Quince Paste

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Fazer marmelada é das tradições sazonais mais antigas das minhas recordações. E mais do que o seu sabor doce, textura cremosa e cor rubi, é do cheiro que tenho mais lembranças. Não me lembro de haver um outono sem cheiro a marmelada a fervilhar durante uma tarde de sábado na panela. Fazer marmelada marcava o momento de mudança da hora, o início do tempo fresco ao fim da tarde, da roupa de meia estação, das folhas vermelhas nas árvores, do verdadeiro fim do verão. E o fervilhar da panela trazia uma vontade enorme de chegar a casa cedo, beber chá e andar de meias!

 

Há uns anos para cá que a minha mãe começou a fazer marmelada na panela de pressão. O processo é bastante mais rápido, resulta numa marmelada bem vermelha e sem perigo de queimar ou passar o ponto. Com o tempo fui aperfeiçoando o método e a estratégia porque o açúcar e a panela de pressão não são os melhores amigos!
Em primeiro lugar, tento encontrar marmelos de produção local. A minha avó costuma ter alguns marmelos mas como nem todos os anos a produção é generosa, tento sempre arranjar boas alternativas nas mercearias locais. Quanto mais saudáveis estiverem, melhor, porque no marmelo tudo se aproveita: a polpa, a casca e os caroços.
Quando chego a casa uso 1kg de marmelos de cada vez para evitar que o açúcar suba na panela de pressão e saia pelo controlo de pressão. A minha panela de pressão leva bem mais que isso mas da última vez que tentei fazer mais do que 1kg de marmelos foi uma grande confusão: sujei o fogão e o exaustor todo com açúcar em caramelo. Agora, caso tenha marmelos a mais prefiro usá-los faseadamente, eventualmente em dias diferentes, e posso até guardá-los descascados no congelador e fazer marmelada fresca quando quiser.
Para fazer a marmelada descasco os marmelos, retiro-lhes o caroço e as partes escuras até obter 1kg de marmelos descascados e cortados em pedaços. Reservo as cascas e os caroços para fazer a geleia.
Na panela de pressão coloco 2 ou 3 colheres de sopa de água, 800g de açúcar e depois os marmelos. Ligo o lume e mexo até que o açúcar se dissolva e os marmelos comecem a libertar algum sumo. Coloco a tampa, deixo levantar fervura e reduzo o lume para o mínimo deixando ferver durante 20 a 30 minutos. Depois desligo o fogão até que a pressão da panela reduza o suficiente para a poder abrir. Nesta altura os frutos estão com uma tonalidade vermelha muito convidativa. Trituro tudo com a varinha mágica, com muito cuidado para o açúcar não saltar, e acrescento o sumo de um limão grande de forma a parar o processo de caramelização, dar alguma acidez à marmelada e garantir uma cor vermelho vivo. Dependendo da consistência posso voltar a colocar a panela ao lume, destapada, com o lume no mínimo e durante uns 5-10 minutos sem deixar borbulhar muito, até fazer ponto estrada. Depois é só distribuir pelas taças e deixar a marmelada secar durante 2-3 dias antes de a tapar!

 

Making quince paste is the oldest seasonal traditions of my memories. And more than its sweet taste, creamy texture and strong red colour, is the smell that make my memories. I do not remember having an Autumn without the scent of quince simmering in a pan during one Saturday afternoon. Making quince paste meaned the autumn time shift, the early sunsets, the cooler weather in the evening, the mid-season clothes, red leaves in the trees, the true end of the summer. And the simmering from the pan brought a strong desire to get home early, drink tea and walk on knitted socks!

 

A few years ago, my mother started making quince paste using the pressure cooker. The process is much faster, resulting in a bright red paste and without any burning or caramelizing. Over time I improved the method and the strategy because: sugar plus pressure cooker are not best friends!
First of all, I always try to find quinces from local production. My grandmother usually have some but not every year so I always try to find good alternatives in local grocery stores. The healthier they are the better because, regarding quinces, everything is useful: the pulp, peel and even the seeds.
When I get home I use 1kg of quince at a time to make the paste in order to prevent the sugar from going up in the pressure cooker and out from the pressure control. My pressure cooker takes much more than that but the last time I tried to use more than 1kg of quince it was a big mess: I got quince caramel all over my kitchen! Now, I do it in bunches, on different days, eventually, and I can even store them peeled in the freezer and make fresh quince paste whenever I want.
To make the paste, peel and take off the seeds from about 1kg of quince. Reserve the peels and seeds to make quince jam.
In the pressure cooker, put 2 or 3 tablespoons of water, 800g sugar and then the quince. Turn on the heat and mix until the sugar dissolves and the quinces begin to release some juice. Place the lid, let boil, reduce the heat to the minimum and let cook for 20 to 30 minutes. Then turn off the heat and let the pressure reduce enough for you to be able to open the pan. At this time the quince usually have this inviting red colour. Grid all the pan content using a food processor, taking care to not burn yourself in the hot sugar, and add the juice of a large lemon in order to stop the caramelization process, to give some acidity to the quince paste and to get a bright red colour. Depending on the consistency you may need to put the pan back on the heat, uncovered, for about 5-10 minutes. Then just distribute the the quince paste in sterilized bowls and leave it to dry for 2-3 days before cover and store them!
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Autumn Knitting

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Pode parecer algo vulgar, mas um dos meus hobbies favoritos de outono é o tricô. O que é que há de tão especial no outono para pôr meio mundo a tricotar?
À parte as suas características terapêuticas, tricotar no outono cria a sensação de preparar algo confortável para a estação fria e algo depressiva do inverno, traz-nos algum controlo, permite criar com as nossas mãos algo cheio de carinho, equilibrar grandes mudanças de clima com projectos entusiasmantes e ainda tirar proveito do movimento ondulante do tricotar que acalma a mente, dá espaço à reflexão e não nos deixar deprimir pela menor quantidade de luz e calor.
Eu gosto de usar todos os tipos de fios, mas a lã é, por excelência o meu material favorito e é no Outono que ela mais apetece.
Este outono comecei um xaile feito com a lã Ofélia da Ovelha Negra, que é uma novidade para as minhas mãos. A Ofélia é uma lã virgem, 100% merino, de dois cabos, produzida na Irlanda e com cores enérgicas. Já vi inúmeros projectos feitos em Ofélia e parece-me ser uma lã muito versátil quer seja trabalhada numa só cor, a dois fios iguais ou mesmo em combinação com outro fio mas, para mim, a Ofélia fica especialmente bem em projectos onde a cor é o principal foco.

 

O modelo que escolhi foi o xaile Masgot da Justyna Lorkowska, uma das minhas designers de malhas favoritas. O modelo é muito simples e usa apenas o ponto de jarreteira pelo que é bom para se fazer em companhia de mais tricotadeiras, a ver a nossa série favorita ou a ouvir um bom podcast ou álbum, sendo ainda um projecto perfeito para evidenciar as cores intensas da lã Ofélia. Gostei tanto da combinação usada pela designer que acabei por escolher tonalidades aproximadas entre as cores disponíveis: o Nougat(292) e o Bleached White(104) ambos para a base, e por fim o Peacock(478) para as riscas.

 

Por muito simples que sejam os projectos de tricô, eu gosto sempre de aprender algo novo em cada um. Com este xaile vou ter oportunidade de aprender a trabalhar com mais do que uma cor em simultâneo e ainda estrear-me nas famosas “short rows”, uma técnica muito versátil para criar formas nas peças tricotadas.
Se quiserem acompanhar os meus progressos neste projecto basta visitarem o meu perfil no Ravelry.

 

Regarding autumn hobbies, I am as ordinary as you can think: knit is my favorite. What’s so special in the autumn to make half the world start to knit?
Along with its therapeutic characteristics, knitting during fall creates the feeling of preparing something comfortable for the cold, sometimes depressing, winter season, bring control, allows you to use your own hands to create something full of love and affection, to balance great changes with exciting projects and to take advantage of the undulating movement of knitting that eases our mind, opens some space for new thoughts, without letting us be depressed by the lack of light and heat.
I love to use all types of yarn, but wool is my absolute favorite, and it’s during autumn that wool pleases me most.
This autumn I started a shawl done with Ofélia from Ovelha Negra, which is a new yarn for my hands. Ofélia is an 100% merino virgin wool, with two cables, produced in Ireland and dyed with energetic colors. I already have seen numerous projects using Ofélia and it seems to be a very versatile wool either worked in one color, two similar threads or even in combination with other type of thread but, for me, Ofélia gets much more special in projects where color is the main focus.
 
The pattern I chose was the Masgot Shawl by Justyna Lorkowska, one of my favorite knitting designers. The pattern is very simple, made in garter stitch, so it’s good to make during a knitting meeting, while seeing our favorite TV series or listening to a great podcast or album, and it is also the perfect project to highlight the intense colors of Ofélia. I loved the color combination used by the designer so I ended up choosing similar shades within the available colors: Nougat (292) and Bleached White (104) both for the background, and finally Peacock (478) for the stripes.
 
As simple as a knitting project can be, I always like to learn something new. With this shawl I will have the opportunity to learn how to work with more than one color at the same time and get started with the famous “short rows”, a very versatile technique to create forms in knitted pieces.
If you want to see mu progress on this project, visit my Ravelry profile.
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Autumn flower arrangement

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O outono, apesar das suas cores quentes e confortáveis, pode ser um desafio para quem gosta de trazer um pouco da natureza para dentro de casa. As últimas flores da época já não duram muito nas jarras e a certa altura já só há restos secos da estação anterior. Estas ausências trazem alguma ansiedade, uma certa resistência à passagem do tempo que nos reencaminham de imediato para uma boa florista onde podemos encontrar as mais bonitas, mas menos interessantes, flores de estufa. E andamos para lá e para cá, numa espécie de faz de conta, disfarçando tanto quanto nos é possível aquilo que não podemos evitar.  É preciso termos um espírito aberto, confiarmos nos nossos instintos e apreciar a mudança quando o jardim começa a modificar-se, a perder a juventude da primavera e a folia do verão para mostrar cores maduras e trabalhadas lentamente.
Um grupo de Hidrângeas brancas adquiriu uma lista de tonalidades que só o outono sabe pintar e que não é menos viçosa do que os rebentos jovens. Bastou-me uma mão cheia delas para encher uma jarra e deixar que a sua postura natural desse ao arranjo o ar melancólico e outonal.

 

Despite its warm and comfortable colors, autumn can be a challenge for those who like to bring a bit of nature into their homes. The last flowers of summer no longer last in vases more than a couple of days and, at the end, there are only some dry leftovers. These type of absences bring some anxiety, some resistence to the passage of time, that push us immediately to a good florist where we can find the most beautiful, but less interesting, green-house flowers. And we get stuck on this circle, pretending, disguising as much as we can what we can not avoid. We must have an open mind, trust our instincts and enjoy the season change when the garden begins to transform, lose the youth of spring and the revelry of summer to show those mature colors worked slowly by nature.
The white Hydrangeas acquired a list of tones that only autumn can paint and that are no less lush than the young white shoots. It only took me a handful of them to fill a jar and let their natural position evidence the autumn melancholy.
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