The vulnerability of my Nature Journal

(scroll for the English version)

 

Devem estar a perguntar-se onde é que eu parei para partilhar convosco o resultado final do meu Nature Journal?
Ora bem, eu parei de o partilhar em Outubro mas não desisti dele: as 52 semanas de Nature Journal foram feitas até ao fim. Mas, a certa altura, este tornou-se um assunto um pouco “emocional” para mim, um projeto que eu quis proteger debaixo da minha asa. E com isso acabei por não partilhar o maravilhoso resultado convosco. Não merecem! 99% de vocês não merecem que eu desista de partilhar. Pelo contrário, merecem antes que eu partilhe tudo até ao fim porque vocês fazem parte da minha motivação para continuar: post após post… palavra após palavra.

 

Porém, a certa altura houve um receio em partilhar. Nem todos usam os conteúdos que expomos cá fora da mesma forma. Os desafios de escrever um blog são imensos sobretudo quando partilhamos algo que amamos fazer do fundo do coração. Eu tenho tendência para ver os outros como iguais, que é uma forma muito pouco realista de ver a vida. Há pessoas que nos incentivam e nos desejam o melhor, assim como há quem não seja capaz de respeitar essas forças: os copycats e os trolls são uma constante na internet e já existe um número infindável de conteúdos (mais ou menos intensos) acerca deste assunto. Escrever acerca deste assunto poderia tornar-se um post deprimente sobre um assunto real e motivado por um projecto belíssimo! Eu decidi escrever sobre o assunto porque o que me inibiu não se tratou nem de um copycat (pelo menos não na sua versão virtual) ou de um troll (pelo menos não na sua versão virtual…). Foi muito mais próximo do que isso… E é muito mais difícil quando se trata de alguém que conhecemos e que tenta a todo o custo, a qualquer custo, substituir-nos na vida das nossas pessoas, nas que ocupam o nosso coração, naquilo que fazemos e generosamente partilhamos. A mensagem a reter era “obrigada por partilhares, agora que eu já sei como fazer, nós já não precisamos de ti”. Foi como morder a maçã no jardim do Éden. Eu percebi que estava despida por ter dado tanto de mim e me estarem a decepar as pequenas flores que eu semeara no meu jardim, quando elas podiam estar aqui, para todos as apreciarem. Nunca mais comprei flores. Esta experiência deixou-me perplexa perante tantos de vocês que, muitos sem sequer me conhecer, me dão um apoio positivo tão significativo. Fiquei a conhecer um pouco do mal.

 

Por vezes, alguma distância é absolutamente indispensável e o que eu senti a certa altura era que precisava que, entre todos os projectos do blog, pelo menos um que fosse meu. Só meu, que eu pudesse ter no meu seio, que me cobrisse, que me vestisse de mim. E perante a realidade de eu estar a partilhar tudo, a ideia de “proteger” aquele projeto que me era mais querido foi a solução menos má. Por isso eu decidi guardar para mim o meu Nature Journal.

 

Muito tempo mais tarde, a clareza evidenciou-se no meu caminho, a distância fez-se valer, e eu já envergava um vestido fresco com padrão de flores. Sei que fui a única a aprender com a situação, porque a distância é uma ferramenta que não serve quando ser egoísta é uma marca de caracter, mas foi o suficiente para eu perceber que a este 1% de seguidores eu tenho de dar o valor que foi dado à minha generosidade. Nenhum. Por esse motivo resolvi que queria mostrar-vos o meu Nature Journal completo e terminado. Este foi um projeto com muito poder sobre mim: resiliência, diligência, sensibilidade e aprendizagem. Que enalteceu o meu respeito pela natureza, pela vida sob qualquer forma, a minha vital capacidade de contemplar e aprender, de criar, com as minhas próprias mãos o que mais ninguém conseguirá fazer por mim. Porque eu sou única no mundo. Obrigada aos que me seguem por bons motivos: aos que me embalam na mesma canção. Para os restantes não tenho nada para oferecer.

 

Abaixo podem encontrar o meu Nature Journal de 2018, com uma página por semana revelando o melhor dos meus dias, apesar de tudo o que passou.

 

You must be wondering when did I stop to share with you my 2018 Nature Journal?
Well, I stopped sharing it in October but did not give up on it: all the 52 weeks of the Nature Journal were done until the end. But at one point, this somehow became an “emotional” subject for me, a project that I wanted to protect under my warm wing. And with that I did not share the wonderful result with you. Well, you do not deserve this! 99% of you do not deserve that I just o give up on sharing. On the contrary, you deserve that I share everything until the end because you are part of my motivation: to continue writing and making, post after post … word after word.

 

But at one point there I was afraid of sharing. Not everyone uses the content I expose here in the same way. The challenges of writing a blog are immense especially when we share something we love to do from the bottom of our hearts. I tend to see others as equals, which is a very unrealistic way of seeing life. There are people who encourage us and wish us the best, just as there are those who can not respect these forces: copycats and trolls are a constant on the internet and there are already an endless number of (more or less intense) content about this subject . Writing about this subject could become a depressing post on a real subject and motivated by a gorgeous project! I decided to write about it because what inhibited me was not a copycat (at least not in its virtual version) or a troll (at least not in its virtual version…). It was much closer than that… And it is much more difficult when it comes from someone we know and who tries by all chances, any chances, to replace us in the lives of our people, those who live in our heart, in what we do and generously share. The message to hold was “Thank you for sharing, now that I already know how to do it, we do not need you any more.” This attitude was like biting the apple in the garden of Eden. I realized that I was naked for having given so much of myself. The beautiful small flowers I had sowed in my garden were being gutted off when they could be here for all to enjoy. I never bought flowers again. This experience left me perplexed over so many of you who, many without even knowing me, give me such significant positive support. From that 1% I got to know a bit of evil.

 

Sometimes some distance is absolutely indispensable and what I felt at a certain point was that I needed, among all the blog projects, at least one that was mine. Only mine, that I could have in my lap, to cover me, to dress me. And facing the reality that I was sharing everything, the idea of “protecting” the project that was the dearest to me was the least bad solution. So I decided to save my Nature Journal for myself.

 

A long time later, clarity was back in my path, the distance made its magic and I wasn’t naked again, I was already wearing a fresh dress of flowered pattern. I know I am the only one who learned from the situation, because distance is a tool that is not useful when being selfish is a mark of character, but it was enough at least to me to realize that to this 1% of acquaintances, I have to give them the value that was given to my generosity. None. That is why I decided that I wanted to show you my complete and finished 2018 Nature Journal. This was a project with a lot of power over me: resilience, diligence, sensitivity and learning. That praised my respect for nature, for life in any form, my vital ability to contemplate and learn, to create, with my own hands what no one else can do for me. Because I’m the only one like me in the world. Thank you to those who follow me for good reasons: those who rock me in the same lullaby. For the rest I have nothing to offer.

 

Here is my Nature Journal of 2018, with one page a week revealing the best of my days, despite everything that has gone on.

 

Continue Reading

Handmade Notebook Workshop

(scroll for the English version)

 

Lembram-se dos meus cadernos feitos à mão? O processo de os fazer é tão bonito que aceitei o convite da Cristina da Árvore com Alma para um workshop de encadernação criativa. O workshop decorrerá no Porto, no belíssimo atelier Árvore Com Alma na Rua Faria Guimarães, dia 25 de Maio entre as 15h e as 18h. Podem inscrever-se até ao dia 23 de Maio através do e-mail arvorecomalma@gmail.com ou através do número 919862332!

 

Vamos produzir um caderno de tamanho A6 com cada dupla, costuras cruzadas e 120 páginas de 90g, perfeitas para escrever e desenhar com diversos tipos de materiais como lápis de grafite, de cor, esferográficas ou canetas de tinta permanente! Um caderno feito à mão ideal para escrever ou planear as vossas próximas experiências “handmade”!

 

Do you remember my handmade notebooks? The process of making them is so beautiful that I accepted the atelier Árvore com Alma invitation for a creative workshop about handmade notebooks. The workshop will be held in Porto, in the beautiful Atelier Árvore Com Alma at Rua Faria Guimarães, on May 25 between 3pm and 6pm. You can register until May 23rd through the email arvorecomalma@gmail.com or through the number 919862332!

 

We will produce an A6 size notebook, cross stitched, with 120 pages of 90g, perfect for writing and drawing with various types of materials such as graphite, colored pencils, ballpoint pens or permanent ink pens! An ideal hand-made notebook to write or plan your next handmade experiences!
Continue Reading

From gouache to watercolour painting

(scroll for the English version)

Lembram-se deste post?
A minha experiência com o guache foi fascinante. Não creio que o utilize em todos os casos. Para já, continuo a sentir que a aguarela e o óleo são as minhas favoritas, muito embora a aguarela seja um grande desafio para mim. Contudo, compreendi que gosto de trabalhar o guache em determinadas situações e creio que para ilustradores possa ser uma experiência muito enriquecedora. Estudos, tecnicas de sobreposição de manchas, ilustração com aspecto de serigrafia… o guache pode ser tão ou mais interessante do que eu imaginei!

Logo depois chegou o momento de trabalhar a aguarela. E foi aqui que a descoberta foi “diferente”. Para variar, com a aguarela, não estava à espera de outra coisa… só não sabia exactamente o que esperar. Eu já conhecia algumas técnicas pelo que, de início fiquei algo desapontada com o que estava a aprender. Claramente eu estava mais ciente em relação aos meus colegas já que o meu conhecimento prévio era um pouco maior. E vê-los progredir era fascinante. Olhar para os seus trabalhos e ver nas suas caras a expressão da descoberta foi, só por si, uma grande experiência. Mas e eu? Durante algum tempo não me vi a caminhar ao mesmo ritmo, muito embora tenha descoberto novas formas de pintar, novas técnicas. Ora, a certa altura eu estava com menos tempo para pintar e algo desmotivada. Eu queria mais mas não estava a ter os momentos de dedicação que o justificassem.

Ora, numa tarde chuvosa de sábado, esbocei uma série de exercícios, peguei no meu material e fui pintar para um café. Passei uma tarde inteira entre café, aguarelas, podcasts e torradas com compota. Depois de passar quase três horas a pintar percebi os progressos que tinha feito naquele bocadinho: nunca antes tinha pensado que, por vezes é preciso um tempo de aquecimento, uma determinação para várias horas, um ambiente livre e uma boa luz para detectarmos progressos. Não me interpretem mal, mas a verdade é que, por vezes, o período de aula não é paciente connosco, é demasiado consciente, algo condescendente connosco… Confronta-nos. Aquela experiência mostrou-me que, depois do conhecimento básico, da primeira descoberta, é preciso predispormo-nos para saber mais. E, correndo o risco que vos desiludir com aquilo que parece um velho cliché, a única coisa que podemos fazer para evoluir é pintar, pintar, pintar. Não ficar com a dúvida da peça anterior e testá-la na seguinte, minutos depois. Não deixar que arrefeça a dúvida no espaço qua vai entre pintar um e outro quadro. Ao longo de uma sessão de trabalho, a mente vai trabalhando sozinha. O processo não é tão consciente quanto uma metódica como eu gostaria mas a dúvida nunca deve existir.

Do you remember this post?
My experience with gouache was fascinating. I don’t think I’ll use it in many cases. For now, I still feel that watercolor and oil are my favorites, even though  watercolor is a big challenge for me. However, I understood that I enjoy working gouache in certain situations and I believe that for illustrators it can be a very interesting experience. Studies, overlapping layers, illustrations imitating serigraphy… the options are endless and gouache can be so much more interesting than I imagined!

Soon after, it was time to work with watercolour. And it was in that moment that my discoveries were of a very “different” kind. As usual, with the watercolour, I was not expecting anything else… I just did not know exactly what to expect! I already knew some techniques from the work I have done before so, at first I was somewhat disappointed with what I was learning. Clearly I was at least a little more aware of the technique than my colleagues since my prior knowledge was slightly bigger. And watching them progress was fascinating. Looking at their work and seeing in their faces the expression of discovery was, by itself, a great experience. But what about me? For some time I did not see myself walking at the same pace, even though I discovered new ways of painting, new techniques. Well, this was one thing. The other thing was that, at one point I had less time to paint. I wanted more but I was not having the moments of dedication that justified my demand.

So, on a rainy Saturday afternoon, I sketched a series of exercises, took my stuff and went to paint to a coffee shop. I spent the entire afternoon immersed in coffee, watercolours, podcasts and toast with jam. After spending almost three hours painting I realized the progress I had made: first of all I had never before thought that sometimes it takes a warm-up time to make it work, a determination or openness for several hours of dedication, a free environment and a good light to detect progress. Don’t get me wrong: the truth is that sometimes the class period is not patient with us, is too conscious, somewhat condescending with us… it confront us. That makes it necessary to work at home. That experience showed me that, after the basic knowledge, the first discovery, we must be inclined, predisposed to know more. And, taking the risk of disappointing you with what looks like an old cliche, the only thing we can do to evolve from that point on is to paint, paint, paint. Do not forget the doubts about your last piece and try them on the next, minutes later. Do not let them cool in the space that goes between paintings. Throughout a work session, the mind works by itself, all alone, no control. The process is not as conscious as a methodical one as I would like but the doubt must never exist.

Continue Reading

My Zero Plastic Snacks workshop!

 

(scroll for the English version)

O meu último workshop foi sobre Snacks Zero Plástico para levar para todo o lado! Para algumas das formandas a questão dos plásticos era um assunto recente pelo que acabei por esclarecer uma série de dúvidas e fazer uma montanha de sugestões para colocar em prática em vários aspectos da nossa vida.

Contudo, foi unânime que o hábito de comprar snacks ou levar para o trabalho opções embaladas é uma prática enraizada na nossa cultura. Quer crianças como adultos já praticamente deixaram de levar um lanche saudável, típico da nossa infância. Na verdade, como expliquei, quase todas as opções feitas em casa podem ser opções sem plástico caso sejamos conscientes na compra dos ingredientes (opções a granel ou em embalagem de papel) e na embalagem que criamos para os resultados das nossas receitas!

Por isso apresentei três receitas, entre elas as minhas barritas de cereais, feitas com ingredientes que são possíveis de encontrar sem embalagem de plástico, rápidas, saborosas e muito saudáveis.

Por fim, depois de provarmos tudo o que fizemos, ainda sugeri e ensinei uma série de opções para embalagem sem recurso a plástico que se revelaram muito divertidas!

Na próxima semana tenho mais 8 alterações para vos apresentar do meu desafio de baixo impacto em plástico de 2019!

 

My last workshop was about Zero Plastic Snacks to take everywhere! For some of the participants the issue about plastics was a recent issue so I ended up clarifying a several doubts and making a ton of suggestions to put into practice in various aspects of our life.

However, it was unanimous that the habit of buying snacks or taking from home packed snacks options is a practice that is rooted in our culture. Both children and adults practically stopped having a healthy snack, typical of our childhood. In fact, as I explained, almost all homemade choices can be plastic-free options if we are aware of it while we are buying the ingredients (bulk or paper packaging options) and making the packaging for the results of our recipes!

I presented three recipes, including my cereal bars, made with ingredients that are possible to find without plastic packaging, that are fast to make, tasty and very healthy.

Finally, after tasting everything we did, I also suggested and taught a number of plastic-free packaging options that turned out to be so so fun to make!

Next week I will present 8 more swaps of my low plastic impact challenge of 2019!

Continue Reading