Book Review: Anna Maria’s Needleworks Notebook

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Eu adoro a maioria dos crafts! E os bordados não são excepção. Temo, porém, não ser a pessoa certa para grandes projectos de bordado. Mas tenho alguma paixão por pequenos projectos, pequenos detalhes bordados. A propósito do meu Foxy Quilt, tenho estado a trabalhar num pequeno detalhe bordado do qual já desvendei um pouco no Instagram mas sobre o qual prometo escrever um post. E para isso, procurei alguns livros de pontos de bordado mas sobretudo alguma inspiração. Ora, a Anna Maria é uma das minhas designers de tecidos favoritas e tem um livro sobre bordados e tapeçaria que é encantador e desmistificado muito bem a ideia do bordado absolutamente tradicional. Para dizer a verdade, apesar das técnicas apresentadas, a Anna aconselha a que revê-mos esta arte do bordado um pouco livremente, intuitivamente.

O livro Anna Maria’s Needleworls Notebook é um dos meus livros de crafts preferidos e tem uma perspectiva muito pessoal deste tipo de lavor. Quem conhece a Anna Maria sabe que trabalha na perfeição a herança tradicional, familiar e depois o design actual e uma combinação de cores deliciosa. Assim, o livro abre com a história dos bordados na sua vida, o que nos remete imediatamente para as nossas próprias recordações. Quase sem explorar o livro ficamos logo com uma vontade enorme de vasculhar o botão das avós, procurar trabalhos antigos e por mãos à obra.

Depois a Anna introduz-nos aos trabalhos em tela e dá-nos ferramentas inacreditavelmente úteis e simples para criar os nossos próprios desenhos para bordar em tapeçaria ou ponto de cruz. Depois avança para os detalhes das diferentes técnicas. Começa pelo ponto-cruz e propõe trabalhos fora do vulgar: desde pequenos quadros com desenhos ousados, aplicações em camisolas, fitas, etc. A segunda técnica a explorar é a tapeçaria. Mais uma vez, os pontos base são explicados, assim como alguns pontos decorativos. O trabalho das cores, as aplicações em cluches e almofadas mostram-nos vertentes muito diferentes do habitual sem perder algum do encanto tradicional. A terceira técnica é o bordado livre e aqui é que reside o auge da criatividade no que diz respeito à variedade de pontos e combinação de cores que o livro tem para oferecer. Na verdade, este capítulo é, para mim, aquele que mais surpreende porque é exactamente aquilo que o nome indica: completamente livre e intuitivo. Podemos render-nos aos principais pontos, que a Anna demonstra com pormenor, ou simplesmente deixar-nos levar. As possibilidades são infindáveis e incluem desde desenho de um modelo, utilização de pontos simples para delimitar (linhas, tracejados), passando por pontos para preenchimento, passado pelo bordado sobre padrão de tecido, uma técnica que se torna verdadeiramente espetacular quando são usados os tecidos desenhados pela Anna. Por fim, é ainda abordado o “crewel” ou bordado com lã e há um capítulo dedicado aos modelos desenvolvidos no livro para que possamos “copiar” o projectos na perfeição!

I love most of the crafts! And embroidery is no exception. I am afraid, however, that I am not the right person for large, intense, embroidery projects. But I have some passion for small projects, small embroidered details. Regarding my Foxy Quilt, I’ve been working on a little embroidered detail that I’ve already showed on Instagram but I promise to write a post about it. And for that, I looked for some embroidery books to chose stitches and find some inspiration. Well, Anna Maria Horner is one of my favorite fabric designers. She has this charming book about embroidery and needlework that demystifies the idea that embroidery is still a very traditional craft. To tell the truth, despite the classic techniques presented in the book, Anna advises that we enjoy embroidery a little more freely, intuitively.

Anna Maria’s Needleworls Notebook is one of my favorite crafts books and has a very personal perspective on this type of work. Anyone who knows Anna Maria knows that she works perfectly between the traditional, family heritage and the contemporary design and color combination. Thus, the book opens with the history of embroidery in her life, which brings us immediately to our own memories. Almost without exploring the book, we soon get a great desire to search our grandmothers attic, looking for old works and get to work.

Then, Anna introduces us to the works on canvas and gives us incredibly useful and simple tools to create our own embroidery designs on needlework and cross stitch. Then she explores the details of the different techniques. She starts with cross-stitch and proposes works that are quite out of the ordinary: from small pictures with daring drawings, applications on shirts, ribbons, etc. The second technique explored in the book is needlework. Once again, the base stitches are explained, as well as some decorative stitches. The combination of colors, the geometry and the projects show us very different applications of the technique without losing some of the traditional charm. The third technique is free embroidery and here is where lies the pinnacle of creativity use, with regard to the variety of stitches and color combination that the book has to offer. In fact, this chapter is, to me, the one that most surprises because it is exactly what the name implies: completely free and intuitive. We can stick to the main stitches, which Anna shows in detail, or simply let us be free to discover our own path. The possibilities are endless and include: drawing from a pattern, using simple stitches to draw lines, use stitches to fill areas, embroid over fabric patterns (a technique that becomes truly spectacular when the fabrics used are designed by Anna!). Finally, the “crewel” or embroidered with wool technique is also covered and the book ends with a chapter dedicated to the patterns in the book so that we can “copy” the book projects!

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Nature Journal Update: weeks 1-13!

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Como sabem, este ano iniciei um pequeno Diário de Natureza que preencho semanalmente. No início estava um pouco tímida em relação a ele e acabei por guardar este projecto só para mim durante algum tempo. Não tinha a certeza de conseguir ser-lhe fiel e confesso que estava também um pouco intimidada pelos resultados: apesar de ser bióloga, passei os últimos 5-6 anos sem fazer uma observação como deve de ser, com o objectivo de desenhar ou pintar o que quer que seja neste contexto… Mas, perto do ano novo, andava a reflectir um pouco acerca do blog e percebi que, para que me reflectisse devidamente, faltava-lhe ter mais assuntos relacionados com a Natureza. Por isso, agarrei nos meus livros e apontamentos de ilustração cientifica, as minhas fieis aguarelas e iniciei um pequeno projecto que me poderia inspirar para escrever mais sobre Natureza. E que unisse duas coisas que eu amo: a natureza e as artes.

O mês passado ganhei finalmente alguma coragem para partilhar convosco este projecto e decidi publicar as páginas que fiz durante estes três meses, no Instagram. Vocês estavam tão entusiasmados e encorajaram-me tanto a continuar que eu achei uma boa ideia fazer uma espécie de “post de progresso” aqui no blog. Por isso, aqui estão as páginas das primeiras 13 semanas do meu Diário de Natureza. Estou completamente apaixonada por este projecto, não têm noção! Espero que gostem do que fiz até agora!

As you know, this year I started a weekly Nature Journal. I was a little bit shy about it in the beginning and kept it for me for a while. I wasn’t sure if I will be able to stuck with it and I was a little intimidated about the results because, despite I am a Biologist, I passed the last 5 or 6 not drawing a thing… But, around the new year, I was thinking about the blog and decided that, to really reflect me, it had to be more Nature stuff around here. So I grabbed my scientific illustration books and my watercolours and started a small personal project that, hopefully, will inspire me throughout the year to write about nature on the blog, and join this two things I love: nature and arts.

This last month I finally shared it you on this post and decided to post the pages I already done during the last three months on Instagram. You were so excited about it that I though it would be a nice idea to make a small “progress post” about this project on the blog. So, here are the pages from my Nature Journal for the first 13 weeks of 2018. I am sooooo in love with this project. You can not imagine! I hope you enjoy it so far too!
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Book review: Foxes Unreathed. A Story of Love and Loathing in Modern Britain.

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Como já se foram apercebendo, tenho uma grande paixão por raposas! As raposas são num ser vivo que suscita emoções muito contrastantes entre os seres humanos. Ora, ao longo de quatro anos, eu estudei a forma como nos relacionamos directa e indirectamente com a biodiversidade e deparei-me com alguns seres vivos que provocam sensações muito fortes. É inequívoco que os artrópodes e os répteis são os senhores do medo! E que os mamíferos e aves são profundamente amados. Mas este padrão vai muito para além dos principias grupos taxonómicos: entre os artrópodes as borboletas são muito apreciadas, assim como as tartarugas entre os répteis; e entre mamíferos e aves, o lobo e o corvo geram apreensão entre muita gente. Apesar de não ter aprofundado especificamente esta relação, fui capaz de reconhecer que as raposas são um ser vivo que gera um grande espectro de sensações. Parece não haver um bom meio termo: há quem as ame, como eu, e quem as odeie! Há muitas razões, sobretudo históricas, para este tipo de percepções contrastantes em relação às raposas e, para mim foi muito emocionante descobrir que havia um bom livro sobre o assunto.

 

Foxes Unreathed é um livro que conta a história da nossa relação com as raposas ao longo da história e depois actualmente nas suas várias vertentes. O livro escrito por Lucy Jones é uma verdadeira declaração de amor e admiração por raposas e toca os assuntos mais curiosos: desde a forma como as crenças ancestrais, o folclore, as histórias e os meios de comunicação foram capazes de moldar a nossa imagem das raposas; passando pela questão da caça furtiva, controlada, cinegética e de como caçar não tem de estar necessariamente associado à negligência das espécies; e terminando pela tentativa, algo romântica, das aproximações ao homem numa era em que parecemos a cada dia mais distantes da biodiversidade da qual fazemos parte integrante.

 

É um livro fascinate e sobretudo muito inteligente. Fez-me reflectir e, no fim de todos os argumentos colocados em cima da mesa, amar ainda mais as raposas. Acima de tudo, mais do que tentar influenciar-nos de alguma forma, Foxes Unreathed coloca-nos sob a perspectiva de nós próprios como ser vivo que necessita ter tudo debaixo de controlo e se eleva de forma egocêntrica. Temos a fama de amar animais mas temos muita dificuldade em partilhar espaço com eles. Este livro devolve-nos a proximidade, ainda que apenas virtualmente. Mas pode ser um ponto de viragem na nossa relação com um mamífero que, apesar das dificuldades com que tem atravessado na sua proximidade com o homem, ainda sobrevive na nossa fauna autóctone e é símbolo e referência da biodiversidade Europeia.

 

As you might already know, I have passion for foxes! Foxes are a living being that arouses very contrasting emotions among humans. Well, over the course of four years, I have studied how we relate directly and indirectly to biodiversity and I have come across some living beings who provoke very strong reactions. It is unmistakable that arthropods and reptiles are the masters of fear! And that mammals and birds are deeply loved. But this pattern goes far beyond the main taxonomic groups: among arthropods the butterflies are much appreciated, as are the turtles among reptiles; and between mammals and birds, the wolf and the raven generate apprehension among many of us. Although I have not studied this case profoundly, I have been able to recognize that foxes are a living being that generates a wide spectrum of sensations. There’s not a middle ground: there are those who love them, as I do, and those who hate them! We can point many reasons, especially historical, for this kind of contrasting perceptions about foxes, and for me it was very exciting to find out that there was a good book on the subject.

 

Foxes Unreathed is a book that tells the story of our relationship with foxes throughout history and then today in its various subjects. The book written by Lucy Jones is a true declaration of love and admiration for foxes and touches on the most curious subjects: from the way in which the ancestral beliefs, folklore, stories and the means of communication were able to shape our image of foxes; including the hunting paradigm and the acceptation that hunting does not necessarily have to be associated with species neglect; and ending with the somewhat romantic attempt to approach mankind to foxes in an era in which we seem increasingly distant from the biodiversity of which we are an integral part.

 

It is a fascinating book and above all very intelligent. It made me think, and at the end of all the arguments put on the table, to love the foxes even more. Above all, rather than trying to influence us in any way, Foxes Unreathed puts us under the perspective of ourselves as a living being who needs to have everything under control and rises in an egocentric way. We have a reputation for loving animals but we have a hard time sharing space with them. This book brings us back to this closeness, though only virtually. But it may be a turning point in our relationship with a mammal that, despite the difficulties it has encountered in its proximity to man, still survives in our native fauna and is a symbol and reference of European biodiversity.
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Weekly Project: My Nature Journal

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Há uns tempos prometi que partilharia os meus desenhos de biodiversidade. A verdade é que não os tenho coleccionados nem catalogados, nem tão pouco são feitos com grande esforço: são na maior parte das vezes meros apontamentos nos cadernos de trabalho, até nas bermas de livros ou em folhas soltas para experimentar materiais de pintura!
Como bióloga sempre me vi impulsionada para desenhar a biodiversidade em diversos contextos da minha vida profissional e pessoal. Há alguns anos tinha feito um workshop com o Fernando sobre ilustração científica e anos mais tarde acabei por me cruzar com ele como colega do curso de doutoramento: ele trabalhou a vertente da ilustração científica enquanto eu estudei o papel da comunicação da ciência na ligação do homem com a natureza. Nunca fiz aquele workshop com a pretensão de colocar em prática uma vida de ilustradora como a dele mas hoje, já com o meu trabalho feito, depois de alguns anos a pintar óleo e aguarela como autodidacta compreendi que a minha própria ligação com a natureza passa por muitas coisas, entre elas desenhar e pintar o que vejo.

 

Por isso, em Dezembro passado, decidi que ia organizar-me melhor neste sentido e criar um diário de natureza mais sério onde pudesse: colocar em prática as aguarelas, servir-me de algumas coisas que fui aprendendo sobre observação e ilustração, partilhar um pouco daquilo que sei sobre os diários da natureza e, acima de tudo, reconhecer e consolidar os meus momentos de ligação com ela. Não pretendo simplesmente fazer um desenho bonito nem, por outro lado, considerar isto ilustração como aquela que o Fernando faz! Apenas descontrair, motivar-me para a observação e usufruir do potencial de um bom diário da natureza.

 

Comprometi-me a fazer uma página (ou mais) por semana durante um ano e finalmente ganhei coragem para partilhar convosco o que já fiz! Se me seguirem no instagram, vão poder ver cada uma das páginas que já desenhei ao longo dos próximos dias, e depois, regularmente sempre que desenhar uma nova.

 

Revejo-me muito neste projecto pessoal e acho que chegarei ao fim com muita aprendizagem, boas memórias, novo conhecimento e atitudes mais positivas em relação à forma como me ligo à biodiversidade. Espero também poder partilhar convosco outros recursos relacionados com este pequeno projecto: dicas, livros, materiais, estratégias, etc.

 

Some time ago I promised that I would share my biodiversity drawings. The truth is that I have not collected or cataloged them, nor are they done with great effort: they are for the most part mere notes on my workbooks, even on the edges of books or on loose sheets where I try painting materials!
As a biologist I have always been motivated to draw biodiversity in diverse contexts of my professional and personal life. A few years ago I went a workshop with Fernando on scientific illustration and years later I ended up with him as a PhD fellow: he worked on scientific illustration as I studied the role of science communication in the connection between men and nature. I never did that workshop with the pretension of being an illustrator like he is, but today, with my work done, after a few years of painting oil and watercolor as a self-taught, I understood that my own connection with nature goes through many things, among them to draw and paint what I see.

 

So last December I decided that I would organize myself in this direction and create a more serious nature journal where I could: practice watercolors, use some of the things I learned about observation and illustration, share a little from what I know about nature journals and, above all, to recognize and consolidate my moments of connection with nature. I do not just want to make a beautiful drawing, nor do I consider this scientific illustration as the one Fernando does! Just relax, motivate myself to observe and enjoy the potential of a good nature journal practice.

 

I committed to doing a page (or more) a week for a year and finally I got the courage to share with you what I already did! If you follow me on Instagram, you will be able to see each of the pages that I have already drawn over the next few days, and then regularly whenever I draw a new one.

 

This project means a lot to me and I think I will end it with a lot of learning, good memories, new knowledge and more positive attitudes towards how I connect with biodiversity. I also hope to share with you other resources related to this small project: tips, books, materials, strategies, etc.
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