My new painting adventure

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Não sei se já visitaram o meu portfólio, este post ou este. Pintar tem sido algo que vem crescendo cá dentro mas minha relação com a pintura nem sempre é simples, por vezes vai e vem e é muito afectada pela forma como me sinto acerca de mim mesma.
Recomecei a pintar há cerca de dois anos, após quatro anos sem praticamente pegar num pincel. Tive quem me encorajasse a voltar a fazê-lo e tinha algum tempo extra em mãos que podia dedicar a explorar com mais confiança a artista que dormitava aqui dentro. Despertá-la novamente implicou um acto de alguma coragem para mim: não só porque eu me sentia enferrujada mas porque o acto de criar obriga-nos a abrir-nos um pouco mais. As obras não são só nossas e expõem a nossa forma de ver o mundo. Num mundo em que a invasão interior é grande, e que o respeito pela individualidade é cada vez menor, este exercício traz consigo consequências. E eu, bom, eu sou uma introvertida.
Uma das dificuldades que senti ao recomeçar foi sistematizar o que sabia. Ha alguns anos atrás tive aulas particulares com um pintor que me foi passando, de forma mais ou menos livre o seu saber mas para quem prevalecia sobretudo o valor da experiência. Eu explorava as técnicas, inventava formas de trabalhar e este método permitiu-me criar alguma intuição no meu trabalho. Mas por outro lado esta forma meio sensorial de pintar falhava em duas coisas: eu estava confinada aos limites que eu própria estabelecia, raramente explorando aquilo que simplesmente não passava por mim. E, por outro lado não me dava a confiança para dizer “eu pinto” e considero-me uma pintora. Eu sabia que havia algo cá dentro mas que tinha dificuldade em assumir. Fiz algumas boas descobertas sozinha e com o empurrão de algumas pessoas e oportunidades que me foram aparecendo, criei as minhas preferências para temas, técnicas mas sobretudo apercebi-me das minhas limitações.

Este ano, depois dos meus progressos no meu nature journal e já a caminho do fim desse desafio de fazer uma página do meu nature journal por semana, e ainda que já bastante assoberbada por alguns projectos pessoais, resolvi criar mais um pouco de entropia a este sistema frágil e inscrever-me num curso de pintura na faculdade de belas artes. Não sei onde estava com a cabeça mas eu queria muito fazê-lo. Este é sem duvida um assunto que, tal como o nature journal, gostava de explorar aqui. Não com uma regularidade fixa mas conforme for sentindo que tenho algo a partilhar convosco.

A minha primeira aula foi sobre o básico: círculo cromático, cores primárias, secundárias, terciárias, complementares, pretos… aparentemente nada de novo, como seria de esperar de um curso que começa desde o mais básico princípio. Em guache… eu nunca tinha apreciado guache nem tintas acrílicas. Secam rápido e têm um arome pouco orgânico… e eu sou lenta e gosto da água e do cheiro quente do óleo de linhaça. Até que, como “trabalho de casa”, me foi sugerido fazer um exercício de degradê entre cores primárias, passando, naturalmente, pelas cores secundárias. Foi um exercício muito marcante para mim… eu não podia acreditar que o guache pudesse ser tão vibrante e que a quantidade de cores interessantes que me apareciam lentamente por acrescentar mais uma pontinha de cor à mistura anterior era tão empolgante. Descobri as cores mais bonitas de sempre, percebi que gosto muito de escarlate, aquele quase a virar para o rosa, e que para fazer um azul petróleo perfeito, cintilante é preferível juntar uma pitada de amarelo ao azul em vez de comprar mais uma cor na loja de artes… porque o pigmento do amarelo se nota e muito no brilho, no tom e na temperatura da cor.

Na segunda aula eu descobri que ainda não me dou bem com o guache e a sua pressa mas, mas felizmente houve bastante tempo para o compreender: as espessuras possíveis, as sobreposições de cor, a sua intensidade. À medida que adicionava água, a tinta ia-se comportando como uma aguarela… eu começava a aproximar-me de algo conhecido. Mas foi precisamente nessa altura que eu notei uma grande diferença. Ao contrário da tinta espessa que é vibrante e intensa, quando guache fica diluído, como uma aguarela, as cores tornam-se mais mais “apagadas”. Como quando se mistura branco na aguarela… meio opacas. Na aguarela, eu posso adicionar água a um vermelho e ele mantém-se vermelho. O que eu notei foi que, se adicionar agua a um vermelho até ficar com a espessura de uma aguarela e cada vez mais diluído, o vermelho perde força e fica meio cor de rosa. E foi já no fim da aula, quando a professora explicou a constituição do guache, que comprendi que a grande diferença é que o guache é tradicionalmente constituído pela goma arábica e pigmento colorido, tal e qual como a aguarela, (entre outros constituintes secundários) mas é-lhe ainda acrescentado pigmento branco que lhe fornece o caracter opaco. Quantidade desse pigmento é moderada e não lhe retira a força da cor quando a tinta é espessa. Mas, pelo menos na minha humilde opinião, o pigmento branco é como um segredo que se descobre quando, aos poucos se dilui o guache mais e mais…

I don’t know if you have visited my portfolio, or even read this or this post. Painting has been something that has been growing inside me but my relationship with it was not always simple, sometimes it comes and goes and it is very affected by the way I feel about myself.
I started painting again about two years ago, after four years not handling a brush. I got some encouragement to do it again… and had some extra time in my hands that I could dedicate exploring more seriously the artist sleeping inside me. Awakening her again was an act of courage for me: not only because I felt rusty but because the act of create involves some difficult opening. The work you do is not only ours and it expose, sometimes too clearly, our way of seeing the world. In a world where the inner invasion is huge, and the respect for individuality is diminishing, this exercise carries with it some consequences. And I, well, I’m an introvert.
One of the challenges I had when starting over was to systematize what I knew. A few years ago I had some private lessons with a painter who passed me, more or less freely, his knowledge. For him it was the experience that prevailed. I explored the techniques, invented ways to work with them and this method allowed me to create some intuition in my work. But on the other hand this “sensory” way of painting failed in two things: on one hand I was confined to the limits that I established for myself, I simply didn’t explore what didn’t came to me. And on the other hand I ended without the confidence to say “I paint” and I consider myself a painter. I knew there was something inside but I had difficulty taking it as seriously as it could be. Don’t get me wrong: I made some good discoveries on my own and with the push of some people that encouraged me and even because of the opportunities that appeared to me. I created my preferences for themes, techniques but above all I realized my limitations.

This year, after my progress in my nature journal, and on the way to the end of this challenge of making a page of my nature journal per week and despite already quite overwhelmed by some personal projects, I decided to create a little more entropy to this frail system and enroll a painting a course at the university fine arts college. I do not know where I was headed, but I really wanted to do it. This is undoubtedly a subject that, like my nature journal, I would like to explore here. Not with a this tight regularity but as I feel I have something to share with you.

My first lessons were on the basics: chromatic circle, primary, secondary, tertiary, complementary, black… seemingly nothing new, as you would expect from a course that starts from the most basic principles. In gouache… I had never enjoyed gouache or acrylic paints. They dry fast and have a little organic arome… and I’m slow and like the water and the warm smell of linseed oil. Until I get home and did my homework. I was suggested to do a gradient exercise between primary colors, passing, of course, by the secondary colors. It was a very striking exercise for me … I could not believe that the gouache could be so vibrant and that the amount of interesting colors that slowly appeared to me by adding another tip of color to the previous mixture was so exciting. I discovered the most beautiful colors ever, I noticed that I really like scarlet, that red almost turning to pink, and that to make a perfect, sparkling teal it is preferable to add a dash of yellow to blue instead of buying one more color in the art store… because the yellow pigment shows and much in brightness, tone and color temperature.

In the second class I discovered that I still do not get along with the gouache and its hurry temper, but fortunately there was plenty of time to understand it: the possible thicknesses, the color overlays, the intensity. As I added water, the paint would behave like watercolor… Perfect! I was beginning to approach something I know! But it was precisely at this point that I noticed a great difference from watercolor. Unlike the thick paint that is vibrant and intense, when gouache gets diluted, like a watercolor, the colors become more “erased”. Like when mixed white in watercolor … it gets “opaque”. What I mean is that, in watercolor, I can add water to a red and it stays red no matter how many water I add. What I noticed was that, with guache, if you add water to a red until you get the thickness of a watercolor and keep adding more water, the red loses it strength and becomes a little more “pinkish”. I was truly intriged… It was only at the end of the lesson, when the teacher explained the constitution of the gouache, that I understood something that might justify it. So, the great difference is that gouache is traditionally constituted by gum arabic and colored pigment, just like watercolor (among other secondary constituents) plus a bit of white pigment that gives it the opaque character. Ta-da! Well, the amount of this pigment is moderate and does not take away the strength of the color when the paint is thick. But, at least in my humble opinion, the white pigment is like a secret that is discovered when you slowly dilute the gouache more and more…

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DIY chalkboard: “Be our guest!”

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Eu gosto de receber bem. Acredito que faz muita diferença quando os nossos anfitriões nos fazem sentir em casa, confortáveis. Sair do nosso espaço pessoal, ainda que seja por razões de lazer, cria sempre uma pequena agitação por isso, sermos recebido num espaço confortável e acolhedor faz muita diferença na nossa atitude para com a experiência em questão quer seja ela de lazer, profissional ou outra. Nós temos um pequeno quartinho com diversas funções e que é também onde recebemos os nossos amigos sempre que vêm para ficar connosco. É um quarto decorado de forma muito simples mas ao qual eu queria dar uma pontada de conforto. Então, e em vez de acrescentar mais uma das minhas pinturas ao espaço (que também é muitas vezes usado para pintar, resolvi inspirar-me na onda DIY e dar uma volta a uma moldura básica do IKEA e transformar-a num quadro de giz onde posso personalizar uma mensagem para aqueles que nos vierem visitar.

Comprei esta moldura a um preço muito convidativo e, como queria que fosse o ponto de interesse na parede, optei pelo maior tamanho disponível: 50cm x70 cm. Usei o vidro para usar como paleta, base de secretária, entre outros usos e dei uso aquela placa de contraplacado que geralmente fica nas costas das molduras. Em primeiro lugar lixei-a um pouco com lixa de pintor para que ficasse o mais macia possível para receber tinta. Depois pintei-a com três demãos de tinta “chalkboard” ou tinta de ardósia disponível em lojas como o AKI ou semelhantes. Por fim, quando a placa ficou bem seca, passei uma camada de giz, um processo chamado de “seasoning” que serve para fazer com que o giz entre nos poros da tábua e, ao apagar, fique com o aspecto dos quadros de giz antigos.
E por fim dei asas à imaginação para escrever no meu novo quadro de giz! Mais, ele combina bem com as minhas almofadinhas de cheiro “Tide Pool” que eu usei para aromatizar as gavetas do quarto de hóspedes.

O interessante neste quadro é podermos adaptar o que escrevemos às pessoas que vamos receber para que se sintam especialmente bem recebidas. Mas nos momentos em que não tenho hóspedes, a frase que costuma lá estar escrita é “Be our guest!”, a famosa música cantada pelo Lumière, o candelabro do filme “ A Bela e o Monstro” da Disney, aquele que é o meu absoluto favorito de tooooodos os filmes de animação da Disney!

Nota: Por falar nisso, devo confessar que o filme “live-action” foi uma desilusão para mim a vários níveis. Por exemplo, apesar de gostar muito muito do trabalho da Emma Watson, acho que não que não foi a escolha perfeita para o filme… que pena!

I like to be a good host. I believe it makes a lot of difference when our hosts make us feel at home, comfortable. Getting out of our personal space, even for leisure reasons, always creates a small agitation so, being welcomed in a comfortable and welcoming space makes a lot of difference in our attitude to the experience in question whether it is leisure, professional or other. We have a small room with several functions and that is also where we receive our friends whenever they come to stay with us. It is a room decorated very simply but to which I wanted to give a touch of comfort. So, instead of adding one more of my paintings to the space (which is also often used for painting, by the way) I decided to inspire myself in the DIY wave and transform a basic IKEA frame into a chalkboard where I can customize a message for those who come to visit.

I bought this frame at a very inviting price and, as I wanted it to be the point of interest on the wall, I opted for the largest available size: 50cm x70cm. I took off the glass and used it as a palette, desk base, among other things. And then I used that plywood board that usually stays behind the back of the frames to transforme it on a chalkboard. In the first place, I rubbed it with painter’s sandpaper for a bit so that it gets as soft as possible to receive the paint. Then I painted it with three coats of chalkboard paint available in several craft stores. Finally, after letting the board dry completely, I applied a layer of chalk, a process called “seasoning” that aims to infuse the board with this chalk powder so that after erasing it, it looks like an old chalkboard.
And finally I gave wings to my imagination to write in my new chalkboard! Also, it matches perfectly my Tide Pool scented cushions that I used to give a little scent to the drawers from my guest room.

What is interesting about these chalkboards for guest rooms is that we can adapt what we write to the people we are going to host so that they feel especially welcome. But when I do not have guests, the phrase that is usually written is “Be our guest!”, The famous song sung by Lumière, the chandelier from Disney’s “Beauty and the Beast”, the one that is my absolute favorite of all the Disney animated films!

Note: By the way, I must confess that the live-action film was a disappointment to me on several levels. For example, although I really reeeeeally like Emma Watson’s work, I do not think it was the perfect choice for Belle… at all.
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The Tide Pool Notebook Review

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O post de ontem já estava longo! Acho que o entusiasmo me levou e, para variar, eu deixei-me levar. Partilhar convosco as minhas motivações na escolha dos produtos da minha pequena loja online é uma espécie de prova de apreço por quem me segue e uma homenagem à minha obsessão pelo significado de todas as coisas que faço.
Hoje venho apresentar-vos outro ponto de vista: as características do meu Tide Pool Notebook. E não podia falar nisto sem, no entanto, vos falar desta espécie de coleção que estou a desenhar, baseada nas poças de maré, a “Tide Pool Collection”.

Eu sempre vivi perto do mar e, certamente que muitos dos que vivem ou viveram junto ao mar, guardam felizes memórias de infância a explorar as poças de maré quando a maré baixa nos deixava descobrir os tesouros que o mar alto trouxe, de novidade, à zona intertidal. Tal como muitos de vocês, eu lembro-me de explorar as poças à procura de caranguejos, estrelas do mar, algas de cores inesquecíveis e até dos famosos vidrinhos da praia. Há todo um quadro à volta desta recordação que me inspirou a desenhar esta colecção e, em especial, estes pequenos cadernos.
Desde a capa, salpicada com as cores que me recordam o borrifar das ondas que me traziam à face a frescura das gotículas de agua salgada cheia de vida!
A brancura do papel que representa o rebentar das ondas!
Os seres vivos carimbados que me recordam as vidas infinitas que encontrava nas poças de maré, e ainda o esqueleto de um cavalo marinho que a minha mãe guardava religiosamente.
E até as costuras cruzadas que unem todas as peças e que me lembram as redes dos camaroeiros que os mais aventureiros levavam consigo para apanhar polvos.

Este caderno é uma verdadeira concentração sensorial: de texturas, cores, cheiros, imagens e sensações das minhas próprias explorações das poças de maré quando era criança.

Quanto às características do caderno, este é um caderno feito com materiais ideais para quem escreve ou desenha! Perfeito para desenhos numa pausa ao lado do mar ou para as primeiras linhas de um romance!

O caderno tem tamanho A6 e contempla 120 páginas de 90g, perfeitas para escrever e desenhar com diversos tipos de materiais como lápis de grafite, de cor, esferográficas ou canetas de tinta permanente.
A capa é dupla e feita com papel de 200g pintado à mão com aguarela profissional. A capa é ainda estampada com carimbos desenhados e feitos por mim, à mão, e tinta de linogravura!
A lombada é cosida com costuras cruzadas, o mais seguro método de costura, e que permite que o caderno abra completamente na horizontal em qualquer página. Além disso, este tipo de costura tão resistente permite que fique à vista e se usufrua do desenho intrincado criado pelo entrelaçar do fio!
O fio utilizado é de polyester. Eu prefiro sempre fio de algodão, contudo, para o efeito, um fio resistente à quebra é a melhor opção quando se prevê que a pressão gerada pelo abrir e fechar do caderno seja intensa! E para um suporte suplementar das costuras, é aplicada uma camada de cola resistente à água que comprime os blocos uns aos outros e segura as costuras.
Por fim, e mais importante de tudo, foi feito à mão, com muito carinho!

Yesterday’s post was already long! I think the enthusiasm took me away and, for a change, I let myself go. Sharing with you my motivations about my choices regarding the products on my small online shop is like an appreciation for those who follow me and a tribute to my obsession with the meaning of the things I do by hand.
Today I am writing about another point of view: the characteristics of the Tide Pool Notebook. And I could not talk about it without, however, telling you about this “collection” I’m designing, based on the tide pool exploration, the Tide Pool Collection.

I have always lived near the sea and certainly many of you who live or lived by the sea keep many happy memories of your childhood while exploring the tide pools when the low tide let us discover the treasures that the high tide brought to the intertidal zone. Like many of you, I remember exploring the tide pools looking for crabs, starfish, seaweed of unforgettable colors and even the famous rounded pieces of green glass. There is a whole picture regarding this memory that inspired me to design this collection and, especially, these little notebooks.
The cover, sprinkled with the colors that remind me of the spray drops from the waves that hit my face!
The whiteness of the paper that represents the bursting of the waves!
The stamped living beings that remind me of the endless live I found in the tide pools, and still the skeleton of a seahorse that my mother kept religiously.
And even the sewn binding that unites all the pieces and reminds me of the fish nets that the more adventurous people took with them to catch an octopus!

This notebook is a true sensorial concentration: of textures, colors, smells, images and sensations of my own explorations of the tide pools as a child.

As for the characteristics of the notebook, this is a notebook made with materials that are ideal for those who write or draw! Perfect for drawings on a seaside break or the first few lines of a novel!

The notebook is A6 sized and includes 120 pages of 90gsm, perfect for writing and drawing with various types of materials such as graphite, colored pencils, ballpoint pens or fountain pens.
The cover is double and made with 200g paper hand painted with professional watercolors. The cover is also stamped with handmade stamps drawn and linography paint!
The spine is hand stitched using the sewn binding method, the most secure book binding method, that allows the notebook to always lay flat while opened. In addition, this type of stitching is so resistant that you don’t need a hardcover to cover it so you can enjoy the intricate design created by the interlacing of the thread!
The thread used is polyester. I always prefer cotton thread but, for this purpose, a break resistant thread is the best option if you think of the pressure generated by the intense opening and closing of the notebook! And for additional support of the binding, a layer of water-resistant glue is applied to compress the blocks to each other and to hold the binding tight.
Lastly, and most important of all, it was done by hand, with lots of love and care!

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I finished my Foxy Quilt!

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Terminei o meu Foxy Quilt!

Parece mentira mas está mesmo pronto. Este quilt ainda estava a ser pesado e já se tornava muito especial. Como vos falei aqui, fui coleccionando tecidos ao longo do tempo e esperava um dia usá-los num quilt de Half Square Triangles. Mas mais do que ir de encontro a um padrão, eu queria que a sua seleccção tivesse em conta os meus gostos pessoais para que me reflectisse de alguma maneira.
Depois, durante o processo, fui percebendo que é possível aprender sempre, ainda quando achamos que usámos uma técnica simples para executar. Ouvir outras vozes experientes é essencial e relembra-nos que “nós somos” sobre ombros de gigantes e que isso é transversal. Qualquer aspecto da nossa vida. Mas é quando terminamos o quilt top que a dimensão de tudo começa ser percepcionada. É um momento muito interessante porque parece que todo o projecto dá um grande salto desde o momento em que não era mais do que um conjunto de tecidos prontos a cortar.
O quilting, por fim, dá-lhe um efeito impressionante porque torna o quilt palpável. Passa a ter textura, utilidade, dimensão e fornece o aconchego que é tudo aquilo que procuramos desde o momento em que começamos. O quilting foi um desafio porque, neste caso, resolvi acolchoar pelas diagonais o que torna o processo bem mais exigente. Foi precisa muita organização do quilt na mesa, uma sandwich muito bem feita e muita atenção a pequenas dobras nos tecidos que podem surgir durante o processo. É preciso detectá-las para podermos corrigi-las imediatamente de forma a não comprometermos todo o trabalho.
Depois de terminar o quilting, veio a minha parte favorita, a mais introspectiva: o binding. Fazer o binding não é tarefa menor quando comparada com o restante processo porque é, de todas, a parte que pode gerar mais ansiedade. Há quem se tenha rendido ao binding à máquina o que, para determinadas coisas realmente pouco importa… Mas para um quilt como este, um viés cosido à mão é como um resumo, uma análise do produto acabado e mais ainda, de todo o processo. Como quem quer terminar lentamente algo bom para que se prolongue ao menos por mais uns minutos…
Na realidade, tal como acontece com aquele excelente livro, acabar este quilt deixou-me um pouco nostálgica, como se tivesse terminado uma experiência notável… Há uma ligação directa com um objecto que torna toda a questão do despojamento absolutamente obsoleta: o uso regrado, inteligente, consciente dos recursos traz-nos ligação às coisas materiais. Mas uma ligação boa que um objecto comprado, por exemplo, simplesmente não traz. Vi-me imaginar que este quilt, estará para sempre comigo em muitos momentos da minha vida e vou poder iniciar novas histórias com ele. Mas para já, nada bate os pensamentos que correram enquanto eu o construí: desde a compra dos tecidos, durante todo o processo e até à última linha rematada.

Este quilt é uma homenagem à amizade. À verdadeira versão da amizade: não à impaciente, intolerante, invejosa, interesseira ou injusta. Mas sim à que acolhe. Comecei a coleccionar, de forma consciente, estes tecidos numa altura em que me comecei a sentir muito preenchida nas minhas amizades, incentivada pela abertura que sentia no meu coração. O tempo que decorreu até hoje ensinou-me muita coisas novas sobre a amizade e, num relativamente curto espaço de tempo, eu tornei-me uma pessoa mais madura. Este quilt conta a história desse crescimento, do estabelecimento de certezas em mim, na consolidação dos valores em que o amor se constrói. E este crescimento foi sendo reflectido à medida que fazia o quilt. Nem tudo nas amizades ao longo da minha vida foi bom e este quilt deu-me oportunidade para passar um pouco por todos esses momentos: nos bons e nos menos bons. Creio que terminar este quilt me mostrou o quanto estou madura neste aspecto, o quanto me posso amar à luz dos verdadeiros amigos que fiz ao longo de toda a minha vida e fazê-los valer para mim também, sempre que eu precisar.

Esta é a razão pela qual bordei uma pequena raposa e uma frase do livro “O Principezinho”.
Infelizmente as frases do principezinho andam na boca do mundo, toda a gente se sente eloquente por as dizer aqui e além. Achamos que somos espetaculares por acompanhar aquela selfie no Instagram com uma frase feita e que fica bem em qualquer circunstância. Há quem as use mal e até quem as diga enquanto as contraria, em simultâneo, com as suas acções. Eu não quero com isto dizer que sou diferente ou que as uso melhor, mas todo o escritor tem brio e se sente traído quando ouve as suas palavras postas em mau uso. Por essa razão eu sempre fui ponderada a usar citações deste livro que é para mim muito mais do que a famosa frase:
“foi o tempo que perdeste com a tua rosa que a tornou importante.”
É bonita sim, sem dúvida. Mas para mim está longe de ser a mais importante, como aquela música boa que a rádio revela de entre um álbum 100 vezes mais empolgante. Por essa razão ponderei muito introduzir no meu quilt mais um cliché. Procurei em todo o lado, até dentro de mim, algo que fosse conclusivo para mim sobre a amizade e o amor. E cheguei à conclusão que não conhecia nada mais bem construído do que a frase:
“somos para sempre responsáveis por aqueles que cativamos”
Assim, ainda que me possa sentir desorientada para com os aqueles que amo, terei sempre a minha bússola no meu quilt como uma prece. Espero que seja útil!

I finished my Foxy Quilt!
 

It’s really finished! I was just in the beginning of the process and this quilt was already very special. As I told you here, I collected fabrics over time and I was hoping to use them on a Half Square Triangles quilt one day. But more than commit to a pattern, I wanted that fabric selection to take account of my personal tastes or reflect me in some way.
Then, during the process, I realized that it is always possible to learn, even when we think we have used the simplest technique. Listening to other experienced people is essential and reminds us that “we are” on the shoulders of giants and that this is transversal to any aspect of our life. But it is when we finish the quilt top that the dimension of everything begins to be perceived. It is a very interesting moment because it seems that the whole project takes a big jump from the moment it was no more than a set of fabrics.
The quilting, at last, gives the project an impressive effect because it makes the palpable quilt. It gives it the texture, utility, dimension and provides the warmth that is everything we look for from the moment we start. The quilting was a challenge because, in this case, I decided to quilt through the diagonals of my blocks which makes the process much more demanding. It took a lot of organization of the quilt on my working table, a very well made sandwich and a lot of attention to the small folds in the fabrics that could come up during the process. We need to detect them so we can correct them immediately!
After finishing the quilting, I started my favorite part, the most introspective: the binding. Binding is not a small task when compared to the rest of the process because it is, of all, the part that can generate more anxiety. Some people have given up and just use their sewing machine to make the binding, which for certain things really does not matter … But for a quilt like this, a hand-stitched bonding is like a summary, an analysis of the finished product and of the whole process. Like someone who wants to finish something good very slowly so that it lasts for at least a few more minutes …
In fact, as with that excellent book, to finish this quilt left me a little nostalgic, as if I had finished a remarkable experience … There is a direct connection with the object that makes the whole question of dispossession absolutely obsolete: the intelligent and conscious relationship with our resources and processes brings us a connection to material things. But this is a good connection that, for example, a massive produced object simply does not bring. I saw myself imagining that this quilt will be with me forever in many moments of my life and I will be able to start new stories with it. But for now, nothing beats the thoughts that ran while I built it: from the purchase of the fabrics, throughout the process and to the last stitch.
 

This quilt is a tribute to friendship. To the true version of friendship: not to the impatient, intolerant, jealous, selfish or unjust. But the one that welcomes. I began to consciously collect these tissues at a time when I began to feel very fulfilled about my friendships, encouraged by the openness I felt in my heart. The time that passed until today taught me a lot of new things about friendship, and in a relatively short time I became a more mature person about it. This quilt tells the story of this growth, the establishment of certain certainties in me, the consolidation of the values in which love is built. And this growth was being reflected as I made the quilt. Not everything in the friendships throughout my life was good and this quilt gave me opportunity to spend a little time thinking about all these moments: the good and the least good. I believe that this quilt has shown me how mature I am in this respect, how much I love the true friends I have made throughout my life.
 

This is the reason why I embroidered a little fox and a quote from the book The Little Prince as a signature for my quilt.
 
Unfortunately the Little Prince’s phrases are a little bit everywhere, everyone feels eloquent for saying them here and there. We think that we are spectacular for accompanying a selfie on the Instagram with a quote and that it looks good in any circumstance. Some people use The Little Prince’s quotes badly and even there are those who say them while opposing their percepts with their actions. I do not mean by this I am different or that I use them better, but every writer is terrified and feels betrayed when he hears his words misused. For this reason I have always been careful to use quotes from this book which is for me much more than the famous phrase
 
“It’s the time you spent on your rose that makes your rose so important.”
 
It is beautiful yes, no doubt. But for me it is far from being the most important, like that good song that the radio reveals from 100 times more exciting album. For this reason I though very much about introducing into my quilt another cliché. I searched everywhere, even within myself, for something that was conclusive to me about friendship and love. And I came to the conclusion that I did not know anything better built than the phrase
 
“You become responsible, forever, for what you have tamed”
 
So even though I may feel disoriented to those I love, I will always have my compass star, my measure on my quilt as a pray. I hope it will be useful!
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