Letting go

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O meu terceiro Caminho foi deveras diferente. Desta vez percorremos o caminho da Prata desde Ourense até Santiago de Compostela. Foi um caminho duro, em que os desafios não deixavam muito espaço para apreciar a paisagem.
Este foi um caminho muito clarificador para mim. Como se as nuvens de nevoeiro que por vezes povoam a nossa visão se tivessem desvanecido à minha frente e deixado mostrar a nitidez que acompanha o amanhecer depois da chuva. Nem sempre, porém, sabe tão bem ver as coisas claras. Não é bom como beber da água fresca directamente da fonte… nem sempre esta “água” é tão fresca, tão insípida como a água da fonte.
Penso que, mais uma vez, o impacto do Caminho se fez combinar com o desafio do percurso e resultou, pelo menos para mim, numa verdadeira experiência emocional!
Como sabem, em nenhum Caminho eu levei muita coisa. Mas o que levava comigo, e porque era pouco, acabava por se fazer carregar de significado. Eu sou uma pessoa de significados: prefiro ter menos mas anseio que o que tenho tenha significado. Mas este caminho demonstrou-e que, por vezes agarramos as coisas que na verdade, precisamos de largar: como o artista que vende a sua obra de arte. Isso não significa que ela não viva mais…

Ora, o Caminho já havia demonstrado para muita gente que podia ser o momento certo para nos fazer entrar em modo “sobrevivência”. Que nos podia mostrar como é estar connosco, como é estar com quem nos acompanha e com quem nos aparece. Fazer libertar-nos das coisas materiais, das coisas de que nos convencemos, libertar-nos até das falsas verdades nas quais nos vemos empenhados e comprometidos todos os dias. Tudo passa a ser relativo e é-lhe atribuído o devido valor: sem querer, sem controlo, somos mais honestos, mais transparentes connosco e com os outros. Para uns pode resultar em alguma desilusão: “não sou tão forte como imaginava”, “afinal aquela pessoa não é quem eu pensava ser”, “porque motivo não consigo parar de dar valor a este objecto quando não tem mais sentido?”. Para outros, pode ser uma manifestação de resiliência: “caramba, eu posso isto e muito mais”, “quando os meus valores se colocam à prova eu reconheço em mim alguém valioso”, “na verdade, de tudo o que trago, só importam aqueles que também me levam no coração”.
Eu diria que este caminho teve uma mistura perfeita de ambas as situações: nunca deixou de haver o fascínio do Caminho, das viagens em silêncio, do tempo de descanso no albergue ou das conversas dos outros peregrinos… Mas desta vez o caminho veio recheado de convicção e coragem: para olhar para mim com a força inimaginável que possuo num corpo pequeno de menina, para não deixar mais passar, para expor, para dar a conhecer o que vale para mim…para compreender e clarificar minhas dúvidas, transformando algumas em certezas e outras em desmentidos.

No dia em que se celebravam dois aniversários menos felizes (um de um acidente de comboio às portas de Santiago e o outro da grande viagem da minha avó), ofereci a minha vieira, e a minha oração àqueles que partindo sem contar ansiavam, tal como nós, o encontro mais genuíno com o nosso eu interior. Parece-me que, por vezes, os que cá estamos, ainda nos procuramos demais, saturamos demais, fazemos muito esforço… pelas coisas erradas nas quais não estamos espelhados ou não nos deixamos espelhar… A minha vieira representava a minha união com o divino através do meu próximo e foi pintada de forma ancestral: a aguarela e usando o ultramarino, originalmente derivado do pó do lapis lazuli… era cheia de significado para quem a usasse, valia-lhe a perfeição natural. Era um tesouro com maior valor do que o somatório das suas intenções e desgastava-me vê-la deteriorar-se sem mais concretizar o seu verdadeiro sentido. Aquela adoração começava a deixar de fazer sentido, começava a pesar-me como se eu fosse uma locomotiva a puxar, sozinha, um pesadíssimo comboio. Preferi ficar com a recordação da obra de arte que, descuidada, acabei por carregar naquelas cores vibrantes, as intenções genuínas que levava… Se eu não me atreveria a corrompê-la, porque deixaria colocar nas mãos de outros fazê-la chegar ao seu destino? Não quero mais ficar apegada ao que não me acompanha e quero saber libertar-me daqueles brilhos, daquelas cores que, com muito significado, tornam a entrega difícil mas mais profunda, sentida… e por vezes libertadora.

Por dois segundos, apenas por dois segundos, me arrependi… desejei regressar para a segurança da minha vieira, do seu significado, das suas memórias, das suas intenções, do carinho e dedicação com que a pintei. Não durou mais do que isso: logo depois senti-me libertar. Era a decisão certa para mim, a única que ainda carregava aquela beleza intacta. Entreguei-a por isso àqueles que descobriram, cedo demais, a sua última morada. Eu, a “artista” queria expor a minha obra de arte no lugar mais belo de todos… e creio que, menos distraídos do que nós, aqueles saberiam o que fazer com ela.

Tenho agora a tarefa de pintar outra, com um novo significado.

 

My third Camino was quite different. This time we followed Via de la Plata from Ourense to Santiago de Compostela. It was hard, and the challenges did not leave much room to enjoy the landscape as intensly as my previous Caminos.
Most of all this was a very clarifying Camino for me. As if the winter fog that sometimes hamper our vision, have faded in front of me and allowed to walk the sharpness landscapes of dawn, after the rain. However, it is not always pleasant to see things more clearly. Not as good as drinking fresh water directly from a spring… this “water” is not always as fresh, as tasteless as spring water.
I think that, once again, the impact of the Camino was combined with the challenges of the journey and resulted, at least for me, in a true emotional experience!
As you know, I never take much with me during the Camino. Howevwr, all I take with me eventually carries a lot of meaning. I am a person of meanings: I prefer to have less stuff but meaningful. But this Camino has shown us that sometimes, despite the little we take, we seem to grasp the things we really need to let go: like the artist who sells his work of art. That doesn’t mean it doesn’t live anymore…

Well, the Camino had already shown to many pilgrims that it could be the right time to get us into “survival” mode. That could show us what it is like to be with just with our own company, what it is like to be intensely with those who accompany us and the ones we know for the first time. To make us free from material things, from the thoughts we are convinced of, even from false truths to which we are committed every day. Everything becomes relative and is given its true value: unintentionally, without control, we are more honest, more transparent to ourselves and to others. For some it may result in some disappointment: “I am not as strong as I imagined”, “after all that person is not who I thought he/she was”, “why can’t I stop valuing this object when it no longer makes sense?”. For others, it may be a manifestation of resilience: “damn, I can do this and much more”, “when my values are tested I recognize in myself someone valuable and strong”, “in fact, among everything I bring with me, the only thing that really matters are the ones that also carry me in their heart”.
I would say that this Camino had a perfect mix of both situations: the fascination of the Camino, the silent travel, the rest time in the albergue or the conversations with the other pilgrims never ceased … But this time the Camino came also packed of conviction and courage: to look at me with the unimaginable strength that I have in this small girl’s body, to not ignore what must be worked, to expose, to make known what is worth to me as a person… to understand and clarify my doubts, transforming some in certainties and others in denials.

On the day when two happy birthdays were celebrated (a train crash near Santiago and my grandmother’s great trip…), I offered my scallop and my prayer to those who left this world without being prepared for the most genuine encounter with their inner self. It seems to me that sometimes the ones here are still looking for each other too much, we saturate too much, we make a lot of effort… for the wrong things that do not mirror us… My scallop represented my union with the divine through my favourite people and was painted in an ancestral way: using french ultramarine watercolor which originally derived from the lapis lazuli powder. It was full of meaning for those who used it, it was worth the natural perfection. It was a treasure of greater value than the sum of its intentions, and it frayed to see it deteriorate without living its true meaning anymore. That meaning was beginning to cease to make sense, it began to weigh on me as if I were a locomotive pulling a very heavy train by myself. I preferred to keep the memory of the work of art that, carelessly, I ended up carrying in those vibrant colors, the genuine intentions that it carried. Well, if I would not dare to corrupt it, why should I let its desteny in hands of others? I no longer want to be attached to what is not with me, and I want to know how to break free from those sparkles, those colors that, with great significance, make delivery difficult but deeper… and liberating.

For two seconds, just for two seconds, I regretted leaving it there. I wanted to return to the safety of my scallop, its meaning, its memories, its intentions, the affection and dedication I devoted to it. That feeling did not last long: soon afterwards, I felt free. It was the right decision for me. I was the only one that still carried with me that unspoiled beauty. I gave it to those who discovered their last address too soon and might need an orientation. I guess I, the “artist”, just wanted it to be exhibited in the most beautiful place of all … and I believe that, less distracted than us, those souls would know better than anyone what to do with it.

Now I just to paint another scallop, with a brand new meaning.

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Music literacy is also a DIY adventure

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Um dos compromissos de “ano novo” que fiz para este e os próximos anos foi tornar-me musicalmente mais culta no que diz respeito à música Pop. Desde que tenho memória que fui habituada a ouvir sobretudo música erudita e, quando às 8h00 chegava à escolinha, já tinha provavelmente ouvido o primeiro ato de um ballet qualquer, meia dúzida de corais de Bach ou três andamentos de uma sinfonia de Beethoven. Não me estou a queixar, foi a minha experiência musical. Obrigada pai! E mais rapidamente sou capaz de identificar os meus compositores favoritos do que escolher uma banda ou cantor pop. Contudo, com um aficionado por música em casa (que me ganha tanto na música pop, rock ou mesmo erudita!) senti que gostava de aprender mais acerca dos estilos musicais que andam por aí, sabendo definir melhor aqueles que eu prefiro e que gosto de partilhar. Não conheço nada de nada!
Por isso embarquei na grande aventura de ouvir toda a lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos da revista Rolling Stone. Está claro que depois destes meses todos não estou nem perto de terminar! Nada disso. Orgulho-me contudo de já ter ouvido os 100 primeiros (500-400), alguns que repeti e de cujos autores fui saber mais.

Foi a primeira vez que ouvi The White Stripes e que compreendi que Kiss não é hardcore apesar das capas dos álbuns. Recordei dois albuns de Pearl Jam que não ouvia desde os meus 18 anos e outros quantos de Coldplay e da fabulosa Amy Winehouse.
Foi a primeira vez que ouvi um album completo da Cyndi Lauper, Manu Chao, Elvis Costello, George Michael, Bruce Springsteen, Elton John ou dos inconfundíveis R.E.M ou Dire Straits. Foi quando percebi que “Killing Me Softly With His Song” era dos Fugees (Yeah, shame on me…!).
Ouvi coisas de Police que não diria que eram Police (e fiquei a saber que nem todas são cantadas pelo Sting) e um U2 desconhecido para mim! Confirmo que Def Leppard e PJ Harvey não são a minha onda e que Nirvana tem dias que sim, tem dias que não… Reconheci que o meu Beatle favorito é o George Harrison, sem dúvida. Percebi que gosto de Eric Clapton e The Doors mas que não sou grande fã de Bob Dylan.

Agora tenho 400 álbuns pela frente e ainda muito para aprender! Estou a adorar o meu desafio pessoal.

One of “New Year” commitments I made for this and the next few years was to become more musically cultured with regard to pop/rock music. Since I have a memory I was used to listening mostly to classical music. And by 8:00 am while my father was driving me to school I had probably already heard the first act of a ballet, half a dozen Bach choirs, or three movements of a Beethoven symphony. I’m not complaining, it was my musical experience,, that’s it. Thanks Dad! I can identify my favorite clasic compositors more quickly than choose a band or pop singer. However, with a music aficionado at home (who beats me in pop, rock but also in classical music!) I felt like I wanted to learn more about the music styles out there, knowing better the ones I prefer and that I like to share. I feel I don’t know anything at all!
So I embarked on the huge adventure of listening to Rolling Stone’s list of the 500 best albums of all time. Of course, after all these months, I’m not even close to finishing! Not at all. However, I am proud to have heard the first 100 albums (500-400), some of which I repeated and whose authors I learned more about.

It was the first time I heard The White Stripes and realized that Kiss is not that hardcore despite their album covers. I remembered two albums from Pearl Jam that I haven’t listened to since I was 18 years old and others from Coldplay and the fabulous Amy Winehouse.
It was the first time I heard a full album of Cyndi Lauper, Manu Chao, Elvis Costello, George Michael, Bruce Springsteen, Elton John or the unmistakable R.E.M. or the Dire Straits. That’s also when I realized that “Killing Me Softly With His Song” was a song from the Fugees (Yeah, shame on me …!).
I heard things from Police that I wouldn’t say were Police (and not all of them are sung by Sting) and an very unknown U2 to me! I confirm that Def Leppard and PJ Harvey are not my thing and that Nirvana some days is, some days is not … I recognized that my favorite Beatle is George Harrison, no doubt. I realized I like Eric Clapton and The Doors but I’m not a big fan of Bob Dylan.

Now I have 400 albums ahead and still a lot to learn! I am loving this personal challenge.

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Zero plastic shopping swaps


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A minha demanda contra o plástico em casa ainda tem muito por onde caminhar. Desta vez, decidi “atacar” o meu processo de compras. Foi uma aventura compreender que, uma percentagem grande de compras que fazemos vem embalada em plástico e que não me ia conseguir livrar dele definitivamente. É um aspecto a que temos de nos ajustar para não sairmos obcecados com as coisas e frustrados com os resultados. O meio termo e o bom senso parecem ser as opções mais indicadas para implementar uma experiência mais sustentável que seja viável no nosso dia-a-dia.
Eu já usava os sacos reutilizáveis no supermercado para as principais compras. Com as alterações que tenho vindo a implementar na casa de banho, houve, claramente uma parte do supermercado que praticamente deixei de visitar: a zona de higiene e cosmética. É certo que ainda não fiz todas as alterações que ainda posso fazer a este nível, mas, a maior parte das vezes não tenho de me deslocar a esta zona dos supermercados. Sobram-me portanto alguns detergentes (algo que pretendo alterar no futuro também), os guardanapos e papel higiénico (ainda levo guardanapos de papel para o almoço no trabalho) e alimentos secos/em embalagem já que, no caso dos frescos, tenho evitado comprar nas grandes superfícies (quase sempre são vindas de longe, duram muito pouco e alguém me diga onde consegue encontrar banana da Madeira sem vir embalada!). Ali, no supermercado continuo a fazer-me acompanhar dos sacos reutilizáveis e inevitavelmente compro alguns produtos embalados em plástico que, na impossibilidade de reutilizar, acabo por enviar para reciclagem: embalagem de arroz ou pacote de bolachas. Mas o resto da minha rotina alterou-se completamente…
No que diz respeito a produtos alimentares frescos (ou mesmo secos), tenho optado por comprar a granel em mercados locais e biológicos (de produção local). E, de repente, a rotina de ir às compras tem muito mais interesse e parece apenas parte de um passeio. Começamos a conhecer as pessoas e a tentar experimentar novos alimentos e a ser mais conscientes do que gostamos, do que comemos e do que compramos! Para isso faço-me acompanhar de uma série de opções “zero plástico” para ir às compras:

Cesto (1) e um saco de pano (2). O cesto funciona melhor quando quero trazer alguns alimentos mais frágeis e que pretendo distribuir melhor no espaço. O saco funciona bem se quero evitar ter as mãos ocupadas. Geralmente não escolho: deixo o saco dentro do cesto e opto antes de sair de casa!

Depois, para os legumes e fruta que precisem de embalagem (não é o caso de uma abóbora ou das bananas, por exemplo) tenho comigo os famosos sacos de rede (3). Pensei em fazê-los eu mesma mas tive muita dificuldade em encontrar rede que não fosse de material sintético. Por esse motivo optei por comprar estes em algodão em 3 tamanhos.

Como opção, e para alimentos como lentilhas, grão de bico ou sementes, levo comigo os sacos que fiz à mão (4) a partir da reutilização de camisas de homem.

E em algumas ocasiões opto mesmo por levar alguns frascos (5) comigo: para sementes pequenas ou ervas frescas que evito “esmagar”. E para melhorar as coisas, posso entregar frascos que já não uso na minha loja habitual para outros clientes usarem.

Para o pão, voltei a adoptar o tradicional taleigo (6), e prometo mostrar-vos em breve aquele que fiz à mão!

Por fim, há também algumas lojas tradicionais de venda a granel que terão o maior prazer em ajudá-lo a evitar o plástico embalando sempre que possível nas tradicionais bolsas de papel (7)! Por vezes acabo por conseguir arranjar algumas e faço-me acompanhar dessas opções “just in case”.

Aqui estão portanto mais 7 opções “zero plástico” para ir às compras e evitar o plástico que podemos facilmente dispensar ao chegar a casa! Até agora já consegui implementar 29 das 52 duas experiências sem plástico a que me propus durante este ano!

My demand against plastic at home still has a long way to go. This time, I decided to “attack” my groceries shopping process. It was an adventure when I realize that a large percentage of the purchases we make come packaged in plastic and that I wouldn’t be able to get rid of it for good! This is something we have to adjust so we don’t get obsessed with things and frustrated with results. A middle ground and a good judgment seem to be the most suitable options for implementing a more sustainable experience that is viable in our daily lives.
I already used the reusable shopping bags at the supermarket for major purchases. With the changes that I have been implementing in the bathroom, there was clearly a part of the supermarket that I almost don’t visit anymore: the hygiene and cosmetic area. It is true that I have not yet made all the changes I can still make at this level, but most of the time I do not have to go to this area. That leaves me with some detergents (something I want to change in the future as well), napkins and toilet paper (I still have paper napkins for lunch at work) and dry/packaged food, since for fresh fruits and vegetables I have avoided buying on large supermarkets (food is always from foreign countries, last very shortly and, can you tell me where you can find bananas from Madeira unpacked?!). There, in the supermarket, I continue to use my reusable shopping bags and inevitably buy some plastic-wrapped products that I send for recycling: rice, crackers packages, etc. But the rest of my routine has completely changed…
For fresh (or even dried) food, I have chosen to buy in bulk at local and organic (locally produced) markets. And suddenly the shopping routine is much more interesting and just seems part of my weekend walk. We are getting to know new people, with the same interests, trying new foods and being more aware of what we like, what we eat and what we buy! To do this, I have a number of “zero plastic” shopping options:

Basket (1) and a cloth bag (2). The basket works best when I want to bring some fragile foods that I want to distribute better in space so that they doin’t get bad. The bag works well if I want to avoid having my hands busy. I usually don’t choose: I leave the bag in the basket and opt before leaving the house considering the things I must buy!

Then, for vegetables and fruit that need packing (not a pumpkin or bananas, for example, that do not need more packaging than their protective skin) I have the famous net bags (3) with me. I thought of making them myself but I had a hard time finding a net that wasn’t made of synthetic material. For this reason I chose to buy these cotton net bags in 3 sizes.

As an option, and for foods like lentils, chickpeas or seeds, I carry with me the bags I made by hand (4) from reusing men’s shirts.

And sometimes I even choose to take some jars (5) with me: for small seeds or fresh herbs that I avoid “crushing” inside my bascket.

For the bread, I went back to the traditional portuguese “taleigo” (6), which I made myself and I promise to write about soon!

Lastly, there are also some traditional bulk selling stores that will be happy to help you avoiding plastic packaging whenever possible and use the traditional paper bags (7)! Sometimes I manage to get some and I have them in the bascket “just in case”.

So here are 7 more “zero plastic” options to go shopping and avoid the plastic tide when you get home! So far, I already managed to make 29 of the 52 zero plastic experiments I commited to during this year!

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The vulnerability of my Nature Journal

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Devem estar a perguntar-se onde é que eu parei para partilhar convosco o resultado final do meu Nature Journal?
Ora bem, eu parei de o partilhar em Outubro mas não desisti dele: as 52 semanas de Nature Journal foram feitas até ao fim. Mas, a certa altura, este tornou-se um assunto um pouco “emocional” para mim, um projeto que eu quis proteger debaixo da minha asa. E com isso acabei por não partilhar o maravilhoso resultado convosco. Não merecem! 99% de vocês não merecem que eu desista de partilhar. Pelo contrário, merecem antes que eu partilhe tudo até ao fim porque vocês fazem parte da minha motivação para continuar: post após post… palavra após palavra.

 

Porém, a certa altura houve um receio em partilhar. Nem todos usam os conteúdos que expomos cá fora da mesma forma. Os desafios de escrever um blog são imensos sobretudo quando partilhamos algo que amamos fazer do fundo do coração. Eu tenho tendência para ver os outros como iguais, que é uma forma muito pouco realista de ver a vida. Há pessoas que nos incentivam e nos desejam o melhor, assim como há quem não seja capaz de respeitar essas forças: os copycats e os trolls são uma constante na internet e já existe um número infindável de conteúdos (mais ou menos intensos) acerca deste assunto. Escrever acerca deste assunto poderia tornar-se um post deprimente sobre um assunto real e motivado por um projecto belíssimo! Eu decidi escrever sobre o assunto porque o que me inibiu não se tratou nem de um copycat (pelo menos não na sua versão virtual) ou de um troll (pelo menos não na sua versão virtual…). Foi muito mais próximo do que isso… E é muito mais difícil quando se trata de alguém que conhecemos e que tenta a todo o custo, a qualquer custo, substituir-nos na vida das nossas pessoas, nas que ocupam o nosso coração, naquilo que fazemos e generosamente partilhamos. A mensagem a reter era “obrigada por partilhares, agora que eu já sei como fazer, nós já não precisamos de ti”. Foi como morder a maçã no jardim do Éden. Eu percebi que estava despida por ter dado tanto de mim e me estarem a decepar as pequenas flores que eu semeara no meu jardim, quando elas podiam estar aqui, para todos as apreciarem. Nunca mais comprei flores. Esta experiência deixou-me perplexa perante tantos de vocês que, muitos sem sequer me conhecer, me dão um apoio positivo tão significativo. Fiquei a conhecer um pouco do mal.

 

Por vezes, alguma distância é absolutamente indispensável e o que eu senti a certa altura era que precisava que, entre todos os projectos do blog, pelo menos um que fosse meu. Só meu, que eu pudesse ter no meu seio, que me cobrisse, que me vestisse de mim. E perante a realidade de eu estar a partilhar tudo, a ideia de “proteger” aquele projeto que me era mais querido foi a solução menos má. Por isso eu decidi guardar para mim o meu Nature Journal.

 

Muito tempo mais tarde, a clareza evidenciou-se no meu caminho, a distância fez-se valer, e eu já envergava um vestido fresco com padrão de flores. Sei que fui a única a aprender com a situação, porque a distância é uma ferramenta que não serve quando ser egoísta é uma marca de caracter, mas foi o suficiente para eu perceber que a este 1% de seguidores eu tenho de dar o valor que foi dado à minha generosidade. Nenhum. Por esse motivo resolvi que queria mostrar-vos o meu Nature Journal completo e terminado. Este foi um projeto com muito poder sobre mim: resiliência, diligência, sensibilidade e aprendizagem. Que enalteceu o meu respeito pela natureza, pela vida sob qualquer forma, a minha vital capacidade de contemplar e aprender, de criar, com as minhas próprias mãos o que mais ninguém conseguirá fazer por mim. Porque eu sou única no mundo. Obrigada aos que me seguem por bons motivos: aos que me embalam na mesma canção. Para os restantes não tenho nada para oferecer.

 

Abaixo podem encontrar o meu Nature Journal de 2018, com uma página por semana revelando o melhor dos meus dias, apesar de tudo o que passou.

 

You must be wondering when did I stop to share with you my 2018 Nature Journal?
Well, I stopped sharing it in October but did not give up on it: all the 52 weeks of the Nature Journal were done until the end. But at one point, this somehow became an “emotional” subject for me, a project that I wanted to protect under my warm wing. And with that I did not share the wonderful result with you. Well, you do not deserve this! 99% of you do not deserve that I just o give up on sharing. On the contrary, you deserve that I share everything until the end because you are part of my motivation: to continue writing and making, post after post … word after word.

 

But at one point there I was afraid of sharing. Not everyone uses the content I expose here in the same way. The challenges of writing a blog are immense especially when we share something we love to do from the bottom of our hearts. I tend to see others as equals, which is a very unrealistic way of seeing life. There are people who encourage us and wish us the best, just as there are those who can not respect these forces: copycats and trolls are a constant on the internet and there are already an endless number of (more or less intense) content about this subject . Writing about this subject could become a depressing post on a real subject and motivated by a gorgeous project! I decided to write about it because what inhibited me was not a copycat (at least not in its virtual version) or a troll (at least not in its virtual version…). It was much closer than that… And it is much more difficult when it comes from someone we know and who tries by all chances, any chances, to replace us in the lives of our people, those who live in our heart, in what we do and generously share. The message to hold was “Thank you for sharing, now that I already know how to do it, we do not need you any more.” This attitude was like biting the apple in the garden of Eden. I realized that I was naked for having given so much of myself. The beautiful small flowers I had sowed in my garden were being gutted off when they could be here for all to enjoy. I never bought flowers again. This experience left me perplexed over so many of you who, many without even knowing me, give me such significant positive support. From that 1% I got to know a bit of evil.

 

Sometimes some distance is absolutely indispensable and what I felt at a certain point was that I needed, among all the blog projects, at least one that was mine. Only mine, that I could have in my lap, to cover me, to dress me. And facing the reality that I was sharing everything, the idea of “protecting” the project that was the dearest to me was the least bad solution. So I decided to save my Nature Journal for myself.

 

A long time later, clarity was back in my path, the distance made its magic and I wasn’t naked again, I was already wearing a fresh dress of flowered pattern. I know I am the only one who learned from the situation, because distance is a tool that is not useful when being selfish is a mark of character, but it was enough at least to me to realize that to this 1% of acquaintances, I have to give them the value that was given to my generosity. None. That is why I decided that I wanted to show you my complete and finished 2018 Nature Journal. This was a project with a lot of power over me: resilience, diligence, sensitivity and learning. That praised my respect for nature, for life in any form, my vital ability to contemplate and learn, to create, with my own hands what no one else can do for me. Because I’m the only one like me in the world. Thank you to those who follow me for good reasons: those who rock me in the same lullaby. For the rest I have nothing to offer.

 

Here is my Nature Journal of 2018, with one page a week revealing the best of my days, despite everything that has gone on.

 

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