Rhubab, strawberry and vanilla jam

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Já vos tinha confessado anteriormente que acho a arte das conservas uma espécie de magia que consegue preservar o entusiasmo dos frutos dentro de um pequeno frasco, pronto a abrir em qualquer altura do ano. Não há nada como estar em pleno Inverno, abrir um frasco de compota caseira e sentir-lhe primeiro o aroma e depois o sabor. Remete-nos quase sempre para memórias: sobretudo do Verão e do Outono.
Já vos tinha falado anteriormente da minha compota favorita, a compota de framboesa, aqui. Mas as compotas em minha casa são de quase tudo. Desta vez resolvi testar uma receita de compota de ruibarbo que fui coleccionando desde que escrevi este post. A minha curiosidade pelo ruibarbo era grande sobretudo depois de ter provado tartes e compotas maravilhosas com este ingrediente.
A minha Madrinha conseguiu cultivar ruibarbo em casa e traz-me frequentemente alguns talos que possa utilizar. Depois de ter testado algumas receitas (em breve prometo partilhar convosco uma fabulosa tarte de ruibarbo e maça!) resolvi fazer uns frascos de compota de ruibarbo, morango e baunilha que foi uma surpresa muito agradável na minha dispensa!
O ruibarbo, juntamente com o morango fazem uma compota de sabor doce e ácido ao mesmo tempo, como um molho agridoce para o qual as sementes de baunilha são o contraste perfeito. A receita é do livro “Doces, Compotas e Conservas” da Thane Prince, e está mesmo na página ao lado da minha receita preferida de compota de morango!

Para cada 1,25kg de ruibarbo cortado em pequenos pedaços juntar cerca de 600g de açúcar e o sumo de dois limões. Deixar a mistura apurar durante 24h. Depois levar ao lume mexendo esporadicamente, e deixar ferver em cachão até começar a fazer ponto. Retirar a espuma e acrescentar as sementes de 1/3 a 1/2 de vagem de baunilha (não mais, ficará muito intenso!) e deixa-se apurar uns 5 minutos. Desligar o lume e deixar arrefecer durante 10 min antes de colocar em frascos esterilizados.

Fiquei muito surpreendida com o resultado. Imaginei que o sabor iria ser demasiado complexo mas a verdade é que os ingredientes se complementam inteiramente. É uma compota extremamente agradável, de sabor macio, um ácido que eu muito aprecio e uma cor bem convidativa. Fica bem sobre manteiga batida, sobre o pão ou uns belos scones. Escusado será dizer que tenho comido compota de ruibarbo ao pequeno almoço nos últimos dias. Creio que esta dose não chegará ao Inverno e terei de fazer mais…!

I had previously confessed that I think that the art of making preserves is a kind of magic that manages to preserve the enthusiasm of the fruit inside a small bottle, ready to open at any time of the year. There’s nothing like being in the middle of winter, opening a jar of homemade jam and feeling it’s aroma and taste. It almost always send us to our memories: especially of summer and autumn.
I had already told you about my favorite raspberry jam, here. But the jams at our home are made from very kind of fruit. This time I decided to test a rhubarb jam recipe that I collected since I wrote this post. My curiosity about rhubarb was great especially after having tasted wonderful pies and jams with this ingredient.
My Godmother was able to grow Rhubarb at home and often brings me some stalks to use. After testing some recipes (I promise to share with you a fabulous rhubarb and apple pie!) I decided to make some jars of rhubarb, strawberry and vanilla jam which was a very pleasant surprise in my pantry!
Rhubarb together with the strawberry make a sweet and sour jam at the same time for which the vanilla seeds are the perfect contrast. The recipe is from the book “Jellies, Jams & Chutneys” by Thane Prince and it’s right on the page next to my favorite Strawberry jam recipe!

For each 1.25kg of rhubarb cut into small pieces add about 600g of sugar and the juice of two lemons. Allow the mixture to rinse for 24h. Then bring it to the heat stirring sporadically, and let it boil until it starts to achieve the solidification point. Remove the foam that usually forms at the surface of the jam and add the seeds 1/3 to 1/2 of vanilla bean (no more, it will get very intense!) and let it boil for 5 minutes. Turn off the heat and let it cool for 10 min before placing the jam in sterilized jars.

I was very surprised by the result. I imagined that the taste would be too complex but the truth is that the ingredients complement each other entirely. It is an extremely pleasant jam, with a soft flavor, an acid that I very much appreciate and a very inviting color. It is good over whipped butter on bread or some beautiful scones. Needless to say, I have eaten rhubarb and strawberry jam for breakfast in the last few days. I believe that this batch will not reach the winter and I will have to make more …!

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Mint liqueur: part one!

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A época das conservas é, sem dúvida o Outono, mas a verdade é que podemos e devemos fazer conservas durante todo o ano. Na primavera, os primeiros rebentos são excelentes desculpas para algumas conservas como licores! Eu apanhei uma grande quantidade de hortelã-de-água num ribeiro que estava completamente coberto dela e resolvi usá-la para fazer licor de menta (misturando com menta que a minha sogra me deu). A menta aquática que podemos encontrar perto do ribeiros é conhecida por se cruzar com a Menta (Menta spicata) para produzir a conhecida hortelã-pimenta que não é mais do que um híbrido entre estas duas espécies. Tem por isso um travo acentuado a hortelã-pimenta e é muito usada para chá.
Nunca fiz licor de menta e gostava de partilhar a minha experiência convosco!

Neste momento a minha mistura de hortelãs está em infusão. Para a infusão usei um litro de aguardente produzida pela Avó Luísa e um ramo generoso da hortelã de água que apanhei e outra porção de menta que trouxe da minha sogra. Separei as folhas, e juntei-as à aguardente juntamente com uma estrela de anis. Agora mantenho a garrafa bem fechada desta infusão de hortelã em aguardente num locar escuro e agito-a diariamente. Assim ficará durante um mês, no mínimo! Eu sei que há por aí uma enorme quantidade de receitas instantâneas de licores mas, nestas coisas, eu acho que o produto final de valoriza muito pelo uso de bons ingredientes (como uma boa hortelã e uma boa aguardente) e pelo tempo de infusão. É no fundo como o Vinho do Porto ou como uma excelente ideia… vai-se construindo com o tempo. Assim, apenas dentro de um mês é que poderei partilhar convosco o restante processo! Têm sugestões, aromas que poderia adicionar para valorizar o sabor à hortelã?

The season of preserves is undoubtedly the Autumn, but the truth is that we can and should do preserves throughout the year. During spring, the first shoots are excellent excuses for some preserves like liqueurs! I picked a lot of water mint in a small stream that was completely covered in it and I decided to use it to make mint liqueur (mixed with some regular mint my mother in law gave me). The aquatic mint that we can find near the streams is very known to cross with Spearmint (Menta spicata) to produce the well-known Peppermint that is, in fact, a hybrid between these two species. It has a sharp taste close to peppermint and is widely used for tea.
I have never made mint liqueur and I would like to share my experience with you!

At this moment my spearmint is infusing. For the infusion I used a liter of “aguardente”, a kind of brandy produced by my grandma Luisa, and a generous bouquet of the water mint I picked and another portion of the regular mint from my mother in law. I separated the leaves and added them to the aguardente with one star anis. I now hold the bottle with this infusion tightly closed in a dark room and shake it daily. That will stay infusing for at least a month! I know there are a lot of instant recipes for liqueurs, but in these type of things, I think the end product takes value from the use of good ingredients (like a good mint and a good alcohol) and the infusion time. It’s like Port Wine or an excellent idea… it is built over time. So, in just one month, I can share the rest of the process with you! Do you have suggestions, scents I could add to enhance the mint flavor?

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How to store your homemade quince paste?

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No ano passado falei-vos de como faço marmelada. Depois de a distribuir por taças eu costumo deixar secar a minha marmelada ao ar para que assente ligeiramente antes de a tapar e guardar. Quando o tempo dos primeiros dias de outono ainda o permite, a minha mãe costuma colocar a marmelada a secar no pátio, devidamente protegida com um tule fino num tabuleiro com água por causa das formigas. Esses dias eram uma perdição porque podíamos provar a marmelada fresca, ainda mole, mas eu gosto mais da marmelada já dura de cortar com a faca! Por isso aqueles dias de espera antecipavam sempre um lanche muito desejado de pão com queijo e marmelada.
Eu acho que uns raios de sol só podem melhorar o sabor intenso da marmelada, por isso, mesmo que o tenha de fazer dentro de casa, faço questão de deixar a minha marmelada secar perto da janela durante uma semana ou duas consoante o tempo esteja mais ou menos seco.

A tarefa seguinte é tapar a marmelada. É um processo tão básico que eu podia jurar que toda a gente tinha o mesmo método que eu para o fazer. Mas desde há algum tempo que percebi que, afinal, há uma infinidade de métodos que previnem a marmelada de ganhar fungos e bolores. Há quem não chegue sequer a preocupar-se com isso! Há quem simplesmente a tape a superfície com película aderente e jure que não se estraga! A avó Luísa tapa-a logo no dia seguinte, enquanto ainda está mole, colando-lhe na superfície uma folha de papel bem fino que separa de um guardanapo. Mas ultimamente há quem me venha perguntar como é que eu faço para guardar a minha sem que ganhe fungos pelo que venho partilhar convosco o método que é usado na minha família há várias gerações.

Quando a marmelada está bem firme inverto as taças sobre uma folha de papel vegetal e desenho a forma das taças com um lápis. Depois recorto as formas e viro o papel do avesso. Com um pincel de cozinha pincelo os recortes com aguardente e coloco-os sobre a marmelada com a parte molhada para baixo. A aguardente tem um teor em álcool muito elevado e evita o crescimento de bactérias e fungos na marmelada e, ao contrário do que possam pensar, não tem influência no sabor. Depois, num movimento que parte do centro para a periferia, vou colando este papel na superfície da marmelada. Depois faço um esforço por retirar as bolhas de ar na superfície empurrando-as para a periferia da taça. Reforço a periferia vincando bem o excesso de papel e depois a marmelada está pronta para ser guardada num local seco, fresco e com pouca luz. Eu costumo usar o espaço que fica em cima dos armários superiores da cozinha. Depois é vê-las desaparecer!

Não se esqueçam que o blog está a festejar o seu primeiro aniversário e há uma surpresa, pintada por mim, para todos os que subscreverem! Para saberem mais espreitem aqui.

 

Last year I wrote about my quince paste recipe. After doing it I often let my quince paste dry until it settles before covering and storing it. When the weather of the first few days of autumn still allows it, my mother usually puts the marmalade outside to dry, properly protected with a thin tulle in a tray with water (because of the ants). These days were damnable because we can taste the fresh quince paste, still soft. But I like the quince paste firm! So those days of waiting always anticipated a much desired afternoon snack of bread with cheese and quince paste.
I think sunshine can only enhance the intense taste of quince paste, so even doing it indoors, I like to let my quince paste dry near a window for a week or two depending on the weather.

The next task is to cover the quince paste bowls. It’s such a basic process that I could swear that everyone had the same method as me to do it. But I realized that, after all, there are a multitude of methods that prevent quince paste from growing fungi and molds. There are those who do not even bother about it! There are those who simply cover the surface with sticky film and swear it does not deteriorates! Grandmother Luisa cover her quince paste the day after doing it, while it is still soft, by sticking a thin sheet of napkin paper on the quince paste surface. But lately there are several people asking me how I save my own quince paste from growing fungus, so today I am sharing the method that has been used in my family for several generations.

When the marmalade is very firm I turn the bowls up side down over a sheet of greaseproof paper and draw the shape of the bowls with a pencil. Then I cut out the shapes and turn the paper around. With a kitchen brush I pinch the cutouts with brandy and place them over the marmalade surface with the wet side down. The brandy has a very high alcohol content and prevents the growth of bacteria and fungi in the marmalade and, contrary to what you may think, has no influence on taste. Then, in a movement from the center to the periphery, I glue the paper to the surface of the firm quince paste. Then I make an effort to remove the air bubbles on the surface by pushing them to the periphery of the bowl. I reinforce the periphery by creasing the excess paper very well and then the quince paste is ready to be stored in a cool, dry place in low light. I usually use the space on top of the kitchen cabinets. Then it’s just what to see it disappear!

Do not forget that the blog is celebrating its first anniversary and there is a surprise, painted by me, for everyone who subscribes! To know more click here.

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Raspberry Jam

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Depois do batido de amoras de amoreira, vou continuar na onda dos frutos vermelhos! E hoje é dia de falar de compotas. É que as compotas de frutos vermelhos, em especial a de framboesa-preta, são as minhas favoritas. Eu aprecio frutos com alguma acidez e frescura e acho que nenhuns preservam tão bem esta bela combinação numa compota como os frutos vermelhos.

Com o fim da primavera e o início do verão é comum encontrar nos quintais uma autêntica explosão de arbustos de framboesa. Estes arbustos são considerados por muita gente uma autêntica praga! Nesta altura do ano quase podemos vê-los crescer, deitar rebentos, invadir espaços alheios e todos os dias é possível apanhar uma mão cheia de novos frutos que parecem ter sido lá pendurados por duendes durante a noite.
Por vezes a abundância é tanta que nos podemos dar ao luxo de partilhar a doçura das framboesas com os pardais e os melros e assim atrair mais biodiversidade aos nossos jardins e hortas. Por aqui, e para minha felicidade, este ano é “ano de framboesas”, ou seja, ano de abundância deste e de outros frutos vermelhos!

Ora, em geral os frutos vermelhos como as framboesas, mirtilos, amoras e groselhas são tão efémeros, tão frágeis e delicados é quase impossível aproveitar tudo sem fazer uso de uma boa dose de criatividade! Já comi boas doses de framboesa ao pequeno almoço com o meu iogurte caseiro, já tive oportunidade de as usar em sobremesas, sumos de fruta, batidos mas o que mais gosto de fazer com as framboesas é a sua deliciosa compota.

Há uma certa magia em preservar fruta em compota! Pensando bem, em meados de Janeiro e Fevereiro, não há muita coisa que nos alegre e nos encha de esperança e entusiasmo como barrar uma fatia de pão caseiro ou scones com uma boa dose de verão sob a forma de compota. E, no meu ideal, essa compota é de framboesa!

Para fazer a minha compota fui “coleccionando” framboesas, congelando-as até obter uma quantidade generosa. Quando já tinha uma porção considerável coloquei-as num tacho largo, de fundo espesso e acrescentei o equivalente a 60% do seu peso de açúcar. Levei o tacho ao lume alto e fui mexendo com a colher-de-pau. Deixei ferver vigorosamente durante 5 minutos e a partir daí fui testando o ponto estrada num prato arrefecido. Distribui a compota por frascos esterilizados, tapei-os e deixei arrefecer. Não me parece que durem muito tempo mas espero guardar um ou dois frascos para o inverno!

 

After the mulberry smoothie, I’ll continue writing about berries! And today is the day to talk about jam. It’s just that the red fruit jams, especially the black raspberry, are my favorites. I appreciate fruits with some acidity and freshness and I don’t think that no fruit preserve this beautiful combination in a jam as well as red fruits.

In the late spring and early summer it is common to find an authentic burst of raspberry bushes in our backyards. These shrubs are sometimes considered a huge plague! At this time of the year I believe I can almost see them grow, lie shoots, invade other plants’s space and every day I can pick up a handful of new fruits that seem to have been hanged overnight by gnomes.
Sometimes the profusion is so big that we can spare to share the sweetness of the raspberries with the sparrows and the blackbirds and thus attract more biodiversity to our gardens. Around here, and to my own happiness, this year is “raspberry year”, which means a year of abundance of this and other red fruits!

Now, generally the red fruits such as raspberries, blueberries, blackberries and currants are so ephemeral, so fragile and delicate thatit is almost impossible to enjoy everything without a good dose of creativity! I’ve eaten lots of raspberry at breakfast with my homemade yogurt, I used them in desserts, fruit juices, smoothies but the thing I like do do the most with raspberries is its delicious jam.

There is a certain magic in preserving fruit in jam! You see: in mid-January and February, there isn’t much that can cheerful us and fill us with hope and enthusiasm as to spread a good dose of summer in the form of jam on a slice of homemade bread or scones. And in my dreams, this jam is raspberry jam!

To make my jam I “collected” raspberries by freezing them until I got a generous amount. When I had a large portion, I placed them in a large, thick bottom pan and added the equivalent of 60% of their weight in sugar. I placed the pan over high heat and stirred with the wooden spoon. I let it boil vigorously for 5 minutes and then started testing the sugar point on a cooled plate. Them I distribute the jam by several sterilized bottles, cover them and let them cool. I don’t think they will last long but I hope to keep one or two bottles for the winter!

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