I chose to introduce a decorative seam using the slotted seam method.

For this seam, make a plain seam on the wrong side of the work, following the seam line. Cut through every fifth stitch using a seam ripper and press the seam open.
Cut a straight strip of 4cm of fabric wide (you can use the same fabric or a contrasting fabric). I folded it in bias in order to get a better finishing but this is not required. Center the strip on the wrong side over the open seam. I wedged the seam allowances inside my bias strip. Pin and then machine stitch the strip to the seam allowance, stitching along either side of the seam at an equal distance from it. Machine stitch from the right side of the work to get a better finish. Remove the long stitches that made the original seam to produce an open seam with parallel lines of stitching on either sides.

This technique creates a decorative seam, shown on the right side. The edges of the seam open to reveal an under layer.
I think it created a very interesting detail to this blouse, allowed me to easily solve the fabric availability issue and to reuse a useless shirt with a fabric in excellent conditions!

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Raspberry Jam

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Depois do batido de amoras de amoreira, vou continuar na onda dos frutos vermelhos! E hoje é dia de falar de compotas. É que as compotas de frutos vermelhos, em especial a de framboesa-preta, são as minhas favoritas. Eu aprecio frutos com alguma acidez e frescura e acho que nenhuns preservam tão bem esta bela combinação numa compota como os frutos vermelhos.

Com o fim da primavera e o início do verão é comum encontrar nos quintais uma autêntica explosão de arbustos de framboesa. Estes arbustos são considerados por muita gente uma autêntica praga! Nesta altura do ano quase podemos vê-los crescer, deitar rebentos, invadir espaços alheios e todos os dias é possível apanhar uma mão cheia de novos frutos que parecem ter sido lá pendurados por duendes durante a noite.
Por vezes a abundância é tanta que nos podemos dar ao luxo de partilhar a doçura das framboesas com os pardais e os melros e assim atrair mais biodiversidade aos nossos jardins e hortas. Por aqui, e para minha felicidade, este ano é “ano de framboesas”, ou seja, ano de abundância deste e de outros frutos vermelhos!

Ora, em geral os frutos vermelhos como as framboesas, mirtilos, amoras e groselhas são tão efémeros, tão frágeis e delicados é quase impossível aproveitar tudo sem fazer uso de uma boa dose de criatividade! Já comi boas doses de framboesa ao pequeno almoço com o meu iogurte caseiro, já tive oportunidade de as usar em sobremesas, sumos de fruta, batidos mas o que mais gosto de fazer com as framboesas é a sua deliciosa compota.

Há uma certa magia em preservar fruta em compota! Pensando bem, em meados de Janeiro e Fevereiro, não há muita coisa que nos alegre e nos encha de esperança e entusiasmo como barrar uma fatia de pão caseiro ou scones com uma boa dose de verão sob a forma de compota. E, no meu ideal, essa compota é de framboesa!

Para fazer a minha compota fui “coleccionando” framboesas, congelando-as até obter uma quantidade generosa. Quando já tinha uma porção considerável coloquei-as num tacho largo, de fundo espesso e acrescentei o equivalente a 60% do seu peso de açúcar. Levei o tacho ao lume alto e fui mexendo com a colher-de-pau. Deixei ferver vigorosamente durante 5 minutos e a partir daí fui testando o ponto estrada num prato arrefecido. Distribui a compota por frascos esterilizados, tapei-os e deixei arrefecer. Não me parece que durem muito tempo mas espero guardar um ou dois frascos para o inverno!

 

After the mulberry smoothie, I’ll continue writing about berries! And today is the day to talk about jam. It’s just that the red fruit jams, especially the black raspberry, are my favorites. I appreciate fruits with some acidity and freshness and I don’t think that no fruit preserve this beautiful combination in a jam as well as red fruits.

In the late spring and early summer it is common to find an authentic burst of raspberry bushes in our backyards. These shrubs are sometimes considered a huge plague! At this time of the year I believe I can almost see them grow, lie shoots, invade other plants’s space and every day I can pick up a handful of new fruits that seem to have been hanged overnight by gnomes.
Sometimes the profusion is so big that we can spare to share the sweetness of the raspberries with the sparrows and the blackbirds and thus attract more biodiversity to our gardens. Around here, and to my own happiness, this year is “raspberry year”, which means a year of abundance of this and other red fruits!

Now, generally the red fruits such as raspberries, blueberries, blackberries and currants are so ephemeral, so fragile and delicate thatit is almost impossible to enjoy everything without a good dose of creativity! I’ve eaten lots of raspberry at breakfast with my homemade yogurt, I used them in desserts, fruit juices, smoothies but the thing I like do do the most with raspberries is its delicious jam.

There is a certain magic in preserving fruit in jam! You see: in mid-January and February, there isn’t much that can cheerful us and fill us with hope and enthusiasm as to spread a good dose of summer in the form of jam on a slice of homemade bread or scones. And in my dreams, this jam is raspberry jam!

To make my jam I “collected” raspberries by freezing them until I got a generous amount. When I had a large portion, I placed them in a large, thick bottom pan and added the equivalent of 60% of their weight in sugar. I placed the pan over high heat and stirred with the wooden spoon. I let it boil vigorously for 5 minutes and then started testing the sugar point on a cooled plate. Them I distribute the jam by several sterilized bottles, cover them and let them cool. I don’t think they will last long but I hope to keep one or two bottles for the winter!

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Mulberry funky smoothie

 

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A primavera e o verão são sinónimo de bagas como as framboesas, os mirtilos, os morangos, as groselhas e as amoras. Há quem não seja muito adepto da acidez que caracteriza os frutos vermelhos, mas eu confesso que tudo o que tem frutos vermelhos atrai-me como um íman. Não é apenas o contraste entre o ácido e o doce: são as cores que são intensas, as formas que são absolutamente encantadoras e que contrastam com as suas cápsulas de pele frágil. Quem nunca se deixou apaixonar pelo vermelho intenso que uma framboesa preta deixa nos dedos das mãos?

E é muito comum passearmos pelo campo e irmos manchando as mãos e enchendo a barriga das amoras doces que nascem nos silvados dos caminhos! Mas é da Amoreira que surgem as amoras maiores e mais sumarentas. Ambas são amoras e assemelham-se tanto que é comum haver dúvidas acerca das diferenças entre umas e outras. Como é que bagas tão parecidas podem surgir de plantas tão diferentes?

As amoras dos silvados, as chamadas “blackberries” são verdadeiras bagas e nascem de uma planta da família das rosáceas (rosaceae) a que vulgarmente chamamos “silvas”. Já as amoras de Amoreira, uma árvore nativa da Ásia e de cujas folhas se alimentam os bichos-da-seda, as chamadas “mulberries” não se tratam de verdadeiras bagas (embora se assemelhem muito) e são da família moraceae.

Ambas são deliciosas mas as amoras de Amoreira são em geral maiores, mais sumarentas, mais doces e mais frágeis.
Ora, depois de ter aparecido uma qualidade generosa de amoras de Amoreira cá em casa decidi dividi-las para várias utilizações. Assim que chegaram fizeram parte da sobremesa, outra parte foi dedicada a enriquecer uma sobremesa e com uma pequena porção, já meio amachucada, resolvi experimentar um batido.

A receita não tem nada que saber: a um copo de leite acrescentei uma mão cheia de amoras e bati tudo muito bem no liquidificador.

O batido é muito saboroso e tem o travo ácido dos frutos vermelhos. Mas o mais engraçado foi eu não estar a contar com uma cor tão original! Acho que não é uma cor muito comum na nossa alimentação e acho que daria um excelente batido para o Halloween. Senti-me um pequeno monstrinho a beber aquele batido de cor tão estranha e comecei logo a magicar a possibilidade de tingir tecido com o sumo das amoras. Já alguém experimentou?

Spring and summer are synonyms for berries such as raspberries, blueberries, strawberries, blackberries and mulberries! Some of us are not very fond of their acidity but I confess that everything that has berries on it attracts me like a magnet. It is not just the contrast between acid and sweet: it’s the colours that are intense, the forms that are absolutely charming and that contrast with the fragile skin of their capsules. Who has never fallen in love with the intense red that a raspberry leaves on your fingers?

And it is very common to walk in the fields during summer and stain our hands and fill our belly with sweet blackberries that grow in the way! Mulberries, however, grow in a tree and are larger and more fruitful. Both resemble each other so much that it is very common for most of the us to have doubts about the differences between one and the other. How can such similar berries grow from such different plants?

Blackberries are “true berries” and grow from a plant of the Rosaceae family commonly known in Portuguese as “silvas”. Mulberries, on the other hand, grow from a tree native to Asia (silkworms usually feed on mulberry leaves), they are not “true berries” and are from the Moraceae family.

Both are delicious but mulberries are usually larger, juicier, sweeter and more fragile.
Well, when a generous amount of mulberries made their appearance at home I decided to use them for several different things. As soon as they arrived we ate some (a lot) as dessert, another part was used to enrich a sweet dessert and then, with a small portion I decided to try a smoothie.

The recipe is very easy: I added a cup of milk to a hand full of mulberries and smoothed everything in the blender.

The smoothie is very tasty and has the acid flavor of the red fruits. But the funniest thing was its colour! I don’t think it’s a very common colour in our food and it would make a great monster smoothie for Halloween. I was so impressed about that colour that, while drinking my smoothie, I began to think about dying fabric with mulberry juice. Has anyone tried it?

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