Repurposing a men’s shirt

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Entre as arrumações que fiz na primavera encontrei umas camisas de homem que deixaram de ser usadas. Não foi pelo facto de estarem velhas mas porque deixaram de servir ou o corte estava fora de moda.
Uma delas era uma camisa de linho azul cujo tecido estava em óptimas condições. Custava-me muito desfazer-me dela e guardei-a até lhe encontrar uma nova utilidade. Quando me iniciei na onda da confecção achei que podia reutilizar a camisa e fazer uma blusa de verão para mim.

Foi a segunda vez que usei o modelo do Basic top da Cali Faye (a primeira foi aqui) mas tive de introduzir uma alteração por causa da quantidade de tecido disponível.
Usei as costas da camisa para cortar a frente da blusa e restavam-me as duas frentes da camisa para a parte de trás, o que significava que tinha de dividir o molde a meio, cortar cada uma delas em cada uma das frentes da camisa e depois coser as duas partes. Pessoalmente agrada-me muito a ideia de uma costura central nas costas porque cria um detalhe decorativo num tecido tão despojado como este.
Mas uma costura simples não me preenchia pelo que optei por introduzir uma costura decorativa usando o método das pregas pespontadas.

Para esta costura começa-se por alinhavar à máquina sobre a linha de costura. Depois corta-se a linha da bobina de 5 em 5 pontos e abrem-se as margens de costura com o ferro.
Corta-se uma tira do mesmo tecido ou de um tecido contrastante com 4cm de largura e tanto comprimento quanto o da peça. Eu dobrei-a em viés de forma a melhorar o acabamento mas não é obrigatório. Depois basta centrá-la no avesso da peça de forma a esconder as margens da costura anterior. Eu encaixei as margens no interior da minha tira de viés. Alinhava-se de ambos os lados ou colocam-se alfinetes e, por fim, aplica-se um pesponto de cada lado, a igual distância do centro. Retiram-se todos os alinhavos incluindo o da costura inicial e fixam-se todas as costuras com o ferro.

Esta técnica cria uma costura aberta, com duas pregas, que fica fixa pela tira de tecido costurada pelo interior.
Acho que criou um pormenor muito interessante nesta blusa, permitiu-me facilmente resolver a questão das limitações do tecido e ainda reutilizar uma camisa sem utilidade mas com um tecido em excelentes condições!

Last spring, while I was tiding up and reorganizing summer clothes on our closets, I found some men’s shirts that were no longer used, not because they are old but because they no longer fit or because went out of fashion.
One was a blue linen shirt in a very good condition. It was hard for me to get rid of it, so I kept it until I found a new use for it. Then, when I started sewing my own clothes, I thought I could reuse the shirt and make a summer blouse for me.

It was the second time I used the Basic Top pattern from Cali Faye (the first was this) but I had to introduce some alterations since I was limited by the amount of available fabric.
I used the back of the shirt to cut the front of my blouse and then I was left with the two fronts of the shirt to use in the back of the blouse, which meant I had to split the back in half, cut each part from each of the shirt fronts and then sew the two parts together. Personally, it pleases me the idea of a central seam in the back because it creates a decorative detail in such a modest fabric as this one is.
But a simple sewing did not meet my goals, so I chose to introduce a decorative seam using the slotted seam method.

For this seam, make a plain seam on the wrong side of the work, following the seam line. Cut through every fifth stitch using a seam ripper and press the seam open.
Cut a straight strip of 4cm of fabric wide (you can use the same fabric or a contrasting fabric). I folded it in bias in order to get a better finishing but this is not required. Center the strip on the wrong side over the open seam. I wedged the seam allowances inside my bias strip. Pin and then machine stitch the strip to the seam allowance, stitching along either side of the seam at an equal distance from it. Machine stitch from the right side of the work to get a better finish. Remove the long stitches that made the original seam to produce an open seam with parallel lines of stitching on either sides.

This technique creates a decorative seam, shown on the right side. The edges of the seam open to reveal an under layer.
I think it created a very interesting detail to this blouse, allowed me to easily solve the fabric availability issue and to reuse a useless shirt with a fabric in excellent conditions!

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Book review: The Great Book to Sewing

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Já falei aqui do Grande Livro dos Lavores e hoje proponho-me a apresentar o seu irmão mais velho, O Grande Livro da Costura.
Tal como o primeiro, o Grande Livro da Costura é uma referência incontornável no meio craft português e ainda noutros países onde foi editado. É mais um livro editado pelas Selecções do Reader’s Digest em 1979 com uma primeira edição de 100 000 exemplares em português.
Mais uma vez, um livro veio a tornar-se um grande aliado para as costureiras de então: desde principiantes até às mais experientes modistas.

Não é demais dizer que os modelos de costura editados nos anos 50, 60 e 70 são um pouco cruéis. Não só não possuem explicações muito completas como assumem que quem lê é, no mínimo, licenciado nas artes da costura! Desde os termos mais técnicos aos passos que não estão explicados porque, aparentemente, são demasiado óbvios, os modelos daquele tempo podem dar grandes dores de cabeça. E se na altura muitas destas técnicas eram ensinadas nos cursos de trabalhos femininos, hoje em dia, ler um modelo vintage é um verdadeiro desafio que pode deitar abaixo até os espíritos mais aventureiros.

O Grande Livro da Costura vem responder igualmente às dúvidas mais básicas (como por exemplo, como coser um botão) e às mais complexas (fazer peças em pele) sobre costura abordando assuntos como: os materiais de costura, a utilização da máquina de costura, os pontos básicos, a modelagem e leitura de moldes e segue progressivamente para tarefas específicas como, bainhas, bolsos, golas ou punhos, peças específicas como calças e saias acompanhada de uma série de projectos para vestir e para decorar que permitem ganhar confiança com os métodos abordados. Possui ainda um guia ilustrado dos diferentes tipos de tecidos que faço questão de destacar já que é bastante lúcido no que diz respeito à descrição das texturas e gramagens!

Actualmente, este é a inda um livro de referência, uma pequena bíblia para iniciados ou costureiros experimentes!
Não existem muitos exemplares disponíveis já que o livro não voltou a ser editado desde então. Contudo, ainda é possível encontrar alguns em alfarrabistas de todo o país. O meu foi comprado num, precisamente, no coração da cidade do Porto.

Se quiserem ler outra revisão deste livro podem consultar a página do Cose+.

I have already wrote about of the Complete Guide to Needlework, and today I what to introduce its older brother, The Great Book to Sewing.
The Great Book of Sewing is an undeniable reference in the Portuguese craft environment and in other countries where it was edited. This is another book edited by the Reader’s Digest in 1979 with a first edition of 100 000 copies in Portuguese.
Once again, the book has become a great ally to the seamstresses of all times: from beginners to the most seasoned dressmakers!

It is not too much to say that the sewing patterns edited in the 50s, 60s and 70s are rather cruel. Not only do they not have complete explanations, they assume that those who read are, at the very least, experts in sewing! From the complex technical terms, to the steps that are not explained because apparently they are too obvious, the patterns of that period can be overwhelming! And if, at the time, many of these techniques were taught from generation to generation of women, nowadays, reading a vintage pattern is a real challenge that discourage even the the most adventurous!

The Great Book to Sewing also answers the most basic questions (such as how to sew a button) and the most complex ones (making leather pieces) about sewing, addressing issues such as: sewing materials, sewing machine, the basics, modeling and reading of patterns. It also progressively follows specific tasks such as, hems, pockets, collars or cuffs, particular pieces like pants and skirts accompanied by projects that allow training to all the previous techniques. It also has an illustrated guide of the different types of fabrics that wanted to I emphasize since it is very clear in regards to the description of textures and weights.

After all these years, this is still a book of reference, a little “bible” for beginners or experienced sewers!
There are not many copies available of the book since the it has not been edited since 1979. However, it is still possible to find some in second-hand shops. Mine was precisely bought in a second-hand bookstore, in the heart of the city of Porto.

If you would like to read another review of this book you visit this page from Cose +.

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Pin cushion

 

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Eu precisava de um alfineteiro. Já vi um tutorial muito original no grupo Cose+ sobre uma alfineteira magnética feita com um prato de pão ou outro prato pequeno. Pareceu-me tão prático que até já arranjei um prato com o tamanho ideal! Mas como as alfineteiras nunca são demais e nos permitem separar os diferentes tipos de alfinetes que gostamos de usar, não resisti em fazer um mais tradicional.
Este foi o primeiro projecto que fiz a partir deste livro que ainda é um dos meus livros de crafts favoritos.
A conveniência desta alfineteira é que pude usar uns quantos retalhos, bem pequenos, de tecidos de que gosto muito e criar, em menos de uma hora, uma alfineteira com o tamanho ideal, bastante estável (não gosto muito das alfineteiras quadradas, tipo almofada, porque acho que se movem com muita facilidade) e muito original!
Ainda não tenho um stash arrojado o suficiente para criar o efeito arco-íris que o livro sugere e que eu adoraria reproduzir! Mas espero poder repetir este projecto no futuro. Eu planeio usar muito a minha alfineteira!

I needed a pincushion. I have seen a very unique tutorial in the Cose + facebook group about a  magnetic pincushion made with a bread dish. It seemed so practical that I already got a small dish with the perfect size to make it! But as pincushions are never enough and allow us to separate the different types of pins we like to use, I couldn’t resist on making a more traditional one.
This was the first project I did from the patterns of this book that is one of my favorite craft books. 
The convenience of this pincushion is that I used a few scraps from fabrics I love to create, in just an hour, a pincushion with the ideal size, very stable (I don’t like the square pincushions because I think they move a lot) and very original!
I do not have a bold stash to be able to create the rainbow effect that the book suggests despite I would love to! But I hope to repeat this project in the future. I plan to use my pincushion a lot!

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My handmade windbreaker

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Quem vive no norte de Portugal sabe que, sobretudo no início do verão, pode contar com vento forte vindo de norte/noroeste na praia, durante a tarde: a chamada Nortada. Não é uma verdade absoluta para todos os dias assim como há dias em que há vento norte o dia inteiro!
Ora, cá por cima ninguém deixa de ir à praia por causa disso. Vento não é nada que não se resolva com um belo pára-vento.
Há uns anos, passei uma semana de férias no Algarve no início de Junho. Por norma, o vento lá não se faz sentir muito forte. Contudo, naquela semana não se via ninguém na praia porque quem chegava era desencorajado por um vento que não é habitual. Felizmente, nós temos o nosso pára-vento sempre a postos na mala do carro e por isso pudemos fazer praia com toda a comodidade.

Infelizmente cada vez é mais difícil encontrar bons pára-ventos. Os melhores têm espias de madeira (e portanto ocupam mais espaço) mas geralmente vêm em padrões pouco atractivos. Os mais bonitos (que normalmente estão nos supermercados) têm espias de metal desdobráveis que acumulam areia, vergam e enferrujam.
Face às duas possibilidades optei pelos que têm espias de madeira mas tive de me contentar com um padrão liso num tecido de fraca qualidade. Infeliz ou felizmente o tecido era tão fraco que acabou por romper no local onde encaixam as espias pelo que ficou inutilizado. Mas as espias de madeira estavam novas e tinham muito potencial… Por isso arregacei as mangas, comprei um pedaço de chita e fiz o meu próprio pára-vento. O tecido é bem mais resistente, bonito e como é bastante original é muito fácil localizar o meu pára-vento quando os amigos se juntam a nós na praia!

 

Those who live in the north of Portugal know that, in early summer, there is a strong north/northwest wind at the beach, during the afternoon. We call it Nortada. It is not an absolute truth for every single day and there are some days when the north wind blows all day long!
Well, we are so used to it that it doesn’t stop us going to the beach. For us, wind is nothing that can not be solved with a beautiful windbreaker.
A few years ago I spent a week in the Algarve in the beginning of June. Normally, the wind is not strong at the Algarve. However, that week no one was going to the beach. Those who arrived were discouraged by a strong unusual wind. Fortunately, we always have our windshield in our car (just in case) and so we could stay at beach with all the comfort! And all alone!

Unfortunately it is becoming more and more difficult to find good windbreakers. The best ones have wooden stakes (and therefore they take more space) but usually come in unattractive patterns. The prettiest ones (that are usually sold in the supermarkets) have folding metal stakes that accumulate sand, that buck and rust.
Faced with both possibilities I opted for those with wooden stakes but I had to please myself with a plain red fabric of poor quality. Unhappily (or fortunately) the fabric was so weak that it eventually broke where the stakes fit so it became unusable. But the wooden stakes were new and had a lot of potential… So I had an ideia, I bought a piece of Portuguese chita and made my own windbreaker. The fabric is much stronger, beautiful and, as the windbreaker is quite unique, it is very easy to locate when friends join us on the beach!

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