Kneading and rising

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(scroll for the English version)
“Espetado na côdea de um imenso pão reluzia um imenso facalhão”
Eça de Queirós em “A Cidade e as Serras”.

 

Fazer pão é um ofício com milhares de anos. É o derradeiro acto de alimentar, uma espécie de fantasma que acompanhou toda a nossa história, como um espectador emergido em todos os acontecimentos. O pão ocupou a mesa de importantes famílias e o prato dos prisioneiros, terá estado à mesa da última ceia, nas coroações ou na inauguração da torre Eiffel, mas também está no lanche que levamos para a praia, no último almoço de família que fizemos e, hoje mesmo, no pequeno almoço. É um alimento simples mas com muita sabedoria, carregado de segredos e um fervoroso contador de histórias!
Tenho um avô que não aprova uma mesa posta enquanto não houver pão. Para ele, podem faltar os guardanapos, e podem esquecer-se os talheres… o pão é que não pode faltar! Talvez a sua experiência de vida lhe tenha mostrado que este é, de facto, o alimento por eleição: não é apenas o pão que recebe bem, é também o seu significado, a sua simplicidade que são altamente reconfortantes. No entanto, é muito fácil esquecer tudo isso num pequeno cesto, ou trazer um pão embalado do supermercado juntamente com o resto das compras, em vez de esperar, numa espécie de ritual, a fornada fresca da padaria ou, melhor ainda, aguardar o tempo de cozedura de um pão feito em casa.
Quando pensei que experiência queria partilhar em primeiro lugar, não pude desviar-me do pão. O que pode trazer mais significado, mais conforto ao dia-a-dia do que um pão feito em casa? O que pode trazer mais sabedoria sobre as origens, sobre o saber fazer, do que amassar e levedar? Porque não voltar a colocar o pão no centro da mesa?

 

Esta é das minhas primeiras aventuras a fazer pão em casa. A receita é o clássico Bloomer do livro “Bread” do Paul Hollywood e que podem encontrar aqui, um pão macio, simples, perfeito para refeições por causa do travo dado pelo azeite que, em Portugal, torna tudo mais saboroso.
Na introdução do livro pode ler-se: fazer pão é das coisas mais fáceis de aprender mas das mais difíceis de dominar.
A receita é muito fácil de seguir e tive bastante sucesso a levedar! O pão ficou muito macio e dura muito tempo sem se estragar. Mas, como iniciante, eu ainda não consegui aquela crosta quebradiça nem o som oco do fundo do pão após uma cozedura perfeita… Suponho que poderia ter ficado mais uns minutos no forno e que talvez não tenha sido uma grande ideia colocar papel vegetal no tabuleiro onde o cozi.
À parte os resultados, percebi que esta é realmente uma tarefa humilde, que traz tranquilidade e significado. Eu não faço o meu próprio pão todos os dias nas vou repetir sempre que precisar de  me lembrar das fabulosas capacidades do ser humano. Nunca um pão me pareceu tão interessante.
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“Stuck in the crust of a huge bread, a huge knife shined”
Eça de Queirós in “The City and the Mountains”.

 

Making bread is a craft with thousands of years. It’s the ultimate act of feeding, a kind of ghost that went along history, as an emerged spectator of all events. Bread occupied the table of important families and the dish of the prisoners, it witnessed the Last Supper, all the kings coronations or the inauguration of the Eiffel Tower, but is also in the snack we take to the beach, in the last family lunch we had and today was probably at our breakfast. Bread it’s simple food but has a lot of wisdom, it’s full of secrets and is a passionate storyteller!
I have a grandfather that does not approve a table set while there is no bread on it. For him, you may forget the napkins or skip a cup… but the bread you can not forget! Maybe his life experience has shown him that this is indeed the main food of all times: it is not just the hospitality that bread brings, it is also it meaning, it simplicity that are highly comforting. However, it is too easy to forget all this in a small bread basket or bring a packed bread from the supermarket along with the rest of your groceries, instead of living the ritual of waiting for fresh, warm bread from the bakery or, even better, wait patiently for the cooking of a homemade bread.
When I thought about the first experience I wanted to share with you, I immediately though about bread. What can bring more meaning, more comfort to our routines than a homemade bread? What can bring more knowledge about our origins, about learning how to do thinks, than kneading and baking your own bread? Why not put bread on the middle of the table again?

 

This was one of my first attempts to make homemade bread. The recipe is the classic Bloomer from the book “Bread” by Paul Hollywood, that you can also find here: a soft and simple bread, perfect for meals because of the taste of the olive oil that, in Portugal, makes it divine!
In the book introduction you can read that baking bread is one of the easiest things to learn and the hardest to master.
The recipe is very easy to follow and I had enough success while rising! The bread became very soft and will last for 4 or 5 days in your pantry. But, as a beginner, I didn’t get that breakable crust or the hollow sound on the bread bottom after a perfect cooking… I suppose I could leave it a few more minutes in the oven and that it may not have been a great idea to cover the cooking tray with greasing paper.
Apart from all the results, I realized that this is a honest task that brings peace and meaning. I don’t bake my own bread everyday, but I will always bake some to remind me of our making skills. It was, at least, the most interesting bread I ever tasted.

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