Homemade Granola Favourite Recipe

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Há coisas que tomamos como adquiridas. Os cereais de pequeno almoço e as papas são uma delas. Vêm tão transformados que nos impedem de pensar de onde apareceram, qual a sua origem e porque razão os comemos hoje. Mas o conceito dos cereais de pequeno almoço não foi inventado por nenhuma marca de produtos alimentares. Assim como as papas. Derivam de hábitos alimentares e de receitas que eram feitas em casa um pouco por todo o mundo.
Muito embora a onda recente da culinária caseira tenha vindo para ficar, parece que ainda não nos atingiu em força no que diz respeito a pequenos almoços. Há muitas receitas por aí! Mas ainda não conseguimos aplicá-las devidamente no dia a dia. Não sei se é a nossa vida acelerada, as manhãs agitadas ou a força do hábito de não tomar um bom pequeno almoço em casa, a verdade é que continuamos tendenciosos para a compra e consumo daquelas caixas de cartão milagrosas que enchem todo um corredor de supermercado… mas cheias de quê?

E de facto, não posso esconder que assim que o meu corpo tomou consciência das quantidades brutais de açucares que os cereais contêm começou, aos poucos, a rejeitá-los. Aquilo não estava feito para mim, não me agradava assim tanto o sabor e o meu sistema digestivo começava a reagir. Eu nem sequer tinha de comer aquilo. No entanto, sair sem tomar o pequeno almoço está fora de questão porque eu adoro, acima de tudo, o momento, o espaço temporal de tomar o pequeno almoço. Prefiro vestir-me a correr do que dispensar um minuto que seja do meu tempo a comer logo pela manhã. E hoje, uma coisa que me deixa desconsolada é ter de recorrer aos velhos cereais pré feitos quando não há pão ou o que apetece é ter alguma coisa para combinar com um excelente iogurte caseiro!

Então comecei a procurar alternativas para o pequeno almoço que me dessem alguma diversidade pela manhã, me servissem como escapatórias para eventuais emergências do tipo “Oh não! Não tenho tempo de ir comprar pão!” e que não me deixassem a boca a saber a cartão ou um desconsolo no estômago.
Entre as possibilidades que criei para ter à minha disposição, comecei a fazer Granola em casa. Experimentei várias receitas e percebi que, não só é mais saudável como aguenta bastante tempo num grande frasco, é absurdamente fácil de fazer e deixa um aroma divinal em casa. Foi novamente no Blog da Constança, que encontrei a receita de Granola que faço com mais regularidade. Ela já a adaptou do livro “Gifts from the Kitchen” e, entretanto eu mesma já fiz uma série de variações. Algumas, partilharei convosco muito brevemente! Contudo acho que, para começar, o ideal é mesmo fazerem a receita base e só depois introduzirem alterações consoante os vossos gostos. Podem ver a receita aqui. Como eu vario bastante o que como diariamente ao pequeno almoço, faço apenas uma receita de cada vez. Mas para quem tem muitos adeptos da granola em casa e pretende comê-la diariamente, podem arriscar e fazer a dobrar. Mas atenção, o ideal é mesmo comê-la no prazo de um mês.
Para guardar, um ou dois frascos herméticos são o recipiente ideal já que as latas são mais difíceis de lavar e não vedam devidamente.

Não se esqueçam que o blog está a festejar o seu primeiro aniversário e há uma surpresa, pintada por mim, para todos os que subscreverem! Para saberem mais espreitem aqui.

 

There are things we take for granted. Breakfast cereals and baby cereals are one of them. This type of food is highly transformed that it stop us from thinking about whats in it, where they came from and why we eat them today. But the concept of breakfast cereals was not invented by any food brand. Neither baby cereals. They come from eating habits and recipes that were made at home all over the world many many years ago.
Even though the recent trend of home cooking has come to stay, it does not seem to have hit us yet as far as breakfasts are concerned. There are lots of recipes out there! But we still can not apply them properly in everyday life. I do not know if it’s our fast-paced life, the busy mornings, or the habits of not having a good breakfast at home. The think is that we’re still biased toward buying and consuming those miraculous card boxes that fill an entire supermarket aisle… but full of what?

And indeed, I can not lie: as soon as my body became aware of the brutal amounts of sugars that the breakfast cereals contain, it slowly began to reject them. It was not for me, I did not like the taste so much, and my digestive system was beginning to react. I realized that I did not even have to eat that! However, leaving home without having breakfast is out of the question because I love, above all, the timing of having breakfast in the morning. I’d rather get dressed faster than to give up a minute of my time eating breakfast. And today, one thing that makes me annoyed is to have to rely on that old pre-made cereal when there is no bread at home or other thing to match with an excellent homemade yogurt!

So I began to look for alternatives for my breakfast that would give me some diversity in the morning, to serve as an escape for the eventual “Oh no! I do not have time to go and buy bread!”, that did not leave my mouth tasting like cardboard or a discomfort in my stomach.
Among the possibilities I created to have at my disposal, I started to make Granola at home. I have tried several recipes and realized that not only is it healthier for me, it also holds a long time in a big jar, it is absurdly easy to make and leaves a great aroma at home while your making it. I found the recipe of Granola that I do with more regularity among Constança’s blog. She has already adapted it from the book “Gifts from the Kitchen” and I myself have already made a several alterations. Some, I will share with you very soon! However, I think that, for starters, the best idea is to make the basic recipe and only then make changes according to your tastes. You can follow the recipe here. I make just one recipe at a time. But for those who have many granola eaters at home and want to eat it daily, you can risk and double the recipe. But please, be aware that it must be eaten within a month or so.
To store use one or two hermetically sealed jars. You can also use a tin but they get harder to wash and might not seal properly.

Do not forget that the blog is celebrating its first anniversary and there is a surprise, painted by me, for everyone who subscribes! To know more click here.

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Camino Handmade: cereal bars

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Esta não foi a minha primeira aventura em caminhada. Como já descrevi no blog, fazer trilhos e caminhadas é das minhas coisas favoritas desde sempre. No início ia artilhada com muita água e comida mas, com o tempo, consegui medir cada vez melhor aquilo que deveria levar comigo de forma a ter às costas o menor peso possível sem comprometer o meu bem estar.
Quando uma caminhada se prolonga por mais do que 3h, levo uma sandes reforçada, para almoço, acompanhada de um sumo de frutas, fruta, água, frutos secos e uma ou duas barrigas de cereais. Quando é mais pequena, limito-me à água, aos frutos secos e às barrigas de cereais.
Para o caminho de Santiago, entre as várias coisas feitas à mão que fui concretizando, resolvi investir em criar algumas barras de cereais adaptadas aos nossos gostos e que nos pudessem acompanhar durante os primeiros dias. Podia tê-las comprado, é certo, mas a meio da manhã, quando já estamos longe o bastante, quando o corpo começa a pesar, quando queremos algo que nos reconforte e nos dê ânimo para continuar, são estas pequenas coisas que nos ligam a casa e nos dão amor. É nelas que vemos a nossa capacidade de colocar mãos à obra, de sermos capazes de nos levantarmos, caminharmos, cuidarmos, proteger-nos e alimentar-nos, como qualquer outro ser vivo. Se caminhamos por nossos pés, se decidimos fazer um caminho por nossa determinação, há algo de coerente em sermos também nós a preparar alguma alimentação que nos suporte nas nossas decisões. É toda uma holística que nos devolve alguma autonomia numa sociedade que cultiva a dependência.

Hoje trago-vos uma das receitas que gosto de fazer e que resultou de uma combinação de coisas que fui experimentando ao longo do tempo:

Barras de amaranto, alperce e côco:

1/3 chávena de alperce desidratado bem picado
1/2 chávena de amaranto expandido*
1/2 chávena de manteiga de amendoim (eu uso biológica ou feita em casa)
1/3 chávena de flocos de côco desidratado
1/4 chávena de sementes de chia
1/3 chávena de sementes de abóbora
1/3 chávena de flocos de aveia inteiros
1/2 chávena de mel de flores
1 colher de chá de canela
1 colher de chá de extrato de baunilha
1 pitada de sal

*O amaranto expandido é muito difícil de comprar mas muito fácil de fazer. O amaranto é um grão semelhante à quinoa mas mais pequeno. Pode encontrar-se em lojas de produtos biológicos ou nas áreas de alimentação alternativa dos supermercados. Para o expandir basta aquecer bem o fundo de uma panela alta, como se fosse fazer pipocas (não juntar qualquer óleo ao fundo) e ir deitando lá para dentro pequenas porções (uma colher de sopa de cada vez) de amaranto. Reduzir para lume médio e ir agitando até que deixe de ouvir estalidos das pipocas de amarando a rebentar. Retiram-se as pipocas e volta a acrescentar-se mais uma porção de amaranto à panela. Repetir até obter a qualidade adequada. Com o amaranto expandido podem fazer-se excelentes barras de cereais ou as famosas Alegrías, um doce mexicano com amaranto e mel. Se presidir pode substituir por quinoa (reduzindo a quantidade para metade) e expandi-la exactamente da mesma forma.

Aquecer o formo a 125ºC/260ºF. Entretanto, juntar todos os ingredientes numa taça e envolver muito bem. Cobrir uma forma quadrada com cerca de 25-30cm (também é possível usar duas formas de bolo inglês) com papel vegetal. Colocar a mistura na forma e pressionar bem até que a superfície esteja completamente lisa. Colocar no forno, mais ou menos a meio, durante 30-40 minutos. Retirar do forno e deixar arrefecer completamente antes de desenformar. Cortar em quadrados ou rectângulos e embalar em papel vegetal. Conservar preferencialmente no frigorífico a não ser que sejam para ser comidas no espaço de 2-3 dias!

Acho que esta é uma receita que pela sua suavidade é aceite por maior parte dos paladares. Foi uma excelente companhia no caminho e é um excelente snack para a próxima caminhada!

This was not my first adventure in hiking. As I described sometime ago, walking or hiking is one of my favorite things since ever! When I started, many years ago, I was crawling with lots of water and food, but over time I was able to measure what I should take with me in order to keep the weight of my backpack as low as possible without compromising my well-being during the trail.
When a trail lasts more than 3 hours, I take a reinforced sandwich for lunch, accompanied by a fruit juice, fruit, water, nuts and one or two cereal bars. When it is smaller, I confine my snacks to water, nuts and cereal bars.
For theCamino, among several handmade items that I have done, I decided to create some cereal bars adapted to our tastes that could be the perfect snack for the first two or three days. I could have bought them, of course, but by mid-morning, when we’re far enough away from villages, when the body begins to weigh, when we want something that comforts us and gives us the courage to continue, it’s these little things that bind us to home and give us love. It is through them that we see our ability to get to work, to be able to get up, walk, care, protect and feed ourselves, like any other living being. If we walk on our feet, if we decide to make a path for our determination, there is something coherent about also preparing some food that supports us in our decisions. It is a holistic view that gives us some autonomy in a society that cultivates dependency.

Today I bring you one of the recipes I like to make and that resulted from a combination of things that I have been experimenting with over time:

Puffed amaranth, apricot and coconut bars:

1/3 cup finely chopped dried apricot
1/2 cup of puffed amaranth *
1/2 cup peanut butter (I use bio or made at home)
1/3 cup dried coconut flakes
1/4 cup chia seeds
1/3 cup pumpkin seeds
1/3 cup oats
1/2 cup of honey
1 teaspoon cinnamon
1 teaspoon vanilla extract
1 pinch of salt

* Expanded amaranth is very hard to buy but very easy to make. Amaranth is a grain similar to quinoa but smaller. It can be found in organic food stores or in the alternative food areas of supermarkets. To expand it, simply heat the bottom of a tall pan, as if making popcorn (do not add any oil to the bottom) and pour in small portions (one tablespoon at a time) of amaranth. Reduce to medium heat, cover the pan and shake it until you no longer hear any popping from the amaranth grains. Remove the puffed amaranth to a bowl and add another portion of amaranth to the pan. Repeat until you get the amount of puffed amaranth you need. Using puffed amaranth you can make excellent cereal bars or the famous Alegrías, a Mexican sweet made with amaranth and honey. If you want you can substitute it with quinoa (reducing the amount by half) and puff the quinoa it in exactly the same way.

Heat the oven to 125ºC / 260ºF. Meanwhile, combine all the ingredients in a bowl and mix well. Cover a square tin with about 25-30cm (it is also possible to use two English cake tins) with greaseproof paper. Put the mixture in the tin and press well until the surface is completely smooth. Put it in the oven, in the middle, for 30-40 minutes. Remove from the oven and let it cool completely. Cut into squares or rectangles and pack them in greaseproof paper. Store preferably in the refrigerator unless they are to be eaten within 2-3 days!

I think this is a recipe that, by its softness, is accepted by most of the people. It was a great company on the Camino and is a great snack for your next hike!

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Cream Cake

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Já percebi que este mês, o meu post sobre o Mãos à Obra me levou a escrever um pouco mais sobre os projectos que já concretizei a partir das sugestões do livro. E a minha primeira aventura foi o delicioso Bolo de Natas.

Este bolo é espetacular! Estão a ver aqueles bolos para tomar ao chá? Para ter durante a semana quando chegamos do trabalho ou para o pequeno almoço? Ou aqueles que se fazem para fatiar e levar nos piqueniques? É este mesmo! É um bolo com um aspecto caseiro, completamente despretensioso: basta-lhe ser polvilhado com um bocadinho de açúcar para ficar elegante e é tão saboroso que raramente sobrevive a um ou dois dias.

O Bolo de Natas faz lembrar o pão-de-ló português mas é mais fofo e tem um travo perfumado dado pelas natas. É absurdamente fácil de fazer e não precisa de acompanhamento nenhum: nem de queijo nem de compota, a não ser, está claro que o desejem. É também um bolo simpático que fica bem com um chá quente, uma limonada ou café e talvez um pouco intemporal porque é adequado a qualquer altura do ano: no Inverno é um conforto enorme quando nos aguarda numa tarde de frio, na primavera e no outono é excelente para levar num passeio pedestre ou num piquenique. No verão é o companheiro ideal para ficar acordado uma noite inteira a ver as estrelas cadentes em meados de Agosto…

Ora, como estamos na primavera, eu recomendo que, depois de fazerem as vossas almofadas para piquenique, façam também o Bolo de Natas para levar! E parece-me que o tema dos piqueniques não pode ficar por aqui pois não?

I realized that this month, my post on the book “Mãos à Obra” led me to write a little more about the projects that I have already made based on the book’s suggestions. My very first adventure was this delicious Cream Cake.

This cake is amazing! Can you think of those grandma cakes for tea? Or the ones you make to eat during the week when you arrive from work or for breakfast? Or the ones you slice and take to picnics? That’s the one! This is a cake with a homemade look, completely unpretentious: you just have to sprinkle it with a little sugar to make ir look elegant and it’s so tasty that it rarely survives a day or two.

The Cream Cake resembles the Portuguese sponge cake but it is more fluffy and has a fragrant flavor given by the double cream. It is ridiculously easy to make and does not need any accompaniment: neither cheese nor jam, unless you want to! It is also a nice cake goes well with a hot tea, a lemonade or coffee. It is also a bit timeless because it is suitable for any time of the year: during winter is comfort food in a cold afternoon, in the spring and autumn it’s excellent to take on a hike or a picnic. In the summer is the ideal companion to stay up all night to see the shooting stars during mid August …

Now, since it’s spring, I recommend that, after making your picnic pillows, you also make the Cream Cake to go too! And it seems to me that the picnics it’s here to stay.

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Chocolate Salami

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Uma iguaria que era possível encontrar em quase todas as confeitarias portuguesas eram as deliciosas fatias do tradicional salame de chocolate. O salame de chocolate é um doce tradicional que se pode encontrar sobretudo em Portugal e na Itália. Consiste em cacau, chocolate, manteiga, ovos e bolacha Maria partira em pedaços. A massa enrola-se em papel de chumbo e, ao partir-se em fatias faz lembrar um salame de carne. Hoje em dia há uma série de variações e em muitos casos os ovos são substituídos por leite condensado.

Ainda me lembro de este ser um petisco incontornável das festas de aniversário da minha infância. É certo que entretanto muitos anos se passaram e há uma imensidão de coisas novas e receitas novas para experimentar! Hoje, o salame de chocolate já não é tão habitual.

Ora, há uns dias atrás, entrei num pequeno café tradicional e fui surpreendida com um belo prato de fatias de salame de chocolate que rapidamente recordaram a minha infância. Fiquei com uma enorme vontade de fazer a receita que já não punha em prática há alguns anos. Assim, no dia seguinte pus as mãos na massa e levei salame de chocolate de sobremesa para o almoço de domingo. Foi uma surpresa para todos e pude ver nos olhos e nas mãos de cada um o entusiasmo e a saudade de comer salame de chocolate em crianças!

A receita que utilizei foi esta e como já somos todos crescidos introduzi um pouco de licor de café da Avó Luísa (em substituição do Wiskey).

When I was a girl almost all Portuguese coffee makers have a tray plate with delicious slices of the traditional chocolate salami. Chocolate salami is a traditional sweet that can be found mainly in Portugal and Italy. It consists of cocoa, chocolate, butter, eggs and Mary biscuit. The dough is wrapped in aluminum sheet and, when sliced, resembles a real salami. Nowadays there are a lot of recipe variations and, in many cases, the eggs are replaced by condensed milk.

I still remember this being an unforgettable snack on birthday parties. It is true that many years have passed now and there is a lot of new things and new recipes to try! Today, chocolate salami is not that usual.

A few days ago, I went to a small traditional coffee shop and I was surprised by a beautiful dish of slices of chocolate salami that quickly recalled my childhood. I had a huge desire to make the recipe that I had not put into practice for several years. So the next day I made chocolate somali and brought it as dessert for Sunday lunch. It was a surprise for everyone and I could see in the eyes and hands of each one on us the enthusiasm and longing of eating chocolate salami during childhood!

The recipe I used was this and, as we are all grown up, I introduced a little bit of coffee liqueur from my grandma Luísa (instead of Wiskey).

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