Painting outdoors and “a la prima”

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Pintar ao ar livre e a la prima é algo que todos os aspirantes a pintores sonham em fazer bem. Mas é uma experiência bem diferente de pintar em estúdio com todo o tempo do mundo. E como tal as expectativas devem ser geridas em função da experiência em questão!

Se pintar aguarela ao ar livre é algo mais ou menos descontraído, pintar a óleo poderia ter-se revelado extremamente confuso. Contudo, depois do desafio lançado pelos colegas a minha primeira experiência a la prima, ao ar livre e a óleo foi uma aprendizagem muito relevante.
Não só me permitiu perceber que não é assim tão complicado trazer os materiais, pode ser tão rápido quanto eu quiser e força-me a trabalhar de forma mais espontânea e com uma paleta de cores bem afinada e restrita.

O resultado revelou-se bastante impressionista e depois de chegar a casa percebi que o segredo também passaria por usar pincéis de dimensões diferentes para criar mais efeito optico. Contudo, e porque o objectivo é pintar rápido, trazer telas pequenas em prancheta ou mesmo em papel apropriado para pintura a óleo, torna a técnica mais fácil de trabalhar fora do estudio. Evitar o oleo de linhaça e investir em mais terbentina permite ajustar um pouco os tempos de secagem e as mudanças de luz obrigam-me a ser “eficiente” e “definitiva” com o traço. Foi um exercício que gostaria de repetir novamente e apercebo-me que gostaria de pintar mais vezes no exterior, onde as cores e a luz mudam a todo o momento, desafiando-nos! Claro está que sacar de um pincel e de uma paleta num jardim público ainda é motivo para atrair “público”, algo para que nem todos estamos preparados e a que ainda tenho de me habituar… Por outro lado, é muito provável que, aos poucos, nos cruzemos com uma pequena “tribo” de outros artistas que nos pode motivar, inspirar e encorajar!

Painting outdoors and “a la prima” is something every aspiring painter dreams of. But it’s a very different experience from the studio painting where we have all the time in the world to work on a piece. Because of this, expectations must be managed based on the experience in question!

If outdoor watercolor painting is thing more or less easy to do, oil painting could have been extremely messy. However, after being challenged by my colleagues, my first “a la prima” experience in the open air and using the oil was a very fulfilling learning experience.
Not only has it allowed me to realize that it is not that complicated to bring your oil painting materials outdoors, painting can also be as fast as I want and forces me to work more spontaneously and with a narrow color palette.

The result turned out to be quite impressionistic and while arriving home I realized that the secret would also be to use brushes of different dimensions to create more optical effects. However, and because the goal is to paint quickly, bringing a small canvases on a clipboard or even a sheet of paper suitable for oil painting, makes the technique easier to work out of the studio. Avoiding flaxseed oil and chosing terbentine allows me to adjust the drying times a little and the light changes forces me to be “efficient” and “determined” with my strokes. It was an exercise I would like to repeat and I realize that I would like to paint more often on the outside: where colors and light change all the time, challenging me! Of course, pulling out a brush and a palette in a public garden is still reason to attract “public”, something that we are not all prepared for and which I still have to get used to… On the other hand, it is very likely that, gradually we come across a small “tribe” of other artists who can motivate, inspire and encourage us!

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Letting go

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O meu terceiro Caminho foi deveras diferente. Desta vez percorremos o caminho da Prata desde Ourense até Santiago de Compostela. Foi um caminho duro, em que os desafios não deixavam muito espaço para apreciar a paisagem.
Este foi um caminho muito clarificador para mim. Como se as nuvens de nevoeiro que por vezes povoam a nossa visão se tivessem desvanecido à minha frente e deixado mostrar a nitidez que acompanha o amanhecer depois da chuva. Nem sempre, porém, sabe tão bem ver as coisas claras. Não é bom como beber da água fresca directamente da fonte… nem sempre esta “água” é tão fresca, tão insípida como a água da fonte.
Penso que, mais uma vez, o impacto do Caminho se fez combinar com o desafio do percurso e resultou, pelo menos para mim, numa verdadeira experiência emocional!
Como sabem, em nenhum Caminho eu levei muita coisa. Mas o que levava comigo, e porque era pouco, acabava por se fazer carregar de significado. Eu sou uma pessoa de significados: prefiro ter menos mas anseio que o que tenho tenha significado. Mas este caminho demonstrou-e que, por vezes agarramos as coisas que na verdade, precisamos de largar: como o artista que vende a sua obra de arte. Isso não significa que ela não viva mais…

Ora, o Caminho já havia demonstrado para muita gente que podia ser o momento certo para nos fazer entrar em modo “sobrevivência”. Que nos podia mostrar como é estar connosco, como é estar com quem nos acompanha e com quem nos aparece. Fazer libertar-nos das coisas materiais, das coisas de que nos convencemos, libertar-nos até das falsas verdades nas quais nos vemos empenhados e comprometidos todos os dias. Tudo passa a ser relativo e é-lhe atribuído o devido valor: sem querer, sem controlo, somos mais honestos, mais transparentes connosco e com os outros. Para uns pode resultar em alguma desilusão: “não sou tão forte como imaginava”, “afinal aquela pessoa não é quem eu pensava ser”, “porque motivo não consigo parar de dar valor a este objecto quando não tem mais sentido?”. Para outros, pode ser uma manifestação de resiliência: “caramba, eu posso isto e muito mais”, “quando os meus valores se colocam à prova eu reconheço em mim alguém valioso”, “na verdade, de tudo o que trago, só importam aqueles que também me levam no coração”.
Eu diria que este caminho teve uma mistura perfeita de ambas as situações: nunca deixou de haver o fascínio do Caminho, das viagens em silêncio, do tempo de descanso no albergue ou das conversas dos outros peregrinos… Mas desta vez o caminho veio recheado de convicção e coragem: para olhar para mim com a força inimaginável que possuo num corpo pequeno de menina, para não deixar mais passar, para expor, para dar a conhecer o que vale para mim…para compreender e clarificar minhas dúvidas, transformando algumas em certezas e outras em desmentidos.

No dia em que se celebravam dois aniversários menos felizes (um de um acidente de comboio às portas de Santiago e o outro da grande viagem da minha avó), ofereci a minha vieira, e a minha oração àqueles que partindo sem contar ansiavam, tal como nós, o encontro mais genuíno com o nosso eu interior. Parece-me que, por vezes, os que cá estamos, ainda nos procuramos demais, saturamos demais, fazemos muito esforço… pelas coisas erradas nas quais não estamos espelhados ou não nos deixamos espelhar… A minha vieira representava a minha união com o divino através do meu próximo e foi pintada de forma ancestral: a aguarela e usando o ultramarino, originalmente derivado do pó do lapis lazuli… era cheia de significado para quem a usasse, valia-lhe a perfeição natural. Era um tesouro com maior valor do que o somatório das suas intenções e desgastava-me vê-la deteriorar-se sem mais concretizar o seu verdadeiro sentido. Aquela adoração começava a deixar de fazer sentido, começava a pesar-me como se eu fosse uma locomotiva a puxar, sozinha, um pesadíssimo comboio. Preferi ficar com a recordação da obra de arte que, descuidada, acabei por carregar naquelas cores vibrantes, as intenções genuínas que levava… Se eu não me atreveria a corrompê-la, porque deixaria colocar nas mãos de outros fazê-la chegar ao seu destino? Não quero mais ficar apegada ao que não me acompanha e quero saber libertar-me daqueles brilhos, daquelas cores que, com muito significado, tornam a entrega difícil mas mais profunda, sentida… e por vezes libertadora.

Por dois segundos, apenas por dois segundos, me arrependi… desejei regressar para a segurança da minha vieira, do seu significado, das suas memórias, das suas intenções, do carinho e dedicação com que a pintei. Não durou mais do que isso: logo depois senti-me libertar. Era a decisão certa para mim, a única que ainda carregava aquela beleza intacta. Entreguei-a por isso àqueles que descobriram, cedo demais, a sua última morada. Eu, a “artista” queria expor a minha obra de arte no lugar mais belo de todos… e creio que, menos distraídos do que nós, aqueles saberiam o que fazer com ela.

Tenho agora a tarefa de pintar outra, com um novo significado.

 

My third Camino was quite different. This time we followed Via de la Plata from Ourense to Santiago de Compostela. It was hard, and the challenges did not leave much room to enjoy the landscape as intensly as my previous Caminos.
Most of all this was a very clarifying Camino for me. As if the winter fog that sometimes hamper our vision, have faded in front of me and allowed to walk the sharpness landscapes of dawn, after the rain. However, it is not always pleasant to see things more clearly. Not as good as drinking fresh water directly from a spring… this “water” is not always as fresh, as tasteless as spring water.
I think that, once again, the impact of the Camino was combined with the challenges of the journey and resulted, at least for me, in a true emotional experience!
As you know, I never take much with me during the Camino. Howevwr, all I take with me eventually carries a lot of meaning. I am a person of meanings: I prefer to have less stuff but meaningful. But this Camino has shown us that sometimes, despite the little we take, we seem to grasp the things we really need to let go: like the artist who sells his work of art. That doesn’t mean it doesn’t live anymore…

Well, the Camino had already shown to many pilgrims that it could be the right time to get us into “survival” mode. That could show us what it is like to be with just with our own company, what it is like to be intensely with those who accompany us and the ones we know for the first time. To make us free from material things, from the thoughts we are convinced of, even from false truths to which we are committed every day. Everything becomes relative and is given its true value: unintentionally, without control, we are more honest, more transparent to ourselves and to others. For some it may result in some disappointment: “I am not as strong as I imagined”, “after all that person is not who I thought he/she was”, “why can’t I stop valuing this object when it no longer makes sense?”. For others, it may be a manifestation of resilience: “damn, I can do this and much more”, “when my values are tested I recognize in myself someone valuable and strong”, “in fact, among everything I bring with me, the only thing that really matters are the ones that also carry me in their heart”.
I would say that this Camino had a perfect mix of both situations: the fascination of the Camino, the silent travel, the rest time in the albergue or the conversations with the other pilgrims never ceased … But this time the Camino came also packed of conviction and courage: to look at me with the unimaginable strength that I have in this small girl’s body, to not ignore what must be worked, to expose, to make known what is worth to me as a person… to understand and clarify my doubts, transforming some in certainties and others in denials.

On the day when two happy birthdays were celebrated (a train crash near Santiago and my grandmother’s great trip…), I offered my scallop and my prayer to those who left this world without being prepared for the most genuine encounter with their inner self. It seems to me that sometimes the ones here are still looking for each other too much, we saturate too much, we make a lot of effort… for the wrong things that do not mirror us… My scallop represented my union with the divine through my favourite people and was painted in an ancestral way: using french ultramarine watercolor which originally derived from the lapis lazuli powder. It was full of meaning for those who used it, it was worth the natural perfection. It was a treasure of greater value than the sum of its intentions, and it frayed to see it deteriorate without living its true meaning anymore. That meaning was beginning to cease to make sense, it began to weigh on me as if I were a locomotive pulling a very heavy train by myself. I preferred to keep the memory of the work of art that, carelessly, I ended up carrying in those vibrant colors, the genuine intentions that it carried. Well, if I would not dare to corrupt it, why should I let its desteny in hands of others? I no longer want to be attached to what is not with me, and I want to know how to break free from those sparkles, those colors that, with great significance, make delivery difficult but deeper… and liberating.

For two seconds, just for two seconds, I regretted leaving it there. I wanted to return to the safety of my scallop, its meaning, its memories, its intentions, the affection and dedication I devoted to it. That feeling did not last long: soon afterwards, I felt free. It was the right decision for me. I was the only one that still carried with me that unspoiled beauty. I gave it to those who discovered their last address too soon and might need an orientation. I guess I, the “artist”, just wanted it to be exhibited in the most beautiful place of all … and I believe that, less distracted than us, those souls would know better than anyone what to do with it.

Now I just to paint another scallop, with a brand new meaning.

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The vulnerability of my Nature Journal

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Devem estar a perguntar-se onde é que eu parei para partilhar convosco o resultado final do meu Nature Journal?
Ora bem, eu parei de o partilhar em Outubro mas não desisti dele: as 52 semanas de Nature Journal foram feitas até ao fim. Mas, a certa altura, este tornou-se um assunto um pouco “emocional” para mim, um projeto que eu quis proteger debaixo da minha asa. E com isso acabei por não partilhar o maravilhoso resultado convosco. Não merecem! 99% de vocês não merecem que eu desista de partilhar. Pelo contrário, merecem antes que eu partilhe tudo até ao fim porque vocês fazem parte da minha motivação para continuar: post após post… palavra após palavra.

 

Porém, a certa altura houve um receio em partilhar. Nem todos usam os conteúdos que expomos cá fora da mesma forma. Os desafios de escrever um blog são imensos sobretudo quando partilhamos algo que amamos fazer do fundo do coração. Eu tenho tendência para ver os outros como iguais, que é uma forma muito pouco realista de ver a vida. Há pessoas que nos incentivam e nos desejam o melhor, assim como há quem não seja capaz de respeitar essas forças: os copycats e os trolls são uma constante na internet e já existe um número infindável de conteúdos (mais ou menos intensos) acerca deste assunto. Escrever acerca deste assunto poderia tornar-se um post deprimente sobre um assunto real e motivado por um projecto belíssimo! Eu decidi escrever sobre o assunto porque o que me inibiu não se tratou nem de um copycat (pelo menos não na sua versão virtual) ou de um troll (pelo menos não na sua versão virtual…). Foi muito mais próximo do que isso… E é muito mais difícil quando se trata de alguém que conhecemos e que tenta a todo o custo, a qualquer custo, substituir-nos na vida das nossas pessoas, nas que ocupam o nosso coração, naquilo que fazemos e generosamente partilhamos. A mensagem a reter era “obrigada por partilhares, agora que eu já sei como fazer, nós já não precisamos de ti”. Foi como morder a maçã no jardim do Éden. Eu percebi que estava despida por ter dado tanto de mim e me estarem a decepar as pequenas flores que eu semeara no meu jardim, quando elas podiam estar aqui, para todos as apreciarem. Nunca mais comprei flores. Esta experiência deixou-me perplexa perante tantos de vocês que, muitos sem sequer me conhecer, me dão um apoio positivo tão significativo. Fiquei a conhecer um pouco do mal.

 

Por vezes, alguma distância é absolutamente indispensável e o que eu senti a certa altura era que precisava que, entre todos os projectos do blog, pelo menos um que fosse meu. Só meu, que eu pudesse ter no meu seio, que me cobrisse, que me vestisse de mim. E perante a realidade de eu estar a partilhar tudo, a ideia de “proteger” aquele projeto que me era mais querido foi a solução menos má. Por isso eu decidi guardar para mim o meu Nature Journal.

 

Muito tempo mais tarde, a clareza evidenciou-se no meu caminho, a distância fez-se valer, e eu já envergava um vestido fresco com padrão de flores. Sei que fui a única a aprender com a situação, porque a distância é uma ferramenta que não serve quando ser egoísta é uma marca de caracter, mas foi o suficiente para eu perceber que a este 1% de seguidores eu tenho de dar o valor que foi dado à minha generosidade. Nenhum. Por esse motivo resolvi que queria mostrar-vos o meu Nature Journal completo e terminado. Este foi um projeto com muito poder sobre mim: resiliência, diligência, sensibilidade e aprendizagem. Que enalteceu o meu respeito pela natureza, pela vida sob qualquer forma, a minha vital capacidade de contemplar e aprender, de criar, com as minhas próprias mãos o que mais ninguém conseguirá fazer por mim. Porque eu sou única no mundo. Obrigada aos que me seguem por bons motivos: aos que me embalam na mesma canção. Para os restantes não tenho nada para oferecer.

 

Abaixo podem encontrar o meu Nature Journal de 2018, com uma página por semana revelando o melhor dos meus dias, apesar de tudo o que passou.

 

You must be wondering when did I stop to share with you my 2018 Nature Journal?
Well, I stopped sharing it in October but did not give up on it: all the 52 weeks of the Nature Journal were done until the end. But at one point, this somehow became an “emotional” subject for me, a project that I wanted to protect under my warm wing. And with that I did not share the wonderful result with you. Well, you do not deserve this! 99% of you do not deserve that I just o give up on sharing. On the contrary, you deserve that I share everything until the end because you are part of my motivation: to continue writing and making, post after post … word after word.

 

But at one point there I was afraid of sharing. Not everyone uses the content I expose here in the same way. The challenges of writing a blog are immense especially when we share something we love to do from the bottom of our hearts. I tend to see others as equals, which is a very unrealistic way of seeing life. There are people who encourage us and wish us the best, just as there are those who can not respect these forces: copycats and trolls are a constant on the internet and there are already an endless number of (more or less intense) content about this subject . Writing about this subject could become a depressing post on a real subject and motivated by a gorgeous project! I decided to write about it because what inhibited me was not a copycat (at least not in its virtual version) or a troll (at least not in its virtual version…). It was much closer than that… And it is much more difficult when it comes from someone we know and who tries by all chances, any chances, to replace us in the lives of our people, those who live in our heart, in what we do and generously share. The message to hold was “Thank you for sharing, now that I already know how to do it, we do not need you any more.” This attitude was like biting the apple in the garden of Eden. I realized that I was naked for having given so much of myself. The beautiful small flowers I had sowed in my garden were being gutted off when they could be here for all to enjoy. I never bought flowers again. This experience left me perplexed over so many of you who, many without even knowing me, give me such significant positive support. From that 1% I got to know a bit of evil.

 

Sometimes some distance is absolutely indispensable and what I felt at a certain point was that I needed, among all the blog projects, at least one that was mine. Only mine, that I could have in my lap, to cover me, to dress me. And facing the reality that I was sharing everything, the idea of “protecting” the project that was the dearest to me was the least bad solution. So I decided to save my Nature Journal for myself.

 

A long time later, clarity was back in my path, the distance made its magic and I wasn’t naked again, I was already wearing a fresh dress of flowered pattern. I know I am the only one who learned from the situation, because distance is a tool that is not useful when being selfish is a mark of character, but it was enough at least to me to realize that to this 1% of acquaintances, I have to give them the value that was given to my generosity. None. That is why I decided that I wanted to show you my complete and finished 2018 Nature Journal. This was a project with a lot of power over me: resilience, diligence, sensitivity and learning. That praised my respect for nature, for life in any form, my vital ability to contemplate and learn, to create, with my own hands what no one else can do for me. Because I’m the only one like me in the world. Thank you to those who follow me for good reasons: those who rock me in the same lullaby. For the rest I have nothing to offer.

 

Here is my Nature Journal of 2018, with one page a week revealing the best of my days, despite everything that has gone on.

 

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Low plastic begins with understanding what you have!

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Tentar eliminar os plásticos do nosso dia a dia pode ser avassalador! Basta pensarmos numa rotina matinal, por exemplo, o acto de lavar os dentes… Escova de plástico, pasta de dentes em embalagem de plástico que, se for branqueadora provavelmente está cheia de partículas de plástico, fio dental de fibras de plástico em embalagem de plástico… Ufa. Quando nos damos conta, tudo vem em embalagens de plástico. A sensação esmagadora de que não é possível esta alteração, atinge-nos! É a primeira coisa que acontece. Desanimamos.
Confesso que pensei que não conseguiria fazer grandes progressos, mas depois pensei que isto não tem de ser feito de um momento para o outro, certo? Além de que parece ser impossível deixar os plásticos de um dia para o outro, a pressa é inimiga da perfeição e nenhum de nós quer correr o risco de fazer más escolhas novamente.
Por isso hoje venho partilhar convosco os primeiros passos que fiz para um caminho de baixo impacto em plástico!

Em primeiro lugar eu escolhi uma área para começar e, aos poucos, vou passando de área para área. E resolvi começar pela minha casa de banho. A primeira coisa que fiz foi esvaziar todas as gavetas e acumulei tudo num só local (ui, de repente isto parece muito tendência Konmary Method, não?). Isto deu-me a noção da quantidade de coisas que tinha em casa (eu não me considero uma acumuladora, de todo). O primeiro impacto é imediato: “isto vem tudo em embalagens de plásticos?”, “ei… eu tenho e uso tudo isto?” As respostas são: “sim, vem tudo em embalagens de plástico”, “sim, tenho” e “não, eu não uso tudo isto!”. Portanto, num segundo passo, eliminei os produtos fora do prazo (esvaziei o que faltava e coloquei as embalagens na reciclagem). Depois olhei para o que restava e coloquei de parte todos os produtos que não uso (ou porque não funcionaram para mim, ou porque vieram junto com presentes, ou numa promoção de supermercado) e distribui por pessoas conhecidas que os utilizam. Por fim, já com muito poucos produtos em mãos, analisei cada um e tentei encontrar uma alternativa sem plástico. Mas antes de efectivamente fazer a troca por um produto sem plástico, eu conscientemente utilizei todos os produtos que tinha até ao fim. Este é um erro comum: a raiva de ter tanto plástico à nossa volta faz-nos querer deitar tudo o que temos e substituir por opções mais sustentáveis num ápice. Mas este comportamento, por si só é tudo menos sustentável! Devemos sempre utilizar o que temos antes de efectuar a troca. Eu ainda estou a utilizar muitodos produtos que tinha. Não deseperem: eu tenho usado este tempo para aprender! E desde então eu estou, progressivamente, a adoptar cada vez mais produtos sem plástico, um dia de cada vez.

A imagem mostra algumas das coisas que já comecei a alterar ou que pretendo alterar: gel de banho, shampoo, amaciador, exfoliante, esponja de banho, desodorizante, cotonetes, creme hidratante de corpo, creme da cara, tónico, discos desmaquilhantes, escova de dentes, pasta de dentes, fio dental, desmaquilhante, sabão para mãos, máscara de cabelo, máscara de face, batom de cieiro, lâmina para depilação. Para já são estes o itens na minha lista, mas existem outros que, mais cedo ou mais tarde começarei a alterar.

De vez em quando eu vou escrever um post par vos mostrar algumas das alterações que fui introduzindo mas, desta pequena experiência, o que me apercebo hoje é que, não é apenas o plástico que, aos poucos se vai embora… Eu tornei-me muito mais consciente das compras que faço, evito produtos embalados em plástico, evito produtos pouco sustentáveis, evito produtos para os quais exista uma opção homemade demasiado fácil para não ser aplicada. E ganhei espaço nas minhas gavetas para utilizar com… nada! Para gozar apenas o prazer de ter espaço, espaço esse que me permite dispor os meus produtos de forma a poder ver, num glance, tudo o que tenho e assim usar tudo o que tenho. Esta é também um atitude sustentável.

Trying to eliminate the plastics of our day to day can be overwhelming! Just think of a morning routine, for example, the act of brushing your teeth … Plastic toothbrush, toothpaste in plastic packaging (if it is a whitening toothpaste it probably has plastic abrasive particles), plastic fiber dental floss in plastic packaging… Well… When we realize it, everything comes in plastic packaging. The overwhelming feeling that this change is not possible hits us! It’s the first thing that happens. We get discouraged by the overwhelming sensation.
I confess, when it hits me, I thought I could not make much progress, but then I thought this does not have to be done overnight, right? Besides it seems impossible to get plastic free at the drop of a hat, haste is enemy of perfection and neither of us wants to make more bad choices.
So today I share with you the first steps I made on this low impact plastic journey!

Firstly I decided to chose an area to start and gradually I will move from area to area. So, I decided to start with my bathroom. The first thing I did was empty all my drawers and packed everything in one place (Is this a little Konmary trend??). This gave me the notion of the amount of things I had at home (and, to clarify, I do not consider myself an accumulator, at all). The first impact is crushing: “Is this all in plastic bottles?” and “hey… do I have and use all this?” The answers were: “Yes, all of it cames in plastic bottles”, “yes, I have” and “no, I do not use all this!”. Therefore, my second step was eliminate the products that expired (I emptied them and put the package into the recycling bin). Then I looked at what was left and put aside all the products I did not use (either because they did not work for me, or because they came as offers or gifts) and distributed by people I know who use them. Finally, with just a few products in hand, I analyzed each one and tried to find an alternative without plastic. But before actually making the exchange for a product without plastic, I consciously used all the product I had until its very end. This is a common mistake: the anger of having so much plastic around us makes us want to throw everything we have and substitute it for more sustainable options at one glance. But this behavior is incredibly unsustainable! We should always use what we have before making the switch. I am still using up several products, off course! That’s why this doesn’t happen overnight! Do not despair: I am using this time to learn. And since then I have been increasingly adopting more and more products without plastic, one day at a time.

The image shows some of the things I have already started to change or that I want to change to a more sustainable/plastic free option: bath gel, shampoo, conditioner, exfoliant, bath sponge, deodorant, swabs, body moisturizing cream, face cream, tonic, cleansing disks, toothbrush, toothpaste, dental floss, make-up remover, hand soap, hair mask, face mask, lipstick, hair removal blade. For now these are the items on my list, but there are others that will sooner or later start to change too.

From now and then I will show you some swaps I have made. But from this little experiment, I already realize that it is not only the plastic that slowly goes away… I have become much more aware of the purchases I make: I avoid plastic but also other types of unsustainable options, products for which there is a homemade option too easy not to be applied, and I understand minimalism a bit better (I am not a minimalist though): I have so much space in my drawers these days and I can use to… nothing! To enjoy the pleasure of having the space that allows me to dispose my products so that I can see, in a glance, everything I have and so use everything I have. This is also a very sustainable attitude.

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