The birth of a compromise…

Esta ilustração é da Tan Xi, uma artista e ilustradora que mistura o humor irónico e brincalhão com as realidades da poluição do oceano. Podem ver o seu lindo trabalho no website: http://www.messymsxi.com. | This illustration is by Tan Xi, an artist and illustrator that mixes wry, playful humor with the realities of ocean pollution. You can access her beautiful work through her website: www.messymsxi.com.

Vou contar-vos mais uma história: eu considero-me uma pessoa “sensível” mas, por norma, não chego ao ponto de chorar como uma madalena nos filmes, sobretudo se não estiver no “meu ambiente”. Nem em filmes, nem em documentários de natureza porque os problemas ali apresentados já são, geralmente, do meu conhecimento prévio e vou preparada para ver as coisas… Mas quando vi o documentário “A Plastic Ocean“, e mesmo sabendo o que poderia encontrar, eu desatei a chorar… Não foi pelo choque de ver o que via: aves a morrer à fome com o estômago cheio, redes fantasma a ferirem mamíferos marinhos, escovas de dentes atravessadas em bocas de peixes, sacos de plástico a serem confundidos com medusas pelas tartarugas… Tudo isso é duro, é certo. Mas eu chorei não pelo choque da situação impotente que sentia em relação aqueles seres vivos que estão a cada segundo a ser afectadas pelos plásticos no oceano, mas sobretudo porque em tudo eu via a minha escova de dentes, a minha garrafa, o meu saco de plástico, os meus cotonetes… Senti-me responsável. Naquele momento, aquele documentário era uma mensagem pessoal, muito pessoal. Esmagou-me um enorme sentimento de culpa. Se nem sempre o choque nos move, porque por vezes até nos paraliza, desta vez, gerou o compromisso de mudar aquilo que já antes me fizera sentir tão mal comigo mesma.

Como vos falei na semana passada, o meu desafio para 2019 (e 2020) é reduzir o lixo que produzo, nomeadamente a quantidade de plásticos que invade todos os dias a minha vida. As Nações Unidas estabeleceram 17 metas para o desenvolvimento sustentável para implementar até 2020 e entre as várias tarefas que temos em mãos está a redução drástica dos plásticos no planeta. Eu quero fazer a minha parte.
E daqui partilho convosco uma perspectiva que representa, não apenas a minha opinião pessoal, mas também a minha experiência profissional na área da comunicação da ciência em biodiversidade e ambiente.
Muitas vezes estas estratégias nacionais e internacionais parecem-nos todas muito bem, grandiosas, fortes, importantes. Olhamos para elas e dizemos “Sim Sr!” Vemos questões como o “aquecimento global” ou os “organismos em vias de extinção” e pensamos: “bem, isto é terrível” e educamos a nossa consciência, sensibilizamos as nossas crianças para defender a protecção da natureza… mas raramente mudamos o que quer que seja no nosso dia-a-dia. E quando alguém nos atira isso à cara reagimos: “Mas o que é que eu posso fazer? São as grandes empresas que fazem a maior parte do lixo e que destroem as florestas!” O peso da globalidade torna os objectivos avassaladores e incompreensiveis e a nossa atitude só demonstra que tão pouco temos noção do que realmente podemos fazer de importante para travar este tipo de problemas.
O que é que o cidadão comum pode fazer para travar o aquecimento global ou a extinção das especies? Estamos a cada dia mais longe da natureza e essa desconexão retira-nos compreensão: perdemos quer a noção do impacto do nosso dia-a-dia na natureza quer das acções concretas na resolução dos principais problemas ambientais. É tudo indirecto: há uma série de intermediários que nos lavam os olhos dos verdadeiros impactos das nossa rotinas, que nos desligam das nossas próprias acções, que nos iludem da ausência de responsabilidade. A grande conclusão, porém, é que não há dúvida de que os problemas globais têm origens locais (até individuais) e portanto é fácil compreender que as soluções para esses problemas globais sejam também locais (e individuais). Nós somos responsáveis, mas é certo que em muitos temas, já perdemos a completa noção da nossa ligação com eles e é difícil definir acções do dia-a-dia.

O que eu gosto nas metas para o desenvolvimento sustentável das Nações Unidas é que, pelo menos em algumas, eu sinto que é muito fácil para todos, todos nós, percebermos o impacto directo das nossas acções no problema e implementar rotinas diárias para contribuir na sua resolução. Uma delas é a questão da redução dos plásticos no mundo e em especial nos oceanos. Esta é uma questão em que todos nós conseguimos ver o impacto que temos: basta tomar consciência da quantidade de lixo que fazemos ao regressar das compras. Em segundos enchemos um saco de papel e plástico que convictamente, alguns de nós, colocamos na reciclagem… Reparem: o problema já não são só alguns gráficos de temperatura que ninguém compreende ou a subida, quase imperceptível para nós, do nível do mar… Aqui o problema é a garrafa de plástico que eu comprei, a embalagem de biscoitos que desembrulhei (e que tinha um filme de plástico, uma embalagem de cartão e um suporte de plástico onde encaixam 8 singelas bolachas…8) que provavelmente não são sequer muito saudáveis para o meu organismo. É o meu fio dentário, a embalagem da fruta, o saco de passear o cão, a cuvete da carne, a tampa do desodorizante, as lâminas de barbear. São coisas em que eu toco todos os dias e que, dia sim, dia sim, vão produzir a imensidão de plásticos e microplásticos que invadem a cadeia alimentar na qual eu própria estou inserida.
Todos os anos oitenta milhões de toneladas de plástico (garrafas, embalagens e outros resíduos) são lançados no oceano colocando em causa a vida marinha e entrando na cadeia alimentar. Com este ritmo, teme-se que, em 2050, os oceanos terão mais plásticos do que peixe. Fomos nós que criamos o problema, pelo que a solução está também nas nossas mãos.
Por esta razão eu resolvi estabelecer as minhas próprias metas, pelo menos para 2019, embora eu queira prolongar esta mudança de hábitos pelo menos até 2020.

Durante este ano eu quero:

* Testar 52 alternativas “zero plástico”
* Dessas alternativas, 22 irei implementar até ao dia 22 de Abril de 2019, o dia da Terra.
* Participar no Plastic Free July
* Ver os documentários: Plastic Paradise; Straws Film; Bag It; Trashed; Plastic China; Wasteland; Garbage Island: An Ocean Full of Plastic; Tapped; Clean Bin; No Impact Man: The Documentary
* Ler o livro “Desperdício Zero” da Bea Johnson

Este é o meu desafio para 2019 e vou fazer questão de vos colocar a par de todas estas coisas, tal como fiz com o meu Nature Journal durante 2018 (cujo resultado quero partilhar em breve!).

I’ll tell you one more story: I consider myself a “sensitive” person but as a rule, I do not go so far as to cry in the movies, especially if I’m not in “my environment”. Neither in films nor in documentaries about nature because the problems presented there are usually of  my prior knowledge and I am prepared to see things…. But when I saw the documentary “A Plastic Ocean“, and even knowing what I could find, I started to cry… It was not the shock of seeing what I saw: birds starving to death with a full stomach, ghost nets hurting marine mammals, toothbrushes pierced in fish mouths, plastic bags swallowed by turtles like a jellyfish… All of this is hard, that’s for sure. But I cried not because of the shock of the helplessness I felt in relation to those living beings who are affected by the plastics in the ocean, but above all because I saw my toothbrush, my bottle, my plastic bag, my cotton buds… I felt responsible. At that moment, that documentary was a personal, very personal message. A great sense of guilt overwhelmed me. If the shock does not always move us, because sometimes it paralyzes us, this time, it caused a commitment to change what had already made me feel so bad about myself.

As I told you last week, my challenge for 2019 (and 2020) is to reduce the waste I produce, namely the amount of plastics that invades my life every day. The United Nations has set 17 sustainable development goals to implement by 2020 and, among the various tasks we have at hand, one is the drastic reduction of plastics on the planet. I want to do my part.
And from here I share with you a perspective that represents not only my personal opinion but also my professional experience in the area of science communication in biodiversity and environment.
Often these United Nations, national or international goals and strategies seem to us all “very well”, “great”, “strong”, “important”. We look at them and say “Yes Sir!” We see issues such as “global warming” or “endangered species” and we think “well, this is terrible!” and we educate our conscience, we make our children aware of the protection of nature… but we rarely change a single thing in our day-to-day life. And when someone throws it out to our face we react, “But what can I do? It’s the big companies that do most of the garbage and destroy the forests!” The weight of globalization makes these objectives overwhelming and incomprehensible, and our attitude only demonstrates that we have very little sense of what we can really do to tackle these kinds of problems.
What can the average citizen do to stop global warming or the extinction of species? We are more and more far from nature, and this disconnection removes us from understanding: we lose both the notion of the impact of our daily lives on nature and the concrete actions in solving the main environmental problems. It is all indirect: there are a series of intermediaries that wash our eyes of the true impacts of our routines, which disconnect us from our own actions, which deceive us of the absence of responsibility. The great conclusion, however, is that there is no doubt that global problems have local (even individual) origins and therefore it is easy to understand that the solutions to these global problems are also local (and individual). We are responsible, but it is certain that in many subjects we have already lost the complete notion of our connection with them and it is difficult to define daily actions.

What I like about the United Nations sustainable development goals is that at least in some I feel it is very easy for everyone, all of us, realize the direct impact of our actions on the problem and implement daily routines to contribute to its resolution. One of them is the issue of reducing plastics in the world and especially in the oceans. This is an issue where we can all see the impact we have: just be aware of the amount of junk we do when returning from shopping! In seconds we fill a bag with paper and plastic, that we, some of us, put in the recycling bin… Please note: the problem is no longer just some temperature graphs that no one understands or the rising of the sea level (almost imperceptible for our daily life)… Here the problem is the plastic bottle that I bought, the packaging of cookies that I unwrapped (and that had a plastic film, a cardboard carton and a plastic holder where they fit just 8 cookies…8!) which probably are not even much healthy for my own body. It is my dental floss, the fruit packaging, the dog walking bag, the meat cuvet, the deodorant cap, the razor blades. These are things I touch every day and that will produce the immensity of plastics and microplastics that invade the food chain in which I, myself, am inserted.
Eighty million tons of plastic (bottles, packaging and other waste) are thrown into the ocean each year, putting marine life into danger and entering the food chain. At this rate, it is feared that by 2050, the oceans will have more plastics than fish. It was us who created the problem so the solution is also in our hands.
For this reason I have decided to set my own goals, at least for 2019, although I want to extend this change of habits at least until 2020.

During this year I want to:

* Test 52 “zero plastic” alternatives
* Among these, I will implement 22 until April 22, the Earth Day.
* Participate in Plastic Free July
* See the documentaries: Plastic Paradise; Straws Film; Bag It; Trashed; Plastic China; Wasteland; Garbage Island: An Ocean Full of Plastic; Tapped; Clean Bin; No Impact Man: The Documentary
* Read the book “Zero Waste Home” by Bea Johnson

This is my challenge for 2019 and I will be happy to share with you all these things, as I did with my Nature Journal during 2018 (I will share the Nature Journal final result soon!).

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A low plastic tide…

Peça de Bonnie Monteleone. Bonnie Monteleone é uma investigadora que recolhe plástico marinho em todo o mundo. É também uma artista talentosa que transforma alguns dos plásticos que coleciona em obras de arte. / Art by Bonnie Monteleone. Bonnie Monteleone is a researcher who collects marine plastic globally. She is also an accomplished artist, by turning some of the plastic she collects into modern artistic masterpiece

Eu sou bióloga e há muito tempo que a questão dos resíduos que produzo no meu dia-a-dia são uma grande preocupação para mim. A época do Natal sobretudo, deixa-me sempre com o sentimento de que estou a ser hipócrita. Ouvimos o tempo todo que “amar a família não é sobre oferecer presentes…. é sobre cuidar”. E “cuidar” foi a palavra que escolhi aplicar este ano.

Todos nós sabemos e mais ou menos conscientemente vamos tentando interiorizar este “clichê” e damos a volta ao literalmente associado, ao mínimo indispensável. Mas não podemos esquecer que, como este planeta é a nossa casa, e cada ser vivo é nosso parente, nosso irmão, não me parece que fecharmos os olhos ao estado incontrolado dos contentores do lixo e da reciclagem no dia 25 e 26 seja um acto de amor. Na verdade eles só representam de forma momentânea e acentuada aquilo que se passa diariamente mas mais espalhado no tempo. Quem nunca ficou chocado pela quantidade de plástico e papel que se faz unica e exclusivamente quando chegamos a casa vindos do supermercado? É certo que “salvamos a nossa consciência” enchrendo o contentor da reciclagem, convencidos de que isso nos coloca acima do vizinho que não separa. É certo que os lixeiros, mais cedo ou mais tarde, os irão levar e “o que os olhos não vêm… o coração não sente”. É certo que depressa o interior da nossa casa fica limpo e arrumado e nos sentiremos bem outra vez… Mas será que a solução para a felicidade é a ignorância, a ilusão? A nossa vida é tão curta: dizem que um artista só morre quando, pela última vez, a sua peça é apreciada ou lembrada… eu creio que talvez hoje em dia, a nossa vida seja mais longa, não pelos anos que vivemos ou pelas obras que criamos, mas pelas centenas de anos que o lixo que produzimos continua a “viver” depois de nós desaparecermos… A primeira escova de dentes que deitei ao lixo quando tinha apenas 1 ano ainda “vive” e vai “viver” depois de mim, algures num aterro, algures no mar, algures no trato digestivo de um corvo marinho, de um atum ou de uma baleia. Eu, logo eu, que nasci para os comtemplar, comporto-me como se não os amasse. Faço de conta que não sei, varro o chão da cozinha e faço o meu aspirador engolir o pó. E pronto… o problema “desaparece” da minha cabeça… mas nunca do meu coração.

Este ano então eu refleti e muito embora já tenha feito algumas tentativas para um dia-a-dia, férias, Natal mais sustentável, feito à mão, aos ritmos das estações, com materiais naturais, creio ter compreendido durante os últimos meses que não tinha feito um compromisso. E o conhecimento, a sabedoria sem compromisso é como aquela toalha de linho guardada e que nunca foi usada: tem muito potencial, mas está desperdiçado porque não é útil, não serve para o papel para que foi feita, nem para outro qualquer e portanto não reflete atitudes nem comportamentos. Não serve para nada, é tão hipócrita como os contentores do lixo, no dia a seguir ao Natal ou quando eu regresso das compras. E eu, tal como todos nós, desvio o olhar…

Estamos em Janeiro e todos sentimos algum impulso para novos desafios. Já vos confessei que Setembro é para mim o momento de pensar fora da caixa e iniciar novos projectos. E não vos vou iludir: foi mais ou menos nessa altura que este pensamento se iniciou no meu interior e quando dei por mim a emergir numa autÊntica investigação sobre o assunto, um acto de auto-conhecimento e sensibilização pessoal que hoje me leva a querer implementar um desafio novo. Este ano um dos meus grandes objectivos vai ser de reduzir o plástico na minha vida e com isso uma grande percentagem do lixo que faço, que fazemos, diariamente porque felizmente não estou neste desafio sozinha.

No meu próximo post vou mostrar-vos as metas deste desafio que pretendo prolongar até 2020.

I am a biologist and I have long been concerned about the waste that I produce in my day-to-day life. The Christmas season, especially, leaves me with the feeling that I’m being hypocritical. We hear all the time that “loving the family is not about offering gifts…. it’s about caring.” And “care” is the word I chose to apply this year.

We all know and, more or less consciously, we try to internalize this “cliché” and but only do the indispensable minimum. But we must not forget that since this planet is our home, and every living being is our relative, I do not think that closing our eyes to the uncontrolled state of the garbage and recycling containers on the 25th and 26th is an act of love. In fact they only represent in a short moment, an accentuated moment, of what happens daily but more spread in time. Who has never been shocked by the amount of plastic and paper that is made when we come home from the supermarket? It is true that “we save our conscience” by filling the recycling bin, convinced that this puts us above the neighbor that does not separate. For sure the garbage collectors, sooner or later, will take them away from our eyes and “what the eyes do not see… the heart does not feel”. It is true that soon the interior of our house is clean and tidy and we will feel good again… But is ignorance or illusion our solution to happiness? Our life is so short: they say that an artist only dies when, for the last time, his piece is appreciated or remembered… I believe that today, our life will be longer, not for the years we live or for the work that we have created, but for the hundreds of years the garbage we produce continues to “live” after we disappear… The first toothbrush I threw away when I was only 1 year old still “lives” and will “live” after me, somewhere in a landfill, somewhere in the sea, somewhere in the digestive tract of a cormorant, a tuna, or a whale. I was born to contemplate them but behave as I did not love them. I pretend I do not know, sweep the floor of my kitchen and have my vacuum cleaner swallow the dust. And that’s it … the problem “disappears” from my head… but never from my heart.

During the end of 2018 I reflected and, although I have already made a few attempts for more sustainable Christmas and daily life, handmade, to the rhythms of the seasons, with natural materials, I think I understood during the last months that I did not have made a commitment. And knowledge, wisdom, without compromise is like that linen towel that has been stored and never used: it has a lot of potential, but it is wasted because it is not useful, it does not play its role. It’s, again, a wasted potential, and therefore does not reflects attitudes and behaviors. It’s no good, it’s as hypocritical as the trash bins the day after Christmas or when I return from shopping. And I, like all of us, I look away…

So, this is January and we all feel some momentum for new challenges. I have already told you that September is for me the moment to think outside the box and start new projects. And I will not deceive you: it was around this time of the year that this thought began inside me and when I found myself emerging in an authentic investigation on the subject, during an act of self-knowledge and personal awareness that today leads me to want to implement a new challenge. This year one of my big goals is to reduce the plastic in my life and a large percentage of the garbage we make (because fortunately I’m not in this challenge alone).

In my next post I will show you the goals of this challenge that I intend to extend until 2020.

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Take care of yourself in 2019!

(scroll for the English version)

Bom ano novo a todos!

Há uns dias, antes da passagem de ano, escrevi um post no Instagram acerca da minha maior meta para 2019: cuidar de mim.

Tal como expliquei no post, o ano de 2018 foi muito “intenso”. Foi cheio em coisas “fortes”: diferentes e muito contrastantes… Cheguei ao fim do ano bastante cansada, em alguns aspectos algo frustrada, com o sentimento de que foi um ano de dar muito e pouco receber, muito embora o tenha terminado com um bom sentimento de dever cumprido! Ora, depois de meditar um pouco, pensar um pouco, analisar um pouco, compreendi que, mais do que querer abraçar uma grande quantidade de coisas novas, eu queria que 2019 fosse um ano para “cuidar”. Cuidar é uma meta do tipo “guarda-chuva” porque abrange uma série de intensões: cuidar de mim, seleccionar com cuidado as minhas batalhas, libertar-me de algumas coisas e finalizar outras, especialmente alguns projectos que culminarão este ano! Em resumo, ao contrário de 2018 em que me quis desafiar em muitos aspectos em simultâneo, dar-me sem condição e com risco, como um semeador que nunca sabe quais (nem de que tipo) são as sementes que nascerão, os desafios de 2019 serão muito centrados em seleccionar, com o objectivo de reduzir, para que haja espaço para cuidar. Não quero com isto dizer que não terei coisas novas a acontecer: pelo contrário, já tenho em mente novos projectos para mim e não seria um ano entusiasmante se não fosse assim! Contudo, este ano serei bastante selectiva, intencional, com o principal objectivo de não me sentir assoberbada, de sentir que guardo uma parte substancial da minha energia para cuidar de mim, dos meus projectos. Pode parecer egoísta estar a dizer-vos isto assim e logo a vocês que vieram espreitar o meu blog. Mas confiem: ninguém traz mais coisas boas para partilhar como aquele que se ama a si próprio.

Queria por isso agradecer a todos aqueles que me seguem diariamente: para me encorajarem, para alimentarem a minha criatividade, como quem cria uma verdadeira amizade. Aqueles a quem eu dou e de quem sinto também receber, aqueles que não fazem desta relação apenas dar e retirar, aqueles que me têm retribuído com o seu carinho e força, que me elevam todos os dias e me incluem nas suas vidas. Aqueles que me fazem afastar e esquecer aquele ou aquela que aparece só para levar… só levar. Porque quem apenas leva nunca se supera.
Por essa razão, neste novo ano, eu posso até ser mais selectiva, posso parecer guardar coisas para mim e assumir de vez em quando a minha postura introvertida (que vejo hoje como algo extremamente necessário e com muito potencial), mas darei, com certeza, conteúdo significativo, profundo e forte nos posts que escreverei. Escrever-vos, contar-vos as histórias por trás dos meus projectos, é das coisas mais bonitas que faço diariamente!

Obrigada e bom ano para nós!

A imagem que ilustra este post é da autoria da talentosa Claudia, uma ilustradora alemã cujo trabalho me inspirou a reconhecer as minhas metas para 2019. Pedi-lhe o favor de partilhar esta ilustração convosco, e ela concordou. Podem ver o seu trabalho aqui.

Happy New Year!!!

A few days ago, before the new year eve I wrote a post on Instagram about my biggest goal for 2019: take care of myself.

As I explained in the post, 2018 was very “intense.” It was full of “strong” things: different and very contrasting… I arrived at the end of the year very tired, in some respects somewhat frustrated, with the feeling that it was a year of giving a lot and receive just the bare minimum. Even though I finished 2018 with a nice sense accomplishment! Now, after meditating a little, thinking a little, analyzing a little I understood that more than wanting to embrace a lot of new things, I wanted 2019 to be a year to “take care”. Caring is an “umbrella goal” because it covers a series of intentions: taking care of me, carefully selecting my battles, freeing myself from some things and finalizing others, especially some projects that will culminate this year! In summary, unlike 2018 in which I wanted to challenge myself in many aspects simultaneously, to give me without condition and taking risks (as a sower who never knows which (or what kind) are the seeds that will shoot), the challenges to 2019 will be very focused on selecting with the aim of reducing so that there is room to care. I do not want to say that I will not have new things happening! Oh, no! On the contrary, I already have in mind new projects for me and this would not be an exciting year without them! However this year I will be quite selective, intentional, with the main objective of not feeling overwhelmed, keeping a substantial part of my energy to take care of myself, my projects that I will choose carefully. It may seem selfish to be telling you this, to you who that have come to look at my blog. But trust: no one brings more good things to share like the one who loves himself.

I want to thank all of you who follow me daily to encourage me, to feed my creativity as if in a true friendship. Those to whom I give and from I also feel that I receive, those who do not make this relationship just give and take, those who have rewarded me with their affection and strength, who raise me every day and include me in their lives. Those who make me walk away and forget the one or two people who just show up to take… just take. Because the one who just takes never grows beyond himself.
For this reason, in this new year, I may even be more selective or seem to keep things to myself. I may assume, from time to time, my introverted stance, that I see today as something extremely necessary and powerful. But I will certainly give you more meaningful, and strongly content posts. Writing to you, telling you the stories behind my projects is the most beautiful thing I do every day!

Thank you and happy 2019 for us all!

The image that illustrates this post is from the talented Claudia, a German illustrator whose work inspired me to recognize my goals for 2019. I asked her the favor of sharing her illustration with you in this post, and she agreed. You can see her work here.

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Advent Calendar is finished!

(scroll for the English version)

O ideal seria este post ter saído mesmo mesmo no dia de Natal para vos brindar com o resultado deste projeto tão enternecedor! Mas como puderam acompanhar as minhas evoluções no Instagram, resolvi cuidar um pouco mais este post e resumir o resultado final juntamente com algujs pensamentos sobre ele.
Este pequeno projeto era mesmo o que eu estava a precisar no fim deste ano atribulado e de grandes mudanças… Ao mesmo tempo estou a ser irónica e honesta. Por um lado, os últimos tempos têm sido tão caóticos que a última coisa que eu precisava era mais um pequeno projecto para aumentar a entropia pessoal. Houve até um dia que a minha mãe me perguntou ao telefone: “estás a fazer o teu calendário? Como consegues ainda ter tempo para isso?” e a resposta foi o mais honesta possível: “aqui e ali, e evito pensar demais.” A verdade foi que foi exactamente isso que aconteceu: entre uns bocadinhos à hora de almoço, no tempo de aguardar as aulas de pintura, à espera que o Carlos chegue ou à sexta-feira depois do ensaio… E não perdia muito tempo com decisões: bordei o que me apeteceu, com o tempo disponível. Nada mais. Apercebi-me apenas uma ou outra vez de que estava a por de lado coisas importantes e por isso parei e repensei.

O lado bom deste projeto foi que eu também estava mesmo a precisar de algo assim para relaxar. O cansaço por vezes apodera-se e a única forma de eu me manter atenta a um documentário ou filme no sofá, ao fim do dia e sem adormecer, é fazendo alguma coisa. Além disso, o sentimento de dispersão que tenho sentido por vezes tem muito a ver com a minha necessidade de ter algo feito à mão para fazer diariamente. Há algum tempo que pego em grandes projetos que me ocupam lotes grandes de tempo e que por isso não preenchem os meus serões. Eu senti falta disso, por essa razão, resolvi aceitar o desafio. É um tempo que dedico a mim própria, que me recorda o quanto adoro fazer coisas à mão: pequenas ou grandes. De certa forma, este projeto obrigou-me a retomar algum “hábito”, ainda que seja temporário. Alguma rotina, por vezes, é saudável.
Foi a combinação de ambas as coisas, mais o tempo de pensamento que pude dedicar enquanto fazia este projecto, que me levou a refletir no futuro: o que quero para mim no próximo ano? Como vou gerir os meus projetos? O que sinto falta? O que quero deixar para trás? Quais são as minhas prioridades? O que não quero mais perder? É incrível como uma coisa tão pequena nos pode levar a pensar e fazer decisões. Com isto tenho algumas metas para 2019 que partilharei convosco muito em breve.

Ideally, I would publish this post on Christmas Day to give you the result of this endearing project! But as you could follow my progress on Instagram, I decided to take care of this post a little more and summarize the final result along with some thoughts about it.
This little project was just what I was needing at the end of this troubled year of great changes for me… At the same time I’m being ironic and honest. On the one hand, the last months have been so chaotic that the last thing I needed was yet another small project to increase personal entropy! Yeahp. There was even one day that my mother asked me on the phone “are you making your advent calendar? How do you manage to have time for it?” and my answer was as honest as possible: “here and there, and I avoid thinking too much.” The truth is that this is exactly what happened: between lunch time, waiting for painting classes, waiting for Carlos to arrive home or friday night after my choir rehearsal … And I actually did not spend much time on decisions: I embroidered what I wanted, with the time available. Just that. I realized just once or twice that I was putting aside important things and so I stopped and re-thought.

The good thing about this project was that, I was also in need of something like that to relax. Tiredness sometimes takes over me and the only way I can keep an eye on a documentary or movie on the couch at the end of the day, without falling asleep, is by doing something else with my hands. Also, the sense of “longing” I have felt sometimes has a lot to do with my need to have something done the by hand, every day. For some time I have been caught up in big projects that take up big blocks of time and therefore do not fill my everyday evenings. I missed that, so I decided to take up the challenge. It was a time I dedicate to myself, which reminds me how much I love doing things by hand: small or large. In a way, this project forced me to resume some “habit”, even if it is temporary. Some routine is sometimes healthy.
It was the combination of both, plus the time for thinking that I dedicated while doing this project, that led me to reflect in the future: what do I want for myself next year? How will I manage my projects? What do I miss? What do I want to leave behind? What are my priorities? What are the things I do not want to lose any more? It’s amazing how such a small thing can lead us to think and make decisions. With this I have some goals for 2019 that I will share with you very soon.

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