Postcrossing: handwritten postcards around the world!


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Uma das coisas que recordo com muito carinho é o tempo em que escrevíamos, todos em geral, à mão. Não estou a falar dos trabalhos da escola mas antes das cartas que escrevia às minhas amigas, às minhas pen-friends, dos postais que enviava nas férias, no Natal, etc. Uma letra limpa e rigorosa era um desafio constante mas também nos dava alegrias e nos motivava a melhorar, a escrever continuamente, a não desistir e a ter alguma fluência de pensamento que, hoje em dia, é facilmente camuflada num texto escrito no computador: ninguém fica a saber os erros que demos, as vezes que nos enganamos nem o “corte e cose” que fizemos para melhorar o nosso texto… ou esconder o que nos vai realmente na alma.
Hoje, na época em que o escrever foi praticamente substituído pelo “clicar”, há até quem considere escrever à mão uma autêntica terapia que nos devolve alguma sensação de autonomia e controlo.
Já tenho vindo a partilhar algumas das minhas experiências de escrever à mão aqui ou aqui, mas a verdade é que, há vários meses que me inscrevi numa rede de troca de postais que tem acalmado um pouco mais estas saudades e que me tem deixado um pouco mais feliz!

O Postcrossing é um projecto mundial originalmente lançado por Portugueses! A ideia do projecto é trocar postais com moradas que nos são atribuídas. Não implica necessariamente manter uma conversa, a não ser que queiramos, posteriormente, fazê-lo. Apenas enviar postais e partilhar um pouco da nossa cultura, dos nossos dias e até dos nossos sonhos! Inicialmente esta vertente “sem compromisso” não me estava a cativar. Não ter nada de especial para dizer, poder enviar um postal apenas com “Olá! Espero que gostes deste postal!” era um pouco estranho mas acho que temos de aceitar que nem todos temos as mesmas ambições em relação ao projecto. Uns pretendem apenas trocar postais porque são coleccionadores! Outros, como eu, vibram com o entusiasmo de receber algo na caixa do correio com um pouco daquilo que nem sempre nos sentimos confortáveis a partilhar com estranhos. Não quero dizer que partilhe coisas da minha vida pessoal que não deva, nada disso. Mas como a maior parte dos utilizadores do projecto têm um perfil com uma pequena biografia e ambições em relação ao projecto, é muitas vezes possível encontrar coincidências connosco ou questões que o destinatário gostava de ver respondidas! Desta forma, acabamos por partilhar um pouco mais de nós do que aquilo que estávamos à espera sem, contuso, comprometer a nossa privacidade. Além disso, tenho apreciado muito a caligrafia e as descrições dos meus correspondentes têm-me feito imaginar um pouco como será viver no seu país!

Nestes meses já recebi postais dos Estados Unidos da America, da Rússia, da Bielorússia, da Itália, do Brasil e da Alemanha. E já enviei para Os Estados Unidos da América, Taiwan, Rússia, Finlândia e Alemanha! É sempre com muito entusiasmo que verifico a minha caixa de correio e posso dizer que todos os postais que recebi têm qualquer coisa de especial pelo que os guardei religiosamente no local onde moram todas as coisas boas.

Quantos mais enviar, maior probabilidade tenho de receber. Mas para não me perder (para enviar um postal gasto aproximadamente 1 euro: cerca de 50 cêntimos no postal e outros 50 no selo) decidi estabelecer que enviaria um mínimo de um e um máximo de três postais por mês!

One of the things I remember very fondly is the time when we all wrote by hand. I’m not talking about school work! I am talking about the letters I wrote to my friends, my pen-friends, the postcards I sent on vacations, Christmas, etc. A clean handwriting letter was a constant challenge but it also gave us joy and motivated us to improve, to write continuously, not to give up and to have some fluency of thought that, nowadays is easily camouflaged in a text written in the computer: nobody will know the mistakes we made, the times we fooled ourselves or the “cut and paste” we did to improve our text… or how we managed to hide what really goes in our souls.
Nowadays writing has been almost completely replaced by the “click”, handwriting is already considered a therapy that gives us some sense of autonomy and control.
I have already been sharing some of my experiences of writing by hand here or here but, several months ago, I have signed up for a postcard exchange network that has calmed down a bit my memories of handwriting and made me a little happier!

Postcrossing is a worldwide project originally launched by two Portugueses! The idea is to exchange postcards with addresses that are assigned to us. It does not necessarily imply holding a conversation, unless we want to do it. Just send postcards and share some of our culture, our days and even our dreams! Initially, this “no commitment” aspect was not captivating me. Not having anything special to say, being able to send a postcard just with “Hello! I hope you like this postcard!“ was a bit strange but I think we have to accept that not everyone has the same ambitions regarding the project. Some just want to trade postcards because they are collectors! Others, like me, vibrate with the enthusiasm of receiving something in the mailbox with a little of what we do not always feel comfortable sharing with strangers. I do not mean that I share things in my personal life that I should not. But since most users of the project have a profile with a small biography and ambitions regarding the project, it is often possible to find coincidences or even questions that the recipient would like to see answered by us! In this way, we ended up sharing a little more of ourselves than what we were expecting without compromising our privacy. Besides, I have been very fond of the calligraphy and the descriptions that my correspondents make to me! This always makes me wonder what it will be like to live in the country and the life they live!

During the past few these months I have already received postcards from the United States of America, Russia, Belarus, Italy, Brazil and Germany. And I already sent to the United States of America, Taiwan, Russia, Finland and Germany! I always check my mailbox with great enthusiasm and I can say that all the postcards I received have something special so I kept them religiously in the place where all good things live.

The more I send, the more likely I am able to receive. But in order not to get lost on this project (to send a postcard I spend about 1 euro: about 50 cents on the postcard and another 50 cents on the stamp), I decided to establish that I would send a minimum of one and a maximum of three postcards per month!

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I am making a quilt… for me!

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É verdade! Depois do quilt que fiz para o Carlos este Natal, fiquei com uma grande vontade de fazer um para mim usando tecidos pré-cortados que fui coleccionando ao longo do tempo com o objectivo de fazer um half-square triangle quilt.
Ao longo do tempo fui coleccionando alguns fat quarters que combinassem entre si. O tecido de referência foi o das raposas! Tenho uma paixão inexplicável por raposas, há tecidos lindíssimos com raposas e um dia hei-de fazer este ou este quilt!
Mas por outro lado, eu sempre quis fazer um half-square triangle quilt de fundo branco para mim!

Por isso, juntei mais alguns padrões que fui encontrando e agora estou pronta para avançar para o meu quilt. Não vou usar um modelo concreto. Mais uma vez vou fazer adaptações daqui e dali, calcular as geometria dos cortes e avançar! Já o fiz anteriormente no quilt de quadrados e sinto que consigo introduzir mais alguma complexidade ao meu próximo quilt com pequenos blocos de half-square triangles.

Os tecidos foram adquiridos em locais muito diferentes e é incrível como eu não esqueci a sua origem e, por essa razão haverá mais histórias para contar sobre este quilt no momento em que ficar pronto!

O tecido das raposas comprei em Lisboa na At Home Hobby.

O das cruzes comprei na City Quilter em Nova Iorque (prometo fazer um Creative Tour post sobre esta viagem).

Estes quatro foram comprados Na Ponta d’Agulha, a minha loja de tecidos de eleição e onde a Isabel está sempre pronta para partilhar comigo a sua sabedoria!

E estes três foram comprados numa loja de crafts em Linkoping na Suécia (vou escrever um Creative Tour post sobre isto também).

Estes nove tecidos vão ser combinados com um tecido branco e só depois de fazer os 120 blocos é que vou decidir como os distribuir, embora não queira ser demasiado exigente nesta questão!

Têm conselhos, propostas de modelos para mim?
E alguém sabe que tecido é aquele das raposas? Por mim usava-o no backing mas não estou a conseguir encontrá-lo em lado nenhum e não há referência de marca ou designer nas ourelas…

 

It’s true! Since I made the quilt for Carlos this Christmas that I have this big desire to make one for myself using pre-cut fabrics that I have been collecting over time with the aim of making a Half-square triangle quilt.
Over time I have been collecting some fat quarters that might combine with each others. The reference fabric was the one with the foxes! I have an inexplicable passion for foxes! Inexplicable is the word because I really don’t know why I love them so much! Foxes are, for sure, my favourite animal. Well, there are beautiful fabrics with foxes and someday I’ll do this or this quilt!
But on the other hand, I always wanted to make a Half-square triangle quilt a white background for me!

So I’ve put together some more fabrics I found and now I’m ready to move on to my quilt. I will not use a pattern again. Once again I will make adaptations from here and there, calculate the geometry of the cuts and move forward! I have done this previously in the Game in the Woods quilt and I feel that I can introduce some more complexity to my next quilt with this small blocks of Half-square triangles.

The fabrics were purchased in very different places and it is amazing how I did not forget their origins! For that reason there will be more stories to tell about this quilt in the end!

The fabric of foxes I bought in Lisbon at At Home Hobby.

The one with the crosses I bought in the City Quilter in New York (I promise to do a Creative Tour post on this trip).

These four were bought in Na Ponta d’Agulha, the fabric store of my choice and where Isabel is always ready to share her wisdom with me!

And these three were bought at a crafts shop in Linkoping, Sweden (I will write a Creative Tour about it too!)

These nine fabrics will be combined with a white fabric and only after doing the 120 blocks will I decide how to distribute them, although I do not want to be too picky about this issue!

Do you have advice, pattern proposals for me?
And does anyone know what fabric is that of the foxes? I really loved the idea of using it in the backing but I can not find it anywhere and my cut has no brand reference or designer in the selvages…

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Amsterdam: Birdblocks quilt shop!

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Como prometido, aqui está mais um post sobre a minha Creative Tour em Amesterdão. Desta vez venho falar-vos da Birdblocks.
Mesmo ao lado da Den Haan & Wagenmakers em Amesterdão há outra loja de artigos para patchwork, a Birdblocks. Pode parecer um paradoxo mas a verdade é que as duas lojas têm características muito diferentes e, portanto, não são concorrentes. A Birdblocks é uma loja de artigos para patchwork bem actual e, por isso, tem objectivos muito diferentes da sua vizinha do lado.

Mais uma vez, situa-se num pequeno edifício tradicional holandês muito próximo da praça Dam e é uma das melhores lojas de patchwork na cidade de Amesterdão. Não é uma loja grande. Eu diria até que é uma loja bastante modesta mas muito, muito completa. A variedade de materiais e padrões de tecidos é imensa. Para além das conhecidas colecções de designers a birdblocks orgulha-se de uma colecção de cores e tecidos bem originais!
A equipa da Birdblocks é muito gentil e permite-nos descobrir, ao nosso ritmo os tesouros graciosamente dispostos nas prateleiras. Mas há muito mais para descobrir e aprender no blog que completa na perfeição as necessidades dos visitantes. A Birdblocks tem ainda à venda alguns modelos de produção própria, alguns deles com engraçados motivos dos países baixos. Esta é mesmo uma loja a não perder.

Não se esqueçam que o blog está a festejar o seu primeiro aniversário e há uma surpresa, pintada por mim, para todos os que subscreverem! Para saberem mais espreitem aqui.

 

As promised, here it is another post about my Creative Tour in Amsterdam. This time, I am talking about the cutest quilt shop: the Birdblocks.
Right next Den Haan & Wagenmakers in Amsterdam there’s another patchwork shop, the Birdblocks. It may seem paradoxical but the truth is that the two stores have very different characteristics and therefore are not competitors. Birdblocks is a supply store for modern patchwork and therefore has very different objectives of its neighbor.

Again, it is located in a small dutch traditional building, very close to the Dam square and is one of the best patchwork shops in the city of Amsterdam. Its a small shop. I would even say it has a very modest size but it is very, very complete. The variety of materials and textile designs is enormous. In addition to the most known designer fabrics, Birdblocks boasts a collection of very original fabrics in so many colours!
The Birdblocks team is the kindest and allows us to discover by ourselves, the beautiful treasures gracefully arranged on the shelves. But there is much more to discover and learn on their blog which completes the needs of every visitor. The Birdblocks has some own patchwork patterns for sale, some with funny motives of the Netherlands. You must not miss Birdblocks for sure.

Do not forget that the blog is celebrating its first anniversary and there is a surprise, painted by me, for everyone who subscribes! To know more click here.

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Amsterdam: Den Haan & Wagenmakers

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Há algum tempo que não vos escrevia sobre os passeios criativos que procuro fazer sempre que vou de viagem dentro ou fora do país. Para além de fazer uma pesquisa pelos principais locais turisticos mais ou menos alternativos, sempre que faço uma viagem procuro informação sobre os principais crafts da região. Este ano tenho-me dedicado aos locais que visitei na Holanda e parece que finalmente chegou a vez de Amesterdão. Mas como há bastante para mostrar, resolvi escrever três posts acerca disso e partilhar convosco um pouquinho de cada vez!

Na minha visita a Amesterdão, fiz um pequeno roteiro de museus, lojas ou outros locais relacionados com os crafts para tentar viver um pouco do ambiente handmade na cidade. Limitei-me sobretudo ao centro da cidade onde e consegui visitar praticamente todos os locais que tinha planeado mas o que eu não podia falhar era a Den Haan & Wagenmakers, uma loja de quilts e tecidos tradicionais holandeses. A loja situa-se num edifício antigo, muito perto da praça Dam, a apenas 10 minutos a pé da Amsterdam Centraal. A loja tem um piso e um mezanino e está coberta, desde o chão até ao teto, com tecidos, modelos e fabulosos quilts com desenhos tradicionais dos países baixos. Quase todos eles reproduzem ou se baseiam em modelos antigos, sobretudo os modelos e cores mais características do patchwork Holandês até à segunda guerra mundial. Muitos dos modelos apresentados na loja estão à venda para poderem ser reproduzidos e são também inúmeros os livros que registam a história dos quilts holandeses!

Os tecidos, à semelhança das chitas portuguesas, ilustram sobretudo padrões florais num número limitado de cores que dá aos quilts uma certa coerência e uniformidade. É engraçado verificar este paralelismo com outros tecidos europeus da mesma época. Para além destes, a loja vende uma grande variedade de outros padrões em cores mais diversas mas que combinam na perfeição com qualquer um dos tecidos tradicionais.
Eu não resisti em trazem um pack de 4 tecidos tradicionais num padrão floral.

Não se esqueçam que o blog está a festejar o seu primeiro aniversário e há uma surpresa, pintada por mim, para todos os que subscreverem! Para saberem mais espreitem aqui.

 

Some time have passed since I wrote about the creative tours I try to make whenever I travel in or out of the country.This year I wrote about places I visited in the Netherlands and it’s time to talk about Amsterdam! But as there is so much to show to you that I decided to write three different posts about it and share them a little bit at a time!

In my visit to Amsterdam, I made a short tour of museums, shops and other places related to crafts and to tried to live a bit of the handmade environment of the city. I limited myself to the city center where I managed to visit almost all the places I had planned but if there’s one place I just couldn’t fail was the Den Haan & Wagenmakers. A traditional Dutch quilt and fabric shop. The shop is located in an old building, very close to the Dam Square, only 10-minute walk from the Amsterdam Centraal. The shop is not big but has this mezzanine and a high ceiling, and is fully covered with fabrics, patterns and quilts, fabulous traditional quilts! Almost all of the quilts reproduce or are based on antique patterns, that include the characteristic patterns and colours of the Dutch patchwork until the Second World War. Many of the quilt patterns are available for sale and there are also numerous books about the story of Dutch quilts!

The traditional fabrics, like the Portuguese chitas, usually reproduce floral designs in a limited number of colours that give a certain consistency and uniformity to the quilts. It’s interesting to see the parallelism of the fabric designs with other tradicional European fabrics. In addition to these, the shop sells a wide variety of other patterns and fabrics on a diverse colour palette that combine perfectly with all of the traditional fabrics.
I couldn’t resist to bring a pack of 4 traditional fabrics in a small floral pattern.

Do not forget that the blog is celebrating its first anniversary and there is a surprise, painted by me, for everyone who subscribes! To know more click here.

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