My new painting adventure

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Não sei se já visitaram o meu portfólio, este post ou este. Pintar tem sido algo que vem crescendo cá dentro mas minha relação com a pintura nem sempre é simples, por vezes vai e vem e é muito afectada pela forma como me sinto acerca de mim mesma.
Recomecei a pintar há cerca de dois anos, após quatro anos sem praticamente pegar num pincel. Tive quem me encorajasse a voltar a fazê-lo e tinha algum tempo extra em mãos que podia dedicar a explorar com mais confiança a artista que dormitava aqui dentro. Despertá-la novamente implicou um acto de alguma coragem para mim: não só porque eu me sentia enferrujada mas porque o acto de criar obriga-nos a abrir-nos um pouco mais. As obras não são só nossas e expõem a nossa forma de ver o mundo. Num mundo em que a invasão interior é grande, e que o respeito pela individualidade é cada vez menor, este exercício traz consigo consequências. E eu, bom, eu sou uma introvertida.
Uma das dificuldades que senti ao recomeçar foi sistematizar o que sabia. Ha alguns anos atrás tive aulas particulares com um pintor que me foi passando, de forma mais ou menos livre o seu saber mas para quem prevalecia sobretudo o valor da experiência. Eu explorava as técnicas, inventava formas de trabalhar e este método permitiu-me criar alguma intuição no meu trabalho. Mas por outro lado esta forma meio sensorial de pintar falhava em duas coisas: eu estava confinada aos limites que eu própria estabelecia, raramente explorando aquilo que simplesmente não passava por mim. E, por outro lado não me dava a confiança para dizer “eu pinto” e considero-me uma pintora. Eu sabia que havia algo cá dentro mas que tinha dificuldade em assumir. Fiz algumas boas descobertas sozinha e com o empurrão de algumas pessoas e oportunidades que me foram aparecendo, criei as minhas preferências para temas, técnicas mas sobretudo apercebi-me das minhas limitações.

Este ano, depois dos meus progressos no meu nature journal e já a caminho do fim desse desafio de fazer uma página do meu nature journal por semana, e ainda que já bastante assoberbada por alguns projectos pessoais, resolvi criar mais um pouco de entropia a este sistema frágil e inscrever-me num curso de pintura na faculdade de belas artes. Não sei onde estava com a cabeça mas eu queria muito fazê-lo. Este é sem duvida um assunto que, tal como o nature journal, gostava de explorar aqui. Não com uma regularidade fixa mas conforme for sentindo que tenho algo a partilhar convosco.

A minha primeira aula foi sobre o básico: círculo cromático, cores primárias, secundárias, terciárias, complementares, pretos… aparentemente nada de novo, como seria de esperar de um curso que começa desde o mais básico princípio. Em guache… eu nunca tinha apreciado guache nem tintas acrílicas. Secam rápido e têm um arome pouco orgânico… e eu sou lenta e gosto da água e do cheiro quente do óleo de linhaça. Até que, como “trabalho de casa”, me foi sugerido fazer um exercício de degradê entre cores primárias, passando, naturalmente, pelas cores secundárias. Foi um exercício muito marcante para mim… eu não podia acreditar que o guache pudesse ser tão vibrante e que a quantidade de cores interessantes que me apareciam lentamente por acrescentar mais uma pontinha de cor à mistura anterior era tão empolgante. Descobri as cores mais bonitas de sempre, percebi que gosto muito de escarlate, aquele quase a virar para o rosa, e que para fazer um azul petróleo perfeito, cintilante é preferível juntar uma pitada de amarelo ao azul em vez de comprar mais uma cor na loja de artes… porque o pigmento do amarelo se nota e muito no brilho, no tom e na temperatura da cor.

Na segunda aula eu descobri que ainda não me dou bem com o guache e a sua pressa mas, mas felizmente houve bastante tempo para o compreender: as espessuras possíveis, as sobreposições de cor, a sua intensidade. À medida que adicionava água, a tinta ia-se comportando como uma aguarela… eu começava a aproximar-me de algo conhecido. Mas foi precisamente nessa altura que eu notei uma grande diferença. Ao contrário da tinta espessa que é vibrante e intensa, quando guache fica diluído, como uma aguarela, as cores tornam-se mais mais “apagadas”. Como quando se mistura branco na aguarela… meio opacas. Na aguarela, eu posso adicionar água a um vermelho e ele mantém-se vermelho. O que eu notei foi que, se adicionar agua a um vermelho até ficar com a espessura de uma aguarela e cada vez mais diluído, o vermelho perde força e fica meio cor de rosa. E foi já no fim da aula, quando a professora explicou a constituição do guache, que comprendi que a grande diferença é que o guache é tradicionalmente constituído pela goma arábica e pigmento colorido, tal e qual como a aguarela, (entre outros constituintes secundários) mas é-lhe ainda acrescentado pigmento branco que lhe fornece o caracter opaco. Quantidade desse pigmento é moderada e não lhe retira a força da cor quando a tinta é espessa. Mas, pelo menos na minha humilde opinião, o pigmento branco é como um segredo que se descobre quando, aos poucos se dilui o guache mais e mais…

I don’t know if you have visited my portfolio, or even read this or this post. Painting has been something that has been growing inside me but my relationship with it was not always simple, sometimes it comes and goes and it is very affected by the way I feel about myself.
I started painting again about two years ago, after four years not handling a brush. I got some encouragement to do it again… and had some extra time in my hands that I could dedicate exploring more seriously the artist sleeping inside me. Awakening her again was an act of courage for me: not only because I felt rusty but because the act of create involves some difficult opening. The work you do is not only ours and it expose, sometimes too clearly, our way of seeing the world. In a world where the inner invasion is huge, and the respect for individuality is diminishing, this exercise carries with it some consequences. And I, well, I’m an introvert.
One of the challenges I had when starting over was to systematize what I knew. A few years ago I had some private lessons with a painter who passed me, more or less freely, his knowledge. For him it was the experience that prevailed. I explored the techniques, invented ways to work with them and this method allowed me to create some intuition in my work. But on the other hand this “sensory” way of painting failed in two things: on one hand I was confined to the limits that I established for myself, I simply didn’t explore what didn’t came to me. And on the other hand I ended without the confidence to say “I paint” and I consider myself a painter. I knew there was something inside but I had difficulty taking it as seriously as it could be. Don’t get me wrong: I made some good discoveries on my own and with the push of some people that encouraged me and even because of the opportunities that appeared to me. I created my preferences for themes, techniques but above all I realized my limitations.

This year, after my progress in my nature journal, and on the way to the end of this challenge of making a page of my nature journal per week and despite already quite overwhelmed by some personal projects, I decided to create a little more entropy to this frail system and enroll a painting a course at the university fine arts college. I do not know where I was headed, but I really wanted to do it. This is undoubtedly a subject that, like my nature journal, I would like to explore here. Not with a this tight regularity but as I feel I have something to share with you.

My first lessons were on the basics: chromatic circle, primary, secondary, tertiary, complementary, black… seemingly nothing new, as you would expect from a course that starts from the most basic principles. In gouache… I had never enjoyed gouache or acrylic paints. They dry fast and have a little organic arome… and I’m slow and like the water and the warm smell of linseed oil. Until I get home and did my homework. I was suggested to do a gradient exercise between primary colors, passing, of course, by the secondary colors. It was a very striking exercise for me … I could not believe that the gouache could be so vibrant and that the amount of interesting colors that slowly appeared to me by adding another tip of color to the previous mixture was so exciting. I discovered the most beautiful colors ever, I noticed that I really like scarlet, that red almost turning to pink, and that to make a perfect, sparkling teal it is preferable to add a dash of yellow to blue instead of buying one more color in the art store… because the yellow pigment shows and much in brightness, tone and color temperature.

In the second class I discovered that I still do not get along with the gouache and its hurry temper, but fortunately there was plenty of time to understand it: the possible thicknesses, the color overlays, the intensity. As I added water, the paint would behave like watercolor… Perfect! I was beginning to approach something I know! But it was precisely at this point that I noticed a great difference from watercolor. Unlike the thick paint that is vibrant and intense, when gouache gets diluted, like a watercolor, the colors become more “erased”. Like when mixed white in watercolor … it gets “opaque”. What I mean is that, in watercolor, I can add water to a red and it stays red no matter how many water I add. What I noticed was that, with guache, if you add water to a red until you get the thickness of a watercolor and keep adding more water, the red loses it strength and becomes a little more “pinkish”. I was truly intriged… It was only at the end of the lesson, when the teacher explained the constitution of the gouache, that I understood something that might justify it. So, the great difference is that gouache is traditionally constituted by gum arabic and colored pigment, just like watercolor (among other secondary constituents) plus a bit of white pigment that gives it the opaque character. Ta-da! Well, the amount of this pigment is moderate and does not take away the strength of the color when the paint is thick. But, at least in my humble opinion, the white pigment is like a secret that is discovered when you slowly dilute the gouache more and more…

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DIY chalkboard: “Be our guest!”

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Eu gosto de receber bem. Acredito que faz muita diferença quando os nossos anfitriões nos fazem sentir em casa, confortáveis. Sair do nosso espaço pessoal, ainda que seja por razões de lazer, cria sempre uma pequena agitação por isso, sermos recebido num espaço confortável e acolhedor faz muita diferença na nossa atitude para com a experiência em questão quer seja ela de lazer, profissional ou outra. Nós temos um pequeno quartinho com diversas funções e que é também onde recebemos os nossos amigos sempre que vêm para ficar connosco. É um quarto decorado de forma muito simples mas ao qual eu queria dar uma pontada de conforto. Então, e em vez de acrescentar mais uma das minhas pinturas ao espaço (que também é muitas vezes usado para pintar, resolvi inspirar-me na onda DIY e dar uma volta a uma moldura básica do IKEA e transformar-a num quadro de giz onde posso personalizar uma mensagem para aqueles que nos vierem visitar.

Comprei esta moldura a um preço muito convidativo e, como queria que fosse o ponto de interesse na parede, optei pelo maior tamanho disponível: 50cm x70 cm. Usei o vidro para usar como paleta, base de secretária, entre outros usos e dei uso aquela placa de contraplacado que geralmente fica nas costas das molduras. Em primeiro lugar lixei-a um pouco com lixa de pintor para que ficasse o mais macia possível para receber tinta. Depois pintei-a com três demãos de tinta “chalkboard” ou tinta de ardósia disponível em lojas como o AKI ou semelhantes. Por fim, quando a placa ficou bem seca, passei uma camada de giz, um processo chamado de “seasoning” que serve para fazer com que o giz entre nos poros da tábua e, ao apagar, fique com o aspecto dos quadros de giz antigos.
E por fim dei asas à imaginação para escrever no meu novo quadro de giz! Mais, ele combina bem com as minhas almofadinhas de cheiro “Tide Pool” que eu usei para aromatizar as gavetas do quarto de hóspedes.

O interessante neste quadro é podermos adaptar o que escrevemos às pessoas que vamos receber para que se sintam especialmente bem recebidas. Mas nos momentos em que não tenho hóspedes, a frase que costuma lá estar escrita é “Be our guest!”, a famosa música cantada pelo Lumière, o candelabro do filme “ A Bela e o Monstro” da Disney, aquele que é o meu absoluto favorito de tooooodos os filmes de animação da Disney!

Nota: Por falar nisso, devo confessar que o filme “live-action” foi uma desilusão para mim a vários níveis. Por exemplo, apesar de gostar muito muito do trabalho da Emma Watson, acho que não que não foi a escolha perfeita para o filme… que pena!

I like to be a good host. I believe it makes a lot of difference when our hosts make us feel at home, comfortable. Getting out of our personal space, even for leisure reasons, always creates a small agitation so, being welcomed in a comfortable and welcoming space makes a lot of difference in our attitude to the experience in question whether it is leisure, professional or other. We have a small room with several functions and that is also where we receive our friends whenever they come to stay with us. It is a room decorated very simply but to which I wanted to give a touch of comfort. So, instead of adding one more of my paintings to the space (which is also often used for painting, by the way) I decided to inspire myself in the DIY wave and transform a basic IKEA frame into a chalkboard where I can customize a message for those who come to visit.

I bought this frame at a very inviting price and, as I wanted it to be the point of interest on the wall, I opted for the largest available size: 50cm x70cm. I took off the glass and used it as a palette, desk base, among other things. And then I used that plywood board that usually stays behind the back of the frames to transforme it on a chalkboard. In the first place, I rubbed it with painter’s sandpaper for a bit so that it gets as soft as possible to receive the paint. Then I painted it with three coats of chalkboard paint available in several craft stores. Finally, after letting the board dry completely, I applied a layer of chalk, a process called “seasoning” that aims to infuse the board with this chalk powder so that after erasing it, it looks like an old chalkboard.
And finally I gave wings to my imagination to write in my new chalkboard! Also, it matches perfectly my Tide Pool scented cushions that I used to give a little scent to the drawers from my guest room.

What is interesting about these chalkboards for guest rooms is that we can adapt what we write to the people we are going to host so that they feel especially welcome. But when I do not have guests, the phrase that is usually written is “Be our guest!”, The famous song sung by Lumière, the chandelier from Disney’s “Beauty and the Beast”, the one that is my absolute favorite of all the Disney animated films!

Note: By the way, I must confess that the live-action film was a disappointment to me on several levels. For example, although I really reeeeeally like Emma Watson’s work, I do not think it was the perfect choice for Belle… at all.
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The Tide Pool Notebook Review

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O post de ontem já estava longo! Acho que o entusiasmo me levou e, para variar, eu deixei-me levar. Partilhar convosco as minhas motivações na escolha dos produtos da minha pequena loja online é uma espécie de prova de apreço por quem me segue e uma homenagem à minha obsessão pelo significado de todas as coisas que faço.
Hoje venho apresentar-vos outro ponto de vista: as características do meu Tide Pool Notebook. E não podia falar nisto sem, no entanto, vos falar desta espécie de coleção que estou a desenhar, baseada nas poças de maré, a “Tide Pool Collection”.

Eu sempre vivi perto do mar e, certamente que muitos dos que vivem ou viveram junto ao mar, guardam felizes memórias de infância a explorar as poças de maré quando a maré baixa nos deixava descobrir os tesouros que o mar alto trouxe, de novidade, à zona intertidal. Tal como muitos de vocês, eu lembro-me de explorar as poças à procura de caranguejos, estrelas do mar, algas de cores inesquecíveis e até dos famosos vidrinhos da praia. Há todo um quadro à volta desta recordação que me inspirou a desenhar esta colecção e, em especial, estes pequenos cadernos.
Desde a capa, salpicada com as cores que me recordam o borrifar das ondas que me traziam à face a frescura das gotículas de agua salgada cheia de vida!
A brancura do papel que representa o rebentar das ondas!
Os seres vivos carimbados que me recordam as vidas infinitas que encontrava nas poças de maré, e ainda o esqueleto de um cavalo marinho que a minha mãe guardava religiosamente.
E até as costuras cruzadas que unem todas as peças e que me lembram as redes dos camaroeiros que os mais aventureiros levavam consigo para apanhar polvos.

Este caderno é uma verdadeira concentração sensorial: de texturas, cores, cheiros, imagens e sensações das minhas próprias explorações das poças de maré quando era criança.

Quanto às características do caderno, este é um caderno feito com materiais ideais para quem escreve ou desenha! Perfeito para desenhos numa pausa ao lado do mar ou para as primeiras linhas de um romance!

O caderno tem tamanho A6 e contempla 120 páginas de 90g, perfeitas para escrever e desenhar com diversos tipos de materiais como lápis de grafite, de cor, esferográficas ou canetas de tinta permanente.
A capa é dupla e feita com papel de 200g pintado à mão com aguarela profissional. A capa é ainda estampada com carimbos desenhados e feitos por mim, à mão, e tinta de linogravura!
A lombada é cosida com costuras cruzadas, o mais seguro método de costura, e que permite que o caderno abra completamente na horizontal em qualquer página. Além disso, este tipo de costura tão resistente permite que fique à vista e se usufrua do desenho intrincado criado pelo entrelaçar do fio!
O fio utilizado é de polyester. Eu prefiro sempre fio de algodão, contudo, para o efeito, um fio resistente à quebra é a melhor opção quando se prevê que a pressão gerada pelo abrir e fechar do caderno seja intensa! E para um suporte suplementar das costuras, é aplicada uma camada de cola resistente à água que comprime os blocos uns aos outros e segura as costuras.
Por fim, e mais importante de tudo, foi feito à mão, com muito carinho!

Yesterday’s post was already long! I think the enthusiasm took me away and, for a change, I let myself go. Sharing with you my motivations about my choices regarding the products on my small online shop is like an appreciation for those who follow me and a tribute to my obsession with the meaning of the things I do by hand.
Today I am writing about another point of view: the characteristics of the Tide Pool Notebook. And I could not talk about it without, however, telling you about this “collection” I’m designing, based on the tide pool exploration, the Tide Pool Collection.

I have always lived near the sea and certainly many of you who live or lived by the sea keep many happy memories of your childhood while exploring the tide pools when the low tide let us discover the treasures that the high tide brought to the intertidal zone. Like many of you, I remember exploring the tide pools looking for crabs, starfish, seaweed of unforgettable colors and even the famous rounded pieces of green glass. There is a whole picture regarding this memory that inspired me to design this collection and, especially, these little notebooks.
The cover, sprinkled with the colors that remind me of the spray drops from the waves that hit my face!
The whiteness of the paper that represents the bursting of the waves!
The stamped living beings that remind me of the endless live I found in the tide pools, and still the skeleton of a seahorse that my mother kept religiously.
And even the sewn binding that unites all the pieces and reminds me of the fish nets that the more adventurous people took with them to catch an octopus!

This notebook is a true sensorial concentration: of textures, colors, smells, images and sensations of my own explorations of the tide pools as a child.

As for the characteristics of the notebook, this is a notebook made with materials that are ideal for those who write or draw! Perfect for drawings on a seaside break or the first few lines of a novel!

The notebook is A6 sized and includes 120 pages of 90gsm, perfect for writing and drawing with various types of materials such as graphite, colored pencils, ballpoint pens or fountain pens.
The cover is double and made with 200g paper hand painted with professional watercolors. The cover is also stamped with handmade stamps drawn and linography paint!
The spine is hand stitched using the sewn binding method, the most secure book binding method, that allows the notebook to always lay flat while opened. In addition, this type of stitching is so resistant that you don’t need a hardcover to cover it so you can enjoy the intricate design created by the interlacing of the thread!
The thread used is polyester. I always prefer cotton thread but, for this purpose, a break resistant thread is the best option if you think of the pressure generated by the intense opening and closing of the notebook! And for additional support of the binding, a layer of water-resistant glue is applied to compress the blocks to each other and to hold the binding tight.
Lastly, and most important of all, it was done by hand, with lots of love and care!

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Products on my online shop: a notebook!

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Desde há alguns meses que tenho tido vontade de criar uma pequena loja on-line com alguns produtos feitos à mão, por mim, com os quais vos possa oferecer maior proximidade com as minhas experiências aqui no blog. No fundo, dar-vos a oportunidade de sentir pelos produtos que fazemos, um apreço maior do que aquele que vem de um produto feito em massa. Depois de muito reflectir, de alguns apontamentos no papel, alguns desenhos e pinturas cheguei à conclusão que o primeiro produto que eu queria fazer para vocês era precisamente um caderno inteiramente feito à mão. Porquê? Estou pronta para vos contar a história…

 

Este blog começou com algumas linhas escritas num papel. Não era propriamente um plano mas uma ambição. Eu tinha terminado o meu doutoramento há alguns meses e queria muito escrever “novamente”. Passo a explicar.
Desde que sou pequena que gosto de escrever e inventar histórias. Devo-o a um espaço criado entre duas ou três coisas: a primeira, uma combinação genética favorável; a segunda, muitas histórias ao adormecer; e a terceira, três anos a brincar sozinha. Não vejo isto como algo triste: eu tenho muito boas recordações destes dias. Eu era apenas uma criança silenciosa.

 

Tanto a minha mãe como o meu pai me liam histórias para adormecer quando eu era criança. Tenho vívida a memória de ouvir a minha mãe me ler o livro “A Floresta” ao longo de várias noites. Ainda hoje é o meu favorito da Sophia e revejo-me na Isabel porque, antes da minha irmã nascer, eu brinquei muito tempo sozinha em casa da minha avó. A minha tia costuma dizer que “ela lá se desenrascava”: falava sozinha, entretinha-me a brincar e que ficava lá no meu mundo.
Foi também da minha mãe que herdei o meu amor por livros infantis e o entusiasmo pela imaginação. A primeira vez que li a “Alice no País das Maravilhas” foi a partir de um livro que tinha sido da minha mãe.
Ao meu pai eu pedia sempre a mesma história: “Senhor doutor lá de cima e do senhor doutor lá de baixo” e lembro-me de ter sido ele a ler-me “O Principezinho” pela primeira vez, quando ainda eu não sabia o significado da maior parte do seu conteúdo. Foi do meu pai que herdei um tipo de escrita simples, sem palavras difíceis, mas sobejamente elaborado. Posso escrever durante horas acerca de um alfinete se quiser. Tentem-me.

 

Lembro-me de algumas composições que criei para a escola ou para a escola de dança e que já se perderam no tempo. Algumas porém ainda hoje me atentam a memória: recordo-me de uma que escrevi apenas uma hora antes da aula de dança moderna para a qual tínhamos de escrever uma pequena composição que seria a base para a nossa primeira coreografia. A minha história foi escrita à mão numa folha pautada A4, que preenchi quase completamente com uma caneta BIC. Era sobre uma menina que caía na água de uma nascente e que viria a viajar rio abaixo até ao mar e, finalmente, à areia da praia. Nesse mesmo dia, deixei a minha folha na Sala 3 e nunca mais a vi… era a combinação perfeita da imaginação da minha mãe, da escrita do meu pai e da voz interior que me permitia brincar sozinha horas a fio.

 

Infelizmente, os últimos anos como investigadora retiraram-me alguma flexibilidade na escrita. Não me interpretem mal, escrever uma tese de doutoramento é exigente mas gratificante. Mas apesar do seu grande valor científico e académico, eu não me reconhecia no texto nem nos artigos científicos que dela derivam. Não propriamente nos assuntos e conclusões mas sobretudo no estilo de escrita. Ainda que escrevesse 100 artigos científicos não conseguia concluir que tinha sido capaz de escrever o equivalente a um livro…
Foi nessa altura que tive oportunidade de abraçar um pouco mais intensamente a minha relação com as artes, com os meus hobbies e quis fazer um registo dos meus progressos. O blog foi um bom pretexto para o fazer e com isso escrever “novamente”, ou seja, devolver-me uma escrita mais descontraída, sentida e cheia de entusiasmo que eu já não exercitava há algum tempo.

 

Mais ou menos ao mesmo tempo eu comecei a coleccionar pequenos cadernos para apontamentos que usava para tomar notas de posts, de ideias para escrever, para planear o conteúdo do blog, para apontamentos de pequeno cursos on-line, de workshops de fazer à mão, enfim, na sua maior parte coisas soltas e sem grande relação entrei si. Alguns estão semi preenchidos. Em alguns porém, escrevi autênticas aventuras.
Hoje tenho uma colecção generosa e, aqueles que mais gosto são feitos à mão. Há um com uma dedicatória que acho que nunca vou conseguir usar para “não estragar!” Por isso, há uns tempos atrás, resolvi aprender a fazer os meus próprios cadernos feitos à mão. Achei a experiência muito gratificante e considero que um caderno feito à mão é para mim uma ferramenta de independência. E quando oferecido como presente, um caderno é muito mais do que o seu suporte físico mas sim a promessa de algo original que só depende de quem o recebe. Com um caderno em branco podem fazer-se coisas extraordinárias!

 

Estas são as histórias por trás do primeiro produto da minha loja on-line. Um caderno feito à mão no qual podem também experimentar escrever “novamente”, planear as vossas próximas experiências “handmade” ou registar uma aposta num estilo de vida mais próximo dos recursos naturais. Ou, quem sabe, escrever as notas daquele romance! Nos próximos dias prometo fazer um pequeno review sobre estes cadernos para que possam saber um pouco mais sobre o design, o método de montagem e as suas características.

 

Quanto à loja on-line, não quero, para já, enveredar por uma área preferencial. Tal como no blog, lá vão poder encontrar outros produtos, como por exemplo, estas almofadinhas de aroma estampadas à mão. Vou querer experimentar um pouco de tudo até perceber o que mais me caracteriza mas espero que todos os produtos que criar tenham uma linha homogénea focada na ligação com a natureza, em particular com as exploração autónoma da natureza e as espécies autóctones do nosso cantinho no mundo!

 

Obrigada, desde já, pela vossa visita!

 

For some months now that I wanted to create a small online shop with some handmade products made by me, with which I can offer you more proximity to my experiences here on the blog. I want to give you the opportunity to create a new perspective for the products we make by hand and a greater appreciation for our resources that we can’t achieve with a mass produced product. After much reflection, some notes on paper, some drawings and paintings, I came to the conclusion that the first product I wanted to do for you was a handmade notebook. Why? I’m ready to tell you the story…

 

This blog started with some lines written on a paper. It was not exactly a plan but an ambition. I had just finished my PhD a few months ago and I wanted to write “again”. Let me explain.
Ever since I was little that I like to write and make up stories. I owe it to a space created between two or three things: the first, a favorable genetic combination; the second, many stories while falling asleep; and the third, three years of playing alone.

 

Both my mother and my father read me stories to fall asleep when I was a child. I have a vivid memory of hearing my mother read me the book “The Forest” over several nights. Even today this is my favorite story by Sophia. I also can recognize myself in Isabel because, before my sister was born, I played a lot of time alone at my grandmother’s house. My aunt used to say that I managed to play by myself: I used to talk alone, play alone and be in “my world”. This is not a sad thing! I remember those days happily. I just was a quiet child.
It was also from my mother that I inherited my love for children’s books and the enthusiasm for imagination. The first time I read “Alice in Wonderland” was from a book that had been her’s.
To my father I always asked the same story: “the upstairs doctor and the downstairs doctor” and I remember that he was the one reading me “The Little Prince” for the first time, when I still did not know the meaning of most of its content. It was from my father that I inherited a simple writing style: no difficult words, but superbly elaborate. I can write for hours about a pin if I want. Try me.

 

I remember some drafts that I created for school or for the dance school and that were lost in time. But I still remember one that I wrote just one hour before the modern dance class for which we had to write a small story that would be the basis for our first choreography. My story was handwritten on an A4-sized sheet, which I filled almost completely with a BIC pen. It was about a girl who fell into a water-spring and would travel down the river to the sea and finally to the sand of the beach. That same day, I left my sheet in Room 3 and I never saw it again… it was the perfect combination of my mother’s imagination, my father’s writing, and the inner voice that allowed me to play alone for hours when I was a child.

 

Unfortunately, the last few years as a researcher have taken away some flexibility in writing. Don’t get me wrong, writing a doctoral thesis is demanding but rewarding. But despite of its great scientific and academic value, I did not recognize myself in the text or the scientific articles derived from it. Not regarding the subjects and conclusions but mainly regarding the writing style. Although I could wrote 100 scientific articles, I could not conclude that I had been able to write the equivalent of a book… It’s just not the same.
It was at this point that I had the opportunity to embrace my relationship with the arts and my hobbies a little more intensively and wanted to record my progress. The blog was a good excuse to do so and to write “again”, that is, to give me a more relaxed, felt and enthusiastic writing style that I had not exercised for some time.

 

At about the same time I started collecting small notebooks I used to take notes for posts, ideas for writing, planning content for the blog, notes about small online courses, workshops… In fact, for the most part, loose things without much relation between them. Some notebooks are just semi-filled. In some, however, I wrote some great adventures.
Today I have a generous collection and the ones I like most are handmade. There is one with a dedication that I think I’ll never be able to use to “do not ruin it!” So, a few time ago I decided to learn how to make my own handmade notebooks. I found the experience very rewarding and I consider that a handmade notebook is for me an independence tool. And when offered as a gift, a notebook is much more than its physical support. It’s the promise of something original that only depends on who receives it. With a blank notebook can do extraordinary things!

 

These are the stories behind the first product of my online shop. A handmade notebook in which you can also try writing “again”, plan your next handmade experience or register a bet on a lifestyle closer to the natural resources. Or, who knows, to write the notes of that novel! 
In the coming days I promise to do a little review on these notebooks so that you can know a little more about the design, the method of assembly and its characteristics.

 

As for the online shop, I do not want to go for a preferential area. As in the blog, there you will find other products, such as these handprinted scented cushions. I’m going to try a little bit of everything until I realize what really characterizes me, but I hope that all the products that I create have a homogeneous feeling, focused on the connection with nature, in particular with the autonomous exploration of nature and the autochthonous species of my corner of the world!

 

Thank you for visiting!
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