The Tide Pool Notebook Review

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O post de ontem já estava longo! Acho que o entusiasmo me levou e, para variar, eu deixei-me levar. Partilhar convosco as minhas motivações na escolha dos produtos da minha pequena loja online é uma espécie de prova de apreço por quem me segue e uma homenagem à minha obsessão pelo significado de todas as coisas que faço.
Hoje venho apresentar-vos outro ponto de vista: as características do meu Tide Pool Notebook. E não podia falar nisto sem, no entanto, vos falar desta espécie de coleção que estou a desenhar, baseada nas poças de maré, a “Tide Pool Collection”.

Eu sempre vivi perto do mar e, certamente que muitos dos que vivem ou viveram junto ao mar, guardam felizes memórias de infância a explorar as poças de maré quando a maré baixa nos deixava descobrir os tesouros que o mar alto trouxe, de novidade, à zona intertidal. Tal como muitos de vocês, eu lembro-me de explorar as poças à procura de caranguejos, estrelas do mar, algas de cores inesquecíveis e até dos famosos vidrinhos da praia. Há todo um quadro à volta desta recordação que me inspirou a desenhar esta colecção e, em especial, estes pequenos cadernos.
Desde a capa, salpicada com as cores que me recordam o borrifar das ondas que me traziam à face a frescura das gotículas de agua salgada cheia de vida!
A brancura do papel que representa o rebentar das ondas!
Os seres vivos carimbados que me recordam as vidas infinitas que encontrava nas poças de maré, e ainda o esqueleto de um cavalo marinho que a minha mãe guardava religiosamente.
E até as costuras cruzadas que unem todas as peças e que me lembram as redes dos camaroeiros que os mais aventureiros levavam consigo para apanhar polvos.

Este caderno é uma verdadeira concentração sensorial: de texturas, cores, cheiros, imagens e sensações das minhas próprias explorações das poças de maré quando era criança.

Quanto às características do caderno, este é um caderno feito com materiais ideais para quem escreve ou desenha! Perfeito para desenhos numa pausa ao lado do mar ou para as primeiras linhas de um romance!

O caderno tem tamanho A6 e contempla 120 páginas de 90g, perfeitas para escrever e desenhar com diversos tipos de materiais como lápis de grafite, de cor, esferográficas ou canetas de tinta permanente.
A capa é dupla e feita com papel de 200g pintado à mão com aguarela profissional. A capa é ainda estampada com carimbos desenhados e feitos por mim, à mão, e tinta de linogravura!
A lombada é cosida com costuras cruzadas, o mais seguro método de costura, e que permite que o caderno abra completamente na horizontal em qualquer página. Além disso, este tipo de costura tão resistente permite que fique à vista e se usufrua do desenho intrincado criado pelo entrelaçar do fio!
O fio utilizado é de polyester. Eu prefiro sempre fio de algodão, contudo, para o efeito, um fio resistente à quebra é a melhor opção quando se prevê que a pressão gerada pelo abrir e fechar do caderno seja intensa! E para um suporte suplementar das costuras, é aplicada uma camada de cola resistente à água que comprime os blocos uns aos outros e segura as costuras.
Por fim, e mais importante de tudo, foi feito à mão, com muito carinho!

Yesterday’s post was already long! I think the enthusiasm took me away and, for a change, I let myself go. Sharing with you my motivations about my choices regarding the products on my small online shop is like an appreciation for those who follow me and a tribute to my obsession with the meaning of the things I do by hand.
Today I am writing about another point of view: the characteristics of the Tide Pool Notebook. And I could not talk about it without, however, telling you about this “collection” I’m designing, based on the tide pool exploration, the Tide Pool Collection.

I have always lived near the sea and certainly many of you who live or lived by the sea keep many happy memories of your childhood while exploring the tide pools when the low tide let us discover the treasures that the high tide brought to the intertidal zone. Like many of you, I remember exploring the tide pools looking for crabs, starfish, seaweed of unforgettable colors and even the famous rounded pieces of green glass. There is a whole picture regarding this memory that inspired me to design this collection and, especially, these little notebooks.
The cover, sprinkled with the colors that remind me of the spray drops from the waves that hit my face!
The whiteness of the paper that represents the bursting of the waves!
The stamped living beings that remind me of the endless live I found in the tide pools, and still the skeleton of a seahorse that my mother kept religiously.
And even the sewn binding that unites all the pieces and reminds me of the fish nets that the more adventurous people took with them to catch an octopus!

This notebook is a true sensorial concentration: of textures, colors, smells, images and sensations of my own explorations of the tide pools as a child.

As for the characteristics of the notebook, this is a notebook made with materials that are ideal for those who write or draw! Perfect for drawings on a seaside break or the first few lines of a novel!

The notebook is A6 sized and includes 120 pages of 90gsm, perfect for writing and drawing with various types of materials such as graphite, colored pencils, ballpoint pens or fountain pens.
The cover is double and made with 200g paper hand painted with professional watercolors. The cover is also stamped with handmade stamps drawn and linography paint!
The spine is hand stitched using the sewn binding method, the most secure book binding method, that allows the notebook to always lay flat while opened. In addition, this type of stitching is so resistant that you don’t need a hardcover to cover it so you can enjoy the intricate design created by the interlacing of the thread!
The thread used is polyester. I always prefer cotton thread but, for this purpose, a break resistant thread is the best option if you think of the pressure generated by the intense opening and closing of the notebook! And for additional support of the binding, a layer of water-resistant glue is applied to compress the blocks to each other and to hold the binding tight.
Lastly, and most important of all, it was done by hand, with lots of love and care!

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Products on my online shop: a notebook!

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Desde há alguns meses que tenho tido vontade de criar uma pequena loja on-line com alguns produtos feitos à mão, por mim, com os quais vos possa oferecer maior proximidade com as minhas experiências aqui no blog. No fundo, dar-vos a oportunidade de sentir pelos produtos que fazemos, um apreço maior do que aquele que vem de um produto feito em massa. Depois de muito reflectir, de alguns apontamentos no papel, alguns desenhos e pinturas cheguei à conclusão que o primeiro produto que eu queria fazer para vocês era precisamente um caderno inteiramente feito à mão. Porquê? Estou pronta para vos contar a história…

 

Este blog começou com algumas linhas escritas num papel. Não era propriamente um plano mas uma ambição. Eu tinha terminado o meu doutoramento há alguns meses e queria muito escrever “novamente”. Passo a explicar.
Desde que sou pequena que gosto de escrever e inventar histórias. Devo-o a um espaço criado entre duas ou três coisas: a primeira, uma combinação genética favorável; a segunda, muitas histórias ao adormecer; e a terceira, três anos a brincar sozinha. Não vejo isto como algo triste: eu tenho muito boas recordações destes dias. Eu era apenas uma criança silenciosa.

 

Tanto a minha mãe como o meu pai me liam histórias para adormecer quando eu era criança. Tenho vívida a memória de ouvir a minha mãe me ler o livro “A Floresta” ao longo de várias noites. Ainda hoje é o meu favorito da Sophia e revejo-me na Isabel porque, antes da minha irmã nascer, eu brinquei muito tempo sozinha em casa da minha avó. A minha tia costuma dizer que “ela lá se desenrascava”: falava sozinha, entretinha-me a brincar e que ficava lá no meu mundo.
Foi também da minha mãe que herdei o meu amor por livros infantis e o entusiasmo pela imaginação. A primeira vez que li a “Alice no País das Maravilhas” foi a partir de um livro que tinha sido da minha mãe.
Ao meu pai eu pedia sempre a mesma história: “Senhor doutor lá de cima e do senhor doutor lá de baixo” e lembro-me de ter sido ele a ler-me “O Principezinho” pela primeira vez, quando ainda eu não sabia o significado da maior parte do seu conteúdo. Foi do meu pai que herdei um tipo de escrita simples, sem palavras difíceis, mas sobejamente elaborado. Posso escrever durante horas acerca de um alfinete se quiser. Tentem-me.

 

Lembro-me de algumas composições que criei para a escola ou para a escola de dança e que já se perderam no tempo. Algumas porém ainda hoje me atentam a memória: recordo-me de uma que escrevi apenas uma hora antes da aula de dança moderna para a qual tínhamos de escrever uma pequena composição que seria a base para a nossa primeira coreografia. A minha história foi escrita à mão numa folha pautada A4, que preenchi quase completamente com uma caneta BIC. Era sobre uma menina que caía na água de uma nascente e que viria a viajar rio abaixo até ao mar e, finalmente, à areia da praia. Nesse mesmo dia, deixei a minha folha na Sala 3 e nunca mais a vi… era a combinação perfeita da imaginação da minha mãe, da escrita do meu pai e da voz interior que me permitia brincar sozinha horas a fio.

 

Infelizmente, os últimos anos como investigadora retiraram-me alguma flexibilidade na escrita. Não me interpretem mal, escrever uma tese de doutoramento é exigente mas gratificante. Mas apesar do seu grande valor científico e académico, eu não me reconhecia no texto nem nos artigos científicos que dela derivam. Não propriamente nos assuntos e conclusões mas sobretudo no estilo de escrita. Ainda que escrevesse 100 artigos científicos não conseguia concluir que tinha sido capaz de escrever o equivalente a um livro…
Foi nessa altura que tive oportunidade de abraçar um pouco mais intensamente a minha relação com as artes, com os meus hobbies e quis fazer um registo dos meus progressos. O blog foi um bom pretexto para o fazer e com isso escrever “novamente”, ou seja, devolver-me uma escrita mais descontraída, sentida e cheia de entusiasmo que eu já não exercitava há algum tempo.

 

Mais ou menos ao mesmo tempo eu comecei a coleccionar pequenos cadernos para apontamentos que usava para tomar notas de posts, de ideias para escrever, para planear o conteúdo do blog, para apontamentos de pequeno cursos on-line, de workshops de fazer à mão, enfim, na sua maior parte coisas soltas e sem grande relação entrei si. Alguns estão semi preenchidos. Em alguns porém, escrevi autênticas aventuras.
Hoje tenho uma colecção generosa e, aqueles que mais gosto são feitos à mão. Há um com uma dedicatória que acho que nunca vou conseguir usar para “não estragar!” Por isso, há uns tempos atrás, resolvi aprender a fazer os meus próprios cadernos feitos à mão. Achei a experiência muito gratificante e considero que um caderno feito à mão é para mim uma ferramenta de independência. E quando oferecido como presente, um caderno é muito mais do que o seu suporte físico mas sim a promessa de algo original que só depende de quem o recebe. Com um caderno em branco podem fazer-se coisas extraordinárias!

 

Estas são as histórias por trás do primeiro produto da minha loja on-line. Um caderno feito à mão no qual podem também experimentar escrever “novamente”, planear as vossas próximas experiências “handmade” ou registar uma aposta num estilo de vida mais próximo dos recursos naturais. Ou, quem sabe, escrever as notas daquele romance! Nos próximos dias prometo fazer um pequeno review sobre estes cadernos para que possam saber um pouco mais sobre o design, o método de montagem e as suas características.

 

Quanto à loja on-line, não quero, para já, enveredar por uma área preferencial. Tal como no blog, lá vão poder encontrar outros produtos, como por exemplo, estas almofadinhas de aroma estampadas à mão. Vou querer experimentar um pouco de tudo até perceber o que mais me caracteriza mas espero que todos os produtos que criar tenham uma linha homogénea focada na ligação com a natureza, em particular com as exploração autónoma da natureza e as espécies autóctones do nosso cantinho no mundo!

 

Obrigada, desde já, pela vossa visita!

 

For some months now that I wanted to create a small online shop with some handmade products made by me, with which I can offer you more proximity to my experiences here on the blog. I want to give you the opportunity to create a new perspective for the products we make by hand and a greater appreciation for our resources that we can’t achieve with a mass produced product. After much reflection, some notes on paper, some drawings and paintings, I came to the conclusion that the first product I wanted to do for you was a handmade notebook. Why? I’m ready to tell you the story…

 

This blog started with some lines written on a paper. It was not exactly a plan but an ambition. I had just finished my PhD a few months ago and I wanted to write “again”. Let me explain.
Ever since I was little that I like to write and make up stories. I owe it to a space created between two or three things: the first, a favorable genetic combination; the second, many stories while falling asleep; and the third, three years of playing alone.

 

Both my mother and my father read me stories to fall asleep when I was a child. I have a vivid memory of hearing my mother read me the book “The Forest” over several nights. Even today this is my favorite story by Sophia. I also can recognize myself in Isabel because, before my sister was born, I played a lot of time alone at my grandmother’s house. My aunt used to say that I managed to play by myself: I used to talk alone, play alone and be in “my world”. This is not a sad thing! I remember those days happily. I just was a quiet child.
It was also from my mother that I inherited my love for children’s books and the enthusiasm for imagination. The first time I read “Alice in Wonderland” was from a book that had been her’s.
To my father I always asked the same story: “the upstairs doctor and the downstairs doctor” and I remember that he was the one reading me “The Little Prince” for the first time, when I still did not know the meaning of most of its content. It was from my father that I inherited a simple writing style: no difficult words, but superbly elaborate. I can write for hours about a pin if I want. Try me.

 

I remember some drafts that I created for school or for the dance school and that were lost in time. But I still remember one that I wrote just one hour before the modern dance class for which we had to write a small story that would be the basis for our first choreography. My story was handwritten on an A4-sized sheet, which I filled almost completely with a BIC pen. It was about a girl who fell into a water-spring and would travel down the river to the sea and finally to the sand of the beach. That same day, I left my sheet in Room 3 and I never saw it again… it was the perfect combination of my mother’s imagination, my father’s writing, and the inner voice that allowed me to play alone for hours when I was a child.

 

Unfortunately, the last few years as a researcher have taken away some flexibility in writing. Don’t get me wrong, writing a doctoral thesis is demanding but rewarding. But despite of its great scientific and academic value, I did not recognize myself in the text or the scientific articles derived from it. Not regarding the subjects and conclusions but mainly regarding the writing style. Although I could wrote 100 scientific articles, I could not conclude that I had been able to write the equivalent of a book… It’s just not the same.
It was at this point that I had the opportunity to embrace my relationship with the arts and my hobbies a little more intensively and wanted to record my progress. The blog was a good excuse to do so and to write “again”, that is, to give me a more relaxed, felt and enthusiastic writing style that I had not exercised for some time.

 

At about the same time I started collecting small notebooks I used to take notes for posts, ideas for writing, planning content for the blog, notes about small online courses, workshops… In fact, for the most part, loose things without much relation between them. Some notebooks are just semi-filled. In some, however, I wrote some great adventures.
Today I have a generous collection and the ones I like most are handmade. There is one with a dedication that I think I’ll never be able to use to “do not ruin it!” So, a few time ago I decided to learn how to make my own handmade notebooks. I found the experience very rewarding and I consider that a handmade notebook is for me an independence tool. And when offered as a gift, a notebook is much more than its physical support. It’s the promise of something original that only depends on who receives it. With a blank notebook can do extraordinary things!

 

These are the stories behind the first product of my online shop. A handmade notebook in which you can also try writing “again”, plan your next handmade experience or register a bet on a lifestyle closer to the natural resources. Or, who knows, to write the notes of that novel! 
In the coming days I promise to do a little review on these notebooks so that you can know a little more about the design, the method of assembly and its characteristics.

 

As for the online shop, I do not want to go for a preferential area. As in the blog, there you will find other products, such as these handprinted scented cushions. I’m going to try a little bit of everything until I realize what really characterizes me, but I hope that all the products that I create have a homogeneous feeling, focused on the connection with nature, in particular with the autonomous exploration of nature and the autochthonous species of my corner of the world!

 

Thank you for visiting!
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I finished my Foxy Quilt!

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Terminei o meu Foxy Quilt!

Parece mentira mas está mesmo pronto. Este quilt ainda estava a ser pesado e já se tornava muito especial. Como vos falei aqui, fui coleccionando tecidos ao longo do tempo e esperava um dia usá-los num quilt de Half Square Triangles. Mas mais do que ir de encontro a um padrão, eu queria que a sua seleccção tivesse em conta os meus gostos pessoais para que me reflectisse de alguma maneira.
Depois, durante o processo, fui percebendo que é possível aprender sempre, ainda quando achamos que usámos uma técnica simples para executar. Ouvir outras vozes experientes é essencial e relembra-nos que “nós somos” sobre ombros de gigantes e que isso é transversal. Qualquer aspecto da nossa vida. Mas é quando terminamos o quilt top que a dimensão de tudo começa ser percepcionada. É um momento muito interessante porque parece que todo o projecto dá um grande salto desde o momento em que não era mais do que um conjunto de tecidos prontos a cortar.
O quilting, por fim, dá-lhe um efeito impressionante porque torna o quilt palpável. Passa a ter textura, utilidade, dimensão e fornece o aconchego que é tudo aquilo que procuramos desde o momento em que começamos. O quilting foi um desafio porque, neste caso, resolvi acolchoar pelas diagonais o que torna o processo bem mais exigente. Foi precisa muita organização do quilt na mesa, uma sandwich muito bem feita e muita atenção a pequenas dobras nos tecidos que podem surgir durante o processo. É preciso detectá-las para podermos corrigi-las imediatamente de forma a não comprometermos todo o trabalho.
Depois de terminar o quilting, veio a minha parte favorita, a mais introspectiva: o binding. Fazer o binding não é tarefa menor quando comparada com o restante processo porque é, de todas, a parte que pode gerar mais ansiedade. Há quem se tenha rendido ao binding à máquina o que, para determinadas coisas realmente pouco importa… Mas para um quilt como este, um viés cosido à mão é como um resumo, uma análise do produto acabado e mais ainda, de todo o processo. Como quem quer terminar lentamente algo bom para que se prolongue ao menos por mais uns minutos…
Na realidade, tal como acontece com aquele excelente livro, acabar este quilt deixou-me um pouco nostálgica, como se tivesse terminado uma experiência notável… Há uma ligação directa com um objecto que torna toda a questão do despojamento absolutamente obsoleta: o uso regrado, inteligente, consciente dos recursos traz-nos ligação às coisas materiais. Mas uma ligação boa que um objecto comprado, por exemplo, simplesmente não traz. Vi-me imaginar que este quilt, estará para sempre comigo em muitos momentos da minha vida e vou poder iniciar novas histórias com ele. Mas para já, nada bate os pensamentos que correram enquanto eu o construí: desde a compra dos tecidos, durante todo o processo e até à última linha rematada.

Este quilt é uma homenagem à amizade. À verdadeira versão da amizade: não à impaciente, intolerante, invejosa, interesseira ou injusta. Mas sim à que acolhe. Comecei a coleccionar, de forma consciente, estes tecidos numa altura em que me comecei a sentir muito preenchida nas minhas amizades, incentivada pela abertura que sentia no meu coração. O tempo que decorreu até hoje ensinou-me muita coisas novas sobre a amizade e, num relativamente curto espaço de tempo, eu tornei-me uma pessoa mais madura. Este quilt conta a história desse crescimento, do estabelecimento de certezas em mim, na consolidação dos valores em que o amor se constrói. E este crescimento foi sendo reflectido à medida que fazia o quilt. Nem tudo nas amizades ao longo da minha vida foi bom e este quilt deu-me oportunidade para passar um pouco por todos esses momentos: nos bons e nos menos bons. Creio que terminar este quilt me mostrou o quanto estou madura neste aspecto, o quanto me posso amar à luz dos verdadeiros amigos que fiz ao longo de toda a minha vida e fazê-los valer para mim também, sempre que eu precisar.

Esta é a razão pela qual bordei uma pequena raposa e uma frase do livro “O Principezinho”.
Infelizmente as frases do principezinho andam na boca do mundo, toda a gente se sente eloquente por as dizer aqui e além. Achamos que somos espetaculares por acompanhar aquela selfie no Instagram com uma frase feita e que fica bem em qualquer circunstância. Há quem as use mal e até quem as diga enquanto as contraria, em simultâneo, com as suas acções. Eu não quero com isto dizer que sou diferente ou que as uso melhor, mas todo o escritor tem brio e se sente traído quando ouve as suas palavras postas em mau uso. Por essa razão eu sempre fui ponderada a usar citações deste livro que é para mim muito mais do que a famosa frase:
“foi o tempo que perdeste com a tua rosa que a tornou importante.”
É bonita sim, sem dúvida. Mas para mim está longe de ser a mais importante, como aquela música boa que a rádio revela de entre um álbum 100 vezes mais empolgante. Por essa razão ponderei muito introduzir no meu quilt mais um cliché. Procurei em todo o lado, até dentro de mim, algo que fosse conclusivo para mim sobre a amizade e o amor. E cheguei à conclusão que não conhecia nada mais bem construído do que a frase:
“somos para sempre responsáveis por aqueles que cativamos”
Assim, ainda que me possa sentir desorientada para com os aqueles que amo, terei sempre a minha bússola no meu quilt como uma prece. Espero que seja útil!

I finished my Foxy Quilt!
 

It’s really finished! I was just in the beginning of the process and this quilt was already very special. As I told you here, I collected fabrics over time and I was hoping to use them on a Half Square Triangles quilt one day. But more than commit to a pattern, I wanted that fabric selection to take account of my personal tastes or reflect me in some way.
Then, during the process, I realized that it is always possible to learn, even when we think we have used the simplest technique. Listening to other experienced people is essential and reminds us that “we are” on the shoulders of giants and that this is transversal to any aspect of our life. But it is when we finish the quilt top that the dimension of everything begins to be perceived. It is a very interesting moment because it seems that the whole project takes a big jump from the moment it was no more than a set of fabrics.
The quilting, at last, gives the project an impressive effect because it makes the palpable quilt. It gives it the texture, utility, dimension and provides the warmth that is everything we look for from the moment we start. The quilting was a challenge because, in this case, I decided to quilt through the diagonals of my blocks which makes the process much more demanding. It took a lot of organization of the quilt on my working table, a very well made sandwich and a lot of attention to the small folds in the fabrics that could come up during the process. We need to detect them so we can correct them immediately!
After finishing the quilting, I started my favorite part, the most introspective: the binding. Binding is not a small task when compared to the rest of the process because it is, of all, the part that can generate more anxiety. Some people have given up and just use their sewing machine to make the binding, which for certain things really does not matter … But for a quilt like this, a hand-stitched bonding is like a summary, an analysis of the finished product and of the whole process. Like someone who wants to finish something good very slowly so that it lasts for at least a few more minutes …
In fact, as with that excellent book, to finish this quilt left me a little nostalgic, as if I had finished a remarkable experience … There is a direct connection with the object that makes the whole question of dispossession absolutely obsolete: the intelligent and conscious relationship with our resources and processes brings us a connection to material things. But this is a good connection that, for example, a massive produced object simply does not bring. I saw myself imagining that this quilt will be with me forever in many moments of my life and I will be able to start new stories with it. But for now, nothing beats the thoughts that ran while I built it: from the purchase of the fabrics, throughout the process and to the last stitch.
 

This quilt is a tribute to friendship. To the true version of friendship: not to the impatient, intolerant, jealous, selfish or unjust. But the one that welcomes. I began to consciously collect these tissues at a time when I began to feel very fulfilled about my friendships, encouraged by the openness I felt in my heart. The time that passed until today taught me a lot of new things about friendship, and in a relatively short time I became a more mature person about it. This quilt tells the story of this growth, the establishment of certain certainties in me, the consolidation of the values in which love is built. And this growth was being reflected as I made the quilt. Not everything in the friendships throughout my life was good and this quilt gave me opportunity to spend a little time thinking about all these moments: the good and the least good. I believe that this quilt has shown me how mature I am in this respect, how much I love the true friends I have made throughout my life.
 

This is the reason why I embroidered a little fox and a quote from the book The Little Prince as a signature for my quilt.
 
Unfortunately the Little Prince’s phrases are a little bit everywhere, everyone feels eloquent for saying them here and there. We think that we are spectacular for accompanying a selfie on the Instagram with a quote and that it looks good in any circumstance. Some people use The Little Prince’s quotes badly and even there are those who say them while opposing their percepts with their actions. I do not mean by this I am different or that I use them better, but every writer is terrified and feels betrayed when he hears his words misused. For this reason I have always been careful to use quotes from this book which is for me much more than the famous phrase
 
“It’s the time you spent on your rose that makes your rose so important.”
 
It is beautiful yes, no doubt. But for me it is far from being the most important, like that good song that the radio reveals from 100 times more exciting album. For this reason I though very much about introducing into my quilt another cliché. I searched everywhere, even within myself, for something that was conclusive to me about friendship and love. And I came to the conclusion that I did not know anything better built than the phrase
 
“You become responsible, forever, for what you have tamed”
 
So even though I may feel disoriented to those I love, I will always have my compass star, my measure on my quilt as a pray. I hope it will be useful!
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Big news: my painting portfolio is on the blog!

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Finalmente ganhei coragem para reunir alguns dos meus trabalhos de pintura e arranjar um local onde possa partilha-los convosco!

Recentemente tenho vindo a introduzir algumas melhorias no blog como um novo header, uma nova organização dos menus e categorias, um formulário de contacto e, em breve, uma homepage mais abrangente. Entre essas melhorias está um espaço no meu menu para os meus portfólios. E o primeiro a “sair cá para fora” é mesmo o meu portfólio de pintura. Em breve disponibilizarei também um portfólio dos meus trabalhos de design gráfico e ainda outro dedicado ao meu Nature Journal.

No meu portfólio de pintura mostro-vos apenas alguns exemplos dos meus trabalhos a óleo, a aguarela e a pastel: as minhas três técnicas favoritas. Ao longo do tempo já fui partilhando aqui um, outro e ainda outro exemplo do meu trabalho. Contudo, parece-me importante ter um local que possa dedicar completamente aos meus trabalhos de pintura e onde podem conhecer um pouco mais do que faço neste âmbito.

Para qualquer informação acerca destes ou outros trabalhos não hesitem em contactar-me. Espero que gostem!

 

Finally I got the courage to gather some of my painting work and create a place where I can share it with you!

Recently I have been introducing some improvements to the blog as a new header, a new organization of the menus and categories, a contact form and soon a more comprehensive homepage. Among these improvements, there is now a space in my menu for my portfolios. And the first to “come out” is my painting portfolio. Soon I will also share a portfolio of my graphic design work and another dedicated to my Nature Journal.

In my painting portfolio I show you just a few examples of my oil, watercolor and pastel artwork. Those are my three favorite techniques and, as you can see in the page, I use them in very different situations. Over time I have been sharing one, another and yet another example of my artwork. However, it seems to me a very important thing to have a place completely dedicated to my painting work and where you can know a little more about what I do in this area.

For any information about these or other artwork, please, do not hesitate to contact me. Hope you like it!

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