How to store your homemade quince paste?

(scroll for the English version)

No ano passado falei-vos de como faço marmelada. Depois de a distribuir por taças eu costumo deixar secar a minha marmelada ao ar para que assente ligeiramente antes de a tapar e guardar. Quando o tempo dos primeiros dias de outono ainda o permite, a minha mãe costuma colocar a marmelada a secar no pátio, devidamente protegida com um tule fino num tabuleiro com água por causa das formigas. Esses dias eram uma perdição porque podíamos provar a marmelada fresca, ainda mole, mas eu gosto mais da marmelada já dura de cortar com a faca! Por isso aqueles dias de espera antecipavam sempre um lanche muito desejado de pão com queijo e marmelada.
Eu acho que uns raios de sol só podem melhorar o sabor intenso da marmelada, por isso, mesmo que o tenha de fazer dentro de casa, faço questão de deixar a minha marmelada secar perto da janela durante uma semana ou duas consoante o tempo esteja mais ou menos seco.

A tarefa seguinte é tapar a marmelada. É um processo tão básico que eu podia jurar que toda a gente tinha o mesmo método que eu para o fazer. Mas desde há algum tempo que percebi que, afinal, há uma infinidade de métodos que previnem a marmelada de ganhar fungos e bolores. Há quem não chegue sequer a preocupar-se com isso! Há quem simplesmente a tape a superfície com película aderente e jure que não se estraga! A avó Luísa tapa-a logo no dia seguinte, enquanto ainda está mole, colando-lhe na superfície uma folha de papel bem fino que separa de um guardanapo. Mas ultimamente há quem me venha perguntar como é que eu faço para guardar a minha sem que ganhe fungos pelo que venho partilhar convosco o método que é usado na minha família há várias gerações.

Quando a marmelada está bem firme inverto as taças sobre uma folha de papel vegetal e desenho a forma das taças com um lápis. Depois recorto as formas e viro o papel do avesso. Com um pincel de cozinha pincelo os recortes com aguardente e coloco-os sobre a marmelada com a parte molhada para baixo. A aguardente tem um teor em álcool muito elevado e evita o crescimento de bactérias e fungos na marmelada e, ao contrário do que possam pensar, não tem influência no sabor. Depois, num movimento que parte do centro para a periferia, vou colando este papel na superfície da marmelada. Depois faço um esforço por retirar as bolhas de ar na superfície empurrando-as para a periferia da taça. Reforço a periferia vincando bem o excesso de papel e depois a marmelada está pronta para ser guardada num local seco, fresco e com pouca luz. Eu costumo usar o espaço que fica em cima dos armários superiores da cozinha. Depois é vê-las desaparecer!

Não se esqueçam que o blog está a festejar o seu primeiro aniversário e há uma surpresa, pintada por mim, para todos os que subscreverem! Para saberem mais espreitem aqui.

 

Last year I wrote about my quince paste recipe. After doing it I often let my quince paste dry until it settles before covering and storing it. When the weather of the first few days of autumn still allows it, my mother usually puts the marmalade outside to dry, properly protected with a thin tulle in a tray with water (because of the ants). These days were damnable because we can taste the fresh quince paste, still soft. But I like the quince paste firm! So those days of waiting always anticipated a much desired afternoon snack of bread with cheese and quince paste.
I think sunshine can only enhance the intense taste of quince paste, so even doing it indoors, I like to let my quince paste dry near a window for a week or two depending on the weather.

The next task is to cover the quince paste bowls. It’s such a basic process that I could swear that everyone had the same method as me to do it. But I realized that, after all, there are a multitude of methods that prevent quince paste from growing fungi and molds. There are those who do not even bother about it! There are those who simply cover the surface with sticky film and swear it does not deteriorates! Grandmother Luisa cover her quince paste the day after doing it, while it is still soft, by sticking a thin sheet of napkin paper on the quince paste surface. But lately there are several people asking me how I save my own quince paste from growing fungus, so today I am sharing the method that has been used in my family for several generations.

When the marmalade is very firm I turn the bowls up side down over a sheet of greaseproof paper and draw the shape of the bowls with a pencil. Then I cut out the shapes and turn the paper around. With a kitchen brush I pinch the cutouts with brandy and place them over the marmalade surface with the wet side down. The brandy has a very high alcohol content and prevents the growth of bacteria and fungi in the marmalade and, contrary to what you may think, has no influence on taste. Then, in a movement from the center to the periphery, I glue the paper to the surface of the firm quince paste. Then I make an effort to remove the air bubbles on the surface by pushing them to the periphery of the bowl. I reinforce the periphery by creasing the excess paper very well and then the quince paste is ready to be stored in a cool, dry place in low light. I usually use the space on top of the kitchen cabinets. Then it’s just what to see it disappear!

Do not forget that the blog is celebrating its first anniversary and there is a surprise, painted by me, for everyone who subscribes! To know more click here.

Continue Reading

Raspberry Jam

(scroll for the English version)

Depois do batido de amoras de amoreira, vou continuar na onda dos frutos vermelhos! E hoje é dia de falar de compotas. É que as compotas de frutos vermelhos, em especial a de framboesa-preta, são as minhas favoritas. Eu aprecio frutos com alguma acidez e frescura e acho que nenhuns preservam tão bem esta bela combinação numa compota como os frutos vermelhos.

Com o fim da primavera e o início do verão é comum encontrar nos quintais uma autêntica explosão de arbustos de framboesa. Estes arbustos são considerados por muita gente uma autêntica praga! Nesta altura do ano quase podemos vê-los crescer, deitar rebentos, invadir espaços alheios e todos os dias é possível apanhar uma mão cheia de novos frutos que parecem ter sido lá pendurados por duendes durante a noite.
Por vezes a abundância é tanta que nos podemos dar ao luxo de partilhar a doçura das framboesas com os pardais e os melros e assim atrair mais biodiversidade aos nossos jardins e hortas. Por aqui, e para minha felicidade, este ano é “ano de framboesas”, ou seja, ano de abundância deste e de outros frutos vermelhos!

Ora, em geral os frutos vermelhos como as framboesas, mirtilos, amoras e groselhas são tão efémeros, tão frágeis e delicados é quase impossível aproveitar tudo sem fazer uso de uma boa dose de criatividade! Já comi boas doses de framboesa ao pequeno almoço com o meu iogurte caseiro, já tive oportunidade de as usar em sobremesas, sumos de fruta, batidos mas o que mais gosto de fazer com as framboesas é a sua deliciosa compota.

Há uma certa magia em preservar fruta em compota! Pensando bem, em meados de Janeiro e Fevereiro, não há muita coisa que nos alegre e nos encha de esperança e entusiasmo como barrar uma fatia de pão caseiro ou scones com uma boa dose de verão sob a forma de compota. E, no meu ideal, essa compota é de framboesa!

Para fazer a minha compota fui “coleccionando” framboesas, congelando-as até obter uma quantidade generosa. Quando já tinha uma porção considerável coloquei-as num tacho largo, de fundo espesso e acrescentei o equivalente a 60% do seu peso de açúcar. Levei o tacho ao lume alto e fui mexendo com a colher-de-pau. Deixei ferver vigorosamente durante 5 minutos e a partir daí fui testando o ponto estrada num prato arrefecido. Distribui a compota por frascos esterilizados, tapei-os e deixei arrefecer. Não me parece que durem muito tempo mas espero guardar um ou dois frascos para o inverno!

 

After the mulberry smoothie, I’ll continue writing about berries! And today is the day to talk about jam. It’s just that the red fruit jams, especially the black raspberry, are my favorites. I appreciate fruits with some acidity and freshness and I don’t think that no fruit preserve this beautiful combination in a jam as well as red fruits.

In the late spring and early summer it is common to find an authentic burst of raspberry bushes in our backyards. These shrubs are sometimes considered a huge plague! At this time of the year I believe I can almost see them grow, lie shoots, invade other plants’s space and every day I can pick up a handful of new fruits that seem to have been hanged overnight by gnomes.
Sometimes the profusion is so big that we can spare to share the sweetness of the raspberries with the sparrows and the blackbirds and thus attract more biodiversity to our gardens. Around here, and to my own happiness, this year is “raspberry year”, which means a year of abundance of this and other red fruits!

Now, generally the red fruits such as raspberries, blueberries, blackberries and currants are so ephemeral, so fragile and delicate thatit is almost impossible to enjoy everything without a good dose of creativity! I’ve eaten lots of raspberry at breakfast with my homemade yogurt, I used them in desserts, fruit juices, smoothies but the thing I like do do the most with raspberries is its delicious jam.

There is a certain magic in preserving fruit in jam! You see: in mid-January and February, there isn’t much that can cheerful us and fill us with hope and enthusiasm as to spread a good dose of summer in the form of jam on a slice of homemade bread or scones. And in my dreams, this jam is raspberry jam!

To make my jam I “collected” raspberries by freezing them until I got a generous amount. When I had a large portion, I placed them in a large, thick bottom pan and added the equivalent of 60% of their weight in sugar. I placed the pan over high heat and stirred with the wooden spoon. I let it boil vigorously for 5 minutes and then started testing the sugar point on a cooled plate. Them I distribute the jam by several sterilized bottles, cover them and let them cool. I don’t think they will last long but I hope to keep one or two bottles for the winter!

Continue Reading

Elderflower Cordial Recipe

 

O sabugueiro é um arbusto natural da Europa e do Norte de África que tem muitas utilizações medicinais, cosméticas e culinárias. Em Portugal, são arbustos comuns um pouco por todo o lado mas sobretudo no interior quente do país. São tão disseminadas que é fácil encontrar sabugueiro na beira da estrada, sobretudo perto das povoações que acreditam que esta planta atrai coisas boas. De facto, o sabugueiro é uma planta muito associada ao folclore (são inúmeras as lendas e superstições associadas a ela) e à magia já que, nas aldeias, se diz que atraem as fadas. Não é por acaso que a Elder Wand, um dos Talismãs da Morte, considerada a varinha mágica mais poderosa de sempre, é feita de madeira de sabugueiro (Obrigada Rui!).

À primeira vista é uma planta que não promete muito, mas, nos dias quentes de verão, as flores exalam um perfume doce e delicado que, desde há séculos, serve de base para o xarope de flor de sabugueiro.
A sua utilização é muito diversa porque pode ser usado para fazer refrescos, aromatizar cocktails, gelados, bolos e outras sobremesas. Há até quem diga que o xarope de flor de sabugueiro eleva qualquer sobremesa a outro nível!

Durante anos procurei à venda xarope de flor de sabugueiro. Para além de ter sido bastante difícil de encontrar, paguei sempre caro por ele que por vezes não tinha um aroma muito intenso e quase sempre era importado dos países nórdicos. Parecia impossível que um simples xarope, de uma planta de beira da estrada tão comum no nosso país, com um tempo de floração tão alargado, tivesse de fazer quilómetros para chegar até mim.

Até que, um dia, me deparei com o sabugueiro do terreno vizinho à casa dos meus pais. Bom, o resto é história, porque fazer um xarope é das coisas mais fáceis do mundo. Por isso aqui têm o meu testemunho, a minha receita e alguns conselhos.

Em Portugal, a flor de sabugueiro começa a abrir lá para o mês de maio. O auge da floração atinge-se por volta do S. João, em meados de junho, mas a planta continua a florir até agosto, dependendo das condições climatéricas.
O aroma das flores de sabugueiro é sobretudo devido ao pólen. Por essa razão, é adequado apanhar as flores num dia bem soalheiro (as plantas costumam produzir mais pólen em dias de sol e mais secos) e evitar sacudi-las demasiado, colocando-as cuidadosamente num cesto com as coroas brancas voltadas para cima.

Eu não lavei as minhas flores! isso faria com que perdesse uma grande quantidade de pólen. Em vez disso, separei as flores com muita atenção para retirar qualquer inseto que nelas se escondesse. Não se preocupem, não é muito comum, por isso é uma tarefa delicada mas não muito morosa. De resto, a fervura esteriliza as flores!

Depois de separar as flores é tempo de começar a fazer o xarope! Aqui está a receita:

15 a 20 influrescências de sabugueiro grandes
500g de açúcar branco
1 litro de água
4 colheres de sopa de mel suave
2 limões

Numa panela juntar o açúcar, o mel e um litro de água.
Colocar ao lume até que o açúcar se dissolva. Eu deixei ferver uns 3 minutos. Quanto mais tempo deixarmos ferver, mais denso fica o xarope. Por outro lado mais água irá evaporar e, por isso, menor será a quantidade final. O tempo que deixam ferver é uma opção pessoal!

Desligar o fogão, colocar as flores em infusão juntamente com as cascas dos dois limões. Juntar o sumo de um limão e cortar o outro em metades e acrescentar também à panela. Deixar infundir durante 24h.

Por fim, coar para garrafas esterlizadas usando algumas camadas de gaze ou musselina e guardar no frigorífico.
Esta receita faz aproximadamen-te 1,5l de xarope que dura no máximo dois meses no frigorífico.
Eu dividi a porção: enchi uma ou duas garrafas esterilizadas pequenas, com menos de 500ml. Quanto mais pequenas forem as garrafas melhor porque se alguma se estragar entretanto, há boas hipóteses de que as restantes ainda se mantenham saudáveis. Com o restante xarope enchi cuvetes de gelo que guardo no congelador em sacos reutilizáveis para usar sempre que desejar. Desta forma fiquei com xarope de flor de sabugueiro que posso usar em qualquer altura do ano para fazer refrescos ou usar em sobremesas.

 

The elderberry is a native shrub from Europe and North Africa that has many medicinal, cosmetic and culinary uses. In Portugal, it is a widespread shrub and it is easily found on the roadside, especially near old villages where people believe that it attracts good things. In fact, the elderberry is associated to folklore (there are numerous legends and superstitions associated with the plant) and magic as it is said to attract fairies. So, it is no coincidence that the Elder Wand, one of the death Talismans, considered the most powerful magic wand in history, is made from elderberry wood (Thanks Rui!).

At first glance it does not promise too much, but on hot summer days, the elderflowers exude a sweet and delicate scent that is the basis for the elderflower cordial.
Its use is very diverse because it can be used to do several drinks, flavored cocktails, ice cream, cakes and other desserts. There are even those who say that the elderflower cordial elevates any dessert to another level!

For years I tried to buy elderflower cordial: it was quite difficult to find, I always paid dearly for it, sometimes it did not have a very intense aroma and was often imported from Nordic countries. It seemed impossible that a simple syrup, from such a common roadside plant in our country, with a wide flowering time, had to make thousands of kilometers to get here.

Until one day, I came across the elderberry that used to stand on the property of my mom’s neighbor… Well, the rest is history, because making a syrup is of the easiest things in the world. So here you have my witness, my recipe and some advices!

In Portugal, the elderberry starts flowering in May. The flowering peak is reached around mid-June, but the plant continues to bloom until August, depending on weather conditions.
The aroma of elderberry flowers is mainly due to its pollen. For this reason, it is appropriate to pick the flowers in a very sunny day (plants usually produce more pollen on sunny and drier days) and avoid shake them to much, placing them carefully in a basket with white crowns facing up.

I did not wash my flowers! it would make them lose a lot of pollen. Instead, I separated the flowers carefully to remove any insects. Do not worry, it’s not very common, so this is a delicate but not to time-consuming task. Moreover, the boiling sterilizes the flowers!

After separating the flowers is time to start making the syrup! Follow the recipe below:

15 to 20 large crowns of elderflower
500g white sugar
1 liter of water
4 tablespoons of mild honey
2 lemons

In a saucepan add the sugar, honey and a liter of water.
Put the pan over the heat until the sugar dissolves. I let boil about 3 minutes. The longer we let boil, the denser the syrup will get. On the other hand, if you boil it for a long period, more water will evaporate and therefore the final quantity of syrup will be smaller. It’s up to you!

Turn off the heat, place the flowers in infusion along with the zest of two lemons. Add the juice of one lemon and also two halves of lemon to the pan. Brew for 24 hours.

Finally, strain the cordial to some sterilized bottles using a few layers of gauze or muslin and store it in the refrigerator.
This recipe makes approximately 1.5l of syrup that lasts up to two months in the fridge.
I divided the portion: I filled two small bottles (the smaller the better because if one of them spoils, there is a good chance that the rest still remain healthy) and I used the remaining syrup to fill ice cuvettes to keep in the freezer to use whenever I want. This way I will have elderflower syrup to used at any time of year!

Continue Reading

Book review: Mãos à obra!

(scroll for the English version)

Nunca estive tão ansiosa pelo lançamento de um livro como pelo “Mãos à obra!” da Constança. Descobri o blog (na altura era o Saídos da Concha) há cerca de três ou quatro anos. E foi por acaso, quando procurava opiniões sobre como comprar tecidos on-line. Uns dois meses mais tarde fui lá parar novamente noutra pesquisa qualquer e, a partir daí, acho que devo ter lido o blog todo de trás para frente!
Identifico-me muito com os princípios dela e creio ter encontrado naquelas palavras todas alguém semelhante. A internet pode ter um milhão de problemas mas eu não posso esquecer como me permitiu encontrar pares, ou seja, pessoas que partilham os mesmos interesses e que nos fazem sentir um pouco mais “normais”. Em comum com a Constança tenho uma grande vontade de sentir as estações e usar os materiais naturais para criar à mão, que é o melhor e mais natural instrumento de todos. Não importa muito se o tema ou os interesses são muito definidos. O meu blog é de histórias, experiências, não tem um tema só… a não ser esta linha feita à mão.

Quando o livro finalmente saiu, foi uma enorme alegria descobrir o “Mãos à obra” porque ele tem muitas coisas que me agradam num bom livro de crafts: projectos que funcionam, materiais acessíveis, fotografias convidativas e uma ligação com o público alvo.
Em primeiro lugar a Constança estabelece uma grande cumplicidade com o leitor. Abre o tema, justifica-o, dá-lhe estatuto. Depois aborda as áreas em que ela mais gosta de trabalhar: arranjos florais, projectos de costura, decoração, conservas e bolos. E antes de se iniciar nos projectos recomenda materiais e define as principais técnicas usadas no decurso do livro.
Seguem-se os projectos divididos pelas estações do ano, como não podia deixar de ser, porque esta é de facto a opção mais lógica face à diversidade, praticidade e pertinência de todos eles. O formato de apresentação é clássico, porque numa equipa vencedora não se mexe e porque os projectos, já por si, são encantadores e não precisam de distracções. Para rematar o carácter feito-à-mão, a Constança dá explicações numa linguagem extremamente simples, acompanhadas das suas próprias fotografias.

Pronto, que eu possa expressar, o livro é isto! Mas quando leio o que acabei de escrever… bom, para quem a acompanha com tanto carinho, as palavras parecem poucas e pobres.
Não me interpretem mal. Nunca estive com a Constança pessoalmente, não posso dizer que conheça sequer 1/4 do que ela vive todos os dias e até há bem pouco tempo nunca tinha ouvido a sua voz. Mas sei que tudo neste livro foi feito em casa, à medida de uma família real, num contexto real, como o meu ou o de qualquer um de vocês. Por causa disso garanto-vos que o livro, assim como o blog, foi resultado de muito uso do abre-casas, muitas fotografias tiradas sem luz durante o Inverno inglês, posts de verão escritos enquanto o frio neozelandês se faz sentir, muitos livros empilhados a fazer a vez daquele tripé, muitas sessões fotográficas alegremente interrompidas por um Rodrigo e um Pedro, muitas bobines vazias, muitas compotas que passaram o ponto, muitas flores que afinal não abriram e de muitos bolos em que ela, acontece, esqueceu o fermento, tal e qual como eu! O resultado é apenas o fruto da perseverança, da experiência e de uma vontade enorme de partilhar com o mundo as maravilhas do saber fazer.

I’ve never been so excited by the launch of a book as by the “Mãos à Obra” book from Constança. I discovered her blog about three-four years ago, by chance, when I was looking for opinions on how to buy fabric online. A couple of months later I got there again and from then I think I must have read all her blog posts! I truly recognize the principles of the blog and and I think I have found in her words some pairing I always struggle to find. The internet may have a million problems but I can not forget how it allowed me to find peers, that is, people who share the same interests and who make us feel a little more “normal”. I have several things in common with Constança: a great desire to go with the seasons and use natural materials to create, with my own hands, which are the best and most natural instruments of all! It doesn’t matter much whether the topic or the interests are very defined. My blog is about stories, experiences, does not have a unique theme, unless this handmade thing…

When the book finally came out, it was a great joy to discover “Mãos à Obra” because it has many things that please me in a good craft book: projects that work, using affordable materials, awesome photos and a text that creates a connection with the audience.
In the first place, Constança establishes a great complicity with the reader. She opens the subject, justifies it, gives it status. After that, it addresses the areas that she likes to work with: flower arranging, sewing projects, decoration, preserves and cakes. But before starting the projects, she recommends the most common materials and defines the main techniques used in the course of the book.
The projects are divided by season, as they should, because this is, in fact, the most logical choice due to the diversity, practicality and relevance of all of them. The format is classic, because you don’t change thinks that work, do you? And because the projects, alone, are charming! They just don’t need distractions! To keep it all handmade, Constança gives her own tips accompanied by her own photographs.

Okay, so… if I know how to express myself, this is it! But when I read these last paragraphs, oh my… for those who accompany her with such affection, my words seem so short and poor…
Don’t get me wrong. I’ve never met Constança face-to-face, I don’t even know 25% of what her everyday live is and until some time ago I had never heard her voice. But I know that everything in this book was homemade, in a “real family” context, as mine or yours. Because of that, I assure you that this book, like her blog, is the result of excessive use of the seam reaper, hundreds of photo shoots with no natural light during the English winter, lots of summer posts while is freezing outside in NZ, many books piled to replace a proper tripod, several photo shoots happily interrupted by Rodrigo and Pedro, many empty bobbins, lots of jams that passed the thickening point, many flowers that, in the end, did not bloom and some cakes that haven’t rise because, you know, she forgot the baking powder, just like I do! The result, however, is the product of perseverance, experience and a strong desire to share with the world the wonders of know-how.

Continue Reading