Autumn mini quilt

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Todos nós começamos por fazer mini quilts. São excelentes projectos de patchwork para principiantes, bons para testar as capacidades, treiná-las, experimentar desenhos e ficam lindos numa mesa de café ou numa consola!
Eu gosto de alterar um pouco a decoração ao longo das estações e introduzir têxteis é uma das melhores formas de dar à casa a sensação de conforto que nenhum móvel, por mais belo que seja, consegue trazer sozinho. Eu tenho um nicho na entrada onde deixamos as chaves, óculos, telefones e outros objectos de uso regular assim que chegamos a casa. E é aqui que costumo dispor os meus mini quilts e apreciar o que já aprendi até agora, as técnicas que desenvolvi, as qualidades que fui adquirindo ao longo do tempo.
Há uns meses atrás descobri uns fat-quarters de tecidos com temas outonais numa das minhas lojas de tecidos favoritas. Pensei imediatamente que dariam um excelente mini quilt para usar no outono no meu nicho de entrada. Mas como isso não era desafio suficiente, resolvi desenhar eu mesma um modelo.

Foi a primeira vez que me aventurei em desenhar um modelo para quilts e, apesar de contemplar um desenho muito simples de folhas de acer, foi uma experiência muito enriquecedora. Eu sempre gostei de geometria, consigo visualizar facilmente no espaço, imaginar o resultado final, percebi que consigo ser muito criativa com as formas e não me assusto com as contas. Usei moldes de papel para fazer as contas às medidas, às margens de costura, etc.

E acabou por resultar num desenho interessante e deu-me ideias para outros mini quilts sazonais! Mas mais do que isso fez-me perceber a forma como eu gosto de usar os padrões, as cores e penso que, mais do que usar geometria complexa, os meus quilts favoritos são aqueles que trabalham a cor. Gostava de conseguir juntar todo o processo e partilhar o modelo de alguma forma, trabalhá-lo melhor e depois vê-lo feito também nas vossas casas com os vossos tecidos e interpretações. Há muitas variações possíveis baseadas nas cores, nas sombras e contrastes!

Não se esqueçam que o blog está a festejar o seu primeiro aniversário e há uma surpresa, pintada por mim, para todos os que subscreverem! Para saberem mais espreitem aqui.

We all started by making mini quilts. They are great patchwork projects for beginners, good for testing new skills, training, trying out designs and in the end they look great on a coffee table or entry table!
I like to change the decoration over the seasons and introducing textiles is one of the best ways to give your home feeling of comfort that no furniture, no mater how beautiful, can bring by itself. I have a niche at my entrance where we leave keys, glasses, telephones and other objects of regular use as soon as we get home. And this is where I usually lay out my mini-quilts and appreciate what I have learned so far, the techniques I have developed, the qualities I have acquired over time.
A few months ago I discovered some autumn-themed fat-quarters in one of my favourite fabric stores. I thought immediately that they would make a great mini quilt to use in the fall in my entry niche. But since this was not enough of a challenge, I decided to design myself a pattern!

It was the first time that I ventured to design a quilt pattern and, despite it illustrates a very simple drawing of acer leaves, it was a very enriching experience. I have always liked geometry, I can easily visualize in space, imagine the final result and I realized that I can be very creative with the shapes and not be scared by measures and math. I used paper cuts instead of fabric to make study the measurements, the seam allowances, etc.

It turned out to be an interesting design and gave me ideas for other seasonal mini-quilts! But more than that, it made me realize how I like to use fabric designs and colours and I think, rather than using complex geometry, my favorite quilts are those that work the colours. I’d like to be able to put the whole process of this pattern design together and share the pattern in some way, work it out better and then see it done by you, with your fabrics and interpretations! There are so many possible variations based on colours, shadows and contrasts!

Do not forget that the blog is celebrating its first anniversary and there is a surprise, painted by me, for everyone who subscribes! To know more click here.

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Book review: Wreath Recipe

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Lembram-se deste livro maravilhoso que partilhei convosco na passada primavera?
É uma verdadeira inspiração para aqueles que querem pegar em meia dúzia de flores e trazer as suas cores, o seu aroma, a sua textura, a sua postura para dentro de casa sem ficarem com a sensação de que não assentam naturalmente numa jarra de cerâmica. Se o Flower Recipe é um dos melhores livros de arranjos florais que eu conheço, então o irmão Wreath Recipe é um verdadeiro inspirador. Este é um livro estupendo que se dedica apenas a coroas de flores e é delicioso.

Como disse neste post no passado natal, por mim, teria sempre uma corora de flores naturais na porta da entrada que convidasse todos a entrar, a serem abençoados pela sua melancolia e trazerem para dentro de casa a calma que elas transmitem. Não é apenas um bem receber, é dispor de um sentimento, de um abraço caloroso de bem-estar que nada transmite melhor do que um pouco de natureza.

Tal como o Flower Recipe, o livro Wreath Recipe esta escrito no sentido dos diferentes níveis de dificuldade e diferentes disponibilidades de materiais. Há coroas complexas, com uma enorme diversidade de flores em elaborados arranjos e posturas. Mas há também coroas simples feitas com apenas algumas folhas e um pouco de arame ou uma fita.
O livro abre com os materiais mais comuns, as estratégias mais básicas mas essenciais para se obter um bom resultados e com a preparação dos materiais para os diferentes objectivos: arranjos ou coroas. Depois vai trabalhando diferentes formatos de arranjos florais: desde o uso exclusivo de pequenos ramos, passando por grinaldas de flores, pequenos arranjos para mesa e as coroas mais elaboradas e detalhadas.
Para além da diversidade de formatos, o livro foca-se em flores e verdes para todas as estações do ano para que possamos olhar para os nossos jardins com olhar crítico e nunca acharmos que “não há nada no jardim que possa ser usado”.
A secção que mais me atrai é, sem dúvida, a que envolve materiais de outono. Não que as cores vibrantes da primavera não me atraiam, pelo contrário! Mas é o auge da mudança que o Outono significa e traduz com as suas folhas coloridas, flores secas, galhos despidos, os cogumelos, as abóboras e rebentos de maça, dióspiro e romã que me faz reflectir. Parece uma espécie de reciclagem, uma apreciação do real valor intemporal das coisas: todas as idades são belas, todas idades têm uma beleza para ser apreciada. E a prova disso é termos um Outono são majestosamente trabalhado. As folhas de acer, de carvalho, as hidrângeas secas pelo verão são verdadeiras pinturas, verdadeiras aguarelas naturais cheias de cores que parecem impossíveis de reproduzir e nos parecem ter sido gentilmente oferecidas pela natureza para nos alimentar os corações!

Não se esqueçam que o blog está a festejar o seu primeiro aniversário e há uma surpresa, pintada por mim, para todos os que subscreverem! Para saberem mais espreitem aqui.

 

Do you remember this wonderful book I shared with you last spring?
It is a real inspiration for those who want to pick half a dozen flowers and bring their colors, aroma, texture, and posture into their homes without feeling like they do not naturally sit on a ceramic jar. If the Flower Recipe is one of the best floral arrangement books I know, then it’s brother Wreath Recipe is a true inspirer. This is a stunning book that is dedicated only wreaths and is delicious.

As I said in this post last Christmas, I wish I could always have a wreath of natural flowers at my door that invited all who enter to be blessed by their melancholy and to bring into the house the calmness that they transmit. It is not only about hosting well, it is to provide a feeling, a warm embrace of well-being that anything can transmit as nature does.

Like Flower Recipe, the Wreath Recipe book is written regarding different levels of difficulty and different availabilities of materials. There are complex wreaths, with a huge diversity of flowers in elaborate arrangements and postures. But there are also simple wreaths made with only a few leaves and a bit of wire or a ribbon.
The book opens with the most common materials, the most basic strategies but essential for achieving good results, and by preparing materials for different purposes: arrangements or wreath. Then it works on different formats of floral arrangements: from the use of small branches, to flower garlands, small table arrangements and the most elaborate and detailed wreaths.
In addition to the diversity of formats, the book focuses on flowers and greens for all seasons so that we can look at our gardens with a critical eye and never feel that “there is nothing in the garden that can be used.”
The section that most appeals to me is undoubtedly the one that involves fall materials. Not that the vibrant colors of spring did not appeal to me, on the contrary! But it is the height of the change that autumn means and translates with its colourful leaves, dried flowers, naked branches, mushrooms, pumpkins and apple, persimmon and pomegranate shoots that makes me think. It seems a kind of recycling, a continuous appreciation of the real timeless value of things: all ages are beautiful, all ages have a beauty to be enjoyed. And the proof of this is that we have autumns, wonderfully and majestically designed and conceived. The oak and acer leaves, the dried hydrangeas are true paintings, true natural watercolors full of colours that seem impossible to reproduce and that are kindly offered by nature to feed our hearts!

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Book review: Mãos à obra!

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Nunca estive tão ansiosa pelo lançamento de um livro como pelo “Mãos à obra!” da Constança. Descobri o blog (na altura era o Saídos da Concha) há cerca de três ou quatro anos. E foi por acaso, quando procurava opiniões sobre como comprar tecidos on-line. Uns dois meses mais tarde fui lá parar novamente noutra pesquisa qualquer e, a partir daí, acho que devo ter lido o blog todo de trás para frente!
Identifico-me muito com os princípios dela e creio ter encontrado naquelas palavras todas alguém semelhante. A internet pode ter um milhão de problemas mas eu não posso esquecer como me permitiu encontrar pares, ou seja, pessoas que partilham os mesmos interesses e que nos fazem sentir um pouco mais “normais”. Em comum com a Constança tenho uma grande vontade de sentir as estações e usar os materiais naturais para criar à mão, que é o melhor e mais natural instrumento de todos. Não importa muito se o tema ou os interesses são muito definidos. O meu blog é de histórias, experiências, não tem um tema só… a não ser esta linha feita à mão.

Quando o livro finalmente saiu, foi uma enorme alegria descobrir o “Mãos à obra” porque ele tem muitas coisas que me agradam num bom livro de crafts: projectos que funcionam, materiais acessíveis, fotografias convidativas e uma ligação com o público alvo.
Em primeiro lugar a Constança estabelece uma grande cumplicidade com o leitor. Abre o tema, justifica-o, dá-lhe estatuto. Depois aborda as áreas em que ela mais gosta de trabalhar: arranjos florais, projectos de costura, decoração, conservas e bolos. E antes de se iniciar nos projectos recomenda materiais e define as principais técnicas usadas no decurso do livro.
Seguem-se os projectos divididos pelas estações do ano, como não podia deixar de ser, porque esta é de facto a opção mais lógica face à diversidade, praticidade e pertinência de todos eles. O formato de apresentação é clássico, porque numa equipa vencedora não se mexe e porque os projectos, já por si, são encantadores e não precisam de distracções. Para rematar o carácter feito-à-mão, a Constança dá explicações numa linguagem extremamente simples, acompanhadas das suas próprias fotografias.

Pronto, que eu possa expressar, o livro é isto! Mas quando leio o que acabei de escrever… bom, para quem a acompanha com tanto carinho, as palavras parecem poucas e pobres.
Não me interpretem mal. Nunca estive com a Constança pessoalmente, não posso dizer que conheça sequer 1/4 do que ela vive todos os dias e até há bem pouco tempo nunca tinha ouvido a sua voz. Mas sei que tudo neste livro foi feito em casa, à medida de uma família real, num contexto real, como o meu ou o de qualquer um de vocês. Por causa disso garanto-vos que o livro, assim como o blog, foi resultado de muito uso do abre-casas, muitas fotografias tiradas sem luz durante o Inverno inglês, posts de verão escritos enquanto o frio neozelandês se faz sentir, muitos livros empilhados a fazer a vez daquele tripé, muitas sessões fotográficas alegremente interrompidas por um Rodrigo e um Pedro, muitas bobines vazias, muitas compotas que passaram o ponto, muitas flores que afinal não abriram e de muitos bolos em que ela, acontece, esqueceu o fermento, tal e qual como eu! O resultado é apenas o fruto da perseverança, da experiência e de uma vontade enorme de partilhar com o mundo as maravilhas do saber fazer.

I’ve never been so excited by the launch of a book as by the “Mãos à Obra” book from Constança. I discovered her blog about three-four years ago, by chance, when I was looking for opinions on how to buy fabric online. A couple of months later I got there again and from then I think I must have read all her blog posts! I truly recognize the principles of the blog and and I think I have found in her words some pairing I always struggle to find. The internet may have a million problems but I can not forget how it allowed me to find peers, that is, people who share the same interests and who make us feel a little more “normal”. I have several things in common with Constança: a great desire to go with the seasons and use natural materials to create, with my own hands, which are the best and most natural instruments of all! It doesn’t matter much whether the topic or the interests are very defined. My blog is about stories, experiences, does not have a unique theme, unless this handmade thing…

When the book finally came out, it was a great joy to discover “Mãos à Obra” because it has many things that please me in a good craft book: projects that work, using affordable materials, awesome photos and a text that creates a connection with the audience.
In the first place, Constança establishes a great complicity with the reader. She opens the subject, justifies it, gives it status. After that, it addresses the areas that she likes to work with: flower arranging, sewing projects, decoration, preserves and cakes. But before starting the projects, she recommends the most common materials and defines the main techniques used in the course of the book.
The projects are divided by season, as they should, because this is, in fact, the most logical choice due to the diversity, practicality and relevance of all of them. The format is classic, because you don’t change thinks that work, do you? And because the projects, alone, are charming! They just don’t need distractions! To keep it all handmade, Constança gives her own tips accompanied by her own photographs.

Okay, so… if I know how to express myself, this is it! But when I read these last paragraphs, oh my… for those who accompany her with such affection, my words seem so short and poor…
Don’t get me wrong. I’ve never met Constança face-to-face, I don’t even know 25% of what her everyday live is and until some time ago I had never heard her voice. But I know that everything in this book was homemade, in a “real family” context, as mine or yours. Because of that, I assure you that this book, like her blog, is the result of excessive use of the seam reaper, hundreds of photo shoots with no natural light during the English winter, lots of summer posts while is freezing outside in NZ, many books piled to replace a proper tripod, several photo shoots happily interrupted by Rodrigo and Pedro, many empty bobbins, lots of jams that passed the thickening point, many flowers that, in the end, did not bloom and some cakes that haven’t rise because, you know, she forgot the baking powder, just like I do! The result, however, is the product of perseverance, experience and a strong desire to share with the world the wonders of know-how.

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Easter eggs collection

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A história dos ovos de páscoa perde-se no tempo como símbolos de fertilidade e abundância. A tradição dos ovos decorados é mais comum no mediterrâneo, nos países de leste e alguns países do oriente. Inicialmente eram ovos cozidos que eram pintados à mão com imagens relacionadas com as plantações e colheitas. Só mais tarde apareceram, pelas mãos dos confeiteiros franceses, os ovos de chocolate que, depois da revolução industrial se tornaram populares e acessíveis a um maior número de pessoas.

Hoje, é possível encontrar ovos dos mais diversos materiais, decorados pelas mãos de artesãos que insistem em preservar a essência da história dos ovos de páscoa. Apesar das amêndoas e o chocolate serem favoritos em Portugal (não fosse a grande tradição da amêndoa no nosso país), eu continuo a apreciar o entusiasmo com que estas peças são criadas.
Ora, há uns tempos, numa loja de caridade mesmo ao lado de casa, encontrei um suporte para ovos antigo que foi promovido a “local especial” para os meus ovos.

I started a small collection of Easter eggs! Over time I have received from friends some decorated eggs coming from all over the world and I take advantage of the Easter season to put them in a “special place”. I already have one from Denmark, another from Bulgaria, another from Russia, I myself brought one from Poland…
The story of Easter eggs is so old that it’s lost in time as symbols of fertility and abundance. The tradition of decorated eggs is more common in the Mediterranean countries, Eastern Europe and some other eastern countries. In early times, the eggs were boiled and hand-painted with images related to agriculture and harvesting. It was only later that the French chocolate confectioners started the tradition of chocolate eggs, that became very popular after the industrial revolution.

Today, it is possible to find eggs made from the most diverse materials, decorated by the hands of artisans who are committed on preserving the essence of the history of decorated Easter eggs. Although almonds and chocolate are the Easter favorites in Portugal (because of the great almond tradition in our country), I still enjoy the enthusiasm with which these pieces are created!
Well, some time ago, I found an old egg holder at a charity shop near home that was promoted to “special place” for my eggs.

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