Stay at home: everything is gonna be okay.

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Decidi escrever este post porque estes são tempos desconcertantes: o estado de emergência devido à pandemia mundial de COVID-19 deu a volta às nossas vidas e cobre a maior parte das nossas preocupações. Ora, aqui eu não vou falar da pandemia, daquilo que podia ter sido feito, dos nossos descuidos como sociedade. Não vou falar das complicações do tele-trabalho, daqueles que ficaram sem trabalho, daqueles que já não aguentam os filhos em casa, dos pais que deixam os filhos loucos, das férias que deixaram de se fazer e os planos que ficaram parados. Não vou falar das corridas estapafúrdias ao supermercado, nem das pessoas que, de forma egotista, ignoram as medidas de contenção. Nem tão pouco vou falar na falta de ética jornalística e deturpação do profissionalismo nesta área. Não vou falar da falta de confiança dos patrões nos seus trabalhadores, não vou falar dos abusos de quem fica em casa, não vou sequer tocar no assunto do futuro da economia… Venho apenas observar as coisas boas, a metade do copo que, apesar de tudo continua cheia.

Hoje acordei com o chilrear das aves mais perto da minha janela do que o habitual. Ouvi-as piar durante mais tempo pela manhã. Os seus cantos parecem-me mais variados e indiciam a sua diversidade. Vi bolinhas de sabão caídas do céu numa tarde de sol. Vi mensagens de vizinhos escritas à mão. Ouvi cantar. Vi pais a correr com filhos adolescentes e uma mãe a tentar andar de skate. Vi um aluno de artes pintar o por-do-sol. Um casal a lanchar junto ao estuário depois de correr. Não ouvi nada, nada, a partir das 20h. Ouvi palmas apenas. Senti o ar mais leve, menos poluído. Ouvi rir. Vi receitas, flores e livros serem partilhados. Senti o leve aroma do pão quente e do bolo de chocolate acabado de sair do forno. Deixei o guarda roupa fechado e abri o armário das lãs, dos tecidos, dos pincéis e aguarelas, destapei a máquina de costura. Remendei uma baínha e acabei projetos antigos. Senti uma enorme vontade de estar lá fora e alguma angústia de saber que esta primavera que começa terá de ser um forçoso prolongamento do tempo de inverno, em casa. Mas lembrei-me que o Inverno tem sido cada vez mais sobre a temperatura e as chuvas do que verdadeiro tempo de recolhimento: não há diferença na nossa sociedade entre os comportamentos de inverno e de verão. Estamos tão trocados como as estações do ano devido às alterações climáticas. Até que nos chega algo, neste caso invisível mas poderoso, que nos obriga a ceder e a incorporar um “inverno” nas nossas vidas predefinidas. Abala tudo é certo mas, se quisermos olhar para ele com verdadeiro significado, deixemos abraçar-nos pela calma que, mais do que a preocupação, nos salva dia após dia. O inverno acabou cá fora mas a nossa natureza humana pede-nos um hibernar mais prolongado para um despertar mais intenso. Vai ficar tudo bem.

I decided to write this post because these are strange times: the state of emergency due to the global pandemic of COVID-19 bounced back our lives and covers most of our concerns. Now, I am not going to talk about the pandemic, about what could have been done, about our carelessness as a society. I am not going to talk about the complications of home-work, of those who lost their job already, of those who can no longer bear their children at home, the parents who drive their children crazy. The canceled holidays and the plans that have been paused. I am not going to talk about the stupid assaults to the supermarket, nor about the people who ignore the contingency measures. I will not mention the lack of journalistic ethics, the misrepresentation and the lack of professionalism in this area. I’m not going to talk about the bosses’ lack of confidence in their workers, I’m not going to talk about the abuses of those who stay at home, I’m not even going to talk about the future of our “beloved” economy… I am just noticing the half of the cup that remains full.

Today I woke up to the birds chirping closer to my window than the usual. I heard them chirp longer in the morning. Its songs seem to me more diverse and indicate the wonder of urban biodiversity. I saw soap bubbles falling from the sky on a sunny afternoon. I saw handwritten messages from neighbors. I heard someone sing. I saw parents running with teenage children and a mother trying to skate. I saw an art student painting the sunset. A couple snacking by the estuary after their running workout. I didn’t hear anything, anything, after 8pm. I heard only people clapping. I felt the air lighter, less polluted. I heard you laugh. I saw recipes, flowers and books being shared. I smelled the light aroma of hot bread and freshly baked chocolate cake. I left the wardrobe closed and opened the drawer were I keep the wool, fabrics, watercolors and brushes and I uncovered my sewing machine. I mended a seam and finished old projects. I felt a great desire to be outside and some sadness to know that the Spring that has just begun will have to be a compelling extension of Winter time, at home. But I remembered that Winter has been more and more about temperature and rain than the actual recollection time: there is no difference in our society between Winter and Summer behaviours. We are as puzzled as the seasons due to the climate change. Until something comes: invisible but powerful. Something that forces us to be as humans as we can be and accept a “winter” in our predefined lives. It shakes everything up, but if we want to look at it with real meaning, let us embrace the calm that, more than worry, saves us day after day. Winter has ended outside, but our human nature calls for a longer hibernation and a more intense awakening. Everything is gonna be okay.

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This Christmas, I donated my hair

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Sim, eu doei o meu cabelo.

Este ano deixei o meu cabelo crescer mais do que o habitual para poder cortá-lo e doar um bom comprimento. Infelizmente há um grande número de motivos para que muitas mulheres e meninas percam o seu cabelo em momentos difíceis. É transversal o sentimento de impotência face a tantas condições médicas e ultrapassa-nos a total compreensão das suas consequências. Durante anos a fio cortei o meu cabelo como um acto de cuidado pessoal. O cuidado com aquela que queria que fosse a minha imagem e por respeito a mim própria. Por mais difícil que nos pareça compreender: cuidar de nós é a melhor maneira de cuidar bem dos outros. Contudo, embora consciente do cuidado que dava ao cabelo que trazia comigo, sempre me desprendi da sorte daquele que ficava caído no chão do cabeleireiro. Nunca pensei muito nisso. Ao longo da vida, já devo ter cortado alguns metros de cabelo… Este ano, permiti-me esmerá-lo com um cuidado especial para que crescesse saudável por mais alguns centímetros. Hoje está a caminho das mãos empenhadas de artesãos e, em conjunto com o de outros dadores, fará, gratuitamente, mais claros o tempos difíceis de uma qualquer pequena princesa que dele precisar! Afinal, eu ia cuidá-lo e cortá-lo de qualquer forma, mais cedo ou mais tarde… Mas dei por mim mais presa ao meu cabelo do que nunca. Concedo-o neste Natal, representando um pouco do melhor de mim. Feliz Natal!

 

Yes, I donated my hair.

This year I let my hair grow longer than usual so I could cut it and donate a proper length. Unfortunately there are a number of reasons why many women and girls lose their hair in such difficult times. The feeling of powerlessness regarding so many medical conditions is transversal to us all, and its consequences are beyond our full comprehension. For years I cut my hair as an act of personal care for what I wanted my image to be and out of respect for myself. As hard as it may seem to us to understand: taking care of ourselves is the best way to take good care of others. However, although I was aware of the care should give to the hair I bring with me, I wasn’t aware of the fate of the one lying on the hairdresser’s floor. I never thought much about it . In the course of my life, I must have cut a few feet of hair… This year, I allowed myself to take care of it with a special care so that it grew healthy for a few more inches. Today it is on its way to the committed hands of artisans and, together with other donotaions, will bring some joy to any little princess in need of a wig! After all, I was going to take care of my hair it and cut it anyway, sooner or later… But I found myself more attached to my hair than ever. I am deeply happy to share a little bit of my best this Christmas. Merry Christmas!
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Plastic free christmas wrapping!

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Estamos nas vésperas de Natal e é dia de embrulhar os últimos presentes! Desde o ano passado que eu não compro mais papel de embrulho. Tenho gasto os restos que ainda tenho e, sempre que preciso de algo novo, uso o meu rolo de papel para criar algo único com os meus carimbos. Este ano ofereceram-me um carimbo com um pequeno floco de neve que usei para carimbar todo o meu papel. Como disse aqui, ainda não me sentia absolutamente satisfeita com os meus embrulhos de Natal e por isso tenho pensado em formas de melhorar.  Este ano, para além do meu papel de embrulho versátil, feito à mão e sem químicos nem plásticos, aboli também a tradicional fita-cola. Porque não é reciclável e existem opções bem mais sustentáveis. Optei por uma fita cola de papel kraft (livre de solventes e ecológica). Disse não aos laços de fita de plástico e optei ou por fio twine ou por fio “do norte”, um fio de linho 100% natural e biodigradável. Acrescentei uma pequena porção de pinheiro (também ela biodegradável) para dar vida, e uma etiqueta de papel reciclado em vez de uma plastificada e autocolante. Na verdade, à parte a fita de papel Kraft eu não comprei nada para embrulhar os meus presentes o que me deixou muito contente e me poupou algum dinheiro. E eu acho que os meus presentes estão fabulosos!

 

Aqui estão mais 4 opções zero plástico para embrulhar presentes de Natal para acrescentar às minhas 52 experiências sem plástico! As restantes ficam para o início do novo ano!!

 

It’s almost Christmas eve and it’s time to wrap all the presents! I never bought any wrapping paper again… I’ve spent the remains I still have and whenever I need something new, I simply use my blank roll of paper to create something unique with my stamps. This year I was offered a snow flake stamp which I used to stamp all my wrapping paper for christmas. As I said before, I still did not feel absolutely satisfied with my Christmas wrapping and so I’ve been thinking of ways to improve it. This year, in addition to my versatile, hand-made and chemical and plastic free wrapping paper, I also abolished the traditional plastic tape. This thing is not recyclable and there are much more sustainable options. I opted for a kraft paper tape (solvent-free and eco-friendly). I also said no to traditional plastic ribbons and I chose either twine or a 100% natural and biodegradable linen yarn. I added a small portion of pine (also biodegradable) to give some joy to my presents, and a label of recycled paper instead of a laminated sticker. Actually, besides the kraft paper  tape I didn’t buy anything to wrap any of my Christmas presents which made me very happy and saved my a lot of money. And I think my presents are absolutely stunning!
 

 

Here are 4 more plastic free Christmas wrapping swaps to add to my 52 challenge! I will share the rest on the first days of 2020!
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Christmas time on the blog: the most amazing projects!

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Eu sempre dedico o mês de Dezembro para fazer os presentes, as decorações, os postais e os embrulhos feitos à mão. Isto evita que me sinta esmagada pela confusão do Natal que considero adulterar por completo a essência da época. Quando olho para o blog compreendo que já fiz uma imensidão de projectos, alguns deles dedicados ao Natal. É assim que percebo os meus progressos, as coisas novas que aprendo e a minha capacidade para coisas, a cada dia, mais desafiantes. Deixo-vos com alguns dos meus posts favoritos entre decorações, presentes e outros projetos de Natal que eu adorei fazer!

 

I always dedicate the month of December to making gifts, decorations, postcards and handmade gift wrapping. This keeps me from feeling overwhelmed by the Christmas mess that I consider to completely corrupt the essence of this season. When I look back at blog arquives, I understand that I’ve done a lot of projects, some of them dedicated to Christmas. This is how I perceive my progress, the new things I learn, and my capacity for increasingly challenging new things. I leave you with some of my favorite posts among decorations, gifts and other Christmas projects I loved to make!
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