Low plastic begins with understanding what you have!

(scroll for the English version)

Tentar eliminar os plásticos do nosso dia a dia pode ser avassalador! Basta pensarmos numa rotina matinal, por exemplo, o acto de lavar os dentes… Escova de plástico, pasta de dentes em embalagem de plástico que, se for branqueadora provavelmente está cheia de partículas de plástico, fio dental de fibras de plástico em embalagem de plástico… Ufa. Quando nos damos conta, tudo vem em embalagens de plástico. A sensação esmagadora de que não é possível esta alteração, atinge-nos! É a primeira coisa que acontece. Desanimamos.
Confesso que pensei que não conseguiria fazer grandes progressos, mas depois pensei que isto não tem de ser feito de um momento para o outro, certo? Além de que parece ser impossível deixar os plásticos de um dia para o outro, a pressa é inimiga da perfeição e nenhum de nós quer correr o risco de fazer más escolhas novamente.
Por isso hoje venho partilhar convosco os primeiros passos que fiz para um caminho de baixo impacto em plástico!

Em primeiro lugar eu escolhi uma área para começar e, aos poucos, vou passando de área para área. E resolvi começar pela minha casa de banho. A primeira coisa que fiz foi esvaziar todas as gavetas e acumulei tudo num só local (ui, de repente isto parece muito tendência Konmary Method, não?). Isto deu-me a noção da quantidade de coisas que tinha em casa (eu não me considero uma acumuladora, de todo). O primeiro impacto é imediato: “isto vem tudo em embalagens de plásticos?”, “ei… eu tenho e uso tudo isto?” As respostas são: “sim, vem tudo em embalagens de plástico”, “sim, tenho” e “não, eu não uso tudo isto!”. Portanto, num segundo passo, eliminei os produtos fora do prazo (esvaziei o que faltava e coloquei as embalagens na reciclagem). Depois olhei para o que restava e coloquei de parte todos os produtos que não uso (ou porque não funcionaram para mim, ou porque vieram junto com presentes, ou numa promoção de supermercado) e distribui por pessoas conhecidas que os utilizam. Por fim, já com muito poucos produtos em mãos, analisei cada um e tentei encontrar uma alternativa sem plástico. Mas antes de efectivamente fazer a troca por um produto sem plástico, eu conscientemente utilizei todos os produtos que tinha até ao fim. Este é um erro comum: a raiva de ter tanto plástico à nossa volta faz-nos querer deitar tudo o que temos e substituir por opções mais sustentáveis num ápice. Mas este comportamento, por si só é tudo menos sustentável! Devemos sempre utilizar o que temos antes de efectuar a troca. Eu ainda estou a utilizar muitodos produtos que tinha. Não deseperem: eu tenho usado este tempo para aprender! E desde então eu estou, progressivamente, a adoptar cada vez mais produtos sem plástico, um dia de cada vez.

A imagem mostra algumas das coisas que já comecei a alterar ou que pretendo alterar: gel de banho, shampoo, amaciador, exfoliante, esponja de banho, desodorizante, cotonetes, creme hidratante de corpo, creme da cara, tónico, discos desmaquilhantes, escova de dentes, pasta de dentes, fio dental, desmaquilhante, sabão para mãos, máscara de cabelo, máscara de face, batom de cieiro, lâmina para depilação. Para já são estes o itens na minha lista, mas existem outros que, mais cedo ou mais tarde começarei a alterar.

De vez em quando eu vou escrever um post par vos mostrar algumas das alterações que fui introduzindo mas, desta pequena experiência, o que me apercebo hoje é que, não é apenas o plástico que, aos poucos se vai embora… Eu tornei-me muito mais consciente das compras que faço, evito produtos embalados em plástico, evito produtos pouco sustentáveis, evito produtos para os quais exista uma opção homemade demasiado fácil para não ser aplicada. E ganhei espaço nas minhas gavetas para utilizar com… nada! Para gozar apenas o prazer de ter espaço, espaço esse que me permite dispor os meus produtos de forma a poder ver, num glance, tudo o que tenho e assim usar tudo o que tenho. Esta é também um atitude sustentável.

Trying to eliminate the plastics of our day to day can be overwhelming! Just think of a morning routine, for example, the act of brushing your teeth … Plastic toothbrush, toothpaste in plastic packaging (if it is a whitening toothpaste it probably has plastic abrasive particles), plastic fiber dental floss in plastic packaging… Well… When we realize it, everything comes in plastic packaging. The overwhelming feeling that this change is not possible hits us! It’s the first thing that happens. We get discouraged by the overwhelming sensation.
I confess, when it hits me, I thought I could not make much progress, but then I thought this does not have to be done overnight, right? Besides it seems impossible to get plastic free at the drop of a hat, haste is enemy of perfection and neither of us wants to make more bad choices.
So today I share with you the first steps I made on this low impact plastic journey!

Firstly I decided to chose an area to start and gradually I will move from area to area. So, I decided to start with my bathroom. The first thing I did was empty all my drawers and packed everything in one place (Is this a little Konmary trend??). This gave me the notion of the amount of things I had at home (and, to clarify, I do not consider myself an accumulator, at all). The first impact is crushing: “Is this all in plastic bottles?” and “hey… do I have and use all this?” The answers were: “Yes, all of it cames in plastic bottles”, “yes, I have” and “no, I do not use all this!”. Therefore, my second step was eliminate the products that expired (I emptied them and put the package into the recycling bin). Then I looked at what was left and put aside all the products I did not use (either because they did not work for me, or because they came as offers or gifts) and distributed by people I know who use them. Finally, with just a few products in hand, I analyzed each one and tried to find an alternative without plastic. But before actually making the exchange for a product without plastic, I consciously used all the product I had until its very end. This is a common mistake: the anger of having so much plastic around us makes us want to throw everything we have and substitute it for more sustainable options at one glance. But this behavior is incredibly unsustainable! We should always use what we have before making the switch. I am still using up several products, off course! That’s why this doesn’t happen overnight! Do not despair: I am using this time to learn. And since then I have been increasingly adopting more and more products without plastic, one day at a time.

The image shows some of the things I have already started to change or that I want to change to a more sustainable/plastic free option: bath gel, shampoo, conditioner, exfoliant, bath sponge, deodorant, swabs, body moisturizing cream, face cream, tonic, cleansing disks, toothbrush, toothpaste, dental floss, make-up remover, hand soap, hair mask, face mask, lipstick, hair removal blade. For now these are the items on my list, but there are others that will sooner or later start to change too.

From now and then I will show you some swaps I have made. But from this little experiment, I already realize that it is not only the plastic that slowly goes away… I have become much more aware of the purchases I make: I avoid plastic but also other types of unsustainable options, products for which there is a homemade option too easy not to be applied, and I understand minimalism a bit better (I am not a minimalist though): I have so much space in my drawers these days and I can use to… nothing! To enjoy the pleasure of having the space that allows me to dispose my products so that I can see, in a glance, everything I have and so use everything I have. This is also a very sustainable attitude.

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The birth of a compromise…

Esta ilustração é da Tan Xi, uma artista e ilustradora que mistura o humor irónico e brincalhão com as realidades da poluição do oceano. Podem ver o seu lindo trabalho no website: http://www.messymsxi.com. | This illustration is by Tan Xi, an artist and illustrator that mixes wry, playful humor with the realities of ocean pollution. You can access her beautiful work through her website: www.messymsxi.com.

Vou contar-vos mais uma história: eu considero-me uma pessoa “sensível” mas, por norma, não chego ao ponto de chorar como uma madalena nos filmes, sobretudo se não estiver no “meu ambiente”. Nem em filmes, nem em documentários de natureza porque os problemas ali apresentados já são, geralmente, do meu conhecimento prévio e vou preparada para ver as coisas… Mas quando vi o documentário “A Plastic Ocean“, e mesmo sabendo o que poderia encontrar, eu desatei a chorar… Não foi pelo choque de ver o que via: aves a morrer à fome com o estômago cheio, redes fantasma a ferirem mamíferos marinhos, escovas de dentes atravessadas em bocas de peixes, sacos de plástico a serem confundidos com medusas pelas tartarugas… Tudo isso é duro, é certo. Mas eu chorei não pelo choque da situação impotente que sentia em relação aqueles seres vivos que estão a cada segundo a ser afectadas pelos plásticos no oceano, mas sobretudo porque em tudo eu via a minha escova de dentes, a minha garrafa, o meu saco de plástico, os meus cotonetes… Senti-me responsável. Naquele momento, aquele documentário era uma mensagem pessoal, muito pessoal. Esmagou-me um enorme sentimento de culpa. Se nem sempre o choque nos move, porque por vezes até nos paraliza, desta vez, gerou o compromisso de mudar aquilo que já antes me fizera sentir tão mal comigo mesma.

Como vos falei na semana passada, o meu desafio para 2019 (e 2020) é reduzir o lixo que produzo, nomeadamente a quantidade de plásticos que invade todos os dias a minha vida. As Nações Unidas estabeleceram 17 metas para o desenvolvimento sustentável para implementar até 2020 e entre as várias tarefas que temos em mãos está a redução drástica dos plásticos no planeta. Eu quero fazer a minha parte.
E daqui partilho convosco uma perspectiva que representa, não apenas a minha opinião pessoal, mas também a minha experiência profissional na área da comunicação da ciência em biodiversidade e ambiente.
Muitas vezes estas estratégias nacionais e internacionais parecem-nos todas muito bem, grandiosas, fortes, importantes. Olhamos para elas e dizemos “Sim Sr!” Vemos questões como o “aquecimento global” ou os “organismos em vias de extinção” e pensamos: “bem, isto é terrível” e educamos a nossa consciência, sensibilizamos as nossas crianças para defender a protecção da natureza… mas raramente mudamos o que quer que seja no nosso dia-a-dia. E quando alguém nos atira isso à cara reagimos: “Mas o que é que eu posso fazer? São as grandes empresas que fazem a maior parte do lixo e que destroem as florestas!” O peso da globalidade torna os objectivos avassaladores e incompreensiveis e a nossa atitude só demonstra que tão pouco temos noção do que realmente podemos fazer de importante para travar este tipo de problemas.
O que é que o cidadão comum pode fazer para travar o aquecimento global ou a extinção das especies? Estamos a cada dia mais longe da natureza e essa desconexão retira-nos compreensão: perdemos quer a noção do impacto do nosso dia-a-dia na natureza quer das acções concretas na resolução dos principais problemas ambientais. É tudo indirecto: há uma série de intermediários que nos lavam os olhos dos verdadeiros impactos das nossa rotinas, que nos desligam das nossas próprias acções, que nos iludem da ausência de responsabilidade. A grande conclusão, porém, é que não há dúvida de que os problemas globais têm origens locais (até individuais) e portanto é fácil compreender que as soluções para esses problemas globais sejam também locais (e individuais). Nós somos responsáveis, mas é certo que em muitos temas, já perdemos a completa noção da nossa ligação com eles e é difícil definir acções do dia-a-dia.

O que eu gosto nas metas para o desenvolvimento sustentável das Nações Unidas é que, pelo menos em algumas, eu sinto que é muito fácil para todos, todos nós, percebermos o impacto directo das nossas acções no problema e implementar rotinas diárias para contribuir na sua resolução. Uma delas é a questão da redução dos plásticos no mundo e em especial nos oceanos. Esta é uma questão em que todos nós conseguimos ver o impacto que temos: basta tomar consciência da quantidade de lixo que fazemos ao regressar das compras. Em segundos enchemos um saco de papel e plástico que convictamente, alguns de nós, colocamos na reciclagem… Reparem: o problema já não são só alguns gráficos de temperatura que ninguém compreende ou a subida, quase imperceptível para nós, do nível do mar… Aqui o problema é a garrafa de plástico que eu comprei, a embalagem de biscoitos que desembrulhei (e que tinha um filme de plástico, uma embalagem de cartão e um suporte de plástico onde encaixam 8 singelas bolachas…8) que provavelmente não são sequer muito saudáveis para o meu organismo. É o meu fio dentário, a embalagem da fruta, o saco de passear o cão, a cuvete da carne, a tampa do desodorizante, as lâminas de barbear. São coisas em que eu toco todos os dias e que, dia sim, dia sim, vão produzir a imensidão de plásticos e microplásticos que invadem a cadeia alimentar na qual eu própria estou inserida.
Todos os anos oitenta milhões de toneladas de plástico (garrafas, embalagens e outros resíduos) são lançados no oceano colocando em causa a vida marinha e entrando na cadeia alimentar. Com este ritmo, teme-se que, em 2050, os oceanos terão mais plásticos do que peixe. Fomos nós que criamos o problema, pelo que a solução está também nas nossas mãos.
Por esta razão eu resolvi estabelecer as minhas próprias metas, pelo menos para 2019, embora eu queira prolongar esta mudança de hábitos pelo menos até 2020.

Durante este ano eu quero:

* Testar 52 alternativas “zero plástico”
* Dessas alternativas, 22 irei implementar até ao dia 22 de Abril de 2019, o dia da Terra.
* Participar no Plastic Free July
* Ver os documentários: Plastic Paradise; Straws Film; Bag It; Trashed; Plastic China; Wasteland; Garbage Island: An Ocean Full of Plastic; Tapped; Clean Bin; No Impact Man: The Documentary
* Ler o livro “Desperdício Zero” da Bea Johnson

Este é o meu desafio para 2019 e vou fazer questão de vos colocar a par de todas estas coisas, tal como fiz com o meu Nature Journal durante 2018 (cujo resultado quero partilhar em breve!).

I’ll tell you one more story: I consider myself a “sensitive” person but as a rule, I do not go so far as to cry in the movies, especially if I’m not in “my environment”. Neither in films nor in documentaries about nature because the problems presented there are usually of  my prior knowledge and I am prepared to see things…. But when I saw the documentary “A Plastic Ocean“, and even knowing what I could find, I started to cry… It was not the shock of seeing what I saw: birds starving to death with a full stomach, ghost nets hurting marine mammals, toothbrushes pierced in fish mouths, plastic bags swallowed by turtles like a jellyfish… All of this is hard, that’s for sure. But I cried not because of the shock of the helplessness I felt in relation to those living beings who are affected by the plastics in the ocean, but above all because I saw my toothbrush, my bottle, my plastic bag, my cotton buds… I felt responsible. At that moment, that documentary was a personal, very personal message. A great sense of guilt overwhelmed me. If the shock does not always move us, because sometimes it paralyzes us, this time, it caused a commitment to change what had already made me feel so bad about myself.

As I told you last week, my challenge for 2019 (and 2020) is to reduce the waste I produce, namely the amount of plastics that invades my life every day. The United Nations has set 17 sustainable development goals to implement by 2020 and, among the various tasks we have at hand, one is the drastic reduction of plastics on the planet. I want to do my part.
And from here I share with you a perspective that represents not only my personal opinion but also my professional experience in the area of science communication in biodiversity and environment.
Often these United Nations, national or international goals and strategies seem to us all “very well”, “great”, “strong”, “important”. We look at them and say “Yes Sir!” We see issues such as “global warming” or “endangered species” and we think “well, this is terrible!” and we educate our conscience, we make our children aware of the protection of nature… but we rarely change a single thing in our day-to-day life. And when someone throws it out to our face we react, “But what can I do? It’s the big companies that do most of the garbage and destroy the forests!” The weight of globalization makes these objectives overwhelming and incomprehensible, and our attitude only demonstrates that we have very little sense of what we can really do to tackle these kinds of problems.
What can the average citizen do to stop global warming or the extinction of species? We are more and more far from nature, and this disconnection removes us from understanding: we lose both the notion of the impact of our daily lives on nature and the concrete actions in solving the main environmental problems. It is all indirect: there are a series of intermediaries that wash our eyes of the true impacts of our routines, which disconnect us from our own actions, which deceive us of the absence of responsibility. The great conclusion, however, is that there is no doubt that global problems have local (even individual) origins and therefore it is easy to understand that the solutions to these global problems are also local (and individual). We are responsible, but it is certain that in many subjects we have already lost the complete notion of our connection with them and it is difficult to define daily actions.

What I like about the United Nations sustainable development goals is that at least in some I feel it is very easy for everyone, all of us, realize the direct impact of our actions on the problem and implement daily routines to contribute to its resolution. One of them is the issue of reducing plastics in the world and especially in the oceans. This is an issue where we can all see the impact we have: just be aware of the amount of junk we do when returning from shopping! In seconds we fill a bag with paper and plastic, that we, some of us, put in the recycling bin… Please note: the problem is no longer just some temperature graphs that no one understands or the rising of the sea level (almost imperceptible for our daily life)… Here the problem is the plastic bottle that I bought, the packaging of cookies that I unwrapped (and that had a plastic film, a cardboard carton and a plastic holder where they fit just 8 cookies…8!) which probably are not even much healthy for my own body. It is my dental floss, the fruit packaging, the dog walking bag, the meat cuvet, the deodorant cap, the razor blades. These are things I touch every day and that will produce the immensity of plastics and microplastics that invade the food chain in which I, myself, am inserted.
Eighty million tons of plastic (bottles, packaging and other waste) are thrown into the ocean each year, putting marine life into danger and entering the food chain. At this rate, it is feared that by 2050, the oceans will have more plastics than fish. It was us who created the problem so the solution is also in our hands.
For this reason I have decided to set my own goals, at least for 2019, although I want to extend this change of habits at least until 2020.

During this year I want to:

* Test 52 “zero plastic” alternatives
* Among these, I will implement 22 until April 22, the Earth Day.
* Participate in Plastic Free July
* See the documentaries: Plastic Paradise; Straws Film; Bag It; Trashed; Plastic China; Wasteland; Garbage Island: An Ocean Full of Plastic; Tapped; Clean Bin; No Impact Man: The Documentary
* Read the book “Zero Waste Home” by Bea Johnson

This is my challenge for 2019 and I will be happy to share with you all these things, as I did with my Nature Journal during 2018 (I will share the Nature Journal final result soon!).

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A low plastic tide…

Peça de Bonnie Monteleone. Bonnie Monteleone é uma investigadora que recolhe plástico marinho em todo o mundo. É também uma artista talentosa que transforma alguns dos plásticos que coleciona em obras de arte. / Art by Bonnie Monteleone. Bonnie Monteleone is a researcher who collects marine plastic globally. She is also an accomplished artist, by turning some of the plastic she collects into modern artistic masterpiece

Eu sou bióloga e há muito tempo que a questão dos resíduos que produzo no meu dia-a-dia são uma grande preocupação para mim. A época do Natal sobretudo, deixa-me sempre com o sentimento de que estou a ser hipócrita. Ouvimos o tempo todo que “amar a família não é sobre oferecer presentes…. é sobre cuidar”. E “cuidar” foi a palavra que escolhi aplicar este ano.

Todos nós sabemos e mais ou menos conscientemente vamos tentando interiorizar este “clichê” e damos a volta ao literalmente associado, ao mínimo indispensável. Mas não podemos esquecer que, como este planeta é a nossa casa, e cada ser vivo é nosso parente, nosso irmão, não me parece que fecharmos os olhos ao estado incontrolado dos contentores do lixo e da reciclagem no dia 25 e 26 seja um acto de amor. Na verdade eles só representam de forma momentânea e acentuada aquilo que se passa diariamente mas mais espalhado no tempo. Quem nunca ficou chocado pela quantidade de plástico e papel que se faz unica e exclusivamente quando chegamos a casa vindos do supermercado? É certo que “salvamos a nossa consciência” enchrendo o contentor da reciclagem, convencidos de que isso nos coloca acima do vizinho que não separa. É certo que os lixeiros, mais cedo ou mais tarde, os irão levar e “o que os olhos não vêm… o coração não sente”. É certo que depressa o interior da nossa casa fica limpo e arrumado e nos sentiremos bem outra vez… Mas será que a solução para a felicidade é a ignorância, a ilusão? A nossa vida é tão curta: dizem que um artista só morre quando, pela última vez, a sua peça é apreciada ou lembrada… eu creio que talvez hoje em dia, a nossa vida seja mais longa, não pelos anos que vivemos ou pelas obras que criamos, mas pelas centenas de anos que o lixo que produzimos continua a “viver” depois de nós desaparecermos… A primeira escova de dentes que deitei ao lixo quando tinha apenas 1 ano ainda “vive” e vai “viver” depois de mim, algures num aterro, algures no mar, algures no trato digestivo de um corvo marinho, de um atum ou de uma baleia. Eu, logo eu, que nasci para os comtemplar, comporto-me como se não os amasse. Faço de conta que não sei, varro o chão da cozinha e faço o meu aspirador engolir o pó. E pronto… o problema “desaparece” da minha cabeça… mas nunca do meu coração.

Este ano então eu refleti e muito embora já tenha feito algumas tentativas para um dia-a-dia, férias, Natal mais sustentável, feito à mão, aos ritmos das estações, com materiais naturais, creio ter compreendido durante os últimos meses que não tinha feito um compromisso. E o conhecimento, a sabedoria sem compromisso é como aquela toalha de linho guardada e que nunca foi usada: tem muito potencial, mas está desperdiçado porque não é útil, não serve para o papel para que foi feita, nem para outro qualquer e portanto não reflete atitudes nem comportamentos. Não serve para nada, é tão hipócrita como os contentores do lixo, no dia a seguir ao Natal ou quando eu regresso das compras. E eu, tal como todos nós, desvio o olhar…

Estamos em Janeiro e todos sentimos algum impulso para novos desafios. Já vos confessei que Setembro é para mim o momento de pensar fora da caixa e iniciar novos projectos. E não vos vou iludir: foi mais ou menos nessa altura que este pensamento se iniciou no meu interior e quando dei por mim a emergir numa autÊntica investigação sobre o assunto, um acto de auto-conhecimento e sensibilização pessoal que hoje me leva a querer implementar um desafio novo. Este ano um dos meus grandes objectivos vai ser de reduzir o plástico na minha vida e com isso uma grande percentagem do lixo que faço, que fazemos, diariamente porque felizmente não estou neste desafio sozinha.

No meu próximo post vou mostrar-vos as metas deste desafio que pretendo prolongar até 2020.

I am a biologist and I have long been concerned about the waste that I produce in my day-to-day life. The Christmas season, especially, leaves me with the feeling that I’m being hypocritical. We hear all the time that “loving the family is not about offering gifts…. it’s about caring.” And “care” is the word I chose to apply this year.

We all know and, more or less consciously, we try to internalize this “cliché” and but only do the indispensable minimum. But we must not forget that since this planet is our home, and every living being is our relative, I do not think that closing our eyes to the uncontrolled state of the garbage and recycling containers on the 25th and 26th is an act of love. In fact they only represent in a short moment, an accentuated moment, of what happens daily but more spread in time. Who has never been shocked by the amount of plastic and paper that is made when we come home from the supermarket? It is true that “we save our conscience” by filling the recycling bin, convinced that this puts us above the neighbor that does not separate. For sure the garbage collectors, sooner or later, will take them away from our eyes and “what the eyes do not see… the heart does not feel”. It is true that soon the interior of our house is clean and tidy and we will feel good again… But is ignorance or illusion our solution to happiness? Our life is so short: they say that an artist only dies when, for the last time, his piece is appreciated or remembered… I believe that today, our life will be longer, not for the years we live or for the work that we have created, but for the hundreds of years the garbage we produce continues to “live” after we disappear… The first toothbrush I threw away when I was only 1 year old still “lives” and will “live” after me, somewhere in a landfill, somewhere in the sea, somewhere in the digestive tract of a cormorant, a tuna, or a whale. I was born to contemplate them but behave as I did not love them. I pretend I do not know, sweep the floor of my kitchen and have my vacuum cleaner swallow the dust. And that’s it … the problem “disappears” from my head… but never from my heart.

During the end of 2018 I reflected and, although I have already made a few attempts for more sustainable Christmas and daily life, handmade, to the rhythms of the seasons, with natural materials, I think I understood during the last months that I did not have made a commitment. And knowledge, wisdom, without compromise is like that linen towel that has been stored and never used: it has a lot of potential, but it is wasted because it is not useful, it does not play its role. It’s, again, a wasted potential, and therefore does not reflects attitudes and behaviors. It’s no good, it’s as hypocritical as the trash bins the day after Christmas or when I return from shopping. And I, like all of us, I look away…

So, this is January and we all feel some momentum for new challenges. I have already told you that September is for me the moment to think outside the box and start new projects. And I will not deceive you: it was around this time of the year that this thought began inside me and when I found myself emerging in an authentic investigation on the subject, during an act of self-knowledge and personal awareness that today leads me to want to implement a new challenge. This year one of my big goals is to reduce the plastic in my life and a large percentage of the garbage we make (because fortunately I’m not in this challenge alone).

In my next post I will show you the goals of this challenge that I intend to extend until 2020.

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Workshop on… small goals!

(scroll for the English version)

 

Como vos falei no último post, este fim de semana liderei um workshop sobre coroas de Natal feitas à mão com materiais naturais no MyNinho, da Ana Paula.

 

Devo dizer que estava receosa porque não sabia o que eu poderia ter para oferecer… tudo o que faço aqui aprendi de forma autodidata e não me considero especialista em nada. A única coisa em que me tornei especialista foi em colocar mãos à obra e em gerir bem os projectos em que me envolvo.

 

Ouço vezes sem conta as pessoas dizerem “não tenho jeito”, “não sei fazer” e fico a pensar se este dom que tenho seja um talento e não mais do que isso. Mas é então que olho para trás e começo a refletir no caminho que fiz até agora: este blog é, sem sombra de dúvidas, o repositório das minhas evoluções, dos meus progressos naqueles que são os projectos em que eu não sou, de todo, especialista. Isto de “ter jeito” é algo que requer alguma sensibilidade é certo, mas muito do que está por trás do sucesso é a versão mais genuína do trabalho: a prática, o empenho e a dedicação. Se muitas vezes achamos que no nosso meio profissional as coisas não são tão literais, se eu pensar nos pequenos e grandes projetos que fiz aqui, convosco, a maior parte das vezes a regras do jogo são sempre as mesmas: 99% de transpiração e 1% de inspiração. A inspiração pode, porém ser determinante no trabalho e parecer 200%, enquanto os 99% de transpiração envolvem alguma organização e gestão que, se bem conduzida e prazerosa, nos parece apenas 2%. Qualquer um de nós se sente esmagado por um grande projecto no qual não tem qualquer experiência. Mais ainda se ele requer algum investimento a diversos níveis. O primeiro instinto é dizer precisamente que não temos jeito. Isso acontece porque estamos a sair da nossa zona de conforto! Mas não há nada que não se faça: basta transferir a energia envolvida nesse receio todo em dividir o desafio em pequenas metas e depois fazer uma de cada vez, tal como um bebé que aprende a caminhar.

 

Ora neste workshop, mais do que fazer uma série de coroas de Natal (e outras nem tanto…) o importante para mim foi passar esta mensagem às minhas queridas “alunas”: procurar inspiração, desconstruir o projecto em partes e por fim em materiais. Uma espécie de engenharia inversa que torna qualquer grande desafio em simples metas alinhadas como um colar de contas. Foi um grande prazer para mim, gostava muito de voltar a ensinar workshops!

 

As I told you in the last post, this weekend I led a workshop on handmade Christmas wreaths made with natural materials, in Ana Paula’s MyNinho.

 

I must say: I was afraid of the challenge because I did not know what I could have to offer… everything I do here I learned in a self-taught way and I do not consider myself an expert at anything. The only thing I have become a specialist in is putting my hands to work and managing well the projects in which I am involved.

 

I often hear people say “I can’t do this”, “I do not know how” and I wonder if this gift I have is a talent and not more than that. But it is then that I look back and start to reflect on the path I have taken so far: this blog is, without a doubt, the repository of my evolutions, my progress in those projects that I am not, at all, a specialist. This “know how” is something that requires some sensitivity, for sure, but much of what is behind success is the most genuine version of work: practice, commitment and dedication. While we often find that in our professional environment things are not so literal, if I think about the small and big projects I have done here, with you, most of the times the rules of the game are always the same: 99% perspiration and 1% inspiration. Inspiration can, however, be so decisive that seem like having 200% impact, while 99% perspiration can be so enjoyable that seems to us only 2% of the pack. Everyone feels crushed by a major project in which we have no experience. Even more if it requires some investment at various levels. The first instinct is to say precisely that we can’t do it. This is because we are coming out of our comfort zone! But there is nothing that can not be done: just transfer the energy involved in this fear into splitting the challenge into small goals and then go into one at a time, just like a baby who learns how to walk.

 

Well, during this workshop, more than making a number of Christmas wreaths (and some not so much christmas…), the important thing for me was to pass this message on to my beloved “students”: to seek inspiration, to deconstruct the project in parts and finally in materials. A kind of “reverse engineering” that turns any big challenge into simple goals aligned like a beaded necklace. It was a great pleasure for me, I really enjoyed teaching and hope to teach workshops again!
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