(Un)plastic cleaning


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Este deve ser o último post acerca das alterações sem plástico que implementei durante 2019. Propus-me a 52 alterações que foram desde a minha casa de banho, à cozinha, às viagens, às compras e até à minha rotina de limpeza.

Esta foi a área em que tive maior dificuldade em escolher boas alternativas que estejam acessíveis localmente. De facto, é uma área controversa: com muito ou pouco plástico, um detergente será sempre um detergente. Contudo, podemos tentar fazer escolhas mais conscientes no que diz respeito não só ao plástico mas também ao ambiente. Tentei várias alternativas: comprar em grande escala, comprar avulso e, aquela que até agora me deixou mais contente (muito embora não acho que seja a escolha perfeita) comprar detergentes ecológicos e biodegradáveis na embalagem mais ecológica possível.

Sabão para cozinha (e casas de banho). A melhor alternativa e com menos impacto ambiental foi investir (e refiro investir porque este produto não é propriamente barato em comparação com as alternativas não ecológicas disponíveis no mercado) em boiões do sabão Dr. Bronners (ou equivalente). No entanto, à parte o preço, este sabão apresentou muitas vantagens: apesar de vir numa embalagem de plástico, não é suposto ser utilizado concentrado. Para um detergente das mãos basta diluir uma colher deste produto numa chávena de água. Mas tem muitas outras utilizações. E para cada possível utilização há uma “receita” ou uma proporção a aplicar. Assim sendo, no fim de contas, apesar do investimento inicial, creio que acaba por ficar tão ou até mais barato do que as alternativas convencionais. A embalagem de plástico tem um tempo de vida maior (porque o produto é concentrado) e é reciclável. Desvantagem: naturalmente a mistura de sabão com a água não torna a textura do detergente cremosa (fica praticamente líquida). Mas eu encontrei a solução ideal: reutilizar um frasco de sabão em espuma, que possui um mecanismo de aerificação que transforma qualquer mistura de água e sabão numa espuma agradável.

Pó para louças de casa de banho. Uma simples quantidade de bicarbonato de sódio salpicado com água, esfregado nas louças de casa de banho é uma solução que tema abrasão suficiente para deixar as superfícies brancas. A grande vantagem é que não há mais químicos envolvidos que prejudiquem a pele, os olhos ou as mucosas nasais. Basta deixar actuar uns 20-30 minutos antes de enxaguar.

Lava tudo. O investimento no Dr Bronners não fica por aqui. Uma diluição semelhante pode ser feita para usar este detergente como lava tudo para superfícies como o balcão da cozinha ou o fogão. E para melhorar a receita podemos acrescentar umas gotas de vinagre (é anti-séptico e dá brilho) e de um óleo essencial à nossa escolha para deixar um aroma agradável sem ser intenso e artificial.

Detergente da louça. A minha luta pelo detergente da louça ainda não terminou. Na verdade acho que só consegui resolver uma parte do problema. Achei inicialmente que poderia usar o sabão Dr Bronners diluído para a louça mas confesso que depende muito: para copos ou chávenas é mais do que suficiente. Mas para tachos, pratos ou frigideiras torna-se insuficiente. Por isso investi num detergente da louça biodegradável e ecológico em embalagem de plástico reciclado e reciclável. Não é, como refiro, uma solução completamente zero plástico mas é a opção que considerei ter melhor equilíbrio entre plástico, eficiência combinados com um detergente ecológico.
A minha luta fica, contudo, pela metade já que ainda não descobri uma solução que me convencesse totalmente no que diz respeito a detergente para máquina de lavar louça! Alguma sugestão?

Limpa vidros. quem limpa vidros a sério sabe que o melhor para lavar os vidros é água quente, sabão e papel. Mais uma vez o Dr. Bronners é uma excelente combinação. É certo que por vezes precisamos sobretudo de lhes tirar as manchas do pano. Para isso basta terminar a limpeza dos vidros com uma mistura de água e sumo de limão (que também dá brilho aos balcões de cozinha).

Detergente da roupa. Eu tinha bastante detergente ainda por usar pelo que esta terá sido das últimas alterações que fiz. Mais uma vez, o equilíbrio com um detergente ecológico foi o aspecto mais determinante para mim. Assim, enquanto terminei o detergente que ainda tinha, fui testando as alternativas possíveis até me deixar convencer. Comprei detergente ecológico em grande quantidade (dividi com o meu irmão para testarmos cada um uma parte) mas não me convenceu: não foi muito eficiente e o aroma era bastante artificial. Testei comprar avulso e não foi a pior opção mas não muito diferente da opção anterior. Penso até que esta será a melhor opção de todas mas as opções locais ainda não são muitas (quase nenhumas) pelo que ainda tem esse inconveniente.

Testei também as nozes de saponária e fiquei agradavelmente surpreendida. Contudo estas também vêm numa embalagem de plástico e funcionam melhor para roupa que não esteja muito suja. Por isso, para já estou a combinar o uso das nozes de saponária com um detergente ecológico com embalagem de quantidade quase nula de plástico da marca Mulieres. Apesar de ficar mais caro, posso dizer que é realmente concentrado: efectivamente não preciso de usar muito e o aroma é natural. Finalmente foi o aroma leve e natural que me convenceu.

Amaciador da roupa. O amaciador da roupa simplesmente desapareceu. E assim deixo de ter embalagens de qualquer tipo. Honestamente acho que a maior parte das pessoas usa o amaciador por causa do aroma que, desde que comecei a usar mais produtos naturais, me começou a incomodar mais (penso que o meu olfato ficou mais sensível). À parte essa questão não me trazia, na verdade, qualquer outra vantagem. A água por cá não é muito dura e quando quero um toque suave nas toalhas de banho, por exemplo, acrescento um pouco de vinagre à gaveta do amaciador. Não, a roupa não fica a cheirar a vinagre e, pode parecer inacreditável, mas fica mais suave do que com qualquer amaciador que tenha utilizado. Por fim, se quiser, posso também acrescentar duas ou três gotas de óleo essencial junto com o vinagre e isso sim, dá aroma à roupa. Mas em geral, não sinto necessidade nenhuma de acrescentar nenhum tipo de amaciador às minhas lavagens. O amaciador é também muito prejudicial para roupa de desporto, para roupa interior e para peças impermeáveis. Além disso é responsável pela maioria das alergias cutâneas associadas a produtos de limpeza. Não vejo vantagem nenhuma, por isso deixei de usar.

Água de engomar. Água de engomar foi uma necessidade inventada. Depois dos aromas dos detergentes, mais os amaciadores, parece que ainda sentimos necessidade de introduzir mais aroma na água usada nos ferros a vapor. Isto só significa que o nosso olfato está esgotado… Nunca fui utilizadora de água com aroma para engomar mas já me foi oferecida e sim, é agradável… não posso sequer dizer que se impregne muito na roupa. Acaba por se libertar no ar porque os compostos são voláteis, sobretudo a altas temperaturas. A minha sugestão para quem usa é juntar uma gota de óleo essencial de alfazema ou rosa à água. O efeito é praticamente o mesmo e é bem mais saudável para o nosso nariz e pulmões.

Esfregar a louça. não queria deixar de dizer que um grande contributo para a poluição dos Oceanos são os esfregões da louça que não são nem biodegradáveis nem recicláveis. Parece que nem sempre nos lembramos disso e, sem saber, muitos de nós até já usam algumas soluções zero plástico que podem alargar. Os esfregões de arame são um exemplo disso assim como os esfregões de fibra de côco ou de cerdas. Quando esta opção não chega há sim opções de esfregões de louça biodegradáveis ou mesmo reutilizáveis.

Fibra de limpeza. os “panos amarelos” foram outra revolução que, tal como os esfregões da louça, não são nem recicláveis nem biodegradáveis. Hoje em dia já é possível encontrar soluções ecológicas e reutilizáveis. Eu ainda tenho um dos velhos panos amarelos em minha posse porque acabo por os lavar vezes sem conta na máquina de lavar roupa e ficam “novos” durante mais tempo. Mas assim que este ficar inutilizável vou optar por uma solução reutilizável. E para uma solução DIY eu tenho algumas toalhas de banho que posso cortar (e até coser um viés colorido) para usar com o mesmo fim!

E acabo este desafio com o total de 52 mudanças zero plástico que mudaram a minha vida, o meu olfacto, a minha pele, as minhas rotinas de limpeza e até o meu ponto de vista sobre o poder das minhas escolhas no ambiente. Mas vou juntar MAIS UMA ALTERNATIVA, uma espécie de bónus, que me incomoda desde que os sacos de supermercado deixaram de ser gratuitos: hoje uso sacos de plástico compostáveis para o lixo regular e só remeto sacos de plástico para a reciclagem evitando ainda assim os de plástico frágil!

This should be my last post about the changes without plastic that I implemented during 2019. I proposed 52 changes that went from my bathroom, to the kitchen, to travel, shopping and even my cleaning routine.

This was the area I found most difficulty in choosing good alternatives that are accessible locally. In fact, cleaning it is a controversial area: with too much or too little plastic, a detergent will always be a detergent. However, we can try to make more conscious choices regarding not only plastic but also the environment. I tried several alternatives: buying on a large scale, buying loose and, the one that until now has made me the most happy (although I don’t think it’s the perfect choice) buying ecological and biodegradable detergents in the most ecological packaging I was able to find.

Kitchen soap (and bathrooms). The best alternative with the least environmental impact was to invest (and I mean investing because this product is not exactly cheap compared to the non-ecological alternatives available on the market) in Dr. Bronners soap (or equivalent). However, apart from the price, this soap has many advantages: although it comes in plastic packaging, it is not supposed to be used as concentrated as it is. For a hand soap, just dilute a spoonful of this product in a cup of water. It has many other uses! And for each possible use there is a “recipe” to apply. So, at the end of the day, despite the initial investment, I think it ends up getting as cheap or even cheaper than conventional alternatives. The plastic packaging has a longer life (because the product is concentrated) and is recyclable. Disadvantage: of course, mixing soap with water does not make the soap creamy (it is practically liquid). But I found the ideal solution: reusing a foaming bottle, which has an aeration mechanism that turns any mixture of water and soap into a pleasant foam.

Powder for bathrooms. A simple amount of baking soda sprinkled with water, rubbed on your sink or bathtub has enough abrasion to make surfaces white. The great advantage is that there are no more chemicals involved that can harm your skin, eyes or nasal membranes. Just let it act for 20-30 minutes before rinsing.

Wash liquid. The investment in Dr Bronners does not applies only to hand soap. A similar dilution can be made to use this detergent as wash liquid for surfaces like the kitchen counter or stove. And to improve the recipe we can add vinegar (it is antiseptic) and a drop or two of an essential oil of our choice to leave a pleasant aroma without being intense and artificial.

Dishwashing detergent. My fight for plastic free dishwashing is not over yet! In fact, I think I only managed to solve part of the problem. I initially thought that I could use the diluted Dr Bronners soap for dishes, but I confess that it depends a lot: for glasses or cups it is more than enough. But for pots, plates or pans it is insufficient. That’s why I invested in a biodegradable and environmentally friendly dish detergent in a recycled and recyclable plastic packaging. It is not, as I say, a completely zero plastic solution but it is the option that I considered to have the best balance between plastic, efficiency combined with an ecological detergent.
My struggle is, however, half way as I have not yet discovered a good solution regardong to dishwasher detergent! Any suggestion?

Glass spray. Experienced glass cleaners know that the best thing to clean glass is hot water, soap and paper. Once again Dr. Bronners is an excellent combination. It is true that sometimes we especially need to remove the stains created by our cloth. To do this, just finish cleaning the glass with a mixture of water and lemon juice (which also adds shine to kitchen counters).

Laundry detergent. I had plenty of detergent left to use so this may have been one of the most recent change I made. Again, the balance with an ecological detergent was the most determining aspect for me. So, while I finished the detergent I still had, I tested the possible alternatives until I was convinced. I bought ecological detergent in large quantities (I shared it with my brother to test it) but I was not convinced: it was not very efficient and the aroma was quite artificial. I tested buying loose and it was not the worst option but not much different from the previous option. I think that this will be the best option of all, but the local options are still not many (almost none) so there is still this drawback.

I also tested the soap nuts and I was pleasantly surprised. However, these also come in a plastic packaging and work best for clothes that are not too dirty. So, for now, I am combining the use of soap nuts with an ecological detergent with an “almost zero” amount of plastic packaging . Although it is more expensive, I can say that it is really concentrated: I don’t really need to use much and the aroma is natural. Ultimately, it was the light natural aroma that convinced me.

Fabric softener. the fabric softener simply disappeared. And so I no longer have packaging of any kind for fabric softener! Honestly, I think most people use it because of the aroma (since I started using more natural products, this aromas has started to bother me a lot, I think my smell has become more sensitive). This issue aside, in fact, I see no other advantage. The water here is not very hard and when I want a soft touch on the bath towels, for example, I add a little vinegar to the fabric softener drawer. No, the clothes do not smell like vinegar and, it may seem unbelievable, but the fabric gets softer than with any fabric softener I have ever used. Finally, if you want, you can also add two or three drops of essential oil along with the vinegar. But in usually I feel no need to add any type of softener to my landry washes. The softener is also very harmful for sportswear, underwear and waterproof fabrics. It is also responsible for most skin allergies associated with cleaning products. I don’t see any advantage, so I just stopped using it.

Ironing water. Ironing water was an invented necessity. After the aromas of detergents, plus softeners, it seems that we still feel the need to introduce more aroma into the water we use in our steam irons. This only means that our smell is exhausted… I have never been a user of scented water for ironing but it has already been offered to me and yes, it is pleasant… I cannot even say that you get too much arome in your clothes. It ends up being released into the air because the compounds are volatile, especially at high temperatures. My suggestion is to add a drop of lavender or rose essential oil to the water. The effect is practically the same and it is much healthier for our nose and lungs.

Scrubbing the dishes. I would like to say that a great contribution to the pollution of the oceans are dish scrubs, which are neither biodegradable nor recyclable. It seems that we do not always remember this and, unknowingly, many of us even know some zero plastic solutions that we can use more regularly. Wire scrubs are an example of this, as are coconut or bristle scrubs. When thess options are to abrasive, there are options for biodegradable or even reusable dish scrubs.

Cleaning fiber. “yellow cleaning cloths” were another revolution that, like dish scrubs, are neither recyclable nor biodegradable. Nowadays it is already possible to find ecological and reusable solutions. I still have one of the old yellow cloths in my possession because I end up washing them over and over in the washing machine and they stay “new” for longer. But as soon as it becomes unusable I will opt for a reusable solution. And for a DIY solution I have some bath towels that I can cut (and even sew a colored bias) to use for the same purpose!

With this I end this challenge with a total of 52 zero plastic changes that have changed my life, my sense of smell, my skin, my cleaning routines and even my point of view on the power of my choices in the environment. But I’m going to add ONE MORE SWAP, a kind of bonus, which has bothered me since supermarket bags are no longer free: today I use compostable plastic bags for regular garbage and I only send plastic bags for recycling, and off course I am avoiding thin non recyclable!

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(Un)plastic lunch

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Janeiro sabe sempre a recomeço e, apesar de em muitos aspectos a rotina se manteve igual, foi nos pequenos pormenores que notei o quanto já evoluí para a minha demanda contra os plásticos. E desta vez resolvi voltar-me para as refeições fora de casa! Não vou esconder: dei por mim a alterar muito pouca coisa. Na verdade, a maior parte das minhas refeições é feita em casa ou levada de casa para o trabalho e foi neste último exemplo em que me dei conta que já fazia uma série de opções sem plástico que, no entanto, resolvi aprimorar. À parte isso, acho que tenho conseguido reduzir o impacto dos meus lanches ou snacks em algumas situações e inspirar outros a fazer o mesmo. Foram vários os colegas que assumiram Janeiro como o momento de começar a levar almoço para o trabalho diariamente pelo que espero poder inspirá-los a fazê-lo de forma ainda mais consciente.

 

E para o fazer não precisamos de recorrer às “marmitas” específicas para refeições. Sinceramente, ainda não encontrei uma marmita que faça melhor a vez do que uma caixa de vidro. Além disso, as marmitas são em 90% das vezes mais caras do que uma caixa de alimentos habitual…. só porque sim. Porque é “específica” para levar o almoço. No entanto, a maior parte das vezes não deixam de ser caixas de plástico o que limita o tipo de alimentos que podemos levar e aquecer alimentos no microondas já não é ideal visto que o principal agende de degradação dos plásticos é o calor.
Há também as mais recentes opções em inox vindas do “boom” de movimentos zero plástico e que remetem à memória as marmitas tradicionais. São uma excelente alternativa e igualmente resistentes…. desde que não seja necessário aquecer o almoço no microondas. Por isso, e depois de ponderar bastante apercebi-me que a solução que mantenho há anos, de uma caixa de vidro é, para mim, a melhor das opções. É pesada e pode partir, é certo, mas para quem precisa de aquecer o almoço e acima de tudo usar o que tem, as caixas de vidro são do mais prático que há!

 

Também no caso dos talheres se viu um crescimento de opções para almoço no trabalho, em geral, feitas de plástico e, mais recentemente, de madeira. Mas mais uma vez após ponderar um pouco sobre o assunto, percebi que não preciso de comprar nada para substituir a opção que já faço há anos: levar um par de talheres tradicionais.

 

Contudo, nem tudo se resume às opções de talheres para almoço! E certamente que não é prático ter um par de talheres sempre connosco. Mas não era a primeira vez que, graças à colher dobrável que trago comigo na carteira, posso recusar uma colher de gelado! Ao reflectir bem no assunto, a colher serve uma grande maioria das vezes pelo que não sinto necessidade de ter um jogo completo de talheres na carteira.

 

Levar uma fatia de bolo ou uma sandes é algo habitual mas manter-lhes a frescura pode não ser fácil. Nunca gostei de recorrer à película aderente porque acho que deixa algum sabor nos alimentos e é quase impossível de reciclar. Contudo confesso ter usado com muita frequência a folha de alumínio. Muito embora o meu foco seja eliminar o plástico, usar a folha de alumínio não me parecia menos descartável. Então investi uma série de “bee wraps”: pedaços de tecido envolvidos em cera de abelha que se moldam facilmente aos alimentos e mantêm a sua frescura. Os wraps são laváveis e reutilizáveis e podem ser usados para tapar recipientes no frigorífico. Acho-os até bastante interessantes para guardar o pão porque o conserva fresco durante mais tempo!

 

A outra alternativa é mesmo um frasco de vidro ou a habitual tupperware porque nesta questão dos plásticos há que ser pragmático: os plásticos são um recurso excelente no qual eu invisto quando sei que o seu tempo de vida é longo e justificado. Para levar frutos secos ou uma fatia de bolo que não é viável embrulhar, uso a mesma tupperware de plástico há anos! Tem a leveza e o tamanho ideal, é facilmente lavável e pela qualidade não deixa cheiros. Como não tenho de a aquecer no microondas é uma excelente opção para snacks e uma opção igualmente sustentável visto que já a possuía e me vai durar uma vida inteira.
Outra opção são os sacos de pano (alguém se lembra de usar os saquinhos de pano para levar a merenda?) ou então as opções mais recentes em silicone que, mais uma vez, apesar de serem de plástico, têm um tempo de vida muito longo. Esta solução é especialmente versátil por ser boa para congelar e descongelar e assim substituir os habituais sacos de congelação. Há até quem as use para cozer alimentos no microondas ou na panela… Mas podem ser usados em toda a parte para transportar alimentos, lanches, sandes ou snacks. Ter uma opção que serve diferentes propósitos é certamente uma opção bastante sustentável e também minimalista.

 

Não podia deixar de falar das opções para bebidas. Neste âmbito, creio ainda não ter feito uma transição completa. É frequente levar bebidas quentes, ou mesmo bebidas frias para os dias de praia, na minha garrafa térmica. Talvez tenha sido a melhor compra que fiz este ano e uso-a diariamente. Mas ainda não consigo ver-me livre da garrafa de água que, apesar de ser reutilizável (e já lhe contam alguns anos) ainda é de plástico. Tenho 3 tamanhos que uso de forma diferente: uma pequena que tenho sempre comigo, uma média que costumo levar para o trabalho/almoço, e uma grande para o Caminho e os meus trilhos. Hoje, não estou certa de que este conjunto seja a minha opção definitiva, e confesso que apesar da qualidade, por vezes sinto algum sabor e creio que, à medida que os anos vão passando, vou acabar por substituir estas por outras opções sem qualquer plástico. Mas o importante para mim, de momento, é evitar o plástico descartável e usar ao máximo as opções reutilizáveis que já tenho.

 

Aqui estão mais 7 opções de baixo impacto em plástico, sobretudo no que diz respeito ao plástico de uso único! Vou partilhar as últimas alterações do meu desafio de 52 na próxima semana.

 

January always feels like a start over and, although in many ways my routines have remained the same, it was in the small details that I noticed how much I have already evolved towards my demand against plastics.
This time I decided to share with you my zero plastic habits regarding meals outside my house! I will not hide: I found myself changing very little. In fact, most of my meals are made at home or taken from home to work I realized that I was already making a series of options without plastic that, however, I decided to improve. Apart from that, I think I have managed to reduce the impact of my snacks or snacks in some situations and inspire others to do the same. Several colleagues took January as the time to start taking lunch to work daily so I hope I can inspire them to do it even more consciously.

 

And to do this we do not need to resort into specific “lunch boxes” for meals. Honestly, I still haven’t found a lunch box that does a better job than a glass box. In addition, lunchboxes are 90% more expensive than a regular box for food… just because. Because it is “specific” to take your lunch. However, most of the time they are still plastic boxes, which limits the type of food that we can take by not allowing us to safely heat the food in the microwave (heat is the major cause of plastic degradation).
There are also the stainless steel options that boomed from the zero plastic movements and that recall the traditional lunchboxes. They are an excellent alternative and equally resistant…. as long as it is not necessary to heat you lunch in the microwave. So, and after a lot of thought, I realized that the solution I have had for years, the glass box is the best option. It is heavy and might crash someday, of course, but for those who need to warm up their lunch and, above all, use what they already have, the glass boxes are the most obvious choice!

 

Regarding cutlery, there is also a boom of specific options of forks and knifes for you to lunch at work. However this are generally made of plastic (and thus not resistant as I am used to) and even wood. But once again after pondering this a little, I realized that I don’t need to buy any funny cutlery to replace the option I have been using for years: take a pair of traditional stainless steel cutlery.
However, it’s not all about the cutlery options for lunch! And it is certainly not practical to have a pair of heavy cutlery always with us. Thanks to the folding spoon I have in my wallet, I can refuse spoons for ice cream or bowl! When you think about it, the spoon is used most of the time so I don’t feel the need to have a complete set of cutlery in my wallet.

 

Bringing a slice of cake or a sandwich is a common snack, but keeping them fresh may not be easy. I never liked to use cling film because I think it leaves some plastic flavor in my food and is almost impossible to recycle! However I confess to having used aluminum foil very often. Even though, regarding my focus on eliminating plastic, using aluminum foil did not seem less disposable to me. So I invested a pack of “bee wraps”: pieces of fabric covered in beeswax that mold easily to food and maintain its freshness. This wraps are washable and reusable and can be used to cover containers in the refrigerator. I even find them quite interesting to store the bread because it keeps it fresh for longer!

 

The other alternative is even a glass bottle or the usual tupperware. Actually you have to be pragmatic: plastics are an excellent resource that I invest in when I know that their life will be long and justified. I have a small tupperware I have used for 10 years now and it still looks brand new. It’s the right size to take dried fruits or a slice of cake that is not feasible into a bee wrap! It has the ideal lightness and size, is easily washable and does not leave any smells due to its quality. As I do not have to heat it in the microwave, it is an excellent option for snacks and an equally sustainable option since I already had it and it will last me a lifetime.
Another option is the cloth bags (does anyone remember to use the cloth bags to take the lunch, with embroidered initials and all?) Or the latest silicone options that, once again, despite being plastic, have a very long life span long. This solution is especially versatile as it is good for freezing and can thus replace the usual freezer bags. There are even those who use them to cook food in the microwave or in the pan… But ultimately they can be used everywhere to transport sandwiches or snacks. Having an option that serves different purposes is certainly a very sustainable and also minimalist option.

 

I have to talk about the drinking options. In this context, I believe I have not yet made a complete transition. It is common for me to take hot drinks, or even cold drinks for beach days, in my thermos. Perhaps it was the best purchase I made this year and I use it daily! But I still can’t get rid of the water bottle, which despite being reusable (and it’s been holding well for a few years now) is still plastic. I have 3 sizes that I use differently: a small one that I always have with me, an average size that I usually take to work/lunch, and a large one for the Camino and my trails. Today, I am not sure that this set is my definitive option, and I confess that despite the quality, sometimes I feel some flavor and I believe that, as the years go by, I will end up replacing these with other options without any plastic . But the important thing for me, at the moment, is to avoid disposable plastic and make the most of the reusable options I already have.

 

Here are 7 more low-impact plastic options, especially with regard to single-use plastic! I will share the final swaps  of my 52 zero plastic alternatives challenge next week!
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This Christmas, I donated my hair

 
 
 
 
 
 
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Sim, eu doei o meu cabelo.

Este ano deixei o meu cabelo crescer mais do que o habitual para poder cortá-lo e doar um bom comprimento. Infelizmente há um grande número de motivos para que muitas mulheres e meninas percam o seu cabelo em momentos difíceis. É transversal o sentimento de impotência face a tantas condições médicas e ultrapassa-nos a total compreensão das suas consequências. Durante anos a fio cortei o meu cabelo como um acto de cuidado pessoal. O cuidado com aquela que queria que fosse a minha imagem e por respeito a mim própria. Por mais difícil que nos pareça compreender: cuidar de nós é a melhor maneira de cuidar bem dos outros. Contudo, embora consciente do cuidado que dava ao cabelo que trazia comigo, sempre me desprendi da sorte daquele que ficava caído no chão do cabeleireiro. Nunca pensei muito nisso. Ao longo da vida, já devo ter cortado alguns metros de cabelo… Este ano, permiti-me esmerá-lo com um cuidado especial para que crescesse saudável por mais alguns centímetros. Hoje está a caminho das mãos empenhadas de artesãos e, em conjunto com o de outros dadores, fará, gratuitamente, mais claros o tempos difíceis de uma qualquer pequena princesa que dele precisar! Afinal, eu ia cuidá-lo e cortá-lo de qualquer forma, mais cedo ou mais tarde… Mas dei por mim mais presa ao meu cabelo do que nunca. Concedo-o neste Natal, representando um pouco do melhor de mim. Feliz Natal!

 

 
 

Yes, I donated my hair.

This year I let my hair grow longer than usual so I could cut it and donate a proper length. Unfortunately there are a number of reasons why many women and girls lose their hair in such difficult times. The feeling of powerlessness regarding so many medical conditions is transversal to us all, and its consequences are beyond our full comprehension. For years I cut my hair as an act of personal care for what I wanted my image to be and out of respect for myself. As hard as it may seem to us to understand: taking care of ourselves is the best way to take good care of others. However, although I was aware of the care should give to the hair I bring with me, I wasn’t aware of the fate of the one lying on the hairdresser’s floor. I never thought much about it . In the course of my life, I must have cut a few feet of hair… This year, I allowed myself to take care of it with a special care so that it grew healthy for a few more inches. Today it is on its way to the committed hands of artisans and, together with other donotaions, will bring some joy to any little princess in need of a wig! After all, I was going to take care of my hair it and cut it anyway, sooner or later… But I found myself more attached to my hair than ever. I am deeply happy to share a little bit of my best this Christmas. Merry Christmas!
 

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Letting go

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O meu terceiro Caminho foi deveras diferente. Desta vez percorremos o caminho da Prata desde Ourense até Santiago de Compostela. Foi um caminho duro, em que os desafios não deixavam muito espaço para apreciar a paisagem.
Este foi um caminho muito clarificador para mim. Como se as nuvens de nevoeiro que por vezes povoam a nossa visão se tivessem desvanecido à minha frente e deixado mostrar a nitidez que acompanha o amanhecer depois da chuva. Nem sempre, porém, sabe tão bem ver as coisas claras. Não é bom como beber da água fresca directamente da fonte… nem sempre esta “água” é tão fresca, tão insípida como a água da fonte.
Penso que, mais uma vez, o impacto do Caminho se fez combinar com o desafio do percurso e resultou, pelo menos para mim, numa verdadeira experiência emocional!
Como sabem, em nenhum Caminho eu levei muita coisa. Mas o que levava comigo, e porque era pouco, acabava por se fazer carregar de significado. Eu sou uma pessoa de significados: prefiro ter menos mas anseio que o que tenho tenha significado. Mas este caminho demonstrou-e que, por vezes agarramos as coisas que na verdade, precisamos de largar: como o artista que vende a sua obra de arte. Isso não significa que ela não viva mais…

Ora, o Caminho já havia demonstrado para muita gente que podia ser o momento certo para nos fazer entrar em modo “sobrevivência”. Que nos podia mostrar como é estar connosco, como é estar com quem nos acompanha e com quem nos aparece. Fazer libertar-nos das coisas materiais, das coisas de que nos convencemos, libertar-nos até das falsas verdades nas quais nos vemos empenhados e comprometidos todos os dias. Tudo passa a ser relativo e é-lhe atribuído o devido valor: sem querer, sem controlo, somos mais honestos, mais transparentes connosco e com os outros. Para uns pode resultar em alguma desilusão: “não sou tão forte como imaginava”, “afinal aquela pessoa não é quem eu pensava ser”, “porque motivo não consigo parar de dar valor a este objecto quando não tem mais sentido?”. Para outros, pode ser uma manifestação de resiliência: “caramba, eu posso isto e muito mais”, “quando os meus valores se colocam à prova eu reconheço em mim alguém valioso”, “na verdade, de tudo o que trago, só importam aqueles que também me levam no coração”.
Eu diria que este caminho teve uma mistura perfeita de ambas as situações: nunca deixou de haver o fascínio do Caminho, das viagens em silêncio, do tempo de descanso no albergue ou das conversas dos outros peregrinos… Mas desta vez o caminho veio recheado de convicção e coragem: para olhar para mim com a força inimaginável que possuo num corpo pequeno de menina, para não deixar mais passar, para expor, para dar a conhecer o que vale para mim…para compreender e clarificar minhas dúvidas, transformando algumas em certezas e outras em desmentidos.

No dia em que se celebravam dois aniversários menos felizes (um de um acidente de comboio às portas de Santiago e o outro da grande viagem da minha avó), ofereci a minha vieira, e a minha oração àqueles que partindo sem contar ansiavam, tal como nós, o encontro mais genuíno com o nosso eu interior. Parece-me que, por vezes, os que cá estamos, ainda nos procuramos demais, saturamos demais, fazemos muito esforço… pelas coisas erradas nas quais não estamos espelhados ou não nos deixamos espelhar… A minha vieira representava a minha união com o divino através do meu próximo e foi pintada de forma ancestral: a aguarela e usando o ultramarino, originalmente derivado do pó do lapis lazuli… era cheia de significado para quem a usasse, valia-lhe a perfeição natural. Era um tesouro com maior valor do que o somatório das suas intenções e desgastava-me vê-la deteriorar-se sem mais concretizar o seu verdadeiro sentido. Aquela adoração começava a deixar de fazer sentido, começava a pesar-me como se eu fosse uma locomotiva a puxar, sozinha, um pesadíssimo comboio. Preferi ficar com a recordação da obra de arte que, descuidada, acabei por carregar naquelas cores vibrantes, as intenções genuínas que levava… Se eu não me atreveria a corrompê-la, porque deixaria colocar nas mãos de outros fazê-la chegar ao seu destino? Não quero mais ficar apegada ao que não me acompanha e quero saber libertar-me daqueles brilhos, daquelas cores que, com muito significado, tornam a entrega difícil mas mais profunda, sentida… e por vezes libertadora.

Por dois segundos, apenas por dois segundos, me arrependi… desejei regressar para a segurança da minha vieira, do seu significado, das suas memórias, das suas intenções, do carinho e dedicação com que a pintei. Não durou mais do que isso: logo depois senti-me libertar. Era a decisão certa para mim, a única que ainda carregava aquela beleza intacta. Entreguei-a por isso àqueles que descobriram, cedo demais, a sua última morada. Eu, a “artista” queria expor a minha obra de arte no lugar mais belo de todos… e creio que, menos distraídos do que nós, aqueles saberiam o que fazer com ela.

Tenho agora a tarefa de pintar outra, com um novo significado.

 

My third Camino was quite different. This time we followed Via de la Plata from Ourense to Santiago de Compostela. It was hard, and the challenges did not leave much room to enjoy the landscape as intensly as my previous Caminos.
Most of all this was a very clarifying Camino for me. As if the winter fog that sometimes hamper our vision, have faded in front of me and allowed to walk the sharpness landscapes of dawn, after the rain. However, it is not always pleasant to see things more clearly. Not as good as drinking fresh water directly from a spring… this “water” is not always as fresh, as tasteless as spring water.
I think that, once again, the impact of the Camino was combined with the challenges of the journey and resulted, at least for me, in a true emotional experience!
As you know, I never take much with me during the Camino. Howevwr, all I take with me eventually carries a lot of meaning. I am a person of meanings: I prefer to have less stuff but meaningful. But this Camino has shown us that sometimes, despite the little we take, we seem to grasp the things we really need to let go: like the artist who sells his work of art. That doesn’t mean it doesn’t live anymore…

Well, the Camino had already shown to many pilgrims that it could be the right time to get us into “survival” mode. That could show us what it is like to be with just with our own company, what it is like to be intensely with those who accompany us and the ones we know for the first time. To make us free from material things, from the thoughts we are convinced of, even from false truths to which we are committed every day. Everything becomes relative and is given its true value: unintentionally, without control, we are more honest, more transparent to ourselves and to others. For some it may result in some disappointment: “I am not as strong as I imagined”, “after all that person is not who I thought he/she was”, “why can’t I stop valuing this object when it no longer makes sense?”. For others, it may be a manifestation of resilience: “damn, I can do this and much more”, “when my values are tested I recognize in myself someone valuable and strong”, “in fact, among everything I bring with me, the only thing that really matters are the ones that also carry me in their heart”.
I would say that this Camino had a perfect mix of both situations: the fascination of the Camino, the silent travel, the rest time in the albergue or the conversations with the other pilgrims never ceased … But this time the Camino came also packed of conviction and courage: to look at me with the unimaginable strength that I have in this small girl’s body, to not ignore what must be worked, to expose, to make known what is worth to me as a person… to understand and clarify my doubts, transforming some in certainties and others in denials.

On the day when two happy birthdays were celebrated (a train crash near Santiago and my grandmother’s great trip…), I offered my scallop and my prayer to those who left this world without being prepared for the most genuine encounter with their inner self. It seems to me that sometimes the ones here are still looking for each other too much, we saturate too much, we make a lot of effort… for the wrong things that do not mirror us… My scallop represented my union with the divine through my favourite people and was painted in an ancestral way: using french ultramarine watercolor which originally derived from the lapis lazuli powder. It was full of meaning for those who used it, it was worth the natural perfection. It was a treasure of greater value than the sum of its intentions, and it frayed to see it deteriorate without living its true meaning anymore. That meaning was beginning to cease to make sense, it began to weigh on me as if I were a locomotive pulling a very heavy train by myself. I preferred to keep the memory of the work of art that, carelessly, I ended up carrying in those vibrant colors, the genuine intentions that it carried. Well, if I would not dare to corrupt it, why should I let its desteny in hands of others? I no longer want to be attached to what is not with me, and I want to know how to break free from those sparkles, those colors that, with great significance, make delivery difficult but deeper… and liberating.

For two seconds, just for two seconds, I regretted leaving it there. I wanted to return to the safety of my scallop, its meaning, its memories, its intentions, the affection and dedication I devoted to it. That feeling did not last long: soon afterwards, I felt free. It was the right decision for me. I was the only one that still carried with me that unspoiled beauty. I gave it to those who discovered their last address too soon and might need an orientation. I guess I, the “artist”, just wanted it to be exhibited in the most beautiful place of all … and I believe that, less distracted than us, those souls would know better than anyone what to do with it.

Now I just to paint another scallop, with a brand new meaning.

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