Handmade bread cloth bag

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O saco do pão era um artigo indispensável quando eu era criança. Ninguém ia comprara pão sem levar consigo o seu saco do pão. Mais! Até há bem pouco tempo, o pão podia ser mesmo entregue porta a porta e distribuído em belos sacos do pão que ficavam pendurados no portão. É um hábito que ainda podemos encontrar um pouco por todo o país mas raramente vemos os famosos sacos do pão…
Eu fiz o meu saco do pão a partir de um pedaço de tecido que tinha em excesso e aproveitei umas antigas tiras de prender as cortinas bordadas à mão pela minha mãe (daí terem sido guardadas tanto tempo e com tanto carinho), para decorar o meu saco do pão!
O resultado é ternurento: não vos vou contar o número de sorrisos que se criam na padaria a propósito do meu saco do pão! Além disso é ecológico, permite o pão respirar e a minha mãe fica feliz sempre que volta a ver as tiras bordadas à mão aplicadas agora a uma nova vida!

The bread cloth bag was an indispensable item when I was a child. No one was going to buy bread without taking their own cloth bag! Actually, until recently, bread could even be delivered door to door and distributed in this beautiful cloth bags that hung at our gates. Bread at our door is a habit we can still find all over the country but we rarely see the famous bread cloth bags…
I made my cloth bag for bread out of a piece of fabric and took advantage of some old hand-embroidered curtain strips made by my mother (that is why they were kept for so long in a drawer) to decorate!
The result is tender: I can’t tell you the number of smiles and sweet words I get in the bakery because of my bread bag! It’s also environmentally friendly, lets the bread breathe, and my mom is happy whenever she sees her hand-embroidered strips having a new life!
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Painting outdoors and “a la prima”

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Pintar ao ar livre e a la prima é algo que todos os aspirantes a pintores sonham em fazer bem. Mas é uma experiência bem diferente de pintar em estúdio com todo o tempo do mundo. E como tal as expectativas devem ser geridas em função da experiência em questão!

Se pintar aguarela ao ar livre é algo mais ou menos descontraído, pintar a óleo poderia ter-se revelado extremamente confuso. Contudo, depois do desafio lançado pelos colegas a minha primeira experiência a la prima, ao ar livre e a óleo foi uma aprendizagem muito relevante.
Não só me permitiu perceber que não é assim tão complicado trazer os materiais, pode ser tão rápido quanto eu quiser e força-me a trabalhar de forma mais espontânea e com uma paleta de cores bem afinada e restrita.

O resultado revelou-se bastante impressionista e depois de chegar a casa percebi que o segredo também passaria por usar pincéis de dimensões diferentes para criar mais efeito optico. Contudo, e porque o objectivo é pintar rápido, trazer telas pequenas em prancheta ou mesmo em papel apropriado para pintura a óleo, torna a técnica mais fácil de trabalhar fora do estudio. Evitar o oleo de linhaça e investir em mais terbentina permite ajustar um pouco os tempos de secagem e as mudanças de luz obrigam-me a ser “eficiente” e “definitiva” com o traço. Foi um exercício que gostaria de repetir novamente e apercebo-me que gostaria de pintar mais vezes no exterior, onde as cores e a luz mudam a todo o momento, desafiando-nos! Claro está que sacar de um pincel e de uma paleta num jardim público ainda é motivo para atrair “público”, algo para que nem todos estamos preparados e a que ainda tenho de me habituar… Por outro lado, é muito provável que, aos poucos, nos cruzemos com uma pequena “tribo” de outros artistas que nos pode motivar, inspirar e encorajar!

Painting outdoors and “a la prima” is something every aspiring painter dreams of. But it’s a very different experience from the studio painting where we have all the time in the world to work on a piece. Because of this, expectations must be managed based on the experience in question!

If outdoor watercolor painting is thing more or less easy to do, oil painting could have been extremely messy. However, after being challenged by my colleagues, my first “a la prima” experience in the open air and using the oil was a very fulfilling learning experience.
Not only has it allowed me to realize that it is not that complicated to bring your oil painting materials outdoors, painting can also be as fast as I want and forces me to work more spontaneously and with a narrow color palette.

The result turned out to be quite impressionistic and while arriving home I realized that the secret would also be to use brushes of different dimensions to create more optical effects. However, and because the goal is to paint quickly, bringing a small canvases on a clipboard or even a sheet of paper suitable for oil painting, makes the technique easier to work out of the studio. Avoiding flaxseed oil and chosing terbentine allows me to adjust the drying times a little and the light changes forces me to be “efficient” and “determined” with my strokes. It was an exercise I would like to repeat and I realize that I would like to paint more often on the outside: where colors and light change all the time, challenging me! Of course, pulling out a brush and a palette in a public garden is still reason to attract “public”, something that we are not all prepared for and which I still have to get used to… On the other hand, it is very likely that, gradually we come across a small “tribe” of other artists who can motivate, inspire and encourage us!

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Letting go

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O meu terceiro Caminho foi deveras diferente. Desta vez percorremos o caminho da Prata desde Ourense até Santiago de Compostela. Foi um caminho duro, em que os desafios não deixavam muito espaço para apreciar a paisagem.
Este foi um caminho muito clarificador para mim. Como se as nuvens de nevoeiro que por vezes povoam a nossa visão se tivessem desvanecido à minha frente e deixado mostrar a nitidez que acompanha o amanhecer depois da chuva. Nem sempre, porém, sabe tão bem ver as coisas claras. Não é bom como beber da água fresca directamente da fonte… nem sempre esta “água” é tão fresca, tão insípida como a água da fonte.
Penso que, mais uma vez, o impacto do Caminho se fez combinar com o desafio do percurso e resultou, pelo menos para mim, numa verdadeira experiência emocional!
Como sabem, em nenhum Caminho eu levei muita coisa. Mas o que levava comigo, e porque era pouco, acabava por se fazer carregar de significado. Eu sou uma pessoa de significados: prefiro ter menos mas anseio que o que tenho tenha significado. Mas este caminho demonstrou-e que, por vezes agarramos as coisas que na verdade, precisamos de largar: como o artista que vende a sua obra de arte. Isso não significa que ela não viva mais…

Ora, o Caminho já havia demonstrado para muita gente que podia ser o momento certo para nos fazer entrar em modo “sobrevivência”. Que nos podia mostrar como é estar connosco, como é estar com quem nos acompanha e com quem nos aparece. Fazer libertar-nos das coisas materiais, das coisas de que nos convencemos, libertar-nos até das falsas verdades nas quais nos vemos empenhados e comprometidos todos os dias. Tudo passa a ser relativo e é-lhe atribuído o devido valor: sem querer, sem controlo, somos mais honestos, mais transparentes connosco e com os outros. Para uns pode resultar em alguma desilusão: “não sou tão forte como imaginava”, “afinal aquela pessoa não é quem eu pensava ser”, “porque motivo não consigo parar de dar valor a este objecto quando não tem mais sentido?”. Para outros, pode ser uma manifestação de resiliência: “caramba, eu posso isto e muito mais”, “quando os meus valores se colocam à prova eu reconheço em mim alguém valioso”, “na verdade, de tudo o que trago, só importam aqueles que também me levam no coração”.
Eu diria que este caminho teve uma mistura perfeita de ambas as situações: nunca deixou de haver o fascínio do Caminho, das viagens em silêncio, do tempo de descanso no albergue ou das conversas dos outros peregrinos… Mas desta vez o caminho veio recheado de convicção e coragem: para olhar para mim com a força inimaginável que possuo num corpo pequeno de menina, para não deixar mais passar, para expor, para dar a conhecer o que vale para mim…para compreender e clarificar minhas dúvidas, transformando algumas em certezas e outras em desmentidos.

No dia em que se celebravam dois aniversários menos felizes (um de um acidente de comboio às portas de Santiago e o outro da grande viagem da minha avó), ofereci a minha vieira, e a minha oração àqueles que partindo sem contar ansiavam, tal como nós, o encontro mais genuíno com o nosso eu interior. Parece-me que, por vezes, os que cá estamos, ainda nos procuramos demais, saturamos demais, fazemos muito esforço… pelas coisas erradas nas quais não estamos espelhados ou não nos deixamos espelhar… A minha vieira representava a minha união com o divino através do meu próximo e foi pintada de forma ancestral: a aguarela e usando o ultramarino, originalmente derivado do pó do lapis lazuli… era cheia de significado para quem a usasse, valia-lhe a perfeição natural. Era um tesouro com maior valor do que o somatório das suas intenções e desgastava-me vê-la deteriorar-se sem mais concretizar o seu verdadeiro sentido. Aquela adoração começava a deixar de fazer sentido, começava a pesar-me como se eu fosse uma locomotiva a puxar, sozinha, um pesadíssimo comboio. Preferi ficar com a recordação da obra de arte que, descuidada, acabei por carregar naquelas cores vibrantes, as intenções genuínas que levava… Se eu não me atreveria a corrompê-la, porque deixaria colocar nas mãos de outros fazê-la chegar ao seu destino? Não quero mais ficar apegada ao que não me acompanha e quero saber libertar-me daqueles brilhos, daquelas cores que, com muito significado, tornam a entrega difícil mas mais profunda, sentida… e por vezes libertadora.

Por dois segundos, apenas por dois segundos, me arrependi… desejei regressar para a segurança da minha vieira, do seu significado, das suas memórias, das suas intenções, do carinho e dedicação com que a pintei. Não durou mais do que isso: logo depois senti-me libertar. Era a decisão certa para mim, a única que ainda carregava aquela beleza intacta. Entreguei-a por isso àqueles que descobriram, cedo demais, a sua última morada. Eu, a “artista” queria expor a minha obra de arte no lugar mais belo de todos… e creio que, menos distraídos do que nós, aqueles saberiam o que fazer com ela.

Tenho agora a tarefa de pintar outra, com um novo significado.

 

My third Camino was quite different. This time we followed Via de la Plata from Ourense to Santiago de Compostela. It was hard, and the challenges did not leave much room to enjoy the landscape as intensly as my previous Caminos.
Most of all this was a very clarifying Camino for me. As if the winter fog that sometimes hamper our vision, have faded in front of me and allowed to walk the sharpness landscapes of dawn, after the rain. However, it is not always pleasant to see things more clearly. Not as good as drinking fresh water directly from a spring… this “water” is not always as fresh, as tasteless as spring water.
I think that, once again, the impact of the Camino was combined with the challenges of the journey and resulted, at least for me, in a true emotional experience!
As you know, I never take much with me during the Camino. Howevwr, all I take with me eventually carries a lot of meaning. I am a person of meanings: I prefer to have less stuff but meaningful. But this Camino has shown us that sometimes, despite the little we take, we seem to grasp the things we really need to let go: like the artist who sells his work of art. That doesn’t mean it doesn’t live anymore…

Well, the Camino had already shown to many pilgrims that it could be the right time to get us into “survival” mode. That could show us what it is like to be with just with our own company, what it is like to be intensely with those who accompany us and the ones we know for the first time. To make us free from material things, from the thoughts we are convinced of, even from false truths to which we are committed every day. Everything becomes relative and is given its true value: unintentionally, without control, we are more honest, more transparent to ourselves and to others. For some it may result in some disappointment: “I am not as strong as I imagined”, “after all that person is not who I thought he/she was”, “why can’t I stop valuing this object when it no longer makes sense?”. For others, it may be a manifestation of resilience: “damn, I can do this and much more”, “when my values are tested I recognize in myself someone valuable and strong”, “in fact, among everything I bring with me, the only thing that really matters are the ones that also carry me in their heart”.
I would say that this Camino had a perfect mix of both situations: the fascination of the Camino, the silent travel, the rest time in the albergue or the conversations with the other pilgrims never ceased … But this time the Camino came also packed of conviction and courage: to look at me with the unimaginable strength that I have in this small girl’s body, to not ignore what must be worked, to expose, to make known what is worth to me as a person… to understand and clarify my doubts, transforming some in certainties and others in denials.

On the day when two happy birthdays were celebrated (a train crash near Santiago and my grandmother’s great trip…), I offered my scallop and my prayer to those who left this world without being prepared for the most genuine encounter with their inner self. It seems to me that sometimes the ones here are still looking for each other too much, we saturate too much, we make a lot of effort… for the wrong things that do not mirror us… My scallop represented my union with the divine through my favourite people and was painted in an ancestral way: using french ultramarine watercolor which originally derived from the lapis lazuli powder. It was full of meaning for those who used it, it was worth the natural perfection. It was a treasure of greater value than the sum of its intentions, and it frayed to see it deteriorate without living its true meaning anymore. That meaning was beginning to cease to make sense, it began to weigh on me as if I were a locomotive pulling a very heavy train by myself. I preferred to keep the memory of the work of art that, carelessly, I ended up carrying in those vibrant colors, the genuine intentions that it carried. Well, if I would not dare to corrupt it, why should I let its desteny in hands of others? I no longer want to be attached to what is not with me, and I want to know how to break free from those sparkles, those colors that, with great significance, make delivery difficult but deeper… and liberating.

For two seconds, just for two seconds, I regretted leaving it there. I wanted to return to the safety of my scallop, its meaning, its memories, its intentions, the affection and dedication I devoted to it. That feeling did not last long: soon afterwards, I felt free. It was the right decision for me. I was the only one that still carried with me that unspoiled beauty. I gave it to those who discovered their last address too soon and might need an orientation. I guess I, the “artist”, just wanted it to be exhibited in the most beautiful place of all … and I believe that, less distracted than us, those souls would know better than anyone what to do with it.

Now I just to paint another scallop, with a brand new meaning.

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Music literacy is also a DIY adventure

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Um dos compromissos de “ano novo” que fiz para este e os próximos anos foi tornar-me musicalmente mais culta no que diz respeito à música Pop. Desde que tenho memória que fui habituada a ouvir sobretudo música erudita e, quando às 8h00 chegava à escolinha, já tinha provavelmente ouvido o primeiro ato de um ballet qualquer, meia dúzida de corais de Bach ou três andamentos de uma sinfonia de Beethoven. Não me estou a queixar, foi a minha experiência musical. Obrigada pai! E mais rapidamente sou capaz de identificar os meus compositores favoritos do que escolher uma banda ou cantor pop. Contudo, com um aficionado por música em casa (que me ganha tanto na música pop, rock ou mesmo erudita!) senti que gostava de aprender mais acerca dos estilos musicais que andam por aí, sabendo definir melhor aqueles que eu prefiro e que gosto de partilhar. Não conheço nada de nada!
Por isso embarquei na grande aventura de ouvir toda a lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos da revista Rolling Stone. Está claro que depois destes meses todos não estou nem perto de terminar! Nada disso. Orgulho-me contudo de já ter ouvido os 100 primeiros (500-400), alguns que repeti e de cujos autores fui saber mais.

Foi a primeira vez que ouvi The White Stripes e que compreendi que Kiss não é hardcore apesar das capas dos álbuns. Recordei dois albuns de Pearl Jam que não ouvia desde os meus 18 anos e outros quantos de Coldplay e da fabulosa Amy Winehouse.
Foi a primeira vez que ouvi um album completo da Cyndi Lauper, Manu Chao, Elvis Costello, George Michael, Bruce Springsteen, Elton John ou dos inconfundíveis R.E.M ou Dire Straits. Foi quando percebi que “Killing Me Softly With His Song” era dos Fugees (Yeah, shame on me…!).
Ouvi coisas de Police que não diria que eram Police (e fiquei a saber que nem todas são cantadas pelo Sting) e um U2 desconhecido para mim! Confirmo que Def Leppard e PJ Harvey não são a minha onda e que Nirvana tem dias que sim, tem dias que não… Reconheci que o meu Beatle favorito é o George Harrison, sem dúvida. Percebi que gosto de Eric Clapton e The Doors mas que não sou grande fã de Bob Dylan.

Agora tenho 400 álbuns pela frente e ainda muito para aprender! Estou a adorar o meu desafio pessoal.

One of “New Year” commitments I made for this and the next few years was to become more musically cultured with regard to pop/rock music. Since I have a memory I was used to listening mostly to classical music. And by 8:00 am while my father was driving me to school I had probably already heard the first act of a ballet, half a dozen Bach choirs, or three movements of a Beethoven symphony. I’m not complaining, it was my musical experience,, that’s it. Thanks Dad! I can identify my favorite clasic compositors more quickly than choose a band or pop singer. However, with a music aficionado at home (who beats me in pop, rock but also in classical music!) I felt like I wanted to learn more about the music styles out there, knowing better the ones I prefer and that I like to share. I feel I don’t know anything at all!
So I embarked on the huge adventure of listening to Rolling Stone’s list of the 500 best albums of all time. Of course, after all these months, I’m not even close to finishing! Not at all. However, I am proud to have heard the first 100 albums (500-400), some of which I repeated and whose authors I learned more about.

It was the first time I heard The White Stripes and realized that Kiss is not that hardcore despite their album covers. I remembered two albums from Pearl Jam that I haven’t listened to since I was 18 years old and others from Coldplay and the fabulous Amy Winehouse.
It was the first time I heard a full album of Cyndi Lauper, Manu Chao, Elvis Costello, George Michael, Bruce Springsteen, Elton John or the unmistakable R.E.M. or the Dire Straits. That’s also when I realized that “Killing Me Softly With His Song” was a song from the Fugees (Yeah, shame on me …!).
I heard things from Police that I wouldn’t say were Police (and not all of them are sung by Sting) and an very unknown U2 to me! I confirm that Def Leppard and PJ Harvey are not my thing and that Nirvana some days is, some days is not … I recognized that my favorite Beatle is George Harrison, no doubt. I realized I like Eric Clapton and The Doors but I’m not a big fan of Bob Dylan.

Now I have 400 albums ahead and still a lot to learn! I am loving this personal challenge.

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