Drying Lavender

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Os raminhos de alfazema remetem-nos frequentemene para as casas de campo do sul de França, onde é possível ver campos sem fim de plantações de lavanda. O cheiro da alfazema é inconfundível e historicamente utilizado no Sul da Europa para aromatizar armários de roupa de casa. Felizmente a alfazema cresce quase de forma silvestre um pouco por toda a zona do Mediterrâneo, e Portugal não é excepção: desde os arbustos de alfazema dos nossos jardins até ao famoso rosmaninho que aparece, selvagem, nas nossas serras e nas planícies alentejanas, Portugal é também um paraíso para diversas espécies de lavanda.
A alfazema dá flor durante toda a Primavera e Verão mas, assim que os campos se cobrem de flores silvestres depois dos dias intensos de Inverno, já é possível começar a colher as suas flores e, depois de as secar, eu gosto de as usar para deixar as roupas de inverno cheirosas.

Assim como fiz com a hortelã-de-água de um ribeiro, num recente passeio na natureza, não hesitei em trazer comigo um pequeno ramo de inflorescências de rosmaninho que vi espalhado pelos campos no início desta Primavera, salpicando-os de um tom rosa fúxia e lilás. O rosmaninho, tal como as restantes lavandas, é constituído por um conjunto de pequeníssimas flores ao longo de uma coluna terminando em duas brácteas, uma espécie de “pétalas”, no topo que podem ser mais ou menos proeminentes consoante as espécies. As sementes de alfazema que recolhemos após a secagem, correspondem às sementes de cada uma dessas pequenas flores.
Colhi apenas um pequeno ramo já que a primavera ainda vai a meio e terei possibilidade de recolher flores de alfazema, de diferentes variedades, até ao fim do verão. Assim que cheguei a casa atei-lhe um cordel e pendurei-o, invertido, num local escuro e seco. Daqui a aproximadamente umas duas semanas estará completamente seco e eu poderei recolher as sementes e usá-las para aromatizar os armários.

Lavender bouquets often send our imagination to the south of France, where you can see endless fields of lavender plantations. The scent of lavender is unmistakable and historically used in southern Europe to perfume our linen closets. Fortunately, lavender grows almost wildly all over the Mediterranean, and Portugal is no exception: from the lavender bushes of our gardens or the one that appears wild in our mountains and on the Alentejo plains, Portugal is also a paradise for several species of lavender.
Lavender blooms throughout spring and summer but as soon as the fields are covered with wildflowers after the intense winter days, it is possible to start picking their flowers and, after drying them, I like to use on my winter clothes to give them a nice scent.

Just as I did with the water mint of a small river on a recent walk in Nature, I did not hesitate to bring with me a small bunch of wild Lavender inflorescences I saw scattered throughout the fields, sprinkling them with pink, and litgh purple spots of colour. The Lavender inflorescences consist of a set of very small flowers along a column usually ending in two bracts, a kind of “petals”, at the top that may be more or less prominent depending on the species. The seeds of Lavender that we usually collect after drying them, correspond to the seeds of each of these small flowers.
I picked only a small bouquet since spring is still halfway through and I will be able to collect Lavender flowers of different varieties until the end of summer. As soon as I got home I tied a string and hung it, upside down, in a dark and dry place. In a couple of weeks it will be completely dry and I can collect the seeds and use them to give a nice scent to my linen closet and winter clothes. 
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Colourful ranunculus to celebrate spring at home

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As primeiras flores a rebentar na primavera são os bolbos como as túlipas e ranúnculos. Apesar da época das túlipas já ter terminado, as frésias e ranúnculos ainda andam por aí. Os ranúnculos são, sem dúvida, uma das minhas flores favoritas com as suas camadas de pétalas tão finas como papel, como saias de bailarinas! Por aqui não é muito fácil encontrar ranúnculos coloridos para venda… mas recentemente encontrei numa loja de flores que descobri perto de casa dois ou três ramos de ranúnculos que não hesitei em trazer para casa. Estava indecisa sobre o que fazer com eles: os ranúnculos além de frágeis são muito temperamentais! Têm tamanhos muito diferentes, tempos de abertura relaxados e os caules sinuosos que podem dificultar o trabalho a uma mera simpatizante de arranjos florais. Recorri a um livro do qual já vos falei aqui e cheguei à conclusão de que a forma como gosto mais de ver os ranúnculos é bem juntos em pequenos bouquets que não sejam demasiado rígidos e deixem transparecer as diferentes personalidades das flores e algumas linhas sinuosas de uma ou outra, assumindo-as como se quisessem crescer por entre os seus companheiros!

The first flowers to bloom in the spring are bulbs like tulips and ranunculus. Although the time for tulips is already over, the freesias and ranunculus are still around here. Ranunculus are undoubtedly one of my favorite flowers with their layers of petals as thin as paper, like ballerinas tutus! It is not very easy to find colourful ranunculus around here… but I recently found a flower shop that had two or three bouquets of ranunculus for sale that I did not hesitate to bring home. I was undecided about what to do with them: ranunculus, besides being fragile, are very temperamental! They have very different sizes, relaxed opening times and sinuous stems that may make it difficult for a mere sympathizer of floral arrangements to make something with them. I consulted this book I already wrote about here, and I came to the conclusion that the way I like to see ranunculus the best is just join them in small bouquets, not to tight, and let the different personalities of the flowers and assume some of their winding lines, as if they wanted to grow among their companions!

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Spring is not about the weather

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Estava ansiosa por ver Primavera!

Por vezes o frio e a chuva deixam-me ansiosa no início da Primavera. Andamos sedentos de tempo bom e qualquer falha a este nível parece uma grande catástrofe. Um pequeno aguaceiro parece frustrante…!
É nesses dias em que sair da rotina, vir cá fora, ver a natureza em pleno ritmo nos mostra que a primavera não é só bom tempo e calor. Há tanto para ver, pra apreciar e para experimentar! Incentivada por uma amiga passei uns dias bem longe de tudo e tenho de reconhecer que ver os prados cheios de flores silvestres e poder vaguear entre eles me devolveu alguma tranquilidade. Por momentos parecia estar a olhar para aquelas imagens utópicas que achamos só existirem na Provença e pensei como era absurdo que, tendo isto tão próximo de casa, não me desse acesso a isso por limitações de trabalhos, escolhas de vida que por vezes nem nós mesmos sabemos justificar em consciência. Ali eu estava num pequeno paraíso com todos os recursos disponíveis e um know how que ainda me parece desperdiçado. Nessa noite sonhei em viver no interior.

I was looking forward to Spring!

Sometimes the cold and the rain in early spring make me anxious. We are thirsty for good weather and any failure at this level seems like a major catastrophe. A little shower looks frustrating …!
It is on these days that getting out of our routines, coming out, seeing nature in full rhythm shows us that spring is not only good weather and warmth. There is so much to see, to enjoy and to experience! Encouraged by a friend, I spent a few days away from everything and I have to admit that seeing the meadows full of wild flowers and being able to wander between them gave me some peace of mind. For a moment, it seemed that I was looking at those utopian images that we find online and thought existed only in Provence. I remember thinking how absurd it was that, having this so close to home, I just don’t give myself permission to enjoy it because of limitations of work, and other life choices that, sometimes we are don’t know how to justify in full consciousness. There I was, in a small paradise with all the resources available and a know-how that I still feel wasted. That night I dreamed of living in the countryside.

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Book review: Wreath Recipe

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Lembram-se deste livro maravilhoso que partilhei convosco na passada primavera?
É uma verdadeira inspiração para aqueles que querem pegar em meia dúzia de flores e trazer as suas cores, o seu aroma, a sua textura, a sua postura para dentro de casa sem ficarem com a sensação de que não assentam naturalmente numa jarra de cerâmica. Se o Flower Recipe é um dos melhores livros de arranjos florais que eu conheço, então o irmão Wreath Recipe é um verdadeiro inspirador. Este é um livro estupendo que se dedica apenas a coroas de flores e é delicioso.

Como disse neste post no passado natal, por mim, teria sempre uma corora de flores naturais na porta da entrada que convidasse todos a entrar, a serem abençoados pela sua melancolia e trazerem para dentro de casa a calma que elas transmitem. Não é apenas um bem receber, é dispor de um sentimento, de um abraço caloroso de bem-estar que nada transmite melhor do que um pouco de natureza.

Tal como o Flower Recipe, o livro Wreath Recipe esta escrito no sentido dos diferentes níveis de dificuldade e diferentes disponibilidades de materiais. Há coroas complexas, com uma enorme diversidade de flores em elaborados arranjos e posturas. Mas há também coroas simples feitas com apenas algumas folhas e um pouco de arame ou uma fita.
O livro abre com os materiais mais comuns, as estratégias mais básicas mas essenciais para se obter um bom resultados e com a preparação dos materiais para os diferentes objectivos: arranjos ou coroas. Depois vai trabalhando diferentes formatos de arranjos florais: desde o uso exclusivo de pequenos ramos, passando por grinaldas de flores, pequenos arranjos para mesa e as coroas mais elaboradas e detalhadas.
Para além da diversidade de formatos, o livro foca-se em flores e verdes para todas as estações do ano para que possamos olhar para os nossos jardins com olhar crítico e nunca acharmos que “não há nada no jardim que possa ser usado”.
A secção que mais me atrai é, sem dúvida, a que envolve materiais de outono. Não que as cores vibrantes da primavera não me atraiam, pelo contrário! Mas é o auge da mudança que o Outono significa e traduz com as suas folhas coloridas, flores secas, galhos despidos, os cogumelos, as abóboras e rebentos de maça, dióspiro e romã que me faz reflectir. Parece uma espécie de reciclagem, uma apreciação do real valor intemporal das coisas: todas as idades são belas, todas idades têm uma beleza para ser apreciada. E a prova disso é termos um Outono são majestosamente trabalhado. As folhas de acer, de carvalho, as hidrângeas secas pelo verão são verdadeiras pinturas, verdadeiras aguarelas naturais cheias de cores que parecem impossíveis de reproduzir e nos parecem ter sido gentilmente oferecidas pela natureza para nos alimentar os corações!

Não se esqueçam que o blog está a festejar o seu primeiro aniversário e há uma surpresa, pintada por mim, para todos os que subscreverem! Para saberem mais espreitem aqui.

 

Do you remember this wonderful book I shared with you last spring?
It is a real inspiration for those who want to pick half a dozen flowers and bring their colors, aroma, texture, and posture into their homes without feeling like they do not naturally sit on a ceramic jar. If the Flower Recipe is one of the best floral arrangement books I know, then it’s brother Wreath Recipe is a true inspirer. This is a stunning book that is dedicated only wreaths and is delicious.

As I said in this post last Christmas, I wish I could always have a wreath of natural flowers at my door that invited all who enter to be blessed by their melancholy and to bring into the house the calmness that they transmit. It is not only about hosting well, it is to provide a feeling, a warm embrace of well-being that anything can transmit as nature does.

Like Flower Recipe, the Wreath Recipe book is written regarding different levels of difficulty and different availabilities of materials. There are complex wreaths, with a huge diversity of flowers in elaborate arrangements and postures. But there are also simple wreaths made with only a few leaves and a bit of wire or a ribbon.
The book opens with the most common materials, the most basic strategies but essential for achieving good results, and by preparing materials for different purposes: arrangements or wreath. Then it works on different formats of floral arrangements: from the use of small branches, to flower garlands, small table arrangements and the most elaborate and detailed wreaths.
In addition to the diversity of formats, the book focuses on flowers and greens for all seasons so that we can look at our gardens with a critical eye and never feel that “there is nothing in the garden that can be used.”
The section that most appeals to me is undoubtedly the one that involves fall materials. Not that the vibrant colors of spring did not appeal to me, on the contrary! But it is the height of the change that autumn means and translates with its colourful leaves, dried flowers, naked branches, mushrooms, pumpkins and apple, persimmon and pomegranate shoots that makes me think. It seems a kind of recycling, a continuous appreciation of the real timeless value of things: all ages are beautiful, all ages have a beauty to be enjoyed. And the proof of this is that we have autumns, wonderfully and majestically designed and conceived. The oak and acer leaves, the dried hydrangeas are true paintings, true natural watercolors full of colours that seem impossible to reproduce and that are kindly offered by nature to feed our hearts!

Do not forget that the blog is celebrating its first anniversary and there is a surprise, painted by me, for everyone who subscribes! To know more click here.

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