Zé, the rat that lives in a tin.

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“Zé” foi o nome mais pequeno que encontrei para este ratinho que vive numa pequena lata. O Zé é um viajante à boleia que toma conta do pai da menina Dalila sempre que ele viaja. Estar longe nem sempre é fácil e as saudades apertam! O Zé foi incumbido pela Dalila de tomar conta do pai e dar-lhe todos os miminhos que ela não pode dar-lhe enquanto trabalha longe de casa. Assegura-se também de que nunca está sozinho, de que toma o seu copo de leite diário, come os vegetais e que escova os dentes antes de deitar. Em compensação o Zé nunca sabe onde vai acordar no dia seguinte! Pode ser em na Ópera de Paris, num jardim do Japão ou em casa, onde conta as suas aventuras à pequena Dalila com tanto pormenores que é difícil perceber como cabem num ratinho tão pequeno! Mas porque o trabalho é árduo, o Zé veio acompanhado de uma casa portátil para que possa descansar tranquilo sempre que quiser!

“Zé” was the smallest name I was able to find for this little mouse that lives in a small tin. Zé is a hitchhiking traveler who takes care of Dalila’s father while he travels to work. Being away is not always easy and they miss each other a lot! Zé was tasked by Dalila to take care of her father and give him all the treats she can’t give him while working away from home. He also makes sure he is never alone, that he drinks his daily glass of milk, eats vegetables and that he brushes his teeth before bedtime. On the other hand, Zé never knows where he will wake up the next day! It can be at the Paris Opera, in a garden in Japan or at home, where he tells his adventures to little Dalila in such detail that it is difficult to understand how they fit in such a small mouse! But because his work is hard, Zé came with a portable home so he could safely rest whenever he wants!
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Socks finished: Hermione’s Everyday Socks

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Acho que nunca mais vos dei novidades das minhas primeiras meias feitas à mão!

É um projeto que já tem algum tempo e que fui fazendo, aqui e além, usando o fio um novelo da lã Mondim da Rosa Pomar e o modelo Hermione’s Everyday Socks da Erica Lueder.
Tenho de confessar. Deixei uma meia feita e a outra por fazer durante algum tempo! Por incrível que pareça, a primeira meia deu-me algumas dores de cabeça que, para variar, eu tomava em resolver sozinha. Grande erro, qualquer pessoa precisa de ajuda! Mas muitas vezes é importante dar uma pausa aos projetos para a cabeça aprender (eu acredito que o nosso cérebro continua a assimilar muito depois dos assuntos terem passado pelas nossas mãos). E assim foi: mal peguei na segunda meia, despachei-a em poucos dias. Atenção: eu sou uma tricotadeira lenta, assim como sou uma leitora lenta, embora ávida. Sobretudo porque gosto muito do processo, de degustar, como quem vai comendo um chocolate um quadradinho de cada vez! Por isso os meus projetos de tricô são saboreados.
Aproveitei os últimos dias para rematar, esticá-las e fotografá-las para vocês. Hoje venho mostrar-vos o resultado final!

A minha opinião sobre fazer meias é a seguinte. Na prática não, talvez não compense fazer meias. Também não compensa ter uma casa cheia de tralha e, no entanto,… Por isso o veredicto final é o seguinte. Como todas as minhas peças feitas à mão, eu acabo por me sentir muito especial quando as uso. E nunca me senti tão bem com um par de meias! Por isso sim, considero que compensa de vez em quando fazer um ou outro par com o objectivo de ser um par especial. Não muito longe da sua história, estas meias reforçam a minha imaginação e confiança, precisamente o que caracteriza a Hermione que lhes dá o nome. A ter de escolher, esse seria sempre o par de meias que calçaria nos pés.

I don’t think I ever gave you any news of my first handmade socks!

It is a project that has been going on for some time and that I have been doing, here and there, using the a ball of Mondim wool from Rosa Pomar and the Hermione’s Everyday Socks pattern by Erica Lueder.
I have to confess. I left one sock done and the other undone for a while! Incredible as it may seem, the first sock gave me some headaches that, for a change, I took to solve by myself. Huge mistake! Everyone needs some help. But it is often important to take a break from projects sometimes, in order to let our brain to learn (I believe our brain continues to assimilate long after the things actually passed). And so it was: as soon as I picked up the second sock, I done it in a few days. Warning: I am a slow knitter, just as I am a slow (despite avid) reader. Especially because I really like the process, tasting it, like someone eating a chocolate one square at a time! That’s why my knitting projects are savored.
I used the last few days to shoot, do stretch and photograph them for you. Today I show you the result!

My opinion about making socks is as follows. If I am being practical, it may not be worth making socks. But you know, It also doesn’t worth to have a house full of junk, and yet… So the final verdict is that I like all my handmade pieces, I end up feeling very special when I use them. And I never felt so good with a pair of socks! So yes, I think it pays off from time to time to make one special pair of socks. Not far from their history, these socks reinforce my imagination and confidence, precisely what characterizes Hermione’s personality and who gives the socks their name. In the end if I have to choose, that would always be the pair of socks you would wear on myfeet.

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Stay at home: everything is gonna be okay.

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Decidi escrever este post porque estes são tempos desconcertantes: o estado de emergência devido à pandemia mundial de COVID-19 deu a volta às nossas vidas e cobre a maior parte das nossas preocupações. Ora, aqui eu não vou falar da pandemia, daquilo que podia ter sido feito, dos nossos descuidos como sociedade. Não vou falar das complicações do tele-trabalho, daqueles que ficaram sem trabalho, daqueles que já não aguentam os filhos em casa, dos pais que deixam os filhos loucos, das férias que deixaram de se fazer e os planos que ficaram parados. Não vou falar das corridas estapafúrdias ao supermercado, nem das pessoas que, de forma egotista, ignoram as medidas de contenção. Nem tão pouco vou falar na falta de ética jornalística e deturpação do profissionalismo nesta área. Não vou falar da falta de confiança dos patrões nos seus trabalhadores, não vou falar dos abusos de quem fica em casa, não vou sequer tocar no assunto do futuro da economia… Venho apenas observar as coisas boas, a metade do copo que, apesar de tudo continua cheia.

Hoje acordei com o chilrear das aves mais perto da minha janela do que o habitual. Ouvi-as piar durante mais tempo pela manhã. Os seus cantos parecem-me mais variados e indiciam a sua diversidade. Vi bolinhas de sabão caídas do céu numa tarde de sol. Vi mensagens de vizinhos escritas à mão. Ouvi cantar. Vi pais a correr com filhos adolescentes e uma mãe a tentar andar de skate. Vi um aluno de artes pintar o por-do-sol. Um casal a lanchar junto ao estuário depois de correr. Não ouvi nada, nada, a partir das 20h. Ouvi palmas apenas. Senti o ar mais leve, menos poluído. Ouvi rir. Vi receitas, flores e livros serem partilhados. Senti o leve aroma do pão quente e do bolo de chocolate acabado de sair do forno. Deixei o guarda roupa fechado e abri o armário das lãs, dos tecidos, dos pincéis e aguarelas, destapei a máquina de costura. Remendei uma baínha e acabei projetos antigos. Senti uma enorme vontade de estar lá fora e alguma angústia de saber que esta primavera que começa terá de ser um forçoso prolongamento do tempo de inverno, em casa. Mas lembrei-me que o Inverno tem sido cada vez mais sobre a temperatura e as chuvas do que verdadeiro tempo de recolhimento: não há diferença na nossa sociedade entre os comportamentos de inverno e de verão. Estamos tão trocados como as estações do ano devido às alterações climáticas. Até que nos chega algo, neste caso invisível mas poderoso, que nos obriga a ceder e a incorporar um “inverno” nas nossas vidas predefinidas. Abala tudo é certo mas, se quisermos olhar para ele com verdadeiro significado, deixemos abraçar-nos pela calma que, mais do que a preocupação, nos salva dia após dia. O inverno acabou cá fora mas a nossa natureza humana pede-nos um hibernar mais prolongado para um despertar mais intenso. Vai ficar tudo bem.

I decided to write this post because these are strange times: the state of emergency due to the global pandemic of COVID-19 bounced back our lives and covers most of our concerns. Now, I am not going to talk about the pandemic, about what could have been done, about our carelessness as a society. I am not going to talk about the complications of home-work, of those who lost their job already, of those who can no longer bear their children at home, the parents who drive their children crazy. The canceled holidays and the plans that have been paused. I am not going to talk about the stupid assaults to the supermarket, nor about the people who ignore the contingency measures. I will not mention the lack of journalistic ethics, the misrepresentation and the lack of professionalism in this area. I’m not going to talk about the bosses’ lack of confidence in their workers, I’m not going to talk about the abuses of those who stay at home, I’m not even going to talk about the future of our “beloved” economy… I am just noticing the half of the cup that remains full.

Today I woke up to the birds chirping closer to my window than the usual. I heard them chirp longer in the morning. Its songs seem to me more diverse and indicate the wonder of urban biodiversity. I saw soap bubbles falling from the sky on a sunny afternoon. I saw handwritten messages from neighbors. I heard someone sing. I saw parents running with teenage children and a mother trying to skate. I saw an art student painting the sunset. A couple snacking by the estuary after their running workout. I didn’t hear anything, anything, after 8pm. I heard only people clapping. I felt the air lighter, less polluted. I heard you laugh. I saw recipes, flowers and books being shared. I smelled the light aroma of hot bread and freshly baked chocolate cake. I left the wardrobe closed and opened the drawer were I keep the wool, fabrics, watercolors and brushes and I uncovered my sewing machine. I mended a seam and finished old projects. I felt a great desire to be outside and some sadness to know that the Spring that has just begun will have to be a compelling extension of Winter time, at home. But I remembered that Winter has been more and more about temperature and rain than the actual recollection time: there is no difference in our society between Winter and Summer behaviours. We are as puzzled as the seasons due to the climate change. Until something comes: invisible but powerful. Something that forces us to be as humans as we can be and accept a “winter” in our predefined lives. It shakes everything up, but if we want to look at it with real meaning, let us embrace the calm that, more than worry, saves us day after day. Winter has ended outside, but our human nature calls for a longer hibernation and a more intense awakening. Everything is gonna be okay.

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Hector, the White Rhino that loves to travel

Hector no Lago Nakuru no Quénia. | Hector at Lake Nakuru, Kenya.

Os rinocerontes foram alvo de devastadoras caçadas que praticamente os levaram à extinção! | Rhinos have been target of devastating hunts that have practically led them to extinction!

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Esta foi a vez do Hector, o um Rinoceronte-branco que gosta de viajar. O Hector foi criado para o Pedro que é um menino cheio de personalidade e que também já começou a sua viagem pelo mundo. O Pedro adora turras e brincadeira e precisava de um amigo à altura. Por isso, o Hector, com o seu duplo corno e muito boa disposição pareceu-me a parelha ideal para o meu amiguinho. O Hector é uma vedeta: já nasceu assim por ser um dos poucos exemplares de Rinoceronte-branco no mundo inteiro! Passa quase todo o tempo a viajar em campanhas de sensibilização para a protecção da Biodiversidade e já esteve em perigo muitas vezes. O Hector é também um excelente contador de histórias e capaz de absorver a atenção do Pedro com as suas aventuras pela conservação em todo o mundo. Mas o seu destino favorito é voltar a casa, nos os lagos do Quénia, onde gosta de vestir uma camisa florida e esticar-se ao sol a ver flamingos que ali chegam entre Maio e Outubro. Há quem diga que é um bocado bruto mas, no fundo as turras do Hector, tal como as do Pedro são cheias de cumplicidade. O Hector é na verdade um coração mole e um grande defensor da biodiversidade!

This is Hector: the white rhino who loves to travel. Hector was created for Pedro who is a boy full of personality and who has also started his journey around the world. Pedro loves head kicking with his loved ones and needed a good friend. For this reason, Hector, with his double horn and very good disposition, seemed to me the ideal partner for my little friend. Hector is a star: he was born that way because he is one of the few specimens of White Rhino in the whole world! He spends most of his time traveling on awareness campaigns for the protection of Biodiversity and has been in danger many times. Hector is also an excellent storyteller and is able to absorb Pedro’s attention with his stories of adventures around the world. But his favorite destination is to return home to Kenya’s lakes, where he likes to wear a flowery shirt, stretch out in the sun and see the flamingos arriving between May and October. Some say he is a bit rough, but in fact Hector’s headkicks, like Pedro’s, are full of cumplicity. Hector is actually a soft heart and a great defender of biodiversity!

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