Painting outdoors and “a la prima”

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Pintar ao ar livre e a la prima é algo que todos os aspirantes a pintores sonham em fazer bem. Mas é uma experiência bem diferente de pintar em estúdio com todo o tempo do mundo. E como tal as expectativas devem ser geridas em função da experiência em questão!

Se pintar aguarela ao ar livre é algo mais ou menos descontraído, pintar a óleo poderia ter-se revelado extremamente confuso. Contudo, depois do desafio lançado pelos colegas a minha primeira experiência a la prima, ao ar livre e a óleo foi uma aprendizagem muito relevante.
Não só me permitiu perceber que não é assim tão complicado trazer os materiais, pode ser tão rápido quanto eu quiser e força-me a trabalhar de forma mais espontânea e com uma paleta de cores bem afinada e restrita.

O resultado revelou-se bastante impressionista e depois de chegar a casa percebi que o segredo também passaria por usar pincéis de dimensões diferentes para criar mais efeito optico. Contudo, e porque o objectivo é pintar rápido, trazer telas pequenas em prancheta ou mesmo em papel apropriado para pintura a óleo, torna a técnica mais fácil de trabalhar fora do estudio. Evitar o oleo de linhaça e investir em mais terbentina permite ajustar um pouco os tempos de secagem e as mudanças de luz obrigam-me a ser “eficiente” e “definitiva” com o traço. Foi um exercício que gostaria de repetir novamente e apercebo-me que gostaria de pintar mais vezes no exterior, onde as cores e a luz mudam a todo o momento, desafiando-nos! Claro está que sacar de um pincel e de uma paleta num jardim público ainda é motivo para atrair “público”, algo para que nem todos estamos preparados e a que ainda tenho de me habituar… Por outro lado, é muito provável que, aos poucos, nos cruzemos com uma pequena “tribo” de outros artistas que nos pode motivar, inspirar e encorajar!

Painting outdoors and “a la prima” is something every aspiring painter dreams of. But it’s a very different experience from the studio painting where we have all the time in the world to work on a piece. Because of this, expectations must be managed based on the experience in question!

If outdoor watercolor painting is thing more or less easy to do, oil painting could have been extremely messy. However, after being challenged by my colleagues, my first “a la prima” experience in the open air and using the oil was a very fulfilling learning experience.
Not only has it allowed me to realize that it is not that complicated to bring your oil painting materials outdoors, painting can also be as fast as I want and forces me to work more spontaneously and with a narrow color palette.

The result turned out to be quite impressionistic and while arriving home I realized that the secret would also be to use brushes of different dimensions to create more optical effects. However, and because the goal is to paint quickly, bringing a small canvases on a clipboard or even a sheet of paper suitable for oil painting, makes the technique easier to work out of the studio. Avoiding flaxseed oil and chosing terbentine allows me to adjust the drying times a little and the light changes forces me to be “efficient” and “determined” with my strokes. It was an exercise I would like to repeat and I realize that I would like to paint more often on the outside: where colors and light change all the time, challenging me! Of course, pulling out a brush and a palette in a public garden is still reason to attract “public”, something that we are not all prepared for and which I still have to get used to… On the other hand, it is very likely that, gradually we come across a small “tribe” of other artists who can motivate, inspire and encourage us!

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Letting go

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O meu terceiro Caminho foi deveras diferente. Desta vez percorremos o caminho da Prata desde Ourense até Santiago de Compostela. Foi um caminho duro, em que os desafios não deixavam muito espaço para apreciar a paisagem.
Este foi um caminho muito clarificador para mim. Como se as nuvens de nevoeiro que por vezes povoam a nossa visão se tivessem desvanecido à minha frente e deixado mostrar a nitidez que acompanha o amanhecer depois da chuva. Nem sempre, porém, sabe tão bem ver as coisas claras. Não é bom como beber da água fresca directamente da fonte… nem sempre esta “água” é tão fresca, tão insípida como a água da fonte.
Penso que, mais uma vez, o impacto do Caminho se fez combinar com o desafio do percurso e resultou, pelo menos para mim, numa verdadeira experiência emocional!
Como sabem, em nenhum Caminho eu levei muita coisa. Mas o que levava comigo, e porque era pouco, acabava por se fazer carregar de significado. Eu sou uma pessoa de significados: prefiro ter menos mas anseio que o que tenho tenha significado. Mas este caminho demonstrou-e que, por vezes agarramos as coisas que na verdade, precisamos de largar: como o artista que vende a sua obra de arte. Isso não significa que ela não viva mais…

Ora, o Caminho já havia demonstrado para muita gente que podia ser o momento certo para nos fazer entrar em modo “sobrevivência”. Que nos podia mostrar como é estar connosco, como é estar com quem nos acompanha e com quem nos aparece. Fazer libertar-nos das coisas materiais, das coisas de que nos convencemos, libertar-nos até das falsas verdades nas quais nos vemos empenhados e comprometidos todos os dias. Tudo passa a ser relativo e é-lhe atribuído o devido valor: sem querer, sem controlo, somos mais honestos, mais transparentes connosco e com os outros. Para uns pode resultar em alguma desilusão: “não sou tão forte como imaginava”, “afinal aquela pessoa não é quem eu pensava ser”, “porque motivo não consigo parar de dar valor a este objecto quando não tem mais sentido?”. Para outros, pode ser uma manifestação de resiliência: “caramba, eu posso isto e muito mais”, “quando os meus valores se colocam à prova eu reconheço em mim alguém valioso”, “na verdade, de tudo o que trago, só importam aqueles que também me levam no coração”.
Eu diria que este caminho teve uma mistura perfeita de ambas as situações: nunca deixou de haver o fascínio do Caminho, das viagens em silêncio, do tempo de descanso no albergue ou das conversas dos outros peregrinos… Mas desta vez o caminho veio recheado de convicção e coragem: para olhar para mim com a força inimaginável que possuo num corpo pequeno de menina, para não deixar mais passar, para expor, para dar a conhecer o que vale para mim…para compreender e clarificar minhas dúvidas, transformando algumas em certezas e outras em desmentidos.

No dia em que se celebravam dois aniversários menos felizes (um de um acidente de comboio às portas de Santiago e o outro da grande viagem da minha avó), ofereci a minha vieira, e a minha oração àqueles que partindo sem contar ansiavam, tal como nós, o encontro mais genuíno com o nosso eu interior. Parece-me que, por vezes, os que cá estamos, ainda nos procuramos demais, saturamos demais, fazemos muito esforço… pelas coisas erradas nas quais não estamos espelhados ou não nos deixamos espelhar… A minha vieira representava a minha união com o divino através do meu próximo e foi pintada de forma ancestral: a aguarela e usando o ultramarino, originalmente derivado do pó do lapis lazuli… era cheia de significado para quem a usasse, valia-lhe a perfeição natural. Era um tesouro com maior valor do que o somatório das suas intenções e desgastava-me vê-la deteriorar-se sem mais concretizar o seu verdadeiro sentido. Aquela adoração começava a deixar de fazer sentido, começava a pesar-me como se eu fosse uma locomotiva a puxar, sozinha, um pesadíssimo comboio. Preferi ficar com a recordação da obra de arte que, descuidada, acabei por carregar naquelas cores vibrantes, as intenções genuínas que levava… Se eu não me atreveria a corrompê-la, porque deixaria colocar nas mãos de outros fazê-la chegar ao seu destino? Não quero mais ficar apegada ao que não me acompanha e quero saber libertar-me daqueles brilhos, daquelas cores que, com muito significado, tornam a entrega difícil mas mais profunda, sentida… e por vezes libertadora.

Por dois segundos, apenas por dois segundos, me arrependi… desejei regressar para a segurança da minha vieira, do seu significado, das suas memórias, das suas intenções, do carinho e dedicação com que a pintei. Não durou mais do que isso: logo depois senti-me libertar. Era a decisão certa para mim, a única que ainda carregava aquela beleza intacta. Entreguei-a por isso àqueles que descobriram, cedo demais, a sua última morada. Eu, a “artista” queria expor a minha obra de arte no lugar mais belo de todos… e creio que, menos distraídos do que nós, aqueles saberiam o que fazer com ela.

Tenho agora a tarefa de pintar outra, com um novo significado.

 

My third Camino was quite different. This time we followed Via de la Plata from Ourense to Santiago de Compostela. It was hard, and the challenges did not leave much room to enjoy the landscape as intensly as my previous Caminos.
Most of all this was a very clarifying Camino for me. As if the winter fog that sometimes hamper our vision, have faded in front of me and allowed to walk the sharpness landscapes of dawn, after the rain. However, it is not always pleasant to see things more clearly. Not as good as drinking fresh water directly from a spring… this “water” is not always as fresh, as tasteless as spring water.
I think that, once again, the impact of the Camino was combined with the challenges of the journey and resulted, at least for me, in a true emotional experience!
As you know, I never take much with me during the Camino. Howevwr, all I take with me eventually carries a lot of meaning. I am a person of meanings: I prefer to have less stuff but meaningful. But this Camino has shown us that sometimes, despite the little we take, we seem to grasp the things we really need to let go: like the artist who sells his work of art. That doesn’t mean it doesn’t live anymore…

Well, the Camino had already shown to many pilgrims that it could be the right time to get us into “survival” mode. That could show us what it is like to be with just with our own company, what it is like to be intensely with those who accompany us and the ones we know for the first time. To make us free from material things, from the thoughts we are convinced of, even from false truths to which we are committed every day. Everything becomes relative and is given its true value: unintentionally, without control, we are more honest, more transparent to ourselves and to others. For some it may result in some disappointment: “I am not as strong as I imagined”, “after all that person is not who I thought he/she was”, “why can’t I stop valuing this object when it no longer makes sense?”. For others, it may be a manifestation of resilience: “damn, I can do this and much more”, “when my values are tested I recognize in myself someone valuable and strong”, “in fact, among everything I bring with me, the only thing that really matters are the ones that also carry me in their heart”.
I would say that this Camino had a perfect mix of both situations: the fascination of the Camino, the silent travel, the rest time in the albergue or the conversations with the other pilgrims never ceased … But this time the Camino came also packed of conviction and courage: to look at me with the unimaginable strength that I have in this small girl’s body, to not ignore what must be worked, to expose, to make known what is worth to me as a person… to understand and clarify my doubts, transforming some in certainties and others in denials.

On the day when two happy birthdays were celebrated (a train crash near Santiago and my grandmother’s great trip…), I offered my scallop and my prayer to those who left this world without being prepared for the most genuine encounter with their inner self. It seems to me that sometimes the ones here are still looking for each other too much, we saturate too much, we make a lot of effort… for the wrong things that do not mirror us… My scallop represented my union with the divine through my favourite people and was painted in an ancestral way: using french ultramarine watercolor which originally derived from the lapis lazuli powder. It was full of meaning for those who used it, it was worth the natural perfection. It was a treasure of greater value than the sum of its intentions, and it frayed to see it deteriorate without living its true meaning anymore. That meaning was beginning to cease to make sense, it began to weigh on me as if I were a locomotive pulling a very heavy train by myself. I preferred to keep the memory of the work of art that, carelessly, I ended up carrying in those vibrant colors, the genuine intentions that it carried. Well, if I would not dare to corrupt it, why should I let its desteny in hands of others? I no longer want to be attached to what is not with me, and I want to know how to break free from those sparkles, those colors that, with great significance, make delivery difficult but deeper… and liberating.

For two seconds, just for two seconds, I regretted leaving it there. I wanted to return to the safety of my scallop, its meaning, its memories, its intentions, the affection and dedication I devoted to it. That feeling did not last long: soon afterwards, I felt free. It was the right decision for me. I was the only one that still carried with me that unspoiled beauty. I gave it to those who discovered their last address too soon and might need an orientation. I guess I, the “artist”, just wanted it to be exhibited in the most beautiful place of all … and I believe that, less distracted than us, those souls would know better than anyone what to do with it.

Now I just to paint another scallop, with a brand new meaning.

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Nature journal: August, September, October

Há algum tempo que não vos dava actualizações do meu Nature Journal embora já tenha o registo feito há semanas!
Agosto e Setembro no meu Nature Journalfocaram-se sobretudo em experiências, caminhadas, dias passados perto da natureza. O verão é uma época em que todos passamos algum tempo extra cá fora, apesar do meu Nature Journal mostrar que qualquer época do ano está repleta de biodiversidade próxima de nós.

I did not give you updates of my Nature Journal for a while although I already had the all the things registered for weeks!
August and September in my Nature Journal focused mainly on experiences, walks, days spent close to nature. Summer is a time when we all spend some extra time out there, although my Nature Journal shows that any time of the year is filled with biodiversity close to us.

O mês de Agosto foi repleto de oportunidades para observar biodiversidade. Durante um passeio na Serra da Freita vimos uma pequena família de codornizes a sair quese debaixo dos nossos pés quando, ao passar, saíram assustadas de um arbusto onde estavam escondidas e fugiram agitadas para o abrigo mais próximo. Vê-las correr lembrou-me um video jogo: os seus saltos combinados com o bater de asas pareciam dirigi-las ao de leve sobre as rochas do cimo do monte.

The month of August was full of opportunities to observe biodiversity. During a walk in Serra da Freita we saw a small family of quail coming out from under our feet as we passed. They jumped frightened out from one bush where they were hiding and fled restlessly to their nearest shelter. Watching them run reminded me of a video game: their heels combined with the flapping of wings seemed to drive them lightly over the rocks at the top of the hill.

A semana seguinte foi dominada por uns dias de descando à beira mar com uma bela oportunidade de visitar as poças de maré! O calor era tanto que nos deixávamos ficar sentadas numa pedra, com os pés dentro de água. Não tardou a que uma amiga fosse mordida por um mexilhão atrevido!

The following week was dominated by a few days of seaside relax time, with a beautiful opportunity to visit the tide pools! Those days were hot so we used to seet on a rock with our feet under water. It was not long before a friend was bitten by a cheeky mussel!

Os dias 12-13 de Agosto são quase sempre marcados pela famosa chuva das Perseidas, uma chuva de estrelas derivada da passagem do cometa Swift-Tuttle e que são assim são denominadas porque têm uma origem próxima da constelação de Perseus e da Cassiopeia.

The days around 12-13 August are marked by the famous Perseid shooting stars, a phenomenon derived from the passage of the comet Swift-Tuttle and that are so denominated because they appear near the constellation of Perseus and Cassiopeia.

Esta semana, por causa da chuva de estrelas, as saídas à noite também me ofereceram a possibilidade de apreciar o voo dos morcegos. Os morcegos são mamíferos com má conotação devido a mitos e folclore com muitos anos de história… Por essa razão, e porque gosto da ideia de sensibilizar para uma atitude mais positiva para com estes mamíferos, resolvi dar-lhes o espaço merecido no meu Nature Journal apesar de não ter sido capaz de identiicar a espécie que observei com exactidão.

This week, because of the shooting stars, the night time also offered me the possibility to enjoy the flight of the bats. Bats are mammals with poor connotations by humans due to myths and folklore with many years of history… For this reason, and because I like the idea of raising awareness for a more positive attitude toward these mammals, I decided to give them the space they deserve in my Nature Journal although I was not able to identify the species I observed.

Os restantes dias de praia e de calor permitiram-me ainda voltar às poças de maré e retratar mais um organismo que podemos encontrar nas rochas: as lapas! Das coisas mais engraçadas que já vi foi uma lapa colada a um virdro que me permitia ver o organismo pelo lado de dentro. Elas têm um músculo fortíssimo que as permite fixar-se ao substrato e, com a boica, raspar as rochas de algas e outros microorganismos que constituem a sua alimentação. Por vezes é até possível ver nas rochas o rasto que as lapas deixam ao longo do tempo…

The remaining days on the beach allowed me to return to the tide pools and to paint another organism that we can find on the rocks: the limpets! Of the funniest things I’ve ever seen was a limpet “glued” to a glass which allowed me to see the organism from the inside. They have a very strong muscle that allows them to attach themselves to the substrate and, with their lips, to scrape the rocks of algae and other microorganisms that constitute their diet. Sometimes it is even possible to see  on the rocks the “scraping trail” that the limpets leave over time…

Na última semana de Agosto tive a oportunidade de me deslocar a Évora e detectei naturalmente uma grande diferença na paisagem em relação ao norte do país, muito embora tenhamos muitas espécies em comum. Apesar de conseguirmos observar libélulas e libelinhas um pouco por todo o país, este passeio deu-me o tempo necessário para as comtemplar, fotografar e fazer um esboço que pintei mais tarde, ao chegar a casa.

On the last week of August I had the opportunity to travel to Évora and I naturally detected a great difference in the landscape compared to the north of the country, even though we have many species in common. Although we could observe dragonflies all over the country, this tour gave me the time to contemplate them, photograph them and make a sketch that I painted later, when I got home.

O mês de Setembro foi turbulento… mas havia tanto que recordar da minha visita a Évora e do Caminho de Santiago que tive muito por onde desenhar! Claro que tive de remeter para fotografias que tinha tirado já que as oportunidades para desenhar na Natureza foram mais limitadas. Voltei a recordar évora por mais umas semanas porque não queria deixar de retratar alguns dos seres vivos que tinha visto naqueles dias.
Exemplo disso foi uma pequena osga que, colada na parede quente de um edifício  aguardava que a luz de um candeeiro atraísse o seu jantar! As osgas são outro exemplo de seres vivos com péssima conotação mas que além de serem absolutamente inofensivos, são companheiros regulares das habitações humanas e que tratam de eliminar os insectos perto das nossas casas.

The month of September was turbulent… but there was so much to remember from my visit to Évora and the Camino de Santiago: I had so much to draw! Of course I had to refer to photographs that I had taken since the opportunities to draw in Nature were more limited. I remembered Évora again for a few more weeks because I did not want to stop portraying some of the living things I had seen in those days.
An example of this was a little  gecko that, glued to the warm wall of a building, waited for the light of a lamp to attract its dinner! The geckos are another example of living beings with very poor connotation by humans but besides being absolutely harmless, they are regular companions of the human dwellings and eliminate the insects near our houses.

Por fim, não pude deixar de retratar o burro que vivia no descampado mesmo atrás do meu quarto. Ver um burro em Portugal não é algum incomum mas há anos que já não ouvia um burro zurrar… de cada vez que ele o fazia, eu sorria porque me lembrava de quão divertida eu achava a Burra Vitória que havia em tempos no Parque Biológio de Gaia!

Finally, I could not help portraying the donkey who lived in the open ground just behind my room. Seeing a donkey in Portugal is not unusual, but for years I had not heard a donkey bray… every time he did it I smiled because I remembered the lovely Donkey Victoria I always at Parque Biológico in Gaia when I was a child!

Depois veio o Caminho… Confesso que me reservei de desenhar muito sobre o caminho já que não levei comigo o meu Nature Journal o que tornava complicado desenhar. Mas aquela raposa foi o ponto alto da penultima jornada a Santiago de Compostela desde Ferrol. A história daquele momento foi muito especial para mim. Com pena, talvez com a anisedade da recordação, não consegui captá-la como gostava no meu Nature Journal. Acho que um dia escreverei a história dela e prometi a mim mesma repetir uma página, 3 páginas, 20 paginas, só para ela…

Then came the Camino … I confess that I didn’t drawing too much during the Camino since I did not take my Nature Journal with me which made drawing complicated. But that fox was the high point of one of the last days to Santiago de Compostela from Ferrol. The story of that moment was very special to me. With pity, perhaps with the anxiety of the memory, I could not grasp it as I would like in my Nature Journal. I think I’ll write her story one day and I promised myself to repeat a nature page, 3 pages, 20 pages, just for her…

A gaivota… as gaivotas: eram aos milhares e pareciam sondar o edifício do Terminal de Cruzeiros de Leixões como quem procura o calor do colo quente de uma mãe. Uma mãe de Betão. Estava há poucos dias ali e já lhes havia percebido os hábitos, as travessuras e as dinâmicas. Em breve será inverno e cherarão mais e mais para passar os meses frios. Com elas espero ver outras espécies invernantes.

The seagull… actually there were lots of seagulls: they were thousands and seemed to surround the building of the Leixões Cruise Terminal as if looking for the warmth of a mother’s hot lap. A mother made of concrete, though. I had been there for a few days, and had already noticed their habits, tricks, and dynamics. Soon it will be winter and they will wash more day after day to spend the cold months in Portugal. With them I hope to see other wintering species!

O olhar sereno de uma mão cheia de peixes zebra, nervosos, assustados mesmo, num aquário à mercê dos olhos esbugalhados de crinaças e adultos, de música e barulho incompreensível. Senti alguma compaixão por eles e pela frustração de não terem escolha senão estar ali com a máxima de sensibilizar um público altamente disperso. Dirigi-lhes alguns momentos de comtemplação por respeito mas sobretudo por carinho.

The serene look of a hand full of zebra fish, nervous, even frightened, in an aquarium at the mercy of the eyes of children and adults, music and incomprehensible noise. I felt some compassion for them and their frustration of having no choice but to be there with the maximum of work for a highly dispersed public awareness. I give them a few moments of contemplation for respect, but especially for tenderness.

A águia que sobrevoava o Castelo de Marialva, contra o vento gelado que contrastava com o Sol quente. Era um juvenil revelado pelas manchas brancas no interior das asas compridas e que, como jovem que tem o mundo aos seus pés, ansiava queriam cobrir de sombra o morro elevado.

The eagle that flew over Marialva Castle, against the icy wind that contrasted with the hot sun. It was a juvenile as revealed by the white spots on the inside of its long wings and who, as a young man who has the world at his feet, longed to cover the entire hill with shadow with just its wings.

E por fim, um trilho de madrugada por terras de Figueira de Castelo Rodrigo, os carvalhos começavam a amadurecer: os ouriços ainda verdes pareciam frágeis e fofos e, no seu interior, as Castanhas já cresciam redondas. Não pude sentir um certo carinho por esta tentativa de proteger algo tão precioso, adormecido. Estava ali eram 7h, já a meio do trilho, e os ouriços lembravam-me os cobertores que tinha deixado na cama…

And finally, a trail at dawn by the lands of Figueira de Castelo Rodrigo where the oak trees began to ripen: the still-green hedgehogs looked fragile and cute, and inside, the Chestnuts were already growing round. I could not stop feeling a certain amount of affection for this attempt to protect something so precious while it is asleeping. It was seven o’clock, we already did half of the trail, and the hedgehogs reminded me of the blankets I had left on my bed…

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Autumn tones and a workshop!

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O Outono é, sem sombra de dúvidas a minha estação favorita e talvez o momento em que me sinto mais comprometida a colocar projecros em prática. Desta vez resolvi partilhar convosco alguns dos meus posts favoritos sobre projectos de outono.

 

O primeiro post é sobre o passeio em Serralves no Outono que para mim é incontornável e me faz sentir que estou a acompanhar a chegada da estação nos locais que mais gosto. Serralves para mim é mesmo no outono e traz-me as recordações de infância mais divertidas sempre que me passeio na incontornável avenida das Tílias e acabo a apanhar os raios quentes de sol junto à quinta…

 

A inspiração dada por um passeio num local como Serralves envolve-nos e provoca-nos a fazer um pouco de “foraging”. É desta necessidade de aproveitar os recursos naturais que surge o meu ritual de apanhar pinhas para a lareira. Este ano quase que não precisava e encontrei mais um local especial onde as apanhar… Contudo, ainda que estas não venham a ser para mim, o ritual de apanhar as pinhas para a lareira é como uma terapia que faço já com as luvas nas mãos em meados de Outubro… Este ano, parece-me, vou ter um pequeno cabaz de pinhas para oferecer!

 

Depois de ter respirado as influências da natureza, trago-a para dentro de casa sob a forma de pequenos projectos. O meu mini-quilt de Outono, foi pequeno projecto de aprendizagem que resultou completamente da minha cabeça. Desde o design inicial, passando pela escolha das cores e padrões e depois, em cada ponto à máquina e à mão. É um quilt que costumo colocar em casa quando sinto o Outono chegar porque sem sempre as estações se sentem no dia dos equnócios ou solestícios. Por vezes é mais cedo, outras vezes mais tarde, quando às primeiras horas da manhã se sente o frio caracteristicamente outonal!

 

Mas o outono não é apenas sobre as cores, a luz ou a temperatura… é também sobre os aromas. Não há outono sem cheiro a marmelada a cozer na panela ou potes e potes de papa de maçã para sobremesa.

 

E é quando se fecham as janelas ao fim do dia que apetece o primeiro e indulgente chocolate quente da época enquanto se folheia um bom livro para mais um projecto outonal ou quem sabe, já com o Natal em vista.

 

E é precisamente num desses projectos que tenho estado secratamente a trabalhar! Este ano faço uma parceria com a Ana Paula do MyNinho e vou estrear com ela um workshop de Coroas de Natal feitas com materais naturais, tecidos e papel! O workshop vai decorrer na Casa do MyNinho que recebe os mais simpáticos hóspedes, dia 24 de Novembro entre as 15h e as 18h. As condições e inscrições podem ser feitas aqui.

 

Autumn is, no doubt, my favorite season and perhaps the moment when I feel more committed new projects. This time I decided to share with you some of my favorite posts about autumn projects.

 

The first post is about my autumn walks in Serralves that for me are a must do thing iduring the fall and make me feel that I am following the arrival of the season at the places that I love. For me, Serralves during fall, awakes the sweetest childhood memories and I always remember walking over the leaves and catching the last hot rays of sun next to the farm… 

 

The inspiration from my walks through Serralves engages us to do a bit of “foraging”. I take advantage of the natural resources to make my anual pine cones picking for the fireplace. This year I almost did not need more cones and I found another special place to pick them up… However, even if these are not for me, the ritual of picking the pine cones for the fireplace is like a therapy that I already do with my gloves in my hands in the end of October… This year, it seems to me, I will have a small basket of pine cones to offer!

 

After having breathed in nature, I bring it into the house in the form of small projects. My fall mini-quilt was a small learning project that resulted completely from my head. From the initial design, through the choice of colors and patterns and then in each machine or handmade stitch. It is a quilt that I usually use at home when I feel the autumn coming in. Sometimes it’s early, sometimes it’s later: but generally is when you feel the characteristically autumnal cold in the early hours of the morning! 

 

But autumn is not just about the colors, the light or the temperature… it’s also about the aromas. There is no autumn without the smell of quince paste boiling in the pan or pots and pots of apple sauce for dessert http://www.therabbithole.pt/ 2017/10/26 / applesauce-is-our-favorite-dessert /.

 

And when you close the windows at the end of the day you feel the need of the first and indulgent hot chocolate of the cold season, as you leaf through a good book for one more autumnal project or, who knows, already with Christmas in sight.

 

And it is precisely in one of these projects that I have been working on this last weeks! This year I made a partnership with Ana Paula from MyNinho and we will share a workshop on Christmas Wreaths made with natural materials, fabrics and paper! The workshop will take place at MyNinho Airbnb, which always have the most friendly guests, on November 24 between 3pm and 6pm. The conditions and registrations can be made here.
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