Advent Calendar is finished!

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O ideal seria este post ter saído mesmo mesmo no dia de Natal para vos brindar com o resultado deste projeto tão enternecedor! Mas como puderam acompanhar as minhas evoluções no Instagram, resolvi cuidar um pouco mais este post e resumir o resultado final juntamente com algujs pensamentos sobre ele.
Este pequeno projeto era mesmo o que eu estava a precisar no fim deste ano atribulado e de grandes mudanças… Ao mesmo tempo estou a ser irónica e honesta. Por um lado, os últimos tempos têm sido tão caóticos que a última coisa que eu precisava era mais um pequeno projecto para aumentar a entropia pessoal. Houve até um dia que a minha mãe me perguntou ao telefone: “estás a fazer o teu calendário? Como consegues ainda ter tempo para isso?” e a resposta foi o mais honesta possível: “aqui e ali, e evito pensar demais.” A verdade foi que foi exactamente isso que aconteceu: entre uns bocadinhos à hora de almoço, no tempo de aguardar as aulas de pintura, à espera que o Carlos chegue ou à sexta-feira depois do ensaio… E não perdia muito tempo com decisões: bordei o que me apeteceu, com o tempo disponível. Nada mais. Apercebi-me apenas uma ou outra vez de que estava a por de lado coisas importantes e por isso parei e repensei.

O lado bom deste projeto foi que eu também estava mesmo a precisar de algo assim para relaxar. O cansaço por vezes apodera-se e a única forma de eu me manter atenta a um documentário ou filme no sofá, ao fim do dia e sem adormecer, é fazendo alguma coisa. Além disso, o sentimento de dispersão que tenho sentido por vezes tem muito a ver com a minha necessidade de ter algo feito à mão para fazer diariamente. Há algum tempo que pego em grandes projetos que me ocupam lotes grandes de tempo e que por isso não preenchem os meus serões. Eu senti falta disso, por essa razão, resolvi aceitar o desafio. É um tempo que dedico a mim própria, que me recorda o quanto adoro fazer coisas à mão: pequenas ou grandes. De certa forma, este projeto obrigou-me a retomar algum “hábito”, ainda que seja temporário. Alguma rotina, por vezes, é saudável.
Foi a combinação de ambas as coisas, mais o tempo de pensamento que pude dedicar enquanto fazia este projecto, que me levou a refletir no futuro: o que quero para mim no próximo ano? Como vou gerir os meus projetos? O que sinto falta? O que quero deixar para trás? Quais são as minhas prioridades? O que não quero mais perder? É incrível como uma coisa tão pequena nos pode levar a pensar e fazer decisões. Com isto tenho algumas metas para 2019 que partilharei convosco muito em breve.

Ideally, I would publish this post on Christmas Day to give you the result of this endearing project! But as you could follow my progress on Instagram, I decided to take care of this post a little more and summarize the final result along with some thoughts about it.
This little project was just what I was needing at the end of this troubled year of great changes for me… At the same time I’m being ironic and honest. On the one hand, the last months have been so chaotic that the last thing I needed was yet another small project to increase personal entropy! Yeahp. There was even one day that my mother asked me on the phone “are you making your advent calendar? How do you manage to have time for it?” and my answer was as honest as possible: “here and there, and I avoid thinking too much.” The truth is that this is exactly what happened: between lunch time, waiting for painting classes, waiting for Carlos to arrive home or friday night after my choir rehearsal … And I actually did not spend much time on decisions: I embroidered what I wanted, with the time available. Just that. I realized just once or twice that I was putting aside important things and so I stopped and re-thought.

The good thing about this project was that, I was also in need of something like that to relax. Tiredness sometimes takes over me and the only way I can keep an eye on a documentary or movie on the couch at the end of the day, without falling asleep, is by doing something else with my hands. Also, the sense of “longing” I have felt sometimes has a lot to do with my need to have something done the by hand, every day. For some time I have been caught up in big projects that take up big blocks of time and therefore do not fill my everyday evenings. I missed that, so I decided to take up the challenge. It was a time I dedicate to myself, which reminds me how much I love doing things by hand: small or large. In a way, this project forced me to resume some “habit”, even if it is temporary. Some routine is sometimes healthy.
It was the combination of both, plus the time for thinking that I dedicated while doing this project, that led me to reflect in the future: what do I want for myself next year? How will I manage my projects? What do I miss? What do I want to leave behind? What are my priorities? What are the things I do not want to lose any more? It’s amazing how such a small thing can lead us to think and make decisions. With this I have some goals for 2019 that I will share with you very soon.

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Christmas present: handmade bath cloth

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Os presentes de Natal feitos à mão são os mais especiais. Por mais singelos que sejam, transmitem sempre mais brilho do que qualquer presente, por mais zeros que inclua na etiqueta. É certo que nem todos os que os recebem têm essa sensibilidade, assim como há quem não sinta a necessidade de depositar tanto significado nos presentes que faz à mão ou o faça apenas para seu próprio bem e auto-estima. Todos temos um comportamentos diferentes. Todos os presentes que compro são densamente refletidos, mas os que faço à mão são especiais e para pessoas especiais e creio criar algum tipo de expectativa à volta dos sorrisos que trazem a quem os recebe…

 

Um exemplo de um pequeno presente feito à mão que, não só é util como estremamente poderoso, é um pequeno pano de banho tricotado. Eu usei pequenas porções de lã de arraiolos, 100% lã 100% portuguesa, daquela bem dura e rude, e tricotei uns panos de banho para oferecer. A este pano fiz acompanhar um sabonete hidratante também ele 100% português, 100% do norte. Eu sou uma grande fã de sabonete e acredito que é uma opção muito mais sustentável do que qualquer opção de gel de banho. O meu pano tricotado é o melhor parceiro para um bom sabonete porque não só ajuda a lavar a pele com segurança, como as fibras duras da lã de arraiolos permitem uma exfoliação suave. Ao longo do tempo, o pano vai ficando feltrado e a cada utilização, mais e mais macio: é tão curioso ver a evolução dos materiais naturais e apreciar-lhes a idade!
Os meus panos tiveram ainda direito a uma pequena etiqueta carimbada que demonstrava o meu carinho por aqueles para quem tricotei este presente, e ainda uma legenda que explicava minimamente o que vos transmito aqui.

 

Handmade Christmas presents are the most special. No matter how simple they are, they always transmit more care than any present, no matter how many zeros the label has. It is true that not everyone who receives them has this sensitivity, just as there are those who do not feel the need to place so much meaning in the gifts that they make by hand or they do it only for their own good and self-esteem. We all have different approaches. All the gifts I buy are thickly reflected, but the ones I make by hand are special and for special people, and I believe to create some kind of expectation around the smiles they bring to those who receive them…

 

An example of a small handmade gift that is not only useful but also extremely powerful, is a small knitted bath cloth. I used small portions of “Arraiolos wool”, 100% Portuguese wool, very hard and rude, and knitted some bath cloths to offer. These bath cloth I accompanied a moisturizing soap also 100% Portuguese, 100% from the north. I am a big fan of soap and I believe it is a much more sustainable option than any shower gel option. My knitted bath cloth is the best partner for a good soap because it not only helps to wash the skin safely but also because the hard fibers of this special wool allows a gentle exfoliation. Over time, the cloth becomes felted and more and more soft: it is so nice to see the evolution of natural materials and enjoy their age!
I also added a hand stamped label to my bath cloths that showed my affection for those to whom I knit this gift, and still a paper tag that explained the thinks I shared above.
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Advent calendar challenge

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Não posso esconder que me sinto um pouco atrasada em relação ao Natal deste ano. De certa forma sinto que tudo é feito demasiado cedo, com demsaiada antecipação. Eu ainda não fiz o meu pinhiero de Natal e a única coisa que “saiu cá para fora” neste dia 1 de Dezembro foi a minha coroa de Natal e o princípio do meu calendário de advento.

O que tenho sentido mais falta nestes últimos meses é de uma rotina “handmade”. Infelizmente os projectos em que estou envolvida implicam algum tempo que costumava dedicar a uma ou duas horas ao serão para uma ou duas linhas de tricô ou um granny square. Vejo-me obrigada, por outro lado, a envolver-me em blocos de tempo maiores nos quais posso dedicar-me aos meus projetos mas a rotina faz-me mesmo muita falta. Por isso, este ano, o meu calendário de advento vai obrigar-me a ir “contra a maré” e a “oferecer-me” como presente de Natal uns minutos de rotina diária.
Como sabem eu sou adepta dos calendários de advento que se constroem, em detrimento daqueles que se vão consumindo até ao dia de Natal. O advento é preparação, não vejho como o consumo de recursos pode espelhar o conceito desta época.
O meu desafio para este advento é preencher diáriamente um bastidor bordado com coisas que me recordem esta época e, mais do que chegar ao fim com um calendário pronto a decorar a minha casa, o objectivo é envolver-me e devolver-me a paz e a preparação que o advento subentende. Esvaziar-me do resto e dedicar-me alguns minutos diários (vá, uma coisa destas não leva mais do que uns minutos) a mim mesma e às coisas que adoro fazer. Todos os dias farei um motivo diferente até chegar ao dia de Natal!
O meu primeito motivo foram umas luzinhas! Daquelas antigas que a minha avó usava… Podem seguir diariamente este projecto na minha conta do Instagram.

I can’t lie! I am feeling a little late regarding Christmas this year. In a way I feel that everything is done too early, with a huge anticipation. I have not yet made my Christmas tree and the only thing that “made its appearance” on this December 1st was my Christmas Wreath and the beginning of my advent calendar.

What I have been missing most in the last few months is a “handmade” routine. Unfortunately the projects in which I am involved still some time that I used to devote, an hour or two in the evening, to one or two lines of knitting or a granny square. I find myself obliged, on the other hand, to get involved in larger blocks of time in which I can devote myself to my projects, but the routine is very much lacking. So, this year, my advent calendar will force me to go “against the tide” and “offer me” as a Christmas gift a few minutes of daily routine.
As you know I am a huge adept of advent calendars that are “built” over time, instead of those which are consumed until the Christmas Day. The advent means preparation, and I don’t understand how the consumption of resources can reflect this concept.
My challenge for this advent is to fill a embroidered loop with things that remind me of this time of the year and, more than to end with a calendar ready to decorate my house, the goal is to get involved and give me peace and the preparation that the advent implies. I want to close myself to the noise and devote a few minutes a day (honestly, such a thing takes no more than a few minutes) to myself and the things I love doing. Every day I’ll make a different motive to add to my embroidered advent loop until I get to Christmas Day!
My first motive was a set of twinkling lights! The old ones, like my grandmother used… You can follow my daily progress on this project through my Instagram account.

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Nature journal: August, September, October

Há algum tempo que não vos dava actualizações do meu Nature Journal embora já tenha o registo feito há semanas!
Agosto e Setembro no meu Nature Journalfocaram-se sobretudo em experiências, caminhadas, dias passados perto da natureza. O verão é uma época em que todos passamos algum tempo extra cá fora, apesar do meu Nature Journal mostrar que qualquer época do ano está repleta de biodiversidade próxima de nós.

I did not give you updates of my Nature Journal for a while although I already had the all the things registered for weeks!
August and September in my Nature Journal focused mainly on experiences, walks, days spent close to nature. Summer is a time when we all spend some extra time out there, although my Nature Journal shows that any time of the year is filled with biodiversity close to us.

O mês de Agosto foi repleto de oportunidades para observar biodiversidade. Durante um passeio na Serra da Freita vimos uma pequena família de codornizes a sair quese debaixo dos nossos pés quando, ao passar, saíram assustadas de um arbusto onde estavam escondidas e fugiram agitadas para o abrigo mais próximo. Vê-las correr lembrou-me um video jogo: os seus saltos combinados com o bater de asas pareciam dirigi-las ao de leve sobre as rochas do cimo do monte.

The month of August was full of opportunities to observe biodiversity. During a walk in Serra da Freita we saw a small family of quail coming out from under our feet as we passed. They jumped frightened out from one bush where they were hiding and fled restlessly to their nearest shelter. Watching them run reminded me of a video game: their heels combined with the flapping of wings seemed to drive them lightly over the rocks at the top of the hill.

A semana seguinte foi dominada por uns dias de descando à beira mar com uma bela oportunidade de visitar as poças de maré! O calor era tanto que nos deixávamos ficar sentadas numa pedra, com os pés dentro de água. Não tardou a que uma amiga fosse mordida por um mexilhão atrevido!

The following week was dominated by a few days of seaside relax time, with a beautiful opportunity to visit the tide pools! Those days were hot so we used to seet on a rock with our feet under water. It was not long before a friend was bitten by a cheeky mussel!

Os dias 12-13 de Agosto são quase sempre marcados pela famosa chuva das Perseidas, uma chuva de estrelas derivada da passagem do cometa Swift-Tuttle e que são assim são denominadas porque têm uma origem próxima da constelação de Perseus e da Cassiopeia.

The days around 12-13 August are marked by the famous Perseid shooting stars, a phenomenon derived from the passage of the comet Swift-Tuttle and that are so denominated because they appear near the constellation of Perseus and Cassiopeia.

Esta semana, por causa da chuva de estrelas, as saídas à noite também me ofereceram a possibilidade de apreciar o voo dos morcegos. Os morcegos são mamíferos com má conotação devido a mitos e folclore com muitos anos de história… Por essa razão, e porque gosto da ideia de sensibilizar para uma atitude mais positiva para com estes mamíferos, resolvi dar-lhes o espaço merecido no meu Nature Journal apesar de não ter sido capaz de identiicar a espécie que observei com exactidão.

This week, because of the shooting stars, the night time also offered me the possibility to enjoy the flight of the bats. Bats are mammals with poor connotations by humans due to myths and folklore with many years of history… For this reason, and because I like the idea of raising awareness for a more positive attitude toward these mammals, I decided to give them the space they deserve in my Nature Journal although I was not able to identify the species I observed.

Os restantes dias de praia e de calor permitiram-me ainda voltar às poças de maré e retratar mais um organismo que podemos encontrar nas rochas: as lapas! Das coisas mais engraçadas que já vi foi uma lapa colada a um virdro que me permitia ver o organismo pelo lado de dentro. Elas têm um músculo fortíssimo que as permite fixar-se ao substrato e, com a boica, raspar as rochas de algas e outros microorganismos que constituem a sua alimentação. Por vezes é até possível ver nas rochas o rasto que as lapas deixam ao longo do tempo…

The remaining days on the beach allowed me to return to the tide pools and to paint another organism that we can find on the rocks: the limpets! Of the funniest things I’ve ever seen was a limpet “glued” to a glass which allowed me to see the organism from the inside. They have a very strong muscle that allows them to attach themselves to the substrate and, with their lips, to scrape the rocks of algae and other microorganisms that constitute their diet. Sometimes it is even possible to see  on the rocks the “scraping trail” that the limpets leave over time…

Na última semana de Agosto tive a oportunidade de me deslocar a Évora e detectei naturalmente uma grande diferença na paisagem em relação ao norte do país, muito embora tenhamos muitas espécies em comum. Apesar de conseguirmos observar libélulas e libelinhas um pouco por todo o país, este passeio deu-me o tempo necessário para as comtemplar, fotografar e fazer um esboço que pintei mais tarde, ao chegar a casa.

On the last week of August I had the opportunity to travel to Évora and I naturally detected a great difference in the landscape compared to the north of the country, even though we have many species in common. Although we could observe dragonflies all over the country, this tour gave me the time to contemplate them, photograph them and make a sketch that I painted later, when I got home.

O mês de Setembro foi turbulento… mas havia tanto que recordar da minha visita a Évora e do Caminho de Santiago que tive muito por onde desenhar! Claro que tive de remeter para fotografias que tinha tirado já que as oportunidades para desenhar na Natureza foram mais limitadas. Voltei a recordar évora por mais umas semanas porque não queria deixar de retratar alguns dos seres vivos que tinha visto naqueles dias.
Exemplo disso foi uma pequena osga que, colada na parede quente de um edifício  aguardava que a luz de um candeeiro atraísse o seu jantar! As osgas são outro exemplo de seres vivos com péssima conotação mas que além de serem absolutamente inofensivos, são companheiros regulares das habitações humanas e que tratam de eliminar os insectos perto das nossas casas.

The month of September was turbulent… but there was so much to remember from my visit to Évora and the Camino de Santiago: I had so much to draw! Of course I had to refer to photographs that I had taken since the opportunities to draw in Nature were more limited. I remembered Évora again for a few more weeks because I did not want to stop portraying some of the living things I had seen in those days.
An example of this was a little  gecko that, glued to the warm wall of a building, waited for the light of a lamp to attract its dinner! The geckos are another example of living beings with very poor connotation by humans but besides being absolutely harmless, they are regular companions of the human dwellings and eliminate the insects near our houses.

Por fim, não pude deixar de retratar o burro que vivia no descampado mesmo atrás do meu quarto. Ver um burro em Portugal não é algum incomum mas há anos que já não ouvia um burro zurrar… de cada vez que ele o fazia, eu sorria porque me lembrava de quão divertida eu achava a Burra Vitória que havia em tempos no Parque Biológio de Gaia!

Finally, I could not help portraying the donkey who lived in the open ground just behind my room. Seeing a donkey in Portugal is not unusual, but for years I had not heard a donkey bray… every time he did it I smiled because I remembered the lovely Donkey Victoria I always at Parque Biológico in Gaia when I was a child!

Depois veio o Caminho… Confesso que me reservei de desenhar muito sobre o caminho já que não levei comigo o meu Nature Journal o que tornava complicado desenhar. Mas aquela raposa foi o ponto alto da penultima jornada a Santiago de Compostela desde Ferrol. A história daquele momento foi muito especial para mim. Com pena, talvez com a anisedade da recordação, não consegui captá-la como gostava no meu Nature Journal. Acho que um dia escreverei a história dela e prometi a mim mesma repetir uma página, 3 páginas, 20 paginas, só para ela…

Then came the Camino … I confess that I didn’t drawing too much during the Camino since I did not take my Nature Journal with me which made drawing complicated. But that fox was the high point of one of the last days to Santiago de Compostela from Ferrol. The story of that moment was very special to me. With pity, perhaps with the anxiety of the memory, I could not grasp it as I would like in my Nature Journal. I think I’ll write her story one day and I promised myself to repeat a nature page, 3 pages, 20 pages, just for her…

A gaivota… as gaivotas: eram aos milhares e pareciam sondar o edifício do Terminal de Cruzeiros de Leixões como quem procura o calor do colo quente de uma mãe. Uma mãe de Betão. Estava há poucos dias ali e já lhes havia percebido os hábitos, as travessuras e as dinâmicas. Em breve será inverno e cherarão mais e mais para passar os meses frios. Com elas espero ver outras espécies invernantes.

The seagull… actually there were lots of seagulls: they were thousands and seemed to surround the building of the Leixões Cruise Terminal as if looking for the warmth of a mother’s hot lap. A mother made of concrete, though. I had been there for a few days, and had already noticed their habits, tricks, and dynamics. Soon it will be winter and they will wash more day after day to spend the cold months in Portugal. With them I hope to see other wintering species!

O olhar sereno de uma mão cheia de peixes zebra, nervosos, assustados mesmo, num aquário à mercê dos olhos esbugalhados de crinaças e adultos, de música e barulho incompreensível. Senti alguma compaixão por eles e pela frustração de não terem escolha senão estar ali com a máxima de sensibilizar um público altamente disperso. Dirigi-lhes alguns momentos de comtemplação por respeito mas sobretudo por carinho.

The serene look of a hand full of zebra fish, nervous, even frightened, in an aquarium at the mercy of the eyes of children and adults, music and incomprehensible noise. I felt some compassion for them and their frustration of having no choice but to be there with the maximum of work for a highly dispersed public awareness. I give them a few moments of contemplation for respect, but especially for tenderness.

A águia que sobrevoava o Castelo de Marialva, contra o vento gelado que contrastava com o Sol quente. Era um juvenil revelado pelas manchas brancas no interior das asas compridas e que, como jovem que tem o mundo aos seus pés, ansiava queriam cobrir de sombra o morro elevado.

The eagle that flew over Marialva Castle, against the icy wind that contrasted with the hot sun. It was a juvenile as revealed by the white spots on the inside of its long wings and who, as a young man who has the world at his feet, longed to cover the entire hill with shadow with just its wings.

E por fim, um trilho de madrugada por terras de Figueira de Castelo Rodrigo, os carvalhos começavam a amadurecer: os ouriços ainda verdes pareciam frágeis e fofos e, no seu interior, as Castanhas já cresciam redondas. Não pude sentir um certo carinho por esta tentativa de proteger algo tão precioso, adormecido. Estava ali eram 7h, já a meio do trilho, e os ouriços lembravam-me os cobertores que tinha deixado na cama…

And finally, a trail at dawn by the lands of Figueira de Castelo Rodrigo where the oak trees began to ripen: the still-green hedgehogs looked fragile and cute, and inside, the Chestnuts were already growing round. I could not stop feeling a certain amount of affection for this attempt to protect something so precious while it is asleeping. It was seven o’clock, we already did half of the trail, and the hedgehogs reminded me of the blankets I had left on my bed…

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