Colourful ranunculus to celebrate spring at home

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As primeiras flores a rebentar na primavera são os bolbos como as túlipas e ranúnculos. Apesar da época das túlipas já ter terminado, as frésias e ranúnculos ainda andam por aí. Os ranúnculos são, sem dúvida, uma das minhas flores favoritas com as suas camadas de pétalas tão finas como papel, como saias de bailarinas! Por aqui não é muito fácil encontrar ranúnculos coloridos para venda… mas recentemente encontrei numa loja de flores que descobri perto de casa dois ou três ramos de ranúnculos que não hesitei em trazer para casa. Estava indecisa sobre o que fazer com eles: os ranúnculos além de frágeis são muito temperamentais! Têm tamanhos muito diferentes, tempos de abertura relaxados e os caules sinuosos que podem dificultar o trabalho a uma mera simpatizante de arranjos florais. Recorri a um livro do qual já vos falei aqui e cheguei à conclusão de que a forma como gosto mais de ver os ranúnculos é bem juntos em pequenos bouquets que não sejam demasiado rígidos e deixem transparecer as diferentes personalidades das flores e algumas linhas sinuosas de uma ou outra, assumindo-as como se quisessem crescer por entre os seus companheiros!

The first flowers to bloom in the spring are bulbs like tulips and ranunculus. Although the time for tulips is already over, the freesias and ranunculus are still around here. Ranunculus are undoubtedly one of my favorite flowers with their layers of petals as thin as paper, like ballerinas tutus! It is not very easy to find colourful ranunculus around here… but I recently found a flower shop that had two or three bouquets of ranunculus for sale that I did not hesitate to bring home. I was undecided about what to do with them: ranunculus, besides being fragile, are very temperamental! They have very different sizes, relaxed opening times and sinuous stems that may make it difficult for a mere sympathizer of floral arrangements to make something with them. I consulted this book I already wrote about here, and I came to the conclusion that the way I like to see ranunculus the best is just join them in small bouquets, not to tight, and let the different personalities of the flowers and assume some of their winding lines, as if they wanted to grow among their companions!

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Book Review: Dark Sky Alqueva

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Há uns tempos visitei pela segunda ou terceira vez a zona do Alqueva. Esta é uma das minhas zonas favoritas em Portugal. Eu viveria ali, oh, sem dúvidas.
Já demonstrei aqui e aqui a minha paixão pela astronomia e não pude deixar de visitar a sede do Dark Sky. Inscrevi-me numa actividade com a Miguel Claro que adorei do primeiro ao último minuto! No fim não consegui conter-me e trouxe uma cópia do livro “Dark Sky Alqueva” com um autógrafo do autor. Mais, a memória desta actividade tinha de ficar gravada no meu Diário de Natureza, como vos mostrei no Instagram.

Livros são o meu calcanhar de Aquiles. Já partilhei a minha paixão por livros infantis e prometo fazer um novo post com mais sugestões, mas a minha paixão não fica por aí. Assim como quem põe flores em casa, eu adoro ter livros, sobretudo livros de imagens como pintura e fotografia, espalhados aqui e ali, à mão de semear, e que qualquer pessoa possa rapidamente pegar e deixar-se inspirar. E quando vi as primeiras páginas do Dark Sky percebi como une de forma perfeita a relação entre a ciência e a arte, um assunto que está (cada vez mais) relacionado com a minha área de estudo e trabalho. Eu tinha mesmo de o trazer comigo sobretudo depois daquela actividade com o autor!

O Miguel é muito “terra-a terra” e tem uma atitude honesta, humilde e feliz por partilhar um pouco do que sabe com aqueles que se dirigem ao fim do dia a uma aldeia perdida no meio do nada, para parar e olhar para o espetáculo de luzes que a natureza nos oferece em qualquer lugar. Mas ali, ali há uma janela com menos filtros, menos poluição e uma paixão enorme pelo que se faz que nos desperta para o que a rotina nos retira: esse poder que o cosmos tem de nos absorver por completo, de nos abstrair e nos fazer sonhar um pouco, acordados e sem vergonha. Ora o seu livro partilha um pouco dessa atitude inspiradora, algo misteriosa, que os astros provocam em nós e que se captura com muito trabalho, muito equipamento, muita técnica mas sobretudo muitos sonhos. Ali respeita-se a ciência, a constância aparente das esrelas, os ritmos fieis da Lua, traz-se o passado para o presente, encolhem-se distâncias, focam-se mundos distantes e nada disso é ilusão. Parece até mentira! Mas brinca-se. Até para brincar é preciso saber. O Miguel brinca… com a luz e o tempo.

Nota: vêm aquela manta em crochet no canto da primeira fotografia? É esta manta!

Some time ago I visited the Alqueva area for the second or third time. This is one of my favorite locals in Portugal, I could live there, for sure.
I have already demonstrated my passion for astronomy here and here, so I could not miss visiting the main spot of the Aqueva Dark Sky. I enrolled in an activity with Miguel Claro that I loved from the first to the last minute! In the end I could not contain myself and I brought a copy of the book “Dark Sky Alqueva” with an autograph of the author. Plus, this activity was also represented in my Nature Journal as you could see in my Instagram profile.

Books are my Achilles heel. I have already shared my passion for children’s books and I promise to make a new post with more suggestions, but my passion does not end there. Just like spreading flowers at home, I love having books, especially picture books like painting and photography, here and there so that anyone can quickly pick one and let themselves be inspired. And when I saw the first pages of the book Dark Sky I realized how perfectly it proves the beautiful relationship between science and art, a subject that is (more and more) very related to my area of study and work. I really had to bring it with me, especially after that activity with the author!

Miguel is very friendly and has an honest, humble and happy attitude about sharing a little of what he knows with those who go, at the end of the day, to a village lost in the middle of nowhere, to stop and look at the spectacle of lights that nature offers us everywhere. But there, there is a window with less filters, less pollution, and a huge passion for what he does and that awakens us to what routine takes from our mind: this power that the cosmos has to absorb us completely, to abstract us and make us dream a little, awake and without shame. And his book shares a bit of that inspiring, somewhat mysterious attitude that the stars provoke in us and that he captures with a lot of work, a lot of equipment, a lot of technique but above all a lot of dreams. There, science is respected as long as the apparent constancy of the stars, the faithful rhythms of the moon. And the past is brought into the present, distances are shrunk, distant worlds are focused and none of this is illusion. It seems like a lie but it is real! But there is also a lot of playing… And even to play we must have knowledge. Miguel plays… with the light and time.

Note: see that crochet blanket in the corner of the first photo? It is this blanket!

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Spring is not about the weather

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Estava ansiosa por ver Primavera!

Por vezes o frio e a chuva deixam-me ansiosa no início da Primavera. Andamos sedentos de tempo bom e qualquer falha a este nível parece uma grande catástrofe. Um pequeno aguaceiro parece frustrante…!
É nesses dias em que sair da rotina, vir cá fora, ver a natureza em pleno ritmo nos mostra que a primavera não é só bom tempo e calor. Há tanto para ver, pra apreciar e para experimentar! Incentivada por uma amiga passei uns dias bem longe de tudo e tenho de reconhecer que ver os prados cheios de flores silvestres e poder vaguear entre eles me devolveu alguma tranquilidade. Por momentos parecia estar a olhar para aquelas imagens utópicas que achamos só existirem na Provença e pensei como era absurdo que, tendo isto tão próximo de casa, não me desse acesso a isso por limitações de trabalhos, escolhas de vida que por vezes nem nós mesmos sabemos justificar em consciência. Ali eu estava num pequeno paraíso com todos os recursos disponíveis e um know how que ainda me parece desperdiçado. Nessa noite sonhei em viver no interior.

I was looking forward to Spring!

Sometimes the cold and the rain in early spring make me anxious. We are thirsty for good weather and any failure at this level seems like a major catastrophe. A little shower looks frustrating …!
It is on these days that getting out of our routines, coming out, seeing nature in full rhythm shows us that spring is not only good weather and warmth. There is so much to see, to enjoy and to experience! Encouraged by a friend, I spent a few days away from everything and I have to admit that seeing the meadows full of wild flowers and being able to wander between them gave me some peace of mind. For a moment, it seemed that I was looking at those utopian images that we find online and thought existed only in Provence. I remember thinking how absurd it was that, having this so close to home, I just don’t give myself permission to enjoy it because of limitations of work, and other life choices that, sometimes we are don’t know how to justify in full consciousness. There I was, in a small paradise with all the resources available and a know-how that I still feel wasted. That night I dreamed of living in the countryside.

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April’s Nature Journal: from intense rain to spots of sun!

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Aqui está mais um mês do meu Nature Journal!

Durante o mês de Abril senti alguma ansiedade. O Inverno prolongou-se mais do que habitual, Março foi um mês de chuva e trovoadas intensas por cá e não houve muitas oportunidades de saídas… Senti uma grande necessidade de recordar, trabalhar as memórias, os apontamentos nos meus “cadernos de campo” e trabalhar sobre momentos sobretudo vividos ainda durante o Inverno e início, tímido, da Primavera.

As tempestades no mar nas madrugadas do mês de Março, foram marcantes para o ano de 2018. Não me lembro de um mês tão intenso em chuva permanente que, apesar de tudo, devolveu às nossas albufeiras o potencial necessário para manter os nossos habitats por mais um ano. Por isso sinto-me feliz e apesar da ansiedade, fui paciente e confiante.

Resolvi depois trabalhar um cartaxo ousado, que conheci na Barrinha de Esmoriz ainda em Janeiro, e que parecia um autêntico James Bond: vestido a rigor com a sua gola bem composta mas atento a todos os detalhes, como se estivesse nele a responsabilidade de toda aquela zona húmida. A recordação era tão clara na minha memória que aceitei que devia fazer parte integrante do meu Diário de Natureza.

Depois, os primeiros dias de sol que fizeram reaparecer as Alvéolas por entre os parques e jardins da minha cidade com os seus pulinhos entusiastas e o seu abanar de cauda tão característico! Não podia deixar de as desenhar: vi-as no jardim da minha rua, em caminhadas diárias, nas beras das estradas, no estuário do Douro… pareciam estar tão felizes por ver o Sol como eu!

E por fim, o ovo de raia que descobri num trilho junto ao mar depois de quase um mês e meio de chuva interrupta. Uns dias depois partilhei este desenho com um pequeno grupo de outros naturalistas e o Andrew disse-me que estes ovos são conhecidos como “Mermaid’s purses” ou seja “Bolsas de sereia” e que as crianças com quem trabalha ficam em pulgas quando descobrem que são ovos de raia ou de tubarão! Achei o termo delicioso.
Como vos disse aqui, as praias nesta época do ano são locais incríveis… Durante o Inverno por lá passou um autêntico “vendaval” que as lava de toda a agressividade que nelas depositamos ao longo dos meses de verão. Vê-las assim, selvagens, sobretudo em locais mais recônditos, faz-nos entender melhor o habitat espetacular que são.

Here’s another month of my Nature Journal!

April was tough. I felt some anxiety. This winter was longer than usual, March was a month of intense rain and thunderstorms here, and there were not many opportunities to go outside… I felt a great need to remember, to work my memories, the notes in my notebooks and work on moments mostly lived during the winter and the early, timid, spring.

The storms at sea, at early hours of the days, during March were remarkable for this year. I do not remember a month so intense in permanent rain that, despite everything, returned to our reservoirs all the water necessary to maintain our habitats for more one year. That’s why I feel happy and despite my anxiety, I was patient and confident.

I then decided to work on a daring stonechat, which I met at Barrinha de Esmoriz in January, and who looked like an authentic James Bond: tightly dressed with his well-made collar but very aware to every detail, as if he had all the responsibility for the well being of that wetland. His figure was so clear in my memory that I accepted that it should be part of my Nature Journal.

Then, the first sunny days made the white wagtails reappear among the parks and gardens of my city. They were playing enthusiastic jumps and their tail wagging witch is so characteristic! I though that I must draw them: I saw them in the garden of my street, on daily walks near home, on the roads, on the estuary… they seemed to be as happy to see the sun as I was!

And finally, the ray egg I discovered on a trail by the sea after almost a month and a half of intense rain and storms. A few days later, I shared this drawing with a small group of other naturalists, and Andrew told me that these eggs are known as “Mermaid’s purses” and that the children he works with get very excited when they discover they are ray or shark eggs! I found the term “Mermaid’s purse” just delicious!
As I told you here, the beaches at this time of year are incredible places… After the winter they are washed from all the aggressions we put in them during the summer months. To see them like that, wild, especially in more remote places, makes us better understand the spectacular habitat they are.

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