Book review: Wreath Recipe

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Lembram-se deste livro maravilhoso que partilhei convosco na passada primavera?
É uma verdadeira inspiração para aqueles que querem pegar em meia dúzia de flores e trazer as suas cores, o seu aroma, a sua textura, a sua postura para dentro de casa sem ficarem com a sensação de que não assentam naturalmente numa jarra de cerâmica. Se o Flower Recipe é um dos melhores livros de arranjos florais que eu conheço, então o irmão Wreath Recipe é um verdadeiro inspirador. Este é um livro estupendo que se dedica apenas a coroas de flores e é delicioso.

Como disse neste post no passado natal, por mim, teria sempre uma corora de flores naturais na porta da entrada que convidasse todos a entrar, a serem abençoados pela sua melancolia e trazerem para dentro de casa a calma que elas transmitem. Não é apenas um bem receber, é dispor de um sentimento, de um abraço caloroso de bem-estar que nada transmite melhor do que um pouco de natureza.

Tal como o Flower Recipe, o livro Wreath Recipe esta escrito no sentido dos diferentes níveis de dificuldade e diferentes disponibilidades de materiais. Há coroas complexas, com uma enorme diversidade de flores em elaborados arranjos e posturas. Mas há também coroas simples feitas com apenas algumas folhas e um pouco de arame ou uma fita.
O livro abre com os materiais mais comuns, as estratégias mais básicas mas essenciais para se obter um bom resultados e com a preparação dos materiais para os diferentes objectivos: arranjos ou coroas. Depois vai trabalhando diferentes formatos de arranjos florais: desde o uso exclusivo de pequenos ramos, passando por grinaldas de flores, pequenos arranjos para mesa e as coroas mais elaboradas e detalhadas.
Para além da diversidade de formatos, o livro foca-se em flores e verdes para todas as estações do ano para que possamos olhar para os nossos jardins com olhar crítico e nunca acharmos que “não há nada no jardim que possa ser usado”.
A secção que mais me atrai é, sem dúvida, a que envolve materiais de outono. Não que as cores vibrantes da primavera não me atraiam, pelo contrário! Mas é o auge da mudança que o Outono significa e traduz com as suas folhas coloridas, flores secas, galhos despidos, os cogumelos, as abóboras e rebentos de maça, dióspiro e romã que me faz reflectir. Parece uma espécie de reciclagem, uma apreciação do real valor intemporal das coisas: todas as idades são belas, todas idades têm uma beleza para ser apreciada. E a prova disso é termos um Outono são majestosamente trabalhado. As folhas de acer, de carvalho, as hidrângeas secas pelo verão são verdadeiras pinturas, verdadeiras aguarelas naturais cheias de cores que parecem impossíveis de reproduzir e nos parecem ter sido gentilmente oferecidas pela natureza para nos alimentar os corações!

Não se esqueçam que o blog está a festejar o seu primeiro aniversário e há uma surpresa, pintada por mim, para todos os que subscreverem! Para saberem mais espreitem aqui.

 

Do you remember this wonderful book I shared with you last spring?
It is a real inspiration for those who want to pick half a dozen flowers and bring their colors, aroma, texture, and posture into their homes without feeling like they do not naturally sit on a ceramic jar. If the Flower Recipe is one of the best floral arrangement books I know, then it’s brother Wreath Recipe is a true inspirer. This is a stunning book that is dedicated only wreaths and is delicious.

As I said in this post last Christmas, I wish I could always have a wreath of natural flowers at my door that invited all who enter to be blessed by their melancholy and to bring into the house the calmness that they transmit. It is not only about hosting well, it is to provide a feeling, a warm embrace of well-being that anything can transmit as nature does.

Like Flower Recipe, the Wreath Recipe book is written regarding different levels of difficulty and different availabilities of materials. There are complex wreaths, with a huge diversity of flowers in elaborate arrangements and postures. But there are also simple wreaths made with only a few leaves and a bit of wire or a ribbon.
The book opens with the most common materials, the most basic strategies but essential for achieving good results, and by preparing materials for different purposes: arrangements or wreath. Then it works on different formats of floral arrangements: from the use of small branches, to flower garlands, small table arrangements and the most elaborate and detailed wreaths.
In addition to the diversity of formats, the book focuses on flowers and greens for all seasons so that we can look at our gardens with a critical eye and never feel that “there is nothing in the garden that can be used.”
The section that most appeals to me is undoubtedly the one that involves fall materials. Not that the vibrant colors of spring did not appeal to me, on the contrary! But it is the height of the change that autumn means and translates with its colourful leaves, dried flowers, naked branches, mushrooms, pumpkins and apple, persimmon and pomegranate shoots that makes me think. It seems a kind of recycling, a continuous appreciation of the real timeless value of things: all ages are beautiful, all ages have a beauty to be enjoyed. And the proof of this is that we have autumns, wonderfully and majestically designed and conceived. The oak and acer leaves, the dried hydrangeas are true paintings, true natural watercolors full of colours that seem impossible to reproduce and that are kindly offered by nature to feed our hearts!

Do not forget that the blog is celebrating its first anniversary and there is a surprise, painted by me, for everyone who subscribes! To know more click here.

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Book Review: Revista Calm

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Este mês decidi que, em vez de um livro, queria fazer um comentário acerca de uma revista. Ora eu nunca assinei revista nenhuma, nunca fui assídua compradora de revistas de nenhum tipo, nem mesmo as de crafts ou de lavores. Compro apenas esporadicamente, algo como duas ou três por ano, geralmente quando tenho um voo de longa duração e encontro algo interessante no aeroporto!

No entanto, no início deste ano passei num stand de revistas onde costumo encontrar alguns exemplares de edições menos comuns e dei de caras com a revista Calm. Eu já conhecia a versão inglesa e fiquei surpreendida por ver uma edição portuguesa acabadinha de sair. Não resisti em folhear e, surpreendam-se, daí a dois minutos já a tinha comprado. A revista não é uma edição barata pelo que venho apresentar-vos as razões que me levaram a comprar assim, de instinto.

O que me atraiu em primeiro lugar foi o facto de a revista em si ser visualmente atractiva, o que nos leva logo a pegar-lhe: a capa é suave, as ilustrações completamente fora de vulgar e tem aquele aroma a papel de qualidade, com peso e textura. E não me enganei quando, ao abrir a revista, senti um papel texturado, com um design orgânico, leve e algo naive que atrai a versão mais instintiva de nós próprios.
Os temas foram outro grande ponto de interesse. Os temas vão muito na onda do hygge (um conceito que só conheci recentemente mas que aparentemente já tenho tentado colocar em prática nos últimos anos), bem-estar, criatividade, calma, paz, meditação, ioga, viagens, natureza, terapia, equilíbrio, silêncio… Não posso dizer que a revista se dedique a todos estes assuntos em simultâneo mas vai introduzindo esta onda nos diferentes números com maior ou menor profundidade sendo que o principal objectivo é que o conjunto transmita um sentimento de paz, criatividade e felicidade. Os temas acabam sempre por se encaixar em quatro grandes áreas: a casa, que é o nosso refúgio pessoal e portanto deve traduzir a nossa personalidade e fornecer-nos o ambiente em que pretendemos viver; a natureza, que é também a nossa grande casa e que nos dá o conforto a estabilidade de pertencer a uma família com ritmos próprios, uma espécie de tradições, que ao abraçarmos nos torna mais felizes; viagens, porque o mundo é tão diverso como cada um de nós e, tal como com cada um de nós, é possível aprender e preencher-nos com todos os locais sejam eles perto ou longe de casa; e corpo e mente que tanto precisam de ser cuidados e mimados com o melhor que os sentidos têm para nos oferecer.
Foi também a originalidade e diversidade de ilustrações e de projectos para destacar ou simplesmente para colocar em prática que me atraiu. É que para além de fazer sugestões de projectos em diferentes áreas, a Revista Calm vem com alguns destacáveis e autocolantes para serem utilizados em trabalhos criativos com papel.
Apesar de ainda ser uma edição muito recente, a revista tem aberto cada vez mais os braços a designers e artistas portugueses sem contudo deixar de partilhar o melhor do que é feito lá fora, um mundo em mudança que começa a nascer fora e dentro de nós e que nos ajuda a relativizar as tecnologias e a colocá-las no sítio certo: ao nosso serviço.
Por fim é uma revista trimestral que sai, como seria de esperar, no início de cada estação e por isso acaba por não ficar tão caro quanto se podia imaginar!
O mundo está em mudança e com isto parece finalmente haver espaço para edições e revistas de qualidade com temas variados que preencham os nosso corações e anseios tão diferentes!
A verdade é que, para alguém como eu que não tem hábito de se pender a nenhuma edição em particular, apercebi-me que fui, ao longo do tempo, comprando todas as edições disponíveis até hoje. Por essa razão acho que estou pronta para uma assinatura!

Nem todas as papelarias tradicionais estão sensibilizadas ou especializadas para este tipo de revistas de temáticas algo alternativas e com edições em número limitado pelo que não será possível encontrar a revista em qualquer lugar. No entanto, estou certa de que todos nós conhecemos uma ou outra papelaria ou livraria muito especial que terá sempre alguns exemplares ou terá a amabilidade de encomendar a revista só para nós. Além disso é muito fácil assiná-la ou encomendá-la on-line e os portes são gratuitos.

This month I decided that I wanted to comment on a magazine instead of a book. Well, I’ve never signed any magazine, I’ve never been a regular magazine consumer of any kind, not even crafts magazines. I only buy sporadically, something like two or three a year, usually when I have a long flight and find something interesting at the airport!

However, earlier this year I was walking through a magazine stand where I usually find some copies of less common editions and I found the Calm magazine, the Portuguese edition, just coming out. I could not resist to leafing it, and bought it two minutes after. The magazine is not a cheap edition so I’m going to present to you the reasons that led me to buy it by instinct.

What appealed to me in the first place was the fact that the magazine itself is visually appealing, which leads us to pick it up: the cover is soft, the illustrations are completely out of the ordinary and it has that quality paper scent, with weight and texture. And I was not mistaken when, while opening the magazine, I felt a textured paper, with an organic, lightweight design and something naive that attracts the most instinctive version of ourselves.
The themes were another major point of interest. They go very much in the hygge concept (a concept that I only recently knew but that I have tried to put into practice in the last years), well-being, creativity, calmness, peace, meditation, yoga, travel, nature, therapy, balance, silence… I can not say that the magazine engages all these issues simultaneously but introduces them in the different volumes with greater or lesser depth, and the main objective is that it delivers a feeling of peace, creativity and happiness. The themes always end up falling into four main areas: the house, which is our personal refuge and therefore must translate our personality and provide us with the environment in which we intend to live; nature, which is also our ultimate home and which gives us the comfort of belonging to a family with its own rhythms, a kind of traditions, which makes us happier; travel, because the world is as diverse as each one of us and, just like each one of us, it is possible to learn with all the places whether they are near or far from home; and finally body and mind that both need to be cared for and pampered with the best the senses have to offer us.
It was also the originality and diversity of illustrations to detach and projects to put into practice. In addition to making project suggestions in different areas, the Calm Magazine comes with some detachable illustrations, labels or stickers to be used in creative works with paper.
Although it is still a very recent edition in Portugal, the magazine has opened its arms to Portuguese designers and artists, yet it does not fail to share the best of what is done abroad, from a changing world that begins to be born outside and within us and that helps us to relativize the technologies and put them in the right place: at our service.
Finally it is a quarterly magazine that comes out, as you would expect, at the beginning of each season and so, it ends up not getting as expensive as you could imagine!
The world is changing and with it there seems to be some room for quality magazines about varied themes that fill our unique hearts and desires!
The truth is, for someone like me who has no habit of hanging on to any particular publication, I realized that I have, over time, been buying all the issues available to date. That’s why I’m ready for a subscription!

Not all traditional stationery shop is specialized on this type of magazines of alternative thematics or limited number editions which is the reason why it will not be possible to find the magazine in any place. However, I am sure that we all know one or two very special stationery shop or bookstore that will always have a few copies or will be kind enough to order the magazine just for us. It is also very easy to sign it or order it online!

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A few of my favourite things: a starry sky.

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Uma das maiores lições que retirei dos meus últimos anos como estudante foi que nós temos uma propensão para tudo o que é natural… E se há temas, chamemos-lhe áreas, que fascinam o homem desde o início da nossa história são, sem sombra de dúvida, a biodiversidade e o cosmos.

Eu sou bióloga mas, se tivesse de escolher outra área nas ciências naturais que gostasse de explorar, era sem dúvida a astronomia. As estrelas no céu podem ser praticamente as mesmas desde o nascimento da humanidade mas não há noite estrelada que não me cative a despender de algum tempo a olhar o céu, como se fosse uma novidade, como um retrato de família que se olha em busca de recordações: as caras são as mesmas, mas não nos cansamos de olhar porque ficamos fascinados.

Aprendi com o meu pai a olhar para o céu e a saber orientar-me. Como adepta do movimento das origens, do handmade e do viver devagar, posso dizer que saber orientar-me no céu é um instrumento que possibilita constante exploração, tal como saber ler, cozinhar ou usar a máquina de costura. O Céu dá espaço para diversos níveis de exploração, muitas horas de calma, muitos momentos de aprendizagem, muita curiosidade e muita partilha de experiências.

Há uns anos tive oportunidade de passar algumas longas temporadas na ilha de Santa Maria nos Açores. Ora, uma noite, na festa de Vila do Porto convidei alguns amigos para terminarmos o nosso serão a ver as Perseidas, a famosa chuva de estrelas que acontece em meados de Agosto. Parecia inacreditável que alguns colegas nunca tivessem visto uma estrela cadente ou que se contentassem com uma mão cheia de estrelas dos céus das grandes cidades. Parecia-me estranho porque sempre tive oportunidade de o fazer… e ao mesmo tempo, não podia deixar de lhes proporcionar essa conexão. Foi uma experiência inesquecível ver os sorrisos abrirem-se perante um céu inacreditavelmente cheio de estrelas onde até eu estava com dificuldade em encontrar as constelações mais brilhantes. Foi reconfortante mostra-lhes o braço da via láctea, como uma autoestrada de referência que nos localiza um pouco melhor na nossa morada celeste. Foi mágico parar e ficar atenta ao número considerável de estrelas cadentes que, minuto a minuto, cobriam as nossas cabeças como um espetáculo de pirotecnia gentilmente oferecido e acessível a quem quisesse ver.
Hoje, sempre que me desloco para o interior e o tempo o permite, faço-me acompanhar de um excelente guia, procuro um momento oportuno, procuro um local longe da luz, desligo o carro e saio para me sentar ou deitar a olhar o céu.

E porque a relatividade existe, por um momento que nos parece fora do tempo, voltamos a entrar no reino da fantasia e a descobrir que ele não saiu da nossa cabeça, da nossa imaginação, mas sim de um universo fascinante como aquele onde nós mesmos vivemos e somos pó de estrelas. Que melhor experiência para alimentar a imaginação senão parar a observá-lo?

 

 

One of the greatest lessons I learned from my last years as a student was that we have a propensity for everything natural… And if there are themes, let us call it “areas”, which fascinate man from the beginning of our history are, without doubt, biodiversity and the cosmos.

I am a biologist, but if I had to choose another area in the natural sciences that I would like to explore, it will be astronomy. The stars in the sky might be practically the same since the birth of mankind, but there is no starry night that I wouldn’t spend some time (maybe just one or two minutes) looking at the sky, as if it was a novelty, like a family portrait that we observe for hours looking for memories: the faces are the same, but we do not get tired of looking because we are fascinated.

I learned with my father to look up to the sky and to know how to orient myself between stars and constellations. As defensor of our origins, handmade and slow living, I can say that knowing how to orient myself in the sky is an instrument that enables constant exploration, such as knowing how to read, cook or use the sewing machine. The sky gives us space for several levels of exploration, many hours of calm, many moments of learning, lots of curiosity and a lot of sharing experiences.

A few years ago I had the opportunity to spend some periods on the island of Santa Maria in the Azores. One night, at the Vila do Porto summer fair, I invited some friends to finish our evening watching the Perseids, the famous shooting stars that takes place in mid-August. It seemed unbelievable that some of my colleagues had never seen a shooting star or lived all their lives knowing only a hand full of stars from the skiy of big cities. It seemed strange to me because I always had the opportunity to see the stars and contemplate the night sky… and at the same time I couldn’t fail to give them that connection. It was an unforgettable experience to see their smiles open under an incredibly starry sky where even I was having difficulty finding the brightest constellations. It was comforting to show them the Milky Way, like a reference freeway that locates us a little better in our cosmic address. It was magical to stop and pay attention to the considerable number of shooting stars that, minute by minute, covered our heads like a pyrotechnic show kindly offered and accessible to anyone who wanted to see.
Today, whenever I go to the countryside and the weather allows, I take my excellent guide, look for an opportune moment, a place far from the light, turn off the car and I go out to sit or lie down to look at the sky.

And because relativity exists, for a moment that seems to us out of our time, we enter the realm of fantasy and discover that it doesn’t only live in our heads, our imagination, but comes from the fascinating universe where we live and created us from star dust… What experience could feed this feeling better than stop and watch the night sky?

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Book Review: My guide for the Camino de Santiago

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Este mês está a ser desenhado à volta da minha experiência no Caminho de Santiago de Compostela, por essa razão, o meu “Book review” não podia ser outro senão sobre o guia que levei comigo no Caminho. Há uma enorme quantidade de livros sobre o Caminho de Santiago que visam cobrir os diferentes caminhos até Santiago de Compostela, as diversas vertentes a explorar (turística, religiosa, etc) e com diferentes profundidades. Mas apenas alguns são realmente guias…
Sendo que ia fazer o Caminho Português, consegui rapidamente reduzir esta variedade para um número mais limitado. Contudo, a diversidade continuava grande e por isso eu tive de ser prática. É muito diferente ter um guia para preparar o Caminho de outro para levar no Caminho. Pode, inicialmente parecer uma distinção absurda mas a minha experiência diz-me que um detalhe tão simples, durante o Caminho, faz toda a diferença. A maior parte dos guias são guias turísticos, tal como aqueles que levamos connosco para visitar uma cidade europeia. Estes são os melhores guias para preparamos o Caminho mas nem todos são os melhores para levarmos connosco na mochila. Um guia destes acompanhado com uma boa pesquisa on-line é a combinação ideal para quem se quer preencher de informação que o motive, que o faça apreciar mais o Caminho, que o faça entender o que está prestes a fazer.
Por outro lado, durante o Caminho, o guia, tal como muitas outras coisas que levamos connosco tem de ter as seguintes características: ser leve, pequeno, ter apenas a informação base, contactos dos albergues, espaço para alguns apontamentos, mapas das etapas, gráfico de desníveis, pontos de interesse e, acima de tudo, ser escrito por outros peregrinos. Esqueçam a ideia de que vão precisar de muita informação ou de que terão muitas oportunidades de se dedicarem a ela durante o Caminho.

O guia que, a meu ver, melhor cumpre o equilíbrio entre todas estas coisas é o guia “Caminho Português de Santiago de Compostela – MY WAY”. Este é um guia claramente informal, escrito de peregrinos para peregrinos: a linguagem é terra a terra, tal como tudo no Caminho. Não há palavras caras nem devaneios excessivos porque o Caminho é um exercício de desapego no qual todos caminhamos iguais. E o excesso de palavras e floreados também conta.
Precisamente porque não se perde com coisas extraordinárias é um guia pequeno: não pesa mais de 120g e cabe perfeitamente no bolso lateral de uns calções, calças ou no compartimento mais pequeno da mochila. Como tem um orifício, pode ainda ser pendurado por um mosquetão pequeno nos elásticos e fitas da mochila o que o torna igualmente acessível. Esta questão do peso/tamanho é imprescindível visto que o peso da mochila é das questões mais desafiantes e importantes a ter em conta para o bem-estar dos peregrinos.

O guia inicia-se com uma breve história dos Caminhos de Santiago, em especial o Caminho Português, os símbolos associados às peregrinações a Santiago de Compostela, uma série de perguntas e respostas e uma lista de material para o peregrino a pé ou de bicicleta. Daqui para a frente são apresentados os três principais caminhos em Portugal que levam a Santiago de Compostela: o Caminho de Braga, o Caminho da Costa e o Caminho Central.
Cada etapa está exposta da seguinte forma: número de quilómetros; frase de inspiração; uma breve descrição da etapa com os locais onde passa, as dificuldades a ter em conta e alguns conselhos práticos; espaço para apontamentos (eu preferi usar este espaço com post-its com conselhos de outros peregrinos); pontos de interesse ao longo da etapa por localidade; contactos de albergues e locais para comer; curiosidades; gráfico de desníveis e mapa da etapa. O livro finaliza com um pequeno guia para Santiago de Compostela, os principais “rituais” da chegada e locais a visitar.

Tudo isto parece muito pouco para quem quer explorar um local mais aprofundadamente ou entender todos os segredos da história do Caminho Português. A minha opinião é a seguinte: isso é uma coisa que se faz em casa ou nos eventuais momentos em que tivermos tempo e energia para mais. No caminho as tarefas são muito resumidas. À medida que avançamos no percurso, vemos como, na verdade, o dia do peregrino se foca num número muito pequeno de tarefas que são absolutamente essenciais: caminhar, comer e dormir… e repetir isto diariamente. É isso que o torna encantador. Há espaço para mais, claro que há… se for possível! E este tempo extra em geral é “gasto” a ajudar o corpo a recuperar, a conviver com outros peregrinos (sim, mesmo para introvertidos como eu), a reflectir e a passear um pouco pelas vilas onde estamos alojados. Se por acaso quisermos ter connosco algum material que nos permita uma consulta esporádica mais aprofundada o que eu aconselho é aproveitar as ligações wi-fi nos albergues e ter algum material digital no telemóvel do qual falarei noutro post!

This month is being developed around my experience on the Camino de Santiago de Compostela, so my “Book review” could not be other than about the guide I took with me on the Camino. There is a huge amount of books about the Camino de Santiago that cover the different routes to Santiago de Compostela, the different aspects to explore (tourism, religious, etc.) and with different depths. But only a few are true guides…
Since I was going to walk the Portuguese Camino, I was able to quickly reduce this variety to a more limited number of books. However, the diversity was still big and so I had to be practical. It is very different to have one guide to prepare the Camino than a guide to take on the Camino. At first, this may seem an odd distinction but my experience tells me that such a simple detail makes all the difference while you’re walking. Most guides are tour guides, just like those we take with us to visit an European city. These are the best guides to prepare the Camino but not all are the best to take with us in our backpack. A guide like these along with a good online research is the ideal combination for those who want to have all the information that might motivate and make us appreciate intensively the Camino in a historical way.
On the other hand, the guide you need during your pilgrimage must have the following characteristics: be light, small, have only basic information, albergue contacts, space for notes, slope graphics, points of interest and, above all, it must be written by other pilgrims. Forget the idea that you will need a lot of information or that you will have many opportunities to dedicate yourself to it during the Camino.

The guide that, in my opinion, meets the balance between all these things is the guide “Portuguese Way of Santiago de Compostela – MY WAY”. It is available in several languages: Portuguese, English, French, German and Spanish. This is an informal guide, written from pilgrims to pilgrims: the language is simple, just like everything on the Camino. There are no complicated words or excessive formality because the Camino is all about detachment, a path in which we all are the equal. And the excess of words and ornamentations also counts for this!
Precisely because the guide is base on the essencial, it is a very small guide: it weighs no more than 120g and fits perfectly in the side pocket of shorts or pants, in the smallest compartment of your backpack. As it has this hole, through it can be hung by a small carabiner on the backpack, which makes it equally accessible. This issue about weight/size is imperative since the backpack’s weight is one of the most challenging and important issues to take into account for the well-being of pilgrims on the Camino.

The guide begins with a brief history of the Camino de Santiago, especially about the Portuguese Camino of course, the symbols associated with the pilgrimages to Santiago de Compostela, a section of Q&A and a list of equipment for pilgrims on foot or bicycle. Then it explores the three main routes in Portugal that lead to Santiago de Compostela: the Camino from Braga, the Camino by the Coast and the Central Camino.
Each stage is exposed as follows: number of kilometers; inspirational sentence; a brief description of the stage with the places where it passes, the challenges to be taken into account and some practical advice; space for notes (I preferred to fill this space with post-its with some advice of other pilgrims); points of interest throughout the stage, by location; contacts of albergues and places to eat; curiosities; slope graphic and a stage map. The book ends with a short guide to Santiago de Compostela, the main “rituals” for your arrival and the places to visit.

All this might seem very little for those who want to explore a place more deeply or understand all the secrets of the history of the Portuguese Camino. My opinion is this: this is something that is done at home or at the very few times when your have the time and energy for more… That is not very common and does not worths a more complicated and heavy guide. On the Camino the everyday tasks are few. As we move forward, we see how the pilgrim’s day really focuses on a very small number of tasks that are absolutely essential: walking, eating and sleeping… and repeat this every single day. That’s what makes it special! There is room for more, of course there is … if it is possible! And this extra time is usually “spent” helping the body to recover, socialize with other pilgrims (even for an introvert like me), to reflect a bit and to take a walk around the villages where you’re are staying. If you happen to want to have some extra material that allows you a more detailed (sporadic) consultation, my I advise is to take advantage of the wi-fi connections in the albergues and to have some digital material on your mobile phone. I might be explore this in another post!

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