A low plastic tide…

Peça de Bonnie Monteleone. Bonnie Monteleone é uma investigadora que recolhe plástico marinho em todo o mundo. É também uma artista talentosa que transforma alguns dos plásticos que coleciona em obras de arte. / Art by Bonnie Monteleone. Bonnie Monteleone is a researcher who collects marine plastic globally. She is also an accomplished artist, by turning some of the plastic she collects into modern artistic masterpiece

Eu sou bióloga e há muito tempo que a questão dos resíduos que produzo no meu dia-a-dia são uma grande preocupação para mim. A época do Natal sobretudo, deixa-me sempre com o sentimento de que estou a ser hipócrita. Ouvimos o tempo todo que “amar a família não é sobre oferecer presentes…. é sobre cuidar”. E “cuidar” foi a palavra que escolhi aplicar este ano.

Todos nós sabemos e mais ou menos conscientemente vamos tentando interiorizar este “clichê” e damos a volta ao literalmente associado, ao mínimo indispensável. Mas não podemos esquecer que, como este planeta é a nossa casa, e cada ser vivo é nosso parente, nosso irmão, não me parece que fecharmos os olhos ao estado incontrolado dos contentores do lixo e da reciclagem no dia 25 e 26 seja um acto de amor. Na verdade eles só representam de forma momentânea e acentuada aquilo que se passa diariamente mas mais espalhado no tempo. Quem nunca ficou chocado pela quantidade de plástico e papel que se faz unica e exclusivamente quando chegamos a casa vindos do supermercado? É certo que “salvamos a nossa consciência” enchrendo o contentor da reciclagem, convencidos de que isso nos coloca acima do vizinho que não separa. É certo que os lixeiros, mais cedo ou mais tarde, os irão levar e “o que os olhos não vêm… o coração não sente”. É certo que depressa o interior da nossa casa fica limpo e arrumado e nos sentiremos bem outra vez… Mas será que a solução para a felicidade é a ignorância, a ilusão? A nossa vida é tão curta: dizem que um artista só morre quando, pela última vez, a sua peça é apreciada ou lembrada… eu creio que talvez hoje em dia, a nossa vida seja mais longa, não pelos anos que vivemos ou pelas obras que criamos, mas pelas centenas de anos que o lixo que produzimos continua a “viver” depois de nós desaparecermos… A primeira escova de dentes que deitei ao lixo quando tinha apenas 1 ano ainda “vive” e vai “viver” depois de mim, algures num aterro, algures no mar, algures no trato digestivo de um corvo marinho, de um atum ou de uma baleia. Eu, logo eu, que nasci para os comtemplar, comporto-me como se não os amasse. Faço de conta que não sei, varro o chão da cozinha e faço o meu aspirador engolir o pó. E pronto… o problema “desaparece” da minha cabeça… mas nunca do meu coração.

Este ano então eu refleti e muito embora já tenha feito algumas tentativas para um dia-a-dia, férias, Natal mais sustentável, feito à mão, aos ritmos das estações, com materiais naturais, creio ter compreendido durante os últimos meses que não tinha feito um compromisso. E o conhecimento, a sabedoria sem compromisso é como aquela toalha de linho guardada e que nunca foi usada: tem muito potencial, mas está desperdiçado porque não é útil, não serve para o papel para que foi feita, nem para outro qualquer e portanto não reflete atitudes nem comportamentos. Não serve para nada, é tão hipócrita como os contentores do lixo, no dia a seguir ao Natal ou quando eu regresso das compras. E eu, tal como todos nós, desvio o olhar…

Estamos em Janeiro e todos sentimos algum impulso para novos desafios. Já vos confessei que Setembro é para mim o momento de pensar fora da caixa e iniciar novos projectos. E não vos vou iludir: foi mais ou menos nessa altura que este pensamento se iniciou no meu interior e quando dei por mim a emergir numa autÊntica investigação sobre o assunto, um acto de auto-conhecimento e sensibilização pessoal que hoje me leva a querer implementar um desafio novo. Este ano um dos meus grandes objectivos vai ser de reduzir o plástico na minha vida e com isso uma grande percentagem do lixo que faço, que fazemos, diariamente porque felizmente não estou neste desafio sozinha.

No meu próximo post vou mostrar-vos as metas deste desafio que pretendo prolongar até 2020.

I am a biologist and I have long been concerned about the waste that I produce in my day-to-day life. The Christmas season, especially, leaves me with the feeling that I’m being hypocritical. We hear all the time that “loving the family is not about offering gifts…. it’s about caring.” And “care” is the word I chose to apply this year.

We all know and, more or less consciously, we try to internalize this “cliché” and but only do the indispensable minimum. But we must not forget that since this planet is our home, and every living being is our relative, I do not think that closing our eyes to the uncontrolled state of the garbage and recycling containers on the 25th and 26th is an act of love. In fact they only represent in a short moment, an accentuated moment, of what happens daily but more spread in time. Who has never been shocked by the amount of plastic and paper that is made when we come home from the supermarket? It is true that “we save our conscience” by filling the recycling bin, convinced that this puts us above the neighbor that does not separate. For sure the garbage collectors, sooner or later, will take them away from our eyes and “what the eyes do not see… the heart does not feel”. It is true that soon the interior of our house is clean and tidy and we will feel good again… But is ignorance or illusion our solution to happiness? Our life is so short: they say that an artist only dies when, for the last time, his piece is appreciated or remembered… I believe that today, our life will be longer, not for the years we live or for the work that we have created, but for the hundreds of years the garbage we produce continues to “live” after we disappear… The first toothbrush I threw away when I was only 1 year old still “lives” and will “live” after me, somewhere in a landfill, somewhere in the sea, somewhere in the digestive tract of a cormorant, a tuna, or a whale. I was born to contemplate them but behave as I did not love them. I pretend I do not know, sweep the floor of my kitchen and have my vacuum cleaner swallow the dust. And that’s it … the problem “disappears” from my head… but never from my heart.

During the end of 2018 I reflected and, although I have already made a few attempts for more sustainable Christmas and daily life, handmade, to the rhythms of the seasons, with natural materials, I think I understood during the last months that I did not have made a commitment. And knowledge, wisdom, without compromise is like that linen towel that has been stored and never used: it has a lot of potential, but it is wasted because it is not useful, it does not play its role. It’s, again, a wasted potential, and therefore does not reflects attitudes and behaviors. It’s no good, it’s as hypocritical as the trash bins the day after Christmas or when I return from shopping. And I, like all of us, I look away…

So, this is January and we all feel some momentum for new challenges. I have already told you that September is for me the moment to think outside the box and start new projects. And I will not deceive you: it was around this time of the year that this thought began inside me and when I found myself emerging in an authentic investigation on the subject, during an act of self-knowledge and personal awareness that today leads me to want to implement a new challenge. This year one of my big goals is to reduce the plastic in my life and a large percentage of the garbage we make (because fortunately I’m not in this challenge alone).

In my next post I will show you the goals of this challenge that I intend to extend until 2020.

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Take care of yourself in 2019!

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Bom ano novo a todos!

Há uns dias, antes da passagem de ano, escrevi um post no Instagram acerca da minha maior meta para 2019: cuidar de mim.

Tal como expliquei no post, o ano de 2018 foi muito “intenso”. Foi cheio em coisas “fortes”: diferentes e muito contrastantes… Cheguei ao fim do ano bastante cansada, em alguns aspectos algo frustrada, com o sentimento de que foi um ano de dar muito e pouco receber, muito embora o tenha terminado com um bom sentimento de dever cumprido! Ora, depois de meditar um pouco, pensar um pouco, analisar um pouco, compreendi que, mais do que querer abraçar uma grande quantidade de coisas novas, eu queria que 2019 fosse um ano para “cuidar”. Cuidar é uma meta do tipo “guarda-chuva” porque abrange uma série de intensões: cuidar de mim, seleccionar com cuidado as minhas batalhas, libertar-me de algumas coisas e finalizar outras, especialmente alguns projectos que culminarão este ano! Em resumo, ao contrário de 2018 em que me quis desafiar em muitos aspectos em simultâneo, dar-me sem condição e com risco, como um semeador que nunca sabe quais (nem de que tipo) são as sementes que nascerão, os desafios de 2019 serão muito centrados em seleccionar, com o objectivo de reduzir, para que haja espaço para cuidar. Não quero com isto dizer que não terei coisas novas a acontecer: pelo contrário, já tenho em mente novos projectos para mim e não seria um ano entusiasmante se não fosse assim! Contudo, este ano serei bastante selectiva, intencional, com o principal objectivo de não me sentir assoberbada, de sentir que guardo uma parte substancial da minha energia para cuidar de mim, dos meus projectos. Pode parecer egoísta estar a dizer-vos isto assim e logo a vocês que vieram espreitar o meu blog. Mas confiem: ninguém traz mais coisas boas para partilhar como aquele que se ama a si próprio.

Queria por isso agradecer a todos aqueles que me seguem diariamente: para me encorajarem, para alimentarem a minha criatividade, como quem cria uma verdadeira amizade. Aqueles a quem eu dou e de quem sinto também receber, aqueles que não fazem desta relação apenas dar e retirar, aqueles que me têm retribuído com o seu carinho e força, que me elevam todos os dias e me incluem nas suas vidas. Aqueles que me fazem afastar e esquecer aquele ou aquela que aparece só para levar… só levar. Porque quem apenas leva nunca se supera.
Por essa razão, neste novo ano, eu posso até ser mais selectiva, posso parecer guardar coisas para mim e assumir de vez em quando a minha postura introvertida (que vejo hoje como algo extremamente necessário e com muito potencial), mas darei, com certeza, conteúdo significativo, profundo e forte nos posts que escreverei. Escrever-vos, contar-vos as histórias por trás dos meus projectos, é das coisas mais bonitas que faço diariamente!

Obrigada e bom ano para nós!

A imagem que ilustra este post é da autoria da talentosa Claudia, uma ilustradora alemã cujo trabalho me inspirou a reconhecer as minhas metas para 2019. Pedi-lhe o favor de partilhar esta ilustração convosco, e ela concordou. Podem ver o seu trabalho aqui.

Happy New Year!!!

A few days ago, before the new year eve I wrote a post on Instagram about my biggest goal for 2019: take care of myself.

As I explained in the post, 2018 was very “intense.” It was full of “strong” things: different and very contrasting… I arrived at the end of the year very tired, in some respects somewhat frustrated, with the feeling that it was a year of giving a lot and receive just the bare minimum. Even though I finished 2018 with a nice sense accomplishment! Now, after meditating a little, thinking a little, analyzing a little I understood that more than wanting to embrace a lot of new things, I wanted 2019 to be a year to “take care”. Caring is an “umbrella goal” because it covers a series of intentions: taking care of me, carefully selecting my battles, freeing myself from some things and finalizing others, especially some projects that will culminate this year! In summary, unlike 2018 in which I wanted to challenge myself in many aspects simultaneously, to give me without condition and taking risks (as a sower who never knows which (or what kind) are the seeds that will shoot), the challenges to 2019 will be very focused on selecting with the aim of reducing so that there is room to care. I do not want to say that I will not have new things happening! Oh, no! On the contrary, I already have in mind new projects for me and this would not be an exciting year without them! However this year I will be quite selective, intentional, with the main objective of not feeling overwhelmed, keeping a substantial part of my energy to take care of myself, my projects that I will choose carefully. It may seem selfish to be telling you this, to you who that have come to look at my blog. But trust: no one brings more good things to share like the one who loves himself.

I want to thank all of you who follow me daily to encourage me, to feed my creativity as if in a true friendship. Those to whom I give and from I also feel that I receive, those who do not make this relationship just give and take, those who have rewarded me with their affection and strength, who raise me every day and include me in their lives. Those who make me walk away and forget the one or two people who just show up to take… just take. Because the one who just takes never grows beyond himself.
For this reason, in this new year, I may even be more selective or seem to keep things to myself. I may assume, from time to time, my introverted stance, that I see today as something extremely necessary and powerful. But I will certainly give you more meaningful, and strongly content posts. Writing to you, telling you the stories behind my projects is the most beautiful thing I do every day!

Thank you and happy 2019 for us all!

The image that illustrates this post is from the talented Claudia, a German illustrator whose work inspired me to recognize my goals for 2019. I asked her the favor of sharing her illustration with you in this post, and she agreed. You can see her work here.

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Happy birthday: what if I launch a giveaway?

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Esta toca faz dois anos! E acreditem, quase não dava conta e quase não queria acreditar. Ao longos dos dois últimos anos houve muita coisa a modificar-se para mim e este cantinho tem sido algo muito estável onde tenho feito crescer uma nova forma de estar na vida, que sobretudo me deu confiança e intensificou ou apurou a minha personalidade. É onde eu me vejo crescer, onde tudo fica escrito como um testemunho que eu posso comprovar. Mais ainda, revelou para os outros alguém que vivia um pouco escondida para o seu interior. Portanto a partilha não só me fez crescer como me deu a conhecer ao mundo. O meu público é ainda bebé ao lado dos grandes bloggers da actualidade mas curiosamente eu nunca me senti pequena. Tem sido muito gratificante perceber que este pequeno público que angariei surgiu do meu trabalho e empenho já que nunca antes pedi ou forcei ninguém para me seguir. E todos sabemos que “vender” estilos de vida, cativar dando trabalho ou apenas inspiração é difícil no meio consumista em que vivemos. Na verdade, “apurar” o nosso público é um exercício muito esclarecedor sobre nós mesmos, a nossa individualidade numa sociedade que valoriza a unicidade mas cultiva a homogeneidade. Eu tenho em mente aquelas pessoas que me seguem sempre: aquelas que me dão força e me encorajam e se deixam inspirar, que me vêm como elas. Tenho-as sempre na minha cabeça e, apesar de muitas nem sequer conhecer pessoalmente, a cada dia, eu faço isto por mim mas também, e cada vez mais, por elas também. Partilhar convosco um estilo de vida consciente, com significado, alimentado pelos ritmos e contacto com a natureza, alimentado pela criatividade humana tem sido a maior inspiração por trás de cada post.

É claro que nem tudo têm sido fases boas. Ter um blog e alimentá-lo das nossas entranhas, oferecer o que temos de melhor expõe-nos de formas nunca antes imaginadas. Desde que comecei que me soube proteger um pouco por conselhos de pessoas mais experientes. Mas já aprendi muitas coisas novas sobre gerir o que partilho, como partilho e o que deixo passar. Já aprendi coisas novas sobre os outros e sobre os limites que eu preciso de criar. O que aqui vos escrevo é muito, muito pouco daquilo de que a minha vida é preenchida: entre as melhores e as piores coisas. Eu gosto de pensar que vos trago o melhor de mim mas também aprendi a guardar algumas coisas boas, alguns projectos, para mim mesma porque, como introvertida, eu ainda preciso desse espaço. Já me senti mal por sentir que dava mais do que recebia, já senti que se apropriavam da minha criatividade, até que tentavam ser eu…!? E isso já me obrigou a parar e gerir os sentimentos para nunca deixar de escrever ou voltar a fechar-me em mim mesma. Porque apesar de tudo, a minha experiência aqui, convosco, tem sido sobretudo carregada de coisas boas.

Por isso, é para vocês que lanço um presente de aniversário, e pela primeira vez, no formato de giveaway! O meu giveaway vai acontecer através do meu perfil do Instagram que tem sido a rede social com a qual mais me tenho identificado na partilha de conteúdo do blog. O giveaway vai sortear um exemplar dos meus “Tide Pool Notebooks” para qualquer um de vocês que cumpra os seguintes requisitos: seguir-me no Instagram, gostar da publicação do giveaway (que será lançada durante o dia 24 de outubro com a hashtag #therabbitholeblogsecondbirthday), comentar essa mesma publicação com o nome de 3 novos amigos com quem gostassem de partilhar o perfil do blog. Podem participar o número de vezes que desejarem aumentando assim a vossa chance de ganhar. O giveaway está aberto até às 23h59m59s (UTC) do dia 31 de Outubro e é válido para todo o mundo! Boa sorte e obrigada por continuarem desse lado!

This rabbit hole is two years old! And believe me, I barely noticed and almost couldn’t believe. Over the last two years there has been a lot of changes for me and this little corner has been a very stable spot for me, where I have grown a new way of being in life, which mainly gave me the confidence and intensified my personality. It is where I see myself growing, where everything is written as a testimony that prove all that growth. More than that, the blog revealed to the others someone (me) who lived a little hidden inside herself. So this sharing exercise not only made me grow as it made me known to the world. My audience is still a baby alongside the great bloggers of today but, curiously, I never felt small. It has been very gratifying to realize that this small audience that I raised came from my own work and commitment since I have never asked or forced anyone to follow me. And we all know that captivating an audience with handmade testimonials and inspiration is very difficult in the consumerist environment in which we live today. In fact, clarifying our audience is a very enlightening exercise about ourselves, our individuality in a society that values ​​uniqueness but cultivates homogeneity. I have in mind those people who always follow me: those who give me strength and encourage me and inspire me, the ones who come to me and fell just like me. I have them all in my head and, although many I do not even know personally, I do this for them as well as for myself. Sharing with you a conscious, meaningful lifestyle, fueled by natural rhythms, contact with nature and human creativity has been the greatest inspiration behind every post.

Of course, not everything has been good. Having a blog and feeding it from our guts, offering what we have best, exposes us in ways never before imagined. Since I started that I knew how to protect myself a little by taking advices from more experienced people. But I’ve learned a lot of new things about managing what I share, how I share, and what I let go. I have learned new things about others and the limits that I needed to create even now. What I am writing to you here is very, very little of what my life is filled with: among the best and the worst things. I like to think that I bring you the best of me but I also learned to keep some good things, some projects, for myself because, as an introvert, I still need that space. I already felt bad for feeling that I gave more than I received, I felt that there were some that took the change using my creativity with bad intensions regarding myself, some really tried to be me on this competitive way affecting more things than I would ever allow… this has already forced me to stop and manage the feelings to never stop writing or close me again within myself. Because despite of everything, my experience here, with you, has been mainly loaded with all the good things.

So it’s for you that I throw a birthday present, and for the first time, in the giveaway format! My giveaway will happen through my Instagram profile that has been the social network with which I can identify myself the most while sharing the blog content. The giveaway will offer one copy of my “Tide Pool Notebooks” for any of you who meets the following requirements: follow me on Instagram, enjoy the giveaway publication on Instagram (which will be released during October 24th with the hashtag #therabbitholeblogsecondbirthday), comment on this same publication with the name of 3 new friends who you like to share the blog’s profile with. You can participate as many times as you wish increasing your chances of winning. The giveaway is open until 23:59:55 UTC on October 31 and is valid worldwide! Good luck and thank you for all your support!

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Some thoughts about my Camino Inglés

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Então nós partimos novamente.

Não posso esconder, como já partilhei aqui, que estava um pouco desalinhada com esta partida apesar de ter uma vontade imensa de ir e reviver a experiência do ano passado. Ainda ponderamos repetir exactamente o mesmo trajecto já que ficamos um pouco atordoados pelo facto de irmos apenas os dois e termos muita vontade de partilhar este Caminho com a mesma equipa do ano anterior. Contudo algo nos apontava para seguir um novo caminho, tal e qual já tínhamos predestinado. Passadas as dúvidas e feitas as decisões partimos do Porto rumo a Ferrol. Quando lá cheguei ainda sentia esta desconexão. Era como se o corpo tivesse feito uma decisão e a cabeça não o acompanhasse. Era como se não tivesse ainda interiorizado a viagem, apesar das seis horas de autocarro.
O ano passado tinha sido carregado de preparativos que este ano simplesmente não necessitou. Já estava tudo praticamente feito, o investimento era mínimo: era mesmo só fazer a mochila. A única preparação que havia a fazer era interna, pessoal, mental e emocional. A mais difícil porém. Porque é bastante fácil enganarmo-nos em listas de equipamento, guias e preparativos… e fazer de conta que o resto está pronto.
Já em Ferrol, depois do jantar resolvemos procurar o início do Caminho no cais das Cruxeiras, mesmo ao pé do mar. E apesar de estarmos no local há alguns minutos, estávamos com dificuldades em encontrar as setas amarelas que nos levariam ao Caminho na manhã seguinte. Não sei se foi sinal de que não me tinha preparado devidamente, mas a verdade é que olhava à minha volta e não encontrava nada. Claramente estava a procurar “o Caminho errado”. Percebi desde logo que tinha de relaxar e disse para mim “tens de ligar o modo peregrina porque essa independência toda não é real”. Depois de deambularmos um pouco sem sucesso, perdemos a vergonha e perguntamos por indicações a um senhor alemão num pequeno bar. Ele recomendou-nos olharmos para trás e indicou-nos o sentido do Caminho. Ora, mal nos voltamos vimos o vistoso posto de atendimento ao peregrino, o monólito que indicava o inicio do Caminho inglês e as primeiras setas. Se fossem monstros, tinham-nos comido. Regra número um no Caminho: uma pergunta nunca é muito idiota e o orgulho é sempre demais. Tantas voltas para quê? A partir daquele momento as setas começaram a aparecer à nossa frente, uma atrás da outra em locais óbvios pelos quais já havíamos passado. E assim, como que a gozar com a nossa prepotência, começava o Caminho Inglês…
E na verdade Caminho Inglês não foi apenas um percurso diferente, como eu pensava. Em tudo foi especial, em tudo é diferente, em tudo novo: as pessoas, os hábitos, o piso, o desnível, o tempo, a paisagem, os albergues, as circunstâncias. Aquele início de percurso era apenas um aviso. E de muito pouco servem conhecimentos anteriores. A única coisa que sabemos minimamente é o que nos espera em termos de rotinas… fora isso, tudo muda.

O Caminho Inglês tem, em primeiro lugar, uma paisagem muito diversa em comparação com o português. Em termos de paisagem é mais ou menos dividido em duas partes: uma feita à beira mar ou pela ria, a outra por montanhas, bosques e campos agrícolas. Só no que respeita a isso há já uma postura muito diferente: sentir a água ali tão perto, ver o céu espelhado no mar, na baía de Ferrol dá uma sensação etérea, não terrena. As entradas de mar fazem baias e a foz dos rios abre-se em grandes estuários cheios de biodiversidade. São literalmente zonas de transição cujo conceito remete para o mergulho incerto que é fazer o Caminho. Talvez por este paralelismo a paisagem fosse a ideal para a segunda vez que fazia o Caminho.
Depois a segunda parte da viagem, mais no interior remete para a mudança. No ano passado senti que os primeiros dias do Caminho não foram os mais fortes a nível da experiência interior: parece que precisamos de algum tempo para entrar no espírito. Dois dias é o necessário para baixarmos as rédeas e engolirmos o orgulho. O que senti este ano foi exactamente a mesma coisa: só ao terceiro dia é que se entra verdadeiramente na experiência e a paisagem litoral foi como uma terapia para os primeiros dias que nos obrigou a parar e nos preparou para etapas mais intensas a nível físico mas também psicológico.

O Caminho Inglês é mais duro também. Se o Caminho Portugês apresenta alguns desafios, o Caminho Inglês brinca com eles e fá-los repetir-se uma e outra vez para deleite das pernas e pés. Há apenas uma ou duas etapas completamente tranquilas. E, por oposição, há outras duas ou três que são desafios bem exigentes. As saídas de Pontedeume-Betanzos e Betanzos-Hospital de Bruma, logo pela manhã, são assustadoras. A única coisa que me lembro é de subir, subir e subir! Felizmente, depois daquele aquecimento, o resto da etapa tornava-se mais elástica. Como se o corpo tivesse atingido um nível de metabolismo adequado para aquele exercício diário, logo aos primeiros quilómetros. Mas na etapa de Betanzos a Hospital de Bruma, uma etapa com cerca de 28 km, para além dos primeiros quilómetros ameaçadores, era já aos 18km que nos apareceria aquela que é considerada a pior parte do Caminho Inglês. A verdade é que os comentários entre os peregrinos acerca deste troço eram incisivos… mas o que acabamos por verificar é que este troço era, ainda assim, um pouco mais fácil do que imaginávamos. Nada como ter as metas elevadas para relativizar a dificuldade do percurso. Por outro lado a etapa de chegada a Santiago era bastante tranquila, ao contrário da do Caminho Português na qual senti alguma frustração devido ao cansaço. Neste caso, pelo contrário, deu-me oportunidade de usufruir e seguir entretida entre outros peregrinos, como o merecido prémio por me deixar domesticar por um Caminho tão desafiante.

O Caminho Inglês tem albergues menos equipados. Bom, esta afirmação não é completamente verdadeira… Há excelentes albergues como é o caso de Betanzos. Porém, há dois ou três que nos confrontam com algumas dificuldades. Pontedeume é claramente o mais complicado, o mais desafiador e talvez o pior dos albergues em que já estive. Mas tudo passa porque não se faz o Caminho sozinho e, neste caso, o “modo rebanho” faz-nos conseguir ultrapassar as dificuldades. Outro albergue complexo é o de Hospital de Bruma, mas por outras razões. O albergue em si é bom, confortável e bem servido de equipamentos. O único problema é ser pequeno, ficar no fim de uma longa etapa e onde se cruza com o Caminho Inglês vindo da Corunha. Para além disso ficar, literalmente, no meio do nada, longe de qualquer centro. Há um pequeno restaurante onde se serve de tudo e com extrema boa qualidade, uma carrinha-mercado que passa pelas 18h com alguns bens, 5 ou 6 casas, um parque infantil, uma capela que abre apenas uma vez por mês para celebrar e o albergue. E campos. Campos a perder de vista a toda a volta. Mas se vos disser que, depois de Betanzos, foi o sítio onde mais gostei de ficar e que ali, ali sim, os locais recebem os peregrinos com carinho, todos os dias… Mas a questão dos albergues não ficou por aqui: Sigueiro, a última paragem antes de Santiago é uma vila bem recheada mas não tem albergue municipal. Por causa disso, e tal como no ano passado, acabamos por ficar uma noite num albergue privado. É um luxo não precisar de saco-cama, ter quem se responsabilize pela lavagem da roupa, ter mais condições nos duches e um pequeno almoço incluido. Mas foi o dia em que passamos menos tempo no albergue: o espírito perde-se, não estamos perto da nossa “familia Caminho” e por isso acabamos por nos encontrar todos cá fora longe dos locais de descanso. Não é igual e está muito longe de reproduzir a experiência. Facilmente eu trocava aqueles “luxos” por mais uma boa noite em “família”, a última antes de Santiago.

O Caminho inglês tem gente de “todo o lado”. Mais do que o Caminho Português, o Caminho Inglês obriga-nos a cruzar muitas fronteiras. Éramos os únicos portugueses e convivemos com gente de toda a parte. Mas as verdadeiras fronteiras foram as que encontramos dentro das pessoas. Se bem que o Caminho Português tem mais gente e é por isso mais difícil ligarmos-nos mais profundamente, devo dizer que o Caminho Inglês parece ter peregrinos com mais “razões” mais “motivos”, para além de uma proposta turística, do que o Caminho Português. Há muitas “mudanças de vida”, muitos “corações partidos”, muitas “relações para a vida”, muitas razões “religiosas”, muitas “aventuras”, muitas “promessas”, muitos “pedidos de casamento” por trás de cada um dos peregrinos. Há muitas histórias para contar, muitas experiências únicas que fizeram de cada peregrino que conheci uma pessoa especial e com a qual mantive contacto. Creio que me apercebi disso tarde demais. Hoje teria perguntado a todos pelos quais passei que motivações tinham para fazer o Caminho. Por outro lado, muito mais do que no Caminho Português, vêm-se muitos peregrinos sozinhos, casais, grupos de três no máximo, mas poucos, muito poucos grupos. O resultado disso é que as ligações ao longo do tempo se multiplicam: é fácil puxar uma cadeira e juntar mais um, é fácil partilhar o pouco que temos, é fácil dizer um segredo, confessar um pensamento porque há pouca gente a ouvir. É fácil seguir caminhando com outros, é fácil esperar por alguém, é fácil fazer poucas perguntas e receber muitas respostas. O Caminho Inglês é mais difícil mas é mais fácil chegar mais longe…

 

Then we left again.

I can not hide, as I have already shared here, that I was a bit out with this despite having a huge desire to go and live the experience of last year again. We considered repeating exactly the same route as last year because we were a bit stunned by the fact that there were just the two of us, and that we wanted to share this Camino with the same team of the previous year. Yet, something pointed us to follow a new Camino, just as expected. After the doubts and decisions, we left from Porto to Ferrol. When I got there I still felt this disconnection. It was as if my body had made a decision and my head did not. It was as if I had not yet internalized this trip, despite the six-hour bus ride until Ferrol.
Last year I had been loaded with preparations that this year simply did not required. It was all done, the investment was minimal: we just needed to fill our backpacks. The only preparation I had to do was internal, personal, mental and emotional. The most difficult however. Because it’s easy enough to fool ourselves into lists of equipment, guides and preparations… and pretend that the rest is ready too.
That night in Ferrol, after dinner, we decided to look for the beginning of the Camino Inglés in the Cruxeiras pier. And standing on the spot for a few minutes, we were having trouble finding the yellow arrows that would lead us on the Camino the next morning. I do not know if it was a sign that I had not prepared myself properly, but the truth was that we looked around and found nothing. Clearly we were looking for “the wrong way, the wrong Camino”. I realized right away that I had to relax and said to myself: “You have to call the pilgrim inside you because this whole independence you think you have is not real.” After wandering a little without success, we started to be a pilgrim and simply asked for directions to a German gentleman in a small bar. He advised us to look back and pointed us to the direction of the Camino. As soon we returned, we saw the colorful and huge and big service pilgrim station, the monolith that indicated the beginning of the Camino Inglés and the first arrows of the route! If they were all monsters, they’d eaten us is a second. Rule number one on the way: a question is never too stupid and pride is always too much. So many turns for what? From that moment the arrows began to appear before us, one behind the other in the most obvious places through which we had already passed! And so, as teasing us for our arrogance, the Camino Inglés began…
Actually, the Camino Inglés was not just a different route as I thought. Everything was special, everything was different, new: the people, the habits, the route, the weather, the landscape, the albergues, the circumstances. That start-up was just a warning! And I did very little use of previous knowledge. The only thing we know that is useful is some of the routines… everything else changes.

The Camino Inglés has, in the first place, a very diverse landscape compared to the Portuguese. In terms of landscape one can say it is divided into two parts: the first made by the sea or by the river, the second by the mountains, woods and agricultural fields. This provoked very different attitudes inside us: to feel the water there so close, to see the sky mirrored in the sea, in the bay of Ferrol gives an ethereal, not earthly sensation. The sea entrances create bays and the mouths of the rivers open in large estuaries full of biodiversity. This are literally zones of transition and the transition concept also reflects the uncertain dive that is to make the Camino. Perhaps this parallelism with landscape was the ideal one me, while walking my second Camino.
After this, the second part of the Camino, in the mountains refers to “change”. Last year I felt that the first days of the journey were not the strongest in the inner experience: it seems that we need some time to get into the spirit. Two days is what it takes to get the our routines out and swallow our pride. What I felt this year was exactly the same thing: it was only on the third day that I truly entered into the experience. And the coastal landscape was like a therapy for the first few days that forced us to stop and that prepared us for a more intense physical (but also psychologic) stages of the second part of the journey.

The Camino Inglés is tougher too. If the Portuguese way presents some challenges, the Camino Inglés doubles them and makes them repeat over and over again for the delight of our legs and feet. There are only one or two easy days. And, by contrast, there are another two or three that have very demanding challenges. The exits from Pontedeume-Betanzos and Betanzos-Hospital de Bruma days, at dawn, are scary. The only thing I remember is to go up, up and up! Fortunately, after that warm-up, the rest of the stage became more elastic. As if the body had reached a level of metabolism suitable for that daily exercise very soon, at the first kilometers of the journey. But in the stage from Betanzos to Hospital of Bruma, a stage with 28 km, in addition to the first threatening miles, it was only after 18km that we would venture on the worst part of the Camino Inglés. The truth is that the comments among the pilgrims about this section were incisive… but what we realized is that this section was not as harsh as we imagined. Nothing like having high goals to relativize the difficulties!
On the other hand the last stage and the arrival in Santiago de Compostela was quite quiet, unlike the one on the Portuguese Camino where I felt some frustration due to fatigue. In this case, the stage it gave me the opportunity to enjoy and remain entertained among other pilgrims, as the well-deserved prize for letting me tame during this challenging Camino.

The Camino Inglés has less equipped albergues. Well, this statement is not completely true… There are excellent albergues as is the case of Betanzos. However, there are two or three with some issues. Pontedeume is clearly the most complicated, the most challenging and perhaps the worst albergue I have ever been to. But everything passes because the Camino is not made alone and, in this case, the fact that we were all in the same situation helped us to manage and to overcome the difficulties. Another complex albergue is Hospital de Bruma, but for other reasons. The albergue itself is good, comfortable and well-equipped. The only problem is that it is more on the small side, stays at the end of a long journey from Betanzos and it crosses the Camino from La Coruña which means more pilgrims. Plus it stays literally in the middle of nowhere, far from any center. There is a small restaurant with extremely good quality food, a market in a van that passes at 6pm with some goods, 5 or 6 houses, a playground, a chapel that opens only once a month and the hostel. And fields. Fields everywhere you look and all around. But if I can tell you that, after Betanzos, it was the place where I most enjoyed staying and that where the locals receive the pilgrims with more affection, every day…
But the albergues issue did not stop here: in Sigueiro, the last stop before Santiago de Compostela, is a well equipped village but does not have a public albergue. Because of this, and just like last year, we ended up staying overnight at a private albergue. It is a luxury not to need a sleeping bag, to have someone responsible for washing clothes, to have better conditions in the showers and a breakfast included. But it was the day when we spent less time in the albergue: the camino spirit is lost, we are not close to our “camino family” and so we left our albergues and met all together out from the resting nest. It is not the same to stay at a private albergue as it is to stay at the public and is far from reproducing that experience. I easily exchanged those “luxuries” for another good night with my “camino family”, the last night one before Santiago de Compostela.

The Camino Inglés has people from “everywhere”. More than the Portuguese Camino, the Camino Inglés forces us to cross many boundaries. We were the only Portuguese in the group and we met people from all over the world. But the real frontiers were the ones we found inside people. Although the Portuguese Camino has more people and is therefore more difficult to connect more deeply, I must say that the Camino Inglés seems to have pilgrims with more “reasons”, in addition to a regular touristic motivation to walk, than the Portuguese Camino. There are many “life changes”, many “broken hearts”, many “relationships to life”, many “religious” reasons, many “adventures”, many “promises”, many “marriages” behind each one of the pilgrims the do the Camino Inglés. There are many stories to tell, many unique experiences that have made every pilgrim I met a special person and with whom I still have contact with. I think I realized that too late. Today I would have asked everyone I met what motivations they had to walk the Camino.
On the other hand, much more than in the Portuguese Camino, there are many pilgrims alone, or couples, groups of three maximum, but few, very few groups. The result is that the links over time are multiplied: it’s easy to pull a chair and add one more pilgrim to your table, it’s easy to share the little we have, it’s easy to tell a secret, confess a thought because there are few people listening. It is easy to keep walking with others, it is easy to wait for someone, it is easy to ask few questions and receive many answers. The Camino Inglés is harder but it’s easier to get further…

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