Camino Handmade: cereal bars

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Esta não foi a minha primeira aventura em caminhada. Como já descrevi no blog, fazer trilhos e caminhadas é das minhas coisas favoritas desde sempre. No início ia artilhada com muita água e comida mas, com o tempo, consegui medir cada vez melhor aquilo que deveria levar comigo de forma a ter às costas o menor peso possível sem comprometer o meu bem estar.
Quando uma caminhada se prolonga por mais do que 3h, levo uma sandes reforçada, para almoço, acompanhada de um sumo de frutas, fruta, água, frutos secos e uma ou duas barrigas de cereais. Quando é mais pequena, limito-me à água, aos frutos secos e às barrigas de cereais.
Para o caminho de Santiago, entre as várias coisas feitas à mão que fui concretizando, resolvi investir em criar algumas barras de cereais adaptadas aos nossos gostos e que nos pudessem acompanhar durante os primeiros dias. Podia tê-las comprado, é certo, mas a meio da manhã, quando já estamos longe o bastante, quando o corpo começa a pesar, quando queremos algo que nos reconforte e nos dê ânimo para continuar, são estas pequenas coisas que nos ligam a casa e nos dão amor. É nelas que vemos a nossa capacidade de colocar mãos à obra, de sermos capazes de nos levantarmos, caminharmos, cuidarmos, proteger-nos e alimentar-nos, como qualquer outro ser vivo. Se caminhamos por nossos pés, se decidimos fazer um caminho por nossa determinação, há algo de coerente em sermos também nós a preparar alguma alimentação que nos suporte nas nossas decisões. É toda uma holística que nos devolve alguma autonomia numa sociedade que cultiva a dependência.

Hoje trago-vos uma das receitas que gosto de fazer e que resultou de uma combinação de coisas que fui experimentando ao longo do tempo:

Barras de amaranto, alperce e côco:

1/3 chávena de alperce desidratado bem picado
1/2 chávena de amaranto expandido*
1/2 chávena de manteiga de amendoim (eu uso biológica ou feita em casa)
1/3 chávena de flocos de côco desidratado
1/4 chávena de sementes de chia
1/3 chávena de sementes de abóbora
1/3 chávena de flocos de aveia inteiros
1/2 chávena de mel de flores
1 colher de chá de canela
1 colher de chá de extrato de baunilha
1 pitada de sal

*O amaranto expandido é muito difícil de comprar mas muito fácil de fazer. O amaranto é um grão semelhante à quinoa mas mais pequeno. Pode encontrar-se em lojas de produtos biológicos ou nas áreas de alimentação alternativa dos supermercados. Para o expandir basta aquecer bem o fundo de uma panela alta, como se fosse fazer pipocas (não juntar qualquer óleo ao fundo) e ir deitando lá para dentro pequenas porções (uma colher de sopa de cada vez) de amaranto. Reduzir para lume médio e ir agitando até que deixe de ouvir estalidos das pipocas de amarando a rebentar. Retiram-se as pipocas e volta a acrescentar-se mais uma porção de amaranto à panela. Repetir até obter a qualidade adequada. Com o amaranto expandido podem fazer-se excelentes barras de cereais ou as famosas Alegrías, um doce mexicano com amaranto e mel. Se presidir pode substituir por quinoa (reduzindo a quantidade para metade) e expandi-la exactamente da mesma forma.

Aquecer o formo a 125ºC/260ºF. Entretanto, juntar todos os ingredientes numa taça e envolver muito bem. Cobrir uma forma quadrada com cerca de 25-30cm (também é possível usar duas formas de bolo inglês) com papel vegetal. Colocar a mistura na forma e pressionar bem até que a superfície esteja completamente lisa. Colocar no forno, mais ou menos a meio, durante 30-40 minutos. Retirar do forno e deixar arrefecer completamente antes de desenformar. Cortar em quadrados ou rectângulos e embalar em papel vegetal. Conservar preferencialmente no frigorífico a não ser que sejam para ser comidas no espaço de 2-3 dias!

Acho que esta é uma receita que pela sua suavidade é aceite por maior parte dos paladares. Foi uma excelente companhia no caminho e é um excelente snack para a próxima caminhada!

This was not my first adventure in hiking. As I described sometime ago, walking or hiking is one of my favorite things since ever! When I started, many years ago, I was crawling with lots of water and food, but over time I was able to measure what I should take with me in order to keep the weight of my backpack as low as possible without compromising my well-being during the trail.
When a trail lasts more than 3 hours, I take a reinforced sandwich for lunch, accompanied by a fruit juice, fruit, water, nuts and one or two cereal bars. When it is smaller, I confine my snacks to water, nuts and cereal bars.
For theCamino, among several handmade items that I have done, I decided to create some cereal bars adapted to our tastes that could be the perfect snack for the first two or three days. I could have bought them, of course, but by mid-morning, when we’re far enough away from villages, when the body begins to weigh, when we want something that comforts us and gives us the courage to continue, it’s these little things that bind us to home and give us love. It is through them that we see our ability to get to work, to be able to get up, walk, care, protect and feed ourselves, like any other living being. If we walk on our feet, if we decide to make a path for our determination, there is something coherent about also preparing some food that supports us in our decisions. It is a holistic view that gives us some autonomy in a society that cultivates dependency.

Today I bring you one of the recipes I like to make and that resulted from a combination of things that I have been experimenting with over time:

Puffed amaranth, apricot and coconut bars:

1/3 cup finely chopped dried apricot
1/2 cup of puffed amaranth *
1/2 cup peanut butter (I use bio or made at home)
1/3 cup dried coconut flakes
1/4 cup chia seeds
1/3 cup pumpkin seeds
1/3 cup oats
1/2 cup of honey
1 teaspoon cinnamon
1 teaspoon vanilla extract
1 pinch of salt

* Expanded amaranth is very hard to buy but very easy to make. Amaranth is a grain similar to quinoa but smaller. It can be found in organic food stores or in the alternative food areas of supermarkets. To expand it, simply heat the bottom of a tall pan, as if making popcorn (do not add any oil to the bottom) and pour in small portions (one tablespoon at a time) of amaranth. Reduce to medium heat, cover the pan and shake it until you no longer hear any popping from the amaranth grains. Remove the puffed amaranth to a bowl and add another portion of amaranth to the pan. Repeat until you get the amount of puffed amaranth you need. Using puffed amaranth you can make excellent cereal bars or the famous Alegrías, a Mexican sweet made with amaranth and honey. If you want you can substitute it with quinoa (reducing the amount by half) and puff the quinoa it in exactly the same way.

Heat the oven to 125ºC / 260ºF. Meanwhile, combine all the ingredients in a bowl and mix well. Cover a square tin with about 25-30cm (it is also possible to use two English cake tins) with greaseproof paper. Put the mixture in the tin and press well until the surface is completely smooth. Put it in the oven, in the middle, for 30-40 minutes. Remove from the oven and let it cool completely. Cut into squares or rectangles and pack them in greaseproof paper. Store preferably in the refrigerator unless they are to be eaten within 2-3 days!

I think this is a recipe that, by its softness, is accepted by most of the people. It was a great company on the Camino and is a great snack for your next hike!

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Camino handmade: Scalop

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Eu prometi que o meu caminho tinha de ser feito à minha maneira e um dos pesos que foi na minha balança foi a questão da criatividade que é um dos temas explorados neste blog. E é aqui que entra, entre várias coisas, a minha vieira.

Se há símbolo que identifica os peregrinos a Santiago de Compostela é a vieira.
Hoje é possível encontrar vieiras grandes, bonitas, muitas vezes com a pintura da espada de Santiago a vermelho e que são comuns entre os peregrinos. Eu não ia comprar nenhuma vieira mas dois amigos que fizeram o Caminho algumas semanas antes surpreenderam-me com uma com as características que referi acima. É linda e tem o significado associado à amizade daquelas duas pessoas!

Mas eu não levei uma mas sim duas vieiras. A segunda foi “feita” à mão, por mim.
Bom, idealmente eu apanharia conchas de vieiras na praia…! É uma perspectiva muito romântica mas isso não é um acontecimento regular por aqui sobretudo porque eu queria arranjar vieiras para mim, para os meus companheiros no Caminho e para os amigos que fariam o Caminho antes de mim. Claro que medi as minhas idiossincrasias e cedi à opção mais próxima do ideal: arranjei-as localmente, nos pescadores em Matosinhos. Estas vieiras têm o seu caracter. São mais pequenas e por isso parecem concentrar em algo frágil alguma magia. Não são perfeitas, tal como nós: umas têm manchas no interior, outras têm as abas partidas, mas a verdade é que todas são especiais e todas me atraíram a atenção.

A primeira coisa que tive de fazer foi um furo em cada uma delas para poder enfiar um cordel que me permitisse prendê-las às mochilas. Como o material é frágil, optei por usar uma antiga broca manual do avô Artur e ainda o jeito do Carlos para a utilizar!

Depois, em casa, testei a absorção de vários tipos de tinta em conchas que apanhei na praia e aventurei-me a pintar as vieiras com aguarela, que é também uma técnica que se vem cruzando comigo em momentos e locais especiais.
Não queria um desenho definido, apenas manchas como as que faço regularmente para o blog, com as cores que gostaria de levar no coração. Por fim, escolhi um cordel de algodão e as vieiras ficaram prontas a pendurar!

A experiência foi muito interessante e o resultado lembra-me constantemente a vertente criativa que pesava na minha balança. Além disso sinto que foi um pequeno passo que já fazia parte desta grande caminhada. Por fim, sendo eu um bocado “galinha”, o facto de arranjado vieiras para outros peregrinos também me uniu, de certa forma, ao seu caminho e ofereceu-lhes um pouco do amor, apoio e protecção que um bom amigo espera oferecer.

 

I promised that I would walk my Camino my way! And one of the weights that was on my scale was the issue of creativity, that is one of the themes explored on this blog. And this is where my scallop comes in, among other things.

If there’s a symbol that identifies the pilgrims to Santiago de Compostela is the scallop.
Today it is very common among pilgrims some beautiful, large scallops, with the symbol of Santiago’s sword painted in red. I was not going to buy those scallops but two friends of mine, who walked the Camino a few weeks before me, surprised me with one of those scallops. It is beautiful and has the meaning associated with the feelings I have about those two friends!

However I decided I will take, not one but two scallops to the Camino. The second one was “made” by me.
Well, ideally I’d pick some scallops on the beach …! It is a very romantic view but this is not a regular occurrence here, mainly because I wanted to get scallops for myself, for my companions and for the two friends who would walk the Camino before me. Of course I measured my idiosyncrasies and went with the closest option to the ideal: I got them locally, in the fishermen in Matosinhos, Porto. These scallops have character! They are smaller and so they seem to retain some magic. They are not perfect, just like us: some have spots on the inside, others have broken tabs, but the truth is that they are all special and all attracted my attention when I was picking them.

The first thing I had to do was punch a hole in each of them so I could thread a string that would allow me to attach them to the backpacks. As the material is very fragile, I chose to use an old hand drill from my grandpa Artur and the skill of Carlos to use it!

Then, at home, I tested the absorption of various types of paint into shells I found on the beach and finally ventured to paint the scallops with watercolor, which is also a technique that has come across me at special moments and places.
I did not want a special design or drawing, just some blurs like the ones I do regularly for the blog, with the colors I would like to carry in my heart. Finally, I chose a cotton string and the scallops were ready to hang!

The experience was very interesting and the result reminds me constantly of the creative side that weighed on my scale. I also feel that it was a small step that was already part of this great journey. Finally, being a bit of a doting friend, the fact that I was able to get scallops for other pilgrims somehow joined me to their Caminos and offered them some of the love, support and protection that a good friend hopes to offer.

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Repurposing a men’s shirt

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Entre as arrumações que fiz na primavera encontrei umas camisas de homem que deixaram de ser usadas. Não foi pelo facto de estarem velhas mas porque deixaram de servir ou o corte estava fora de moda.
Uma delas era uma camisa de linho azul cujo tecido estava em óptimas condições. Custava-me muito desfazer-me dela e guardei-a até lhe encontrar uma nova utilidade. Quando me iniciei na onda da confecção achei que podia reutilizar a camisa e fazer uma blusa de verão para mim.

Foi a segunda vez que usei o modelo do Basic top da Cali Faye (a primeira foi aqui) mas tive de introduzir uma alteração por causa da quantidade de tecido disponível.
Usei as costas da camisa para cortar a frente da blusa e restavam-me as duas frentes da camisa para a parte de trás, o que significava que tinha de dividir o molde a meio, cortar cada uma delas em cada uma das frentes da camisa e depois coser as duas partes. Pessoalmente agrada-me muito a ideia de uma costura central nas costas porque cria um detalhe decorativo num tecido tão despojado como este.
Mas uma costura simples não me preenchia pelo que optei por introduzir uma costura decorativa usando o método das pregas pespontadas.

Para esta costura começa-se por alinhavar à máquina sobre a linha de costura. Depois corta-se a linha da bobina de 5 em 5 pontos e abrem-se as margens de costura com o ferro.
Corta-se uma tira do mesmo tecido ou de um tecido contrastante com 4cm de largura e tanto comprimento quanto o da peça. Eu dobrei-a em viés de forma a melhorar o acabamento mas não é obrigatório. Depois basta centrá-la no avesso da peça de forma a esconder as margens da costura anterior. Eu encaixei as margens no interior da minha tira de viés. Alinhava-se de ambos os lados ou colocam-se alfinetes e, por fim, aplica-se um pesponto de cada lado, a igual distância do centro. Retiram-se todos os alinhavos incluindo o da costura inicial e fixam-se todas as costuras com o ferro.

Esta técnica cria uma costura aberta, com duas pregas, que fica fixa pela tira de tecido costurada pelo interior.
Acho que criou um pormenor muito interessante nesta blusa, permitiu-me facilmente resolver a questão das limitações do tecido e ainda reutilizar uma camisa sem utilidade mas com um tecido em excelentes condições!

Last spring, while I was tiding up and reorganizing summer clothes on our closets, I found some men’s shirts that were no longer used, not because they are old but because they no longer fit or because went out of fashion.
One was a blue linen shirt in a very good condition. It was hard for me to get rid of it, so I kept it until I found a new use for it. Then, when I started sewing my own clothes, I thought I could reuse the shirt and make a summer blouse for me.

It was the second time I used the Basic Top pattern from Cali Faye (the first was this) but I had to introduce some alterations since I was limited by the amount of available fabric.
I used the back of the shirt to cut the front of my blouse and then I was left with the two fronts of the shirt to use in the back of the blouse, which meant I had to split the back in half, cut each part from each of the shirt fronts and then sew the two parts together. Personally, it pleases me the idea of a central seam in the back because it creates a decorative detail in such a modest fabric as this one is.
But a simple sewing did not meet my goals, so I chose to introduce a decorative seam using the slotted seam method.

For this seam, make a plain seam on the wrong side of the work, following the seam line. Cut through every fifth stitch using a seam ripper and press the seam open.
Cut a straight strip of 4cm of fabric wide (you can use the same fabric or a contrasting fabric). I folded it in bias in order to get a better finishing but this is not required. Center the strip on the wrong side over the open seam. I wedged the seam allowances inside my bias strip. Pin and then machine stitch the strip to the seam allowance, stitching along either side of the seam at an equal distance from it. Machine stitch from the right side of the work to get a better finish. Remove the long stitches that made the original seam to produce an open seam with parallel lines of stitching on either sides.

This technique creates a decorative seam, shown on the right side. The edges of the seam open to reveal an under layer.
I think it created a very interesting detail to this blouse, allowed me to easily solve the fabric availability issue and to reuse a useless shirt with a fabric in excellent conditions!

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Raspberry Jam

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Depois do batido de amoras de amoreira, vou continuar na onda dos frutos vermelhos! E hoje é dia de falar de compotas. É que as compotas de frutos vermelhos, em especial a de framboesa-preta, são as minhas favoritas. Eu aprecio frutos com alguma acidez e frescura e acho que nenhuns preservam tão bem esta bela combinação numa compota como os frutos vermelhos.

Com o fim da primavera e o início do verão é comum encontrar nos quintais uma autêntica explosão de arbustos de framboesa. Estes arbustos são considerados por muita gente uma autêntica praga! Nesta altura do ano quase podemos vê-los crescer, deitar rebentos, invadir espaços alheios e todos os dias é possível apanhar uma mão cheia de novos frutos que parecem ter sido lá pendurados por duendes durante a noite.
Por vezes a abundância é tanta que nos podemos dar ao luxo de partilhar a doçura das framboesas com os pardais e os melros e assim atrair mais biodiversidade aos nossos jardins e hortas. Por aqui, e para minha felicidade, este ano é “ano de framboesas”, ou seja, ano de abundância deste e de outros frutos vermelhos!

Ora, em geral os frutos vermelhos como as framboesas, mirtilos, amoras e groselhas são tão efémeros, tão frágeis e delicados é quase impossível aproveitar tudo sem fazer uso de uma boa dose de criatividade! Já comi boas doses de framboesa ao pequeno almoço com o meu iogurte caseiro, já tive oportunidade de as usar em sobremesas, sumos de fruta, batidos mas o que mais gosto de fazer com as framboesas é a sua deliciosa compota.

Há uma certa magia em preservar fruta em compota! Pensando bem, em meados de Janeiro e Fevereiro, não há muita coisa que nos alegre e nos encha de esperança e entusiasmo como barrar uma fatia de pão caseiro ou scones com uma boa dose de verão sob a forma de compota. E, no meu ideal, essa compota é de framboesa!

Para fazer a minha compota fui “coleccionando” framboesas, congelando-as até obter uma quantidade generosa. Quando já tinha uma porção considerável coloquei-as num tacho largo, de fundo espesso e acrescentei o equivalente a 60% do seu peso de açúcar. Levei o tacho ao lume alto e fui mexendo com a colher-de-pau. Deixei ferver vigorosamente durante 5 minutos e a partir daí fui testando o ponto estrada num prato arrefecido. Distribui a compota por frascos esterilizados, tapei-os e deixei arrefecer. Não me parece que durem muito tempo mas espero guardar um ou dois frascos para o inverno!

 

After the mulberry smoothie, I’ll continue writing about berries! And today is the day to talk about jam. It’s just that the red fruit jams, especially the black raspberry, are my favorites. I appreciate fruits with some acidity and freshness and I don’t think that no fruit preserve this beautiful combination in a jam as well as red fruits.

In the late spring and early summer it is common to find an authentic burst of raspberry bushes in our backyards. These shrubs are sometimes considered a huge plague! At this time of the year I believe I can almost see them grow, lie shoots, invade other plants’s space and every day I can pick up a handful of new fruits that seem to have been hanged overnight by gnomes.
Sometimes the profusion is so big that we can spare to share the sweetness of the raspberries with the sparrows and the blackbirds and thus attract more biodiversity to our gardens. Around here, and to my own happiness, this year is “raspberry year”, which means a year of abundance of this and other red fruits!

Now, generally the red fruits such as raspberries, blueberries, blackberries and currants are so ephemeral, so fragile and delicate thatit is almost impossible to enjoy everything without a good dose of creativity! I’ve eaten lots of raspberry at breakfast with my homemade yogurt, I used them in desserts, fruit juices, smoothies but the thing I like do do the most with raspberries is its delicious jam.

There is a certain magic in preserving fruit in jam! You see: in mid-January and February, there isn’t much that can cheerful us and fill us with hope and enthusiasm as to spread a good dose of summer in the form of jam on a slice of homemade bread or scones. And in my dreams, this jam is raspberry jam!

To make my jam I “collected” raspberries by freezing them until I got a generous amount. When I had a large portion, I placed them in a large, thick bottom pan and added the equivalent of 60% of their weight in sugar. I placed the pan over high heat and stirred with the wooden spoon. I let it boil vigorously for 5 minutes and then started testing the sugar point on a cooled plate. Them I distribute the jam by several sterilized bottles, cover them and let them cool. I don’t think they will last long but I hope to keep one or two bottles for the winter!

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